Pedro Alexandre

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Município de Pedro Alexandre
"Serra Negra"
Pedro Alexandre 2016.jpg

Bandeira de Pedro Alexandre
Brasão de Pedro Alexandre
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 28 de julho
Fundação 28 de julho de 1962
Gentílico pedro-alexandrino
Lema Unidos pela vida com liberdade
Prefeito(a) Pedro Gomes Filho (PSD)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Pedro Alexandre
Localização de Pedro Alexandre na Bahia
Pedro Alexandre está localizado em: Brasil
Pedro Alexandre
Localização de Pedro Alexandre no Brasil
10° 00' 50" S 37° 53' 38" O10° 00' 50" S 37° 53' 38" O
Unidade federativa Bahia Bahia
Mesorregião Nordeste Baiano IBGE/2008[1]
Microrregião Jeremoabo IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Coronel João Sá, Santa Brígida e Jeremoabo em território baiano. Poço Redondo, Carira, Nossa Senhora da Glória, Porto da Folha, Monte Alegre de Sergipe e Canindé de São Francisco em território sergipano
Distância até a capital 355 km
Características geográficas
Área 1 110,078 km² [2]
População 20 245 hab. IBGE/2013[3]
Densidade 18,24 hab./km²
Altitude 356 m
Clima semi-árido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,513 baixo PNUD/2010[4]
PIB R$ 40 642,131 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 2 303,58 IBGE/2008[5]

Pedro Alexandre ou Serra Negra é um município brasileiro do estado da Bahia. Localiza-se a uma latitude 10º00'49" sul e a uma longitude 37º53'39" oeste, estando a uma altitude de 356 metros. Sua população estimada em 2010 era de 20.245 habitantes. Possui uma área de 1146,32 km².

História[editar | editar código-fonte]

Do Brasil Colônia até a Emancipação (1549-1962)[editar | editar código-fonte]

Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil, sendo nomeado, no dia 1 de junho, trouxe consigo seu filho Garcia D’Ávila que chegou à Bahia em 29 de março de 1549. D'Ávila recebeu, em 15 de junho, seu primeiro pagamento - duas vacas, por 4$ -, assim começando sua longa jornada de sucesso. Trabalhou com esforço austero e inexcedível energia durante a construção de Salvador e instalou-se inicialmente em Itapagipe, depois em Itapoã, vindo a se tornar o primeiro bandeirante do Norte. Garcia d'Ávila nunca se identificou como filho de Tomé de Sousa porque a lei portuguesa proibia que capitães-mores e governadores doassem sesmarias a seus familiares. Sobre D'Ávila, o Padre Manuel da Nóbrega escreveu: "parecendo-me ainda estar Tomé de Sousa nesta terra". D'Ávila era um nome comum na família de Tomé de Sousa que por sua vez era filho de João de Sousa, abade de Rates, e descendente de Martim Afonso Chichorro e do rei Afonso III de Portugal.[6]

Tomé de Sousa doou a Garcia d'Ávila catorze léguas de terras de sesmaria que lhe haviam sido outorgadas pelo rei Dom Sebastião. Estas terras iam de Itapoã até o Rio Real e Tatuapara, pequeno porto cinquenta metros sobre o nível do mar. Foi lá que D’Ávila, após ter vencido as tribos indígenas existentes ao norte de Salvador, ergueu sua Casa da Torre em 1550. Em 1557, já era o homem mais poderoso da Bahia. No século XVI, D'Ávila recebeu do Rei João III uma sesmaria de 60 léguas quadradas, abrangendo as terras onde hoje se localiza o município de Jeremoabo. Em conflito com os missionários, que se opunham à escravidão dos índios, D'Ávila incendiou a povoação original, reconstruindo-a depois por intervenção do Papa e do governo colonial.[7]

Em 1688 foi expedida a patente de Sebastião Dias, primeiro Capitão–Mor da aldeia Muongorus de Jeremoabo. Dez anos depois, Jeremoabo foi elevada à categoria de julgado. Em 1778, o Governo Geral do Brasil criou a freguesia de São João Batista de Jeremoabo, cuja paróquia passou a ser dirigida pelo padre Januário de Souza Ferreira. Segundo documentos da época, havia na sede 32 casas construídas e uma população de 252 habitantes. Em consequência de sua grande extensão territorial, várias povoações (em geral antigas aldeias indígenas) desmembraram-se da Jeremoabo original, vindo a se constituir em outras freguesias e mais tarde em municípios. Jeremoabo tornou-se vila por decreto de 25 de Outubro de 1831, ganhando condição de cidade em 6 de Julho de 1925.[7]

A área onde hoje está erguida Pedro Alexandre teve seu povoamento iniciado no século XVIII por colonos portugueses que ali se estabeleceram, desenvolvendo a criação de gado (ainda Sesmaria). Inicialmente, a criação de gado desenvolveu-se no litoral e nas áreas de agricultura da cana. Mas, em 1701, o próprio governo português, muito interessado no desenvolvimento da agroindústria da cana-de-açúcar, pois esta lhe fornecia bons lucros, adotou uma medida para tentar resolver a situação. Proibiu a criação de gado nas áreas de agricultura de cana no litoral. A expansão da criação de gado para o interior do Nordeste foi responsável pelo povoamento do mesmo, funcionando como um instrumento de colonização do interior do Brasil.

