Pederastia na Grécia Antiga

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Casais pederastas em um simpósio, como descrito no afresco de um túmulo na colônia grega de Pesto, na Itália.

A pederastia na Grécia Antiga era uma relação socialmente reconhecida entre um adulto e um jovem do sexo masculino geralmente na adolescência.[1] Foi uma característica social dos períodos arcaico e clássico.[2] Alguns estudiosos localizam a sua origem no ritual de iniciação, especialmente os ritos de passagem. Na ilha de Creta, a prática foi associada com a entrada na vida militar e na religião de Zeus.[3] O costume social chamado pelos gregos de paiderastia era tanto idealizado quanto criticado na literatura e na filosofia antigas;[4] o costume não aparece nos poemas Épicos de Homero e parece ter se desenvolvido no final do século 7 a.C., como um aspecto da cultura grega homossocial,[5] que foi caracterizada também pela nudez atlética e artística, o casamento adiado por aristocratas, simpósios e pelo isolamento social das mulheres.[6] A influência da pederastia era tão difundida que tem sido chamada de "a essência do modelo cultural para relações livres entre os cidadãos."[7]

Estudiosos têm debatido o papel e/ou a importância da atividade sexual, que é susceptível a ter variado de acordo com o costume local e com a inclinação individual.[carece de fontes?] Atualmente, o termo "pederastia" implica o abuso de menores, mas o direito ateniense, por exemplo, não reconhecia o consentimento e a idade como fatores de regulação do comportamento sexual.[8] Conforme o historiador clássico Robin Osborne indicou, a discussão histórica da pederastia é complicada no século XXI devido aos padrões morais vigentes:

É o trabalho do historiador chamar a atenção para as questões pessoais, sociais, políticas e até morais por trás das representações literárias e artísticas do mundo grego. O trabalho do historiador é apresentar a pederastia e tudo o que a envolvia, para ter certeza de que ... encarando que a glória que foi a Grécia era parte de um mundo em que muitos dos nossos próprios valores encontram-se desafiados e não reforçados.[9]

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Referências

  1. C.D.C. Reeve, Plato on Love: Lysis, Symposium, Phaedrus, Alcibiades with Selections from Republic and Laws (Hackett, 2006), p. xxi online; Martti Nissinen, Homoeroticism in the Biblical World: A Historical Perspective, translated by Kirsi Stjerna (Augsburg Fortress, 1998, 2004), p. 57 online; Nigel Blake et al., Education in an Age of Nihilism (Routledge, 2000), p. 183 online.
  2. Nissinen, Homoeroticism in the Biblical World, p. 57; William Armstrong Percy III, "Reconsiderations about Greek Homosexualities," in Same–Sex Desire and Love in Greco-Roman Antiquity and in the Classical Tradition of the West (Binghamton: Haworth, 2005), p. 17. Sexual variety, not excluding paiderastia, was characteristic of the Hellenistic era; see Peter Green, "Sex and Classical Literature," in Classical Bearings: Interpreting Ancient Culture and History (University of California Press, 1989, 1998), p. 146 online.
  3. Robert B. Koehl, "The Chieftain Cup and a Minoan Rite of Passage," Journal of Hellenic Studies 106 (1986) 99–110, with a survey of the relevant scholarship including that of Arthur Evans (p. 100) and others such as H. Jeanmaire and R.F. Willetts (pp. 104–105); Deborah Kamen, "The Life Cycle in Archaic Greece," in The Cambridge Companion to Archaic Greece (Cambridge University Press, 2007), pp. 91–92. Kenneth Dover, a pioneer in the study of Greek homosexuality, rejects the initiation theory of origin; see "Greek Homosexuality and Initiation," in Que(e)rying Religion: A Critical Anthology (Continuum, 1997), pp. 19–38. For Dover, it seems, the argument that Greek paiderastia as a social custom was related to rites of passage constitutes a denial of homosexuality as natural or innate; this may be to overstate or misrepresent what the initiatory theorists have said. The initiatory theory does not claim to account for the existence of homosexuality, but for formal paiderastia.
  4. For examples, see Kenneth Dover, Greek Homosexuality (Harvard University Press, 1978, 1898), p. 165, note 18, where the eschatological value of paiderastia for the soul in Plato is noted; Paul Gilabert Barberà, "John Addington Symonds. A Problem in Greek Ethics. Plutarch's Eroticus Quoted Only in Some Footnotes? Why?" in The Statesman in Plutarch's Works (Brill, 2004), p. 303 online; and the pioneering view of Havelock Ellis, Studies in the Psychology of Sex (Philadelphia: F.A. Davis, 1921, 3rd ed.), vol. 2, p. 12 online. For Stoic "utopian" views of paiderastia, see Doyne Dawson, Cities of the Gods: Communist Utopias in Greek Thought (Oxford University Press, 1992), p. 192 online.
  5. Thomas Hubbard, "Pindar's Tenth Olympian and Athlete-Trainer Pederasty," in Same–Sex Desire and Love in Greco-Roman Antiquity, pp. 143 and 163 (note 37), with cautions about the term "homosocial" from Percy, p. 49, note 5.
  6. Percy, "Reconsiderations about Greek Homosexualities," p. 17 online et passim.
  7. Dawson, Cities of the Gods, p. 193. See also George Boys-Stones, "Eros in Government: Zeno and the Virtuous City," Classical Quarterly 48 (1998), 168–174: "there is a certain kind of sexual relationship which was considered by many Greeks to be very important for the cohesion of the city: sexual relations between men and youths. Such relationships were taken to play such an important role in fostering cohesion where it mattered — among the male population — that Lycurgus even gave them official recognition in his constitution for Sparta" (p. 169).
  8. See Osborne following. Gloria Ferrari, however, notes that there were conventions of age pertaining to sexual activity, and if a man violated these by seducing a boy who was too young to consent to becoming an eromenos, the predator might be subject to prosecution under the law of hubris; FIgures of Speech: Men and Maidens in Ancient Greece (University of Chicago Press, 2002), pp. 139–140.
  9. Robin Osborne, Greek History (Routledge, 2004), pp. 12 online and 21.