Pedro Anjos Teixeira

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"O Pastor Peregrino" (Pedro Anjos Teixeira, 1957). Instalada no Jardim Luís de Camões em Leiria em 1959, é uma alusão ao poeta Leiriense Francisco Rodrigues Lobo, e foi uma oferta do então Ministro das Obras Públicas, Eng. Arantes e Oliveira à Câmara Municipal de Leiria.

Pedro Augusto Franco dos Anjos Teixeira (Paris, 11 de Maio de 1908 - Sintra, 20 de Março de 1997) foi um escultor português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho do também escultor Artur Gaspar dos Anjos Teixeira, aos seis anos de idade regressou a Sintra acompanhado por seus pais, tendo a família fixado residência em Mem Martins.

Tendo vivido parte da sua infância e adolescência em contacto com a natureza, adquiriu grande apreço pela vida dos camponeses e pelos animais, conforme refletiu posteriormente em dois de seus livros, "História dos Grilos, Amigos da Minha Infância" e "Memórias de um Grão de Trigo". O conhecimento advindo dessa vivência reflete-se ainda nas obras "Anatomia Artística do Homem Comparada à dos Animais" e "Tecnologias da Escultura" e na temática escultórica dos "Saloios".

Aos 16 anos começou a trabalhar, em colaboração com o seu pai, no Atelier de Lisboa, actividade que exerceu até 1935. Após esta data, aos 26 anos de idade, esculpe "Homem com o Polvo", obra que pela, sua originalidade, revela-o como escultor. Dotado de grande sensibilidade artística, é exímio na representação estética naturalista, tanto humana como animal, mostrando grande rigor técnico a par de grande conhecimento de anatomia humana, esta última patente nas estátuas de nus e em "Os Perseguidos". No âmbito da anatomia animal, destacam-se "O Boi de Trabalho" e os animais do "Transporte do Vinho da Madeira".

Entre 1952 e 1953, frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, vindo a exercer depois a função de professor de Modelação e de Desenho nas Escolas António Arroio, Pedro de Santarém e Francisco Arruda.

Foi perseguido pela PIDE ao ponto de, durante anos, não ter ganho um único concurso de Escultura. Por essa razão, em 1959 decidiu "auto-exilar-se" no Funchal, onde exerceu atividades diversas: docente, escultor, músico, jornalista, entre outras.

Regressou a Sintra em 1980, onde veio a falecer, deixando um legado de mais de 900 trabalhos.

Pedro Anjos Teixeira e o Movimento Neorrealista na Escultura[editar | editar código-fonte]

Ao final da Segunda Guerra Mundial o Movimento Neo-Realista expressou, nas Artes em Portugal, uma consciência crítica em relação ao meio, com vontade de rever a própria História e com desejo, também, de conhecer os valores universais que lhes eram ocultados pelo regime político no país, e passar a actuar. O desfasamento entre os atributos da arte europeia e os da sociedade portuguesa - que Salazar pretendia separar da Europa, aproveitando-se do provincianismo dos quadros mentais oitocentistas que imobilizaram o país - levava a compreender porque eram já tão pouco activos quase todos os artistas que conheceram a arrancada do movimento vanguardista dos anos de 1915-1917, arrancada esta que, afinal, constituíra um parêntesis na vida portuguesa em que a arte moderna fora oferecida e rejeitada.

Os artistas começaram, assim, a interessar-se fundamentalmente por três tendências: o Neorrealismo, o Surrealismo e o Abstraccionismo Geométrico. O Neo-Realismo português revelou-se em força na década de 1946-1956, obrigando à reconsideração de muitas obras anteriores, pois a temática utilizada era o trabalho, a liberdade e a realidade popular e, nomeadamente na Escultura, teve em Pedro Anjos Teixeira um dos precursores. A magnífica peça "Monumento aos Perseguidos" é comummente aceite como sendo o seu expoente, ao transmitir uma mensagem política e social - a luta, a persistência, a resistência e a esperança num futuro melhor em liberdade e democracia.

Muitos dos seus trabalhos deste período encontram-se expostos no Concelho de Sintra, como por exemplo, o "Monumento ao Trabalhador Rural" (reproduzido em bronze, em tamanho natural, em São João das Lampas) e o "Monumento ao Professor Primário" (1972), no Cacém.

De toda a sua produção, destacam-se as peças escultóricas que, pela sua mensagem, continuam possuidoras de grande actualidade, das quais são exemplos o "Monumento ao 25 de Abril" (1935) e posteriormente reaproveitada; o "Monumento aos Pescadores" (1981) em Sesimbra; o "Ceifeiro" (1957); e o grupo "Mulheres de Leiria" (1946).

Na Madeira, deixou várias obras importantes, entre as quais o "Monumento ao Trabalhador Madeirense" (1973); a "Florista Madeirense" (1976); o "Trabalhador" (década de 1960); e o "Transporte do Vinho da Madeira" (bronze), no Funchal, que representa a derradeira obra de grandes dimensões do Mestre.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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