A fertilidade das terras atraiu novas famílias formando o arraial de Lagoa da Caiçara, um vilarejo que pertencia à comarca de Jeremoabo. Em meados de 1872, chegou nas terras do então vilarejo - atual Rua Velha - o então Pedro Alexandre de Carvalho, nascido no dia 25 de abril de 1865 e natural de Entre Montes, um povoado de Piranhas. Pedro Alexandre chegou neste arraial com aproximadamente 7 anos de idade junto ao seu pai adotivo (o velho Alexandre) que possuía o intuito de desmatar algumas áreas para fazer o plantio de algodão, produto esse introduzido para mudar o setor econômico da região. A sede, criada no distrito ganhou a denominação de Serra Negra em 1927, topônimo alterado para Voturuna em 1943.[8]

Pedro Alexandre casou-se com Guilhermina Maria da Conceição e teve 14 filhos. Entre eles, vale destacar: João Maria de Carvalho (Coronel) e Liberato Matos de Carvalho (Coronel Liberato). Ao lado dos coronéis João Gonçalves de Sá (da atual cidade Coronel João Sá) que ministrava a região de Jeremoabo e o respeitado Coronel Petro, João Maria de Carvalho se impôs com maestria, domínio e autoridade não só na região de Serra Negra como em outras localidades além fronteiras. Ora, senhor de muitas terras na Bahia e também no sertão sergipano, sem falar na influência política que mantinha em ambos os lados. Muitos perseguidos chegavam naquela região pedindo ajuda para sobreviver, proteção política ou por medo das perseguições das autoridades, da polícia ou de inimigos comuns. Esse fato deu à cidade a fama de Terra de Coronéis. A obra O Sertão de Lampião, aborda que os perseguidos por Leandro Maciel não pensavam duas vezes senão correr para a proteção do coronel baiano João Maria.[9] Pois...

“Ali (na Serra Negra), naquela ocasião, estavam homiziados os homens mais valentes do PSD de Sergipe: Zeca da Barra, Tonho Pequeno, Pititó, Josafá e os ‘Ceará’, destemidos políticos de Ribeirópolis e da Cruz do Cavalcanti. Todos eles escorraçados do vizinho Estado pela polícia e jagunços da UDN de Leandro Maciel”.

O município de Pedro Alexandre recebeu este nome quando elevado à condição de cidade. Criado com o território do distrito de Voturuna (onde situa-se a sede da atual Pedro Alexandre) e parte do território do distrito de Jeremoabo, o mesmo foi desmembrado do município de Jeremoabo pela Lei Estadual de 28 de julho de 1962. O sr. Heraldo de Carvalho que era filho do Coronel João Maria de Carvalho e o Sr. Evaldo de Carvalho que era sobrinho deste coronel, ambos foram políticos e mantiveram-se no domínio do município na condição de prefeitos por várias gestões.[10]

Cladograma Político de Gestão da Família Carvalho em Pedro Alexandre

Acontecimentos principais:

1872 Pedro Alexandre Carvalho chegou nas terras da Serra Negra.

1903 Nasce Liberato Matos de Carvalho.

1925 Falece Pedro Alexandre de Carvalho.

1925 Jeremoabo torna-se cidade e Serra Negra sua vila.

1927 O vilarejo passou a se chamar Serra Negra devido a Serra.

1927 Lampião faz abrigo periódico em Serra Negra.[10]

1928 Lampião recebe apoio de João Maria e outros coronéis.[11]

1929 Pedro-alexandrino chamado "Azulão" entra pro cangaço.[12]

1932 Batalha da Fazenda Maranduba entre polícia e cangaceiros.[13]

1938 Zé Sereno e 20 cangaceiros se entregam em Serra Negra.[14]

1939 Nasce Evaldo de Carvalho.[15]

1943 O vilarejo Serra Negra passou a se chamar Voturuna.

1962 Voturuna se desmembra de Jeremoabo para virar cidade.

Da Emancipação até a Atualidade (1962-2018)[editar | editar código-fonte]

Prefeitos:

  • Heraldo de Carvalho de 1° de janeiro de 1963 a 31 de dezembro de 1966.
  • Evaldo de Carvalho de 1° de janeiro de 1967 a 31 de dezembro de 1970.
  • João Nascimento de Carvalho (João de Oiô) de 1° de janeiro de 1971 até meados finais de 1972.[16]
  • Evaldo de Carvalho de 1° de janeiro de 1973 a 31 de dezembro de 1976.
  • Heraldo de Carvalho de 1° de janeiro de 1977 a 31 de dezembro de 1982 (5 anos).
  • Evaldo de Carvalho de 1° de janeiro de 1983 a 31 de dezembro de 1988 (5 anos).
  • Heraldo de Carvalho de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1992.[17]
  • Evaldo de Carvalho de 1° de janeiro de 1993 a 31 de dezembro de 1996.[17]
  • Petrônio Pereira Gomes de 1° de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2000.[18]
  • Petrônio Pereira Gomes de 1° de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2004.[19]
  • Salorylton de Oliveira (Salon) de 1° de janeiro de 2005 a 31 de dezembro de 2008.[20]
  • Faustino José de Lima assumiu de 18° de julho de 2006 a meados de novembro (Durante a Operação Fox).[21][22]
  • Pedro Gomes Filho de 1° de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012.[23]
  • Salorylton de Oliveira (Salon) de 1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2016.[24]
  • Pedro Gomes Filho de 1° de janeiro de 2017 a 31 de dezembro de 2020.[25]

Acontecimentos principais:

  • 1962 Pedro Alexandre foi titulada cidade através da Lei Estadual de 28 de julho de 1962.[8]
  • 1962 Heraldo filho do Coronel João Maria é eleito prefeito da cidade de Pedro Alexandre.
  • 1963 Heraldo de Carvalho assume como primeiro prefeito de Pedro Alexandre.
  • 1973 A gestão do Prefeito João de Ioiô é interrompida e Evaldo Carvalho assume a prefeitura.
  • 1981 Acidente aéreo mata 4 tripulantes que faziam vistorias do Baneb no município.[26]
  • 1984 Falece Cangaceiro Tempestade que militou o grupo do Cangaceiro Moreno.[27]
  • 1996 Petrônio Gomes se elege prefeito após 33 anos de gestão do grupo Carvalho.[18]
  • 1996 Falece o Coronel Liberato Matos de Carvalho aos 93 anos.
  • 1999 Falece o ex-prefeito Sr. Heraldo de Carvalho em 28 de julho de 1999.[17]
  • 2000 Petrônio Gomes é reeleito sendo o prefeito mais votado do Brasil em termo proporcional.[28]
  • 2006 Faustino Lima assume a prefeitura durante a Operação Fox.
  • 2009 Falece o ex-prefeito Sr. Evaldo de Carvalho em 19 de setembro de 2009.[15]
  • 2010 Morrem 2 vereadores em exercício: Sr. José Adilson Santos Melo em 21 de maio de 2010 e Sr. Valgone Costa Bezerra em 27 de setembro de 2010.[29]
  • 2011 Vereador em exercício Adairton Nunes de Jesus (Baiúca) e carona conhecido como Roberval são assassinados à tiros na BR 235. Em 7 de dezembro de 2011.[30]
  • 2012 Petrônio Gomes / Pedro Gomes perde eleição após Petrônio se eleger duas vezes e eleger dois prefeitos.[24]
  • 2013 Vice-prefeito Tonho de Zezinho sofre tentativa de homicídio.[31]
  • 2014 Falece o ex-prefeito Sr. João Nascimento de Carvalho (João de Ioiô) em 1 de dezembro de 2014.[16]
  • 2015 Consórcio EMPA/CCM/CCL inicia as obras de revestimento asfáltico da BR-235.[32]
  • 2016 Ex-prefeito Petrônio Gomes é assassinado à tiros em feira livre em 30 de julho de 2016.[33]
  • 2017 03 Componentes da mesma família tornam-se gestores: Pedro Gomes (prefeito), Cica Gomes (vice-prefeita), Pamela Gomes (vereadora).

Paleontologia - Registros fósseis[editar | editar código-fonte]

A descoberta des fósseis ocorre na época da seca, quando a população que mora próximo aos tanques - antigas lagoas, também chamadas de cacimbas, pia de pedra, cavam para retirar o sedimento para poder guardar mais água na época da chuva. Geralmente não são encontrados os esqueletos completos e articulados. Nos últimos anos os pesquisadores tem se esforçado em realizar datações de alguns dos fósseis encontrados nessa região. Já foram realizadas dezoito datações, em fragmentos de ossos e dentes, e os resultados encontrados até o momento indicam a ocorrência desta fauna entre 11 à 50 mil anos.[34]

O município possui terras que evidentemente foram habitadas por espécies primitivas que sucederam a era dos dinossauros. Há evidências regionais da presença fóssil de Eremotherium laurillardi, uma espécie semelhante as atuais preguiças. O Toxodon platensis semelhante ao atual hipopótamo, os Cuvieronius humboldtii, stegomastodon platensis e os stegomastodon waringi, estes semelhantes ao atual elefante. Sendo que, o stegomastodon waringi foi o domínio primitivo que predominou habitando nas terras do município.[35] Há a ocorrência de fósseis em cacimbas nos municípios de Monte Alegre de Sergipe, Poço Redondo e em regiões que circundam o Complexo da Serra Negra. Fósseis de mamíferos gigantes como preguiças e tatus gigantes, mastodontes, toxodontes, lhamas gigantes e o tigre-de-dentes-de-sabre são espécies encontradas no interior do município de Poço redondo, graças à pesquisa paleontológica dos bolsistas do Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal de Sergipe .

Possível gravura da pegada de um canídeo
Registro fóssil em rocha sedimentar

Em 2014, foi encontrando um registro fóssil de uma espécie pertencente ao grupo dos canídeos gravado em uma rocha sedimentar. A rocha aparenta ser resultado de um processo de litificação, onde a argila se transforma em rocha quando desidratada e submetido à compactação (normalmente pela pressão de camadas superiores).[36]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Geologia[editar | editar código-fonte]

A geologia do município é representada pelo complexo Marancó esoproterozóico, pelo grupo Macururé e granitóides cedo a tardi-tectônicos englobados nas suítes Peraluminosas Serra Negra e Carira, e Calcialcalina Conceição (Neoproterozóico). pelas formações Juá, Tacaratu e Santa Brígida (Paleozóico), e pelas formações superficiais (Cenozóico). Na porção centro-norte do município, predominam rochas xistos, filitos, metavulcanicas, metarritmitos, quartzitos, formações ferríferas, metarenitos, metassiltitos e anfibolitos do Complexo Marancó, associados a granitóides cedo a sin-orogênicos da suíte Peraluminosa Serra Negra (biotita, muscovita e/ou granada augenortognaisses granodioríticos / monzoníticos / quartzomonzoníticos, protomiloníticos a miloníticos), e a sedimentos das formações Tacaratu (arenitos com intercalações de conglomerados) e Santa Brígida (arenitos com lentes conglomeráticas e arenito com níveis de folhelhos, siltitos e dolomitos betuminoso). Ao sul afloram xistos, metagrauvacas, metarenitos, metassiltitos e metarritmitos do grupo Macururé, associados a corpos plutônicos sin a tardi-orogênico da suíte Calcialcalina Conceição (anfibólio-biotita tonalito / granodiorito, com epidoto magmático e fases subordinadas de diorito egabro) e a litótipos da suíte peraluminosa Carira (biotita e/ou muscovita leucogranitos / granodioritos). No extremo oeste, ocorrem faixas restritas de conglomerados e grauvacas da formação Juá. Depósitos colúvio-eluviais recentes, constituídos por sedimentos areno-argilosos, conglomeráticos, inconsolidados, são observados a sul do território. Solos dos tipos luvissolo, neossolo e planossolo solódico distrófico sustentam a vegetação nativa caracterizada por caatinga arbórea densa e aberta sem palmeiras, contato caatinga - floresta estacional e caatinga arbórea aberta com palmeira.

Furna da Onça - Caverna[editar | editar código-fonte]

O Boletim do Instituto Biológico da Bahia - Volumes 1-10 publicado pela Secretaria da Agricultura Indústria e Comércio em 1954, cita a existência de uma Furna que trata-se de uma cavidade de grandes dimensões, geralmente natural, no interior de um rochedo ou da terra sendo conhecida como caverna, gruta ou antro. Segundo o documento, a caverna possui 4 metros de largura, 1,50 de altura e 20 metros de extensão. A localidade da caverna é a Fazenda Bela Vista[37]:

"O ensaio de campo foi realizado no dia 13-05-965 em uma furna de pedra conhecida na região por "furna da onça" encravada na encosta de uma serra, medindo aproximadamente 4 metros de largura, 1,50 Cm. de altura e 20 metros de extensão, na fazenda 'Bela Vista", município de Pedro Alexandre (antiga Serra Negra) a 18 Km da sede do Município, pertencente ao Sr. Josclito Traga de Almeida".

Serra Negra - Cordilheira[editar | editar código-fonte]

Serra Negra é uma pequena cordilheira que atravessa a fronteira dos estados brasileiros de Sergipe e Bahia formando o Complexo da Serra Negra. No Complexo da Serra Negra, localiza-se a Serra da Guia caracterizada como um importante e pequeno relicto de brejo de altitude, um pico situado no território que pertence ao município de Poço Redondo, sendo o ponto mais alto do estado de Sergipe. A área da Serra Negra possui 750 metros de altura, 24 km de extensão e engloba aproximadamente 5000 ha onde predomina a vegetação do bioma Caatinga dividindo espaço com o bioma Mata Atlântica que esta preservado no topo da Serra. O topo da Serra da Guia apresenta um pequeno remanescente denso, com cerca de 20 ha de área.A formação arbórea constitui um dossel fechado por árvores cujo porte médio aproxima-se de 15 m, não faltando, entretanto, elementos emergentes de maior porte. A fisionomia típica de floresta úmida é reforçada pela presença de inúmeras orquidáceas e bromeliáceas epífitas, além de lianas, liquens, fungos basidiomicetos, briófitas e pteridófitas. A Serra Negra concentra a maior variedade de orquídeas do estado de Sergipe.[38] No Complexo da Serra Negra nasce o rio Sergipe com uma extensão de 210 km, atravessando Sergipe no sentido oeste/leste até desaguar no Oceano Atlântico.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O município é cortado por riachos, que apresentam nascente ao pé da serra, e desaguam em rios como o vaza-barris. Os Rio do peixe, Rio do Sal, Rio da Areia, Rio da Garatuba e o Rio das Caraibeiras são os afluentes principais da localidade. Baseado no relevo, que é formados por montanhas e baixas, com fácil drenagem e escoamento das águas da chuva, o município apresenta 37 represas de auto-porte, porém de águas salobras, mas que no entanto, no tempo da seca, servem para o consumo do gado e para pesca.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Ritual de Penitência[editar | editar código-fonte]

Ritual de penitência em Pedro Alexandre

O ritual de penitência é uma das manifestações de cultura imaterial de Pedro Alexandre. Durante o período de Quaresma, acontece a procissão dos penitentes, um ritual com grupos hierárquicos que representam os níveis “Alimentadeiras de Almas” e os “Disciplinadores”. A procissão segue um trajeto programado para casa dos fiéis que cumprem promessas e o cortejo é feito durante à noite. O guia de penitência carrega a cruz, também chamada de madeiro, se dirigindo às casas dos fiéis, onde, os moradores devem esperar com as portas fechadas a chamada que é feita através de um cântico. A matraca avisa as estações das 15 paradas da via sacra (uma matraca é um instrumento musical e sinalizador constituído geralmente de madeira onde existe um pedaço de ferro curvilíneo que, quando sacudido, produz som). Dentro das residências visitadas, são feitos rituais com movimentos típicos e a batida da matraca acompanhada das rezas. Geralmente, os penitentes de Pedro Alexandre evitam serem identificados para não quebrar a corrente ritualística.

No ano de 2011, uma equipe do Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural do Estado (IPAC), começou a acompanhando a tradição dos penitentes no estado da Bahia para a partir dessa visita, a manifestação cultural poder ser reconhecida como Patrimônio Imaterial da Bahia.[39]

Cultura dos Caretas[editar | editar código-fonte]

A festa dos caretas é uma tradição nas cidades nordestinas.[40] Durante o período do carnaval, os jovens se divertem e mantém viva, ao longo das gerações, essa cultura imaterial no calendário cultural da cidade. Os caretas trajam roupas a caráter próprio como vestidos, brincos, meias, saias, colares, calça e o rosto coberto com máscaras geralmente feitas com sobras de pano ou caretas personalizadas (o ideal deste tipo de trollagem é que não sejam identificados). O grupo percorre ruas, avenidas e parte do interior do município realizando diversas peripécias, frequentemente usando chicotes, chocalhos e muito barulho para causar medo nas crianças e adultos. Uma das peripécias comuns dos caretas é arremessar ovos nas pessoas ou banha-las com água (em alguns casos particulares e não tão raros, alguns se arriscam à dar chicotadas nas pessoas).

Impacto cultural[editar | editar código-fonte]

Personagens ligados ao município[editar | editar código-fonte]

O município conta com personagens populares de reconhecimento em nível estadual e nacional. Entre eles:

  1. Daniela Alves foi uma futebolista brasileira que fez parte da Seleção Brasileira Feminina nas Copas do Mundo de 2003 e 2007.
  2. Zefa da Guia (Josefa Maria da Silva) é uma parteira quilombola apareceu em rede nacional de televisão destacada pelas suas habilidades de parteira.
  3. Banda Moleca Forrozeira é uma banda de forró e vaquejada, com integrantes gentílicos de Pedro Alexandre e Santa Brígida.
  4. Cangaceiro Tempestade (1901-1984) foi um cangaceiro que militou o grupo do Cangaceiro Moreno entre 1920 e 1937. Faleceu na cidade aos 83 anos.[27]
  5. Liberato Matos de Carvalho (1903-1996) foi um Coronel, Comandante da Polícia Militar da Bahia e capitão da Infantaria do Exército Nacional.
  6. Clementino Heitor de Carvalho foi jornalista do jornal A TARDE e do jornal Folha Sertaneja.[41]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  1. Na Serra Negra encontra-se um pico no município de Poço Redondo que é o ponto mais alto do Estado de Sergipe.
  2. O rio das caraibeiras (Povoado Deserto) é um dos principais e maiores afluentes que desaguam no rio Vaza-Barris.
  3. Pedro Alexandre até 2007 foi o município de maior índice de analfabetismo do Brasil seguido de Coronel João Sá.
  4. A Serra Negra possui um enorme trecho de Mata Atlântica preservado em meio à caatinga no semi-árido brasileiro.
  5. O Rio Sergipe nasce na Serra Negra, no povoado Ponta da Serra, precisamente nas fazendas Sombrio e Santa Maria.
  6. Serra Negra segundo o biólogo Marcelo Cardoso, concentra a maior quantidade de orquídeas do Estado de Sergipe
  7. A região onde Pedro Alexandre esta erguida integrava a sesmaria da Casa Torre de Garcia d"Ávila.
  8. Pâmela Gomes eleita pelo PR do município de Pedro Alexandre em 2016, é a vereadora mais jovem do Brasil, com apenas 19 anos.[42]
  9. Petrônio Gomes em 2000, foi reeleito com 87,3% dos votos, sendo o prefeito mais votado do Brasil em termo proporcional.[28]

Acidente aéreo de 1981[editar | editar código-fonte]

Em 30 de dezembro de 1981 o avião Cessna 310, prefixo PP-CZO, pertencente à Abaete Taxi Aéreo Ltda. decolou da pista simples de pouso de Pedro Alexandre, transportando Renée Calwetti, Irineu neto, Benedito Sá e Nicolau Mufford Ribeiro que era engenheiro civil do Baneb - Banco do estado da Bahia. Os engenheiros que vistoriavam obras do Baneb no município de Pedro Alexandre e pretendiam vistoriar as obras de construção de uma agência daquele banco em Aracaju. Precisamente às 18:15 horas da quarta-feira o avião colidiu com a Serra de Itabaiana em virtude da péssima visibilidade do local, matando os quatro ocupantes do avião. O Jornal Gazeta de Sergipe (1981) cita[26]:

"O prefeito do município de Pedro Alexandre, Sr. Eraldo Carvalho, tão logo soube do acidente, dirigiu-se à Itabaiana. Informou então que os engenheiros do BANEB foram ao seu município inspecionar obras financiadas pelo banco [...] O avião deveria seguir logo depois para Paulo Afonso e viria para Aracaju no final da tarde".

Restos da Aeronave Cessna 310, prefixo PP-CZO, que decolou de Pedro Alexandre rumo à Aracaju (Sergipe)

Uma testemunha ocular afirmou que por volta das 17 horas já parecia noite na serra de Itabaiana. As nuvens eram espessas e a visibilidade reduzia-se a zero. Quem olhava para a serra, mesmo de perto, pensava que se tratasse apenas de nuvens e não de um maciço rochoso. Ainda de acordo com algumas testemunhas, o avião baixou devido à pouca visibilidade e continuou rumar em direção à serra e, quando aproximou-se mais, ao que parece, o piloto percebeu que não eram apenas nuvens que se encontravam à frente e tentou subir de imediato, quando já era tarde e terminou colidindo com uma parte rochosa da Serra de Itabaiana às 18:15 horas da quarta-feira . De acordo com as informações do departamento de proteção ao Voo do Aeroporto Santa Maria, o piloto do avião, Renée Calwetti, havia se comunicado poucos minutos antes com o aeroporto e havia afirmado que estava tudo bem e que pousaria dentro de cinco minutos em Aracaju.[26] Os corpos dos tripulantes foram sepultados em Salvador.

Coronéis e Cangaceiros[editar | editar código-fonte]

Segundo informações extraídas do Seminário Carirí do Cangaço em Piranhas - Alagoas, desde os testemunhos orais aos relatos dos historiadores, firmou-se o entendimento de que Lampião sempre gostou de bandear para o sertão sergipano. A verdade é que o Capitão se sentia bem na proximidade de amigos como o Coronel João Maria de Carvalho (da Serra Negra, município baiano vizinho a Poço Redondo) e Teotônio Alves China, o China do Poço. Certamente não acoitava aos pés dos serrotes baianos por causa de Zé Rufino e seu quartel-general também na Serra Negra. Então permanecia nas terras de Poço Redondo.[43] A história da morte do cangaceiro Antônio Ferreira faz referência da presença de lampião na Serra Negra. Trecho:

"Em janeiro de 1927, os cangaceiros Antônio Ferreira, Jurema e mais outros estavam jogando baralho na fazenda Poço do Ferro, quando um dos indivíduos tentou levantar da rede apoiando a coronha da espingarda no chão, a arma acidentalmente disparou atingindo matando o cangaceiro Antônio. Lampião estava na Serra Negra e quando foi avisado correu pra saber da verdadeira história. O cangaceiro Jararaca queria matar os cangaceiros que estavam no lugar, Lampião não aceitou e por isso discutiram, por fim Jararaca deixou a companhia de Lampião e seguiu outro rumo."
Serra Negra na Cena do filme Aos Ventos que Virão.
Liberato De Carvalho

O filme Aos ventos que virão do diretor Hermano Penna, baseado na história de José Francisco do Nascimento, ou ainda cangaceiro Cajazeira no bando de Lampião, um moço de Poço Redondo. A partir da grandiosidade da história, o filme propôs refletir sobre as aspirações, perseguições e injustiças envoltas na pessoa do ex-cangaceiro Zé de Julião/Cajazeira, após a chacina da Gruta de Angico e o seu futuro entrecortado por extremas situações. Em sua história real, o cangaceiro se viu por várias encurralado pela justiça. Quando a ordem de prisão foi prontamente expedida. A polícia procurava-o por todo canto, mas ele manteia-se escondido no município baiano de Serra Negra e sob a proteção do Coronel João Maria. Contudo, tempos depois foi cercado pela polícia sergipana e preso.[44]

De sua Serra Negra, João Maria enviava ordens, dava instruções, recebia missivas de governantes. Servindo como também um conselheiro, não era raro que as decisões políticas importantes somente fossem tomadas após o seu parecer ou aval. Protegeu desde Lampião ao desvalido ex-cangaceiro Cajazeira perseguido pela polícia. Em outra ocasião, Lampião buscou refúgio e proteção na Serra Negra: Após o trágico episódio de Canindé, quando o cangaceiro Zé Baiano deixou os rostos de três mocinhas marcados com ferro em brasa, Lampião foi buscar sossego numa propriedade de suas propriedades. Diante da repercussão do fato, sabia que a polícia logo estaria no seu encalço e também que não havia lugar melhor para se acoitar senão sob os auspícios do poderoso baiano. E também porque sabia que um dos comandantes da perseguição seria justamente Liberato de Carvalho, irmão de João Maria seu protetor.[10] Segundo Costa (2008) relata em sua obra O Sertão de Lampião, os perseguidos por entidades da justiça como Leandro Maciel, não pensavam duas vezes senão correr para a proteção do coronel.

Combate de Maranduba[editar | editar código-fonte]

Em princípios de janeiro de 1932, houve uma grande batalha da Fazenda Maranduba no povoado Cipó de leite, fazenda de propriedade do Coronel João Maria. Nesta batalha, Lampião e seus cangaceiros foram vitoriosos ao derrotar uma numerosa força militar, integrada por famosos combatentes contra o cangaço. Sobrando vivos somente Auréliano de Souza Nogueira e Seu Irmão Hercilio de Souza Nogueira, no combate também morreu um terceiro irmão dos Nogueiras com Apenas 16 anos de idade. Na opinião de um destacado militar, o Tenente Manoel Neto, da força pernambucana, em Maranduba “ele nunca tinha visto tanta bala como viu ali”. A intensidade do tiroteio travado entre Lampião e o seu bando e as forças militares foi de tal intensidade que um contemporâneo dos acontecimentos registrou o fato de que[13]:

“uma coisa que foi muito comentada e com curiosidade, foi que no local em que aconteceu o fogo de Maranduba, durante vários anos, das árvores e dos matos rasteiros não ficaram folhas. Tudo era preto, como se tivesse passado um grande fogo. As árvores ficaram completamente descascadas de cima abaixo, de balas”.

Tal como em outras batalhas, Lampião preparou uma emboscada com o objetivo de liquidar, de uma só vez, todo o efetivo militar. Mais uma vez, os chefes da força policial subestimaram a competência de Lampião e acreditaram que a superioridade que detinham em homens e armas seria um fator de desequilíbrio na batalha. Alguns historiadores admitem, apenas, de que, no final das contas, houve “perdas humanas tanto entre os cangaceiros como entre as forças volantes, porém com maior prejuízo para estas...” para tentar "minimizar" a vitória obtida por Lampião depois de uma feroz batalha.

Aparições na Literatura e Mídia[editar | editar código-fonte]

1969 - Na sombra da jaqueira[editar | editar código-fonte]

O álbum Na Sombra da jaqueira é uma obra de Josa Vaqueiro do Sertão gravada pela Gravadora Cantagalo em 1969.[45] Aparição:

"Serra Negra da Bahia que me trás recordação, terra do Tenente João Maria protetor da região. Sou sertanejo e dou valor à natureza, Serra Negra é a beleza que prendeu meu coração. Sou sertanejo e dou valor à natureza, Serra Negra é a beleza que prendeu meu coração." (JOSA, 1969).
1984 - Lampião: as mulheres e o cangaço[editar | editar código-fonte]

O livro Lampião: as mulheres e o cangaço é uma obra de Antônio Amaury Corrêa de Araújo publicada pela Traço Editora em 1984.[12] Trecho:

"A companheira do cangaceiro Azulão foi uma das primeiras mulheres a participar da vida errante dos grupos. Seu amante, natural das imediações de Serra Negra, Bahia, um preto alto, forte e primo carnal de outro elemento que ganhou renome nas lides cangaceiras, Balão. A mãe de Azulão era irmã do pai de Balão. Azulão entrou para o bando, ao que tudo indica, no ano de 1929, e pouco depois que Lampião admitiu Maria em sua companhia, esse cabra trouxe, também, para acompanhá-lo a "sua" Maria." (ARAÚJO, 1984, p.95).
1984 - Sila, uma cangaceira de Lampião[editar | editar código-fonte]

O livro Sila, uma cangaceira de Lampião é uma obra de Ilda Ribeiro de Souza e Israel Araújo Orrico publicada pela Traço Editora em 1984.[46] Trecho:

"Após o batizado, no seu segundo dia de vida, Lampião chamou-me e a Zé Sereno à parte e nos disse que seria melhor entregarmos João da Mata a alguém de confiança para criá-lo. Somente assim ele sobreviveria. Nós saíamos estar ele com a razão. Deste modo, concordamos imediatamente em enviar o menino ao coronel Liberato. Embora o coronel pertencesse às forças do governo, tornara-se amigo de Lampião. Coube, então, a Galdino levar a criança a Serra Negra, no Estado da Bahia, onde Liberato residia." (SOUZA & ORRICO, 1984, p.88).
1987 - Gente de Lampião, Sila e Zé Sereno[editar | editar código-fonte]

O livro Gente de Lampião, Sila e Zé Sereno é uma obra de Antônio Amaury Corrêa de Araújo publicada pela Traço Editora em 1987.[14] Trecho:

"Zé Rufino recebia informações sobre coitos, “pontos” e ranchos de cangaceiros de um conhecidíssimo “coronel sertanejo que os cabras respeitavam e consideravam como sendo um fiel coiteiro. O nome deste rico latifundiário, chefe político da região de Serra Negra, líder inconteste de um clã poderoso, era João Maria de Carvalho." (ARAÚJO, 1987, p.92).
1990 - Cangaço: a força do coronel[editar | editar código-fonte]

O livro Cangaço: a força do coronel é uma obra de Julio José Chiavenato publicada pela Editora Brasiliense em 1990[11]. Trecho:

"Não se sabe se Lampião considerou as propostas. Mas no mesmo ano entrou na Bahia, onde três coronéis o esperavam: João Maria de Carvalho, em Serra Negra, Gonçalves de Sá, em Jeremoabo, e Petronilo de Alcântara Reis, a quem ele preferiu, em Santo Antonio da Glória. Quebrado o gelo do primeiro encontro e estabelecendo-se a confiança mútua." (CHIAVENATO, 1990, p.42).
1994 - Lampião e o cangaço[editar | editar código-fonte]

O livro Lampião e o cangaço é uma obra de Luís Wanderley Torres publicada pela Editora EDICON em 1994.[47] Trecho:

"Os que se dedicaram a escrever os feitos de Lampião — e parece não se esgotar nunca o assunto — não passam em branco um dos embates mais sangrentos, sofridos pelos cangaceiros e igualmente, pela polícia. Foi o de Maranduba, na Bahia. É uma região que se descreve como encravada para os lados da Serra Negra. Subitamente, chocam- se os cangaceiros com a polícia." (TORRES, 1994, p.184).
1997 - Revista Veja - Edições 22-25[editar | editar código-fonte]

A Revista Veja em Edições 22-25 publicou um texto sobre Pedro Alexandre através da própria editora Abril em 1997.[48] Trecho:

"Pedro Alexandre é um município de 15 000 habitantes encravado no sertão onde a Bahia se encontra com Sergipe e Pernambuco. Foi perto dali que, há 100 anos, Antônio Conselheiro construiu seu arraial popular e, há sessenta. Lampião se encontrou com Maria Bonita. As estradas que levam à cidade são tão ruins que, quando chove, os ônibus cancelam as viagens, e até o correio fecha porque não tem cartas para entregar." (VEJA, 1997, p.309).
2000 - A derradeira gesta: Lampião e Nazarenos guerreando no sertão.[editar | editar código-fonte]

O livro A derradeira gesta: Lampião e Nazarenos guerreando no sertão é uma obra de Luitgarde Oliveira Cavalcanti publicada pela Editora MAUAD em 2000[49]. Trecho:

"Sendo oficial do exército, recebeu o posto de coronel da polícia baiana, tendo sido comandante em chefe das Forças Contra o Cangaço no Estado da Bahia. Era natural da Serra Negra, onde viviam seus dois irmãos João Maria e Piduca Alexandre de Carvalho, conhecidos protetores de Lampião." (BARROS, 2000, p.301).
2002 - Na trilha da vaquejada[editar | editar código-fonte]

O álbum Na trilha da vaquejada é uma obra de Vavá Machado e Léo Costa gravada pela a Gravadora Mega Music em 2002.[50] Aparição na faixa "vaqueiro progressista":

"[...] No ano de noventa e quatro deixou sua região, parou em Pedro Alexandre, na Bahia, no sertão. Pedro Alexandre em noventa e seis, honrando o que ele fez deu a ele a eleição, ele é prefeito, é vaqueiro é defensor do sertão [...] Pedro Alexandre é a princesa das campinas do sertão, tem pega de boi no mato, tem corrida de mourão tem a missa do vaqueiro, onde Petrônio é guerreiro na sua reformação, Pedro Alexandre você não sai do meu coração.” (VAVÁ & LEO, 2002, faixa 15).
2005 - Lampião: a medicina e o cangaço: aspectos médicos do cangaceirismo[editar | editar código-fonte]

O livro Lampião: a medicina e o cangaço: aspectos médicos do cangaceirismo é uma obra de Leandro Cardoso Fernandes e Antônio Amaury Corrêa de Araújo publicada pela Traço Editora em 2005.[51] Trecho:

"Antes de seguirem viagem rumo ao sul do país, deixando para trás o palco cinzento de tantas lutas, Corisco e Dadá foram ter com o Coronel João Maria, nas proximidades da Serra Negra - BA, que, a pedido do cangaceiro, trouxera um barbeiro para cortar-lhe a loira cabeleira. Os cabelos compridos, marca registrada dos bandoleiros, poderiam, fatalmente, denunciar sua verdadeira identidade durante a fuga. O barbeiro deixou-lhe, então, com a aparência de um cidadão comum." (FERNADES & ARAÚJO, 2005, p.145).
2008 - O Sertão de Lampião[editar | editar código-fonte]

O livro O sertão de Lampião é uma obra de Alcino Alves Costa publicada pela Editora Expressão Gráfica em 2008[9]:

"Ali (na Serra Negra), naquela ocasião, estavam homiziados os homens mais valentes do PSD de Sergipe: Zeca da Barra, Tonho Pequeno, Pititó, Josafá e os ‘Ceará’, destemidos políticos de Ribeirópolis e da Cruz do Cavalcanti. Todos eles escorraçados do vizinho Estado pela polícia e jagunços da UDN de Leandro Maciel." (COSTA, 2008).
2012 - Sertão Sangrento: Luta e Resistência[editar | editar código-fonte]

O livro Sertão Sangrento: Luta e Resistência é uma obra de Jovenildo Pinheiro de Souza publicada pela Editora Nação Cultural em 2012.[13]

2013 - Guerreiros do Sol: Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil[editar | editar código-fonte]

O livro Guerreiros do Sol: Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil é uma obra de Frederico Pernambuco de Mello e Gilberto Freyre publicada pela Editora A Girafa em 2013.[52] Trecho:

"Liberato de Carvalho, sertanejo baiano que chegaria ao generalato no Exército e que, como vimos, veio a ser elevado, por conta do acordo de 1935, à condição de chefe de comando geral unificado das operações contra o banditismo no Nordeste, figurava entre os amigos secretíssimos de Lampião. Amizade sólida, vale registrar. De seu irmão, fazendeiro João Maria de Carvalho, chefe político de Serra Negra, Bahia, sempre se soube ser amigo e protetor de bandidos, especialmente de Lampião e seus cabras, com uma atividade de coiteiro bastante intensa, como consta deste livro. Quanto a Liberato, seus laços in pectore com o Rei do Cangaço são nada menos que estarrecedores." (MELLO & FREYRE, 2013, p.291).
2014 - Aos ventos que virão: Ainda seremos o que sonhamos[editar | editar código-fonte]

O filme Aos ventos que virão: Ainda seremos o que sonhamos é uma obra de direção de Hermano Penna de 2014. O filme mostra a história de um ex-cangaceiro do bando de Lampião chamado Cajazeira, que recebeu proteção do Coronel João Maria e apoio durante a candidatura.[44]

Fotos[editar | editar código-fonte]

Referências

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  3. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2013. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2013. Consultado em 11 de setembro de 2013. 
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