Pedro Laureano Mendonça da Silveira

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Pedro Silveira
Nome completo Pedro Laureano Mendonça da Silveira
Nascimento 5 de setembro de 1922
Fajã Grande, Portugal
Morte 2003 (81 anos)
Lisboa, Portugal
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Poeta, tradutor, crítico literário e investigador
Magnum opus Antologia da Poesia Açoriana - do século XVIII a 1975

Pedro Laureano Mendonça da Silveira (Fajã Grande, 5 de Setembro de 1922Lisboa, 2003), mais conhecido por Pedro da Silveira, foi um poeta, tradutor, crítico literário e investigador, com vasta colaboração dispersa em periódicos e revistas. Fez parte do conselho de redacção da revista Seara Nova (até 1974), colaborou nos números 40 e 47 da revista Mundo Literário [1] (1946-1948) e é autor de várias obras de poesia e de recensão literária, estreando-se com o livro A Ilha e o Mundo (1953). É autor de duas antologias de poetas açorianos, a primeira das quais com um prefácio em que autonomiza a literatura deste arquipélago em relação a todas as outras literaturas de expressão lusófona. Integrou a comissão de gestão Biblioteca Nacional de Lisboa, da qual se aposentou como director dos Serviços de Investigação e de Actividades Culturais.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Depois de ter cursado as primeiras letras na sua freguesia natal, na costa oeste da ilha das Flores, período em que demonstrou a sua inteligência e interesse pelas letras, partiu para a Terceira, ilha onde completa sua formação básica e contacta com o corpus mais relevante da literatura lusófona do tempo.

A partir de 1945 transfere-se para Ponta Delgada, cidade onde integra o grupo intelectual que se formou em torno do jornal A Ilha, periódico no qual colabora assiduamente.

Em 1951 muda-se para Lisboa, cidade onde viveria o resto da sua vida. Aí começou por se empregar como delegado de propaganda médica, promovendo produtos farmacêuticos, ao mesmo tempo que inicia um percurso de estudo e investigação histórico-literária que o levaria a funcionário da Biblioteca Nacional, da qual se aposentou como director dos Serviços de Investigação e de Actividades Culturais.

Ao longo do seu percurso intelectual e profissional dedicou-se à crítica literária, à tradução, à criação poética e à investigação de temas da história e etnografia açorianas. Com opiniões pouco conformistas, entre as quais a defesa de um único concelho para a sua ilha natal, foi uma voz incómoda, em geral mal amada pelos poderes instituídos.

Foi um dos promotores da elaboração da Enciclopédia Açoriana, projecto que abraçou com grande entusiasmo. Participou ainda em múltiplos estudos relacionados com a cultura açoriana e em especial com a história e a etnografia da ilha das Flores.

A obra poética de Pedro da Silveira começou com A Ilha e o Mundo (1953) e Sinais de Oeste (1962) e prosseguiu com Corografias (1985) e Poemas Ausentes (1999). Publicou também o primeiro volume de Fui ao Mar Buscar Laranjas, um conjunto de vinte poemas inéditos, escritos entre 1942 e 1946, a que foi dado o subtítulo de Primeira Voz, assumindo ser a sua primeira produção poética. Urbano Bettencourt analisa assim a obra de Pedro da Silveira:[2]

Em Pedro da Silveira, a fidelidade à ilha, a resposta poética ao seu apelo insistente, deu-nos a conhecer o pequeno mundo insular, (…) os seus acontecimentos à escala reduzida, nem por isso menos importantes do ponto de vista da afectividade e da relação humana. Mas isso não anulou o sentido de viagem, a abertura a novos espaços e escritas, numa salutar dinâmica entre o interior e o exterior, sinal de um espírito naturalmente inquieto e ávido de saber, sempre pronto a agarrar o mais pequeno acaso que lhe permitisse entrar em contacto com o outro lado, facto mais relevante ainda em tempo de comunicações escassas e difíceis.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • A ilha e o mundo : poemas (1952)
  • José Leite de Vasconcelos nas Ilhas de Baixo (1959)
  • Para a história do povoamento das Ilhas das Flores e do Corvo : com três documentos inéditos (1960)
  • Materiais para um romanceiro da Ilha das Flores (1961)
  • Sinais de Oeste : poemas (1962)
  • Anotações ao mais antigo glossário de açorianismos (1963)
  • A "Obra Completa" de Cesário Verde (1964)
  • Antologia de poesia açoriana : do século XVIII a 1975 (1977)
  • O que soubemos logo em 1909 do futurismo (1981)
  • 43 médicos poetas (1981)
  • Os últimos luso-brasileiros : sobre a participação de brasileiros nos movimentos literários portugueses do Realismo à dissolução do Simbolismo (1981)
  • Mais alguns romances da Ilha das Flores (1986)
  • Catorze trovas e um conto recolhidos na Ilha das Flores (1986)
  • Das tradições na Ilha das Flores (1987)
  • Corografias (1988)
  • Subsídios para uma biobibliografia de Henrique Rosa (1988)
  • Acerca de alguns vocábulos dentro ou ainda fora dos dicionários (1989)
  • Poemas ausentes (1999)
  • Fui ao mar buscar laranjas (1999)
  • Mesa de amigos : versões de poesia (2002)

Referências

  1. Helena Roldão (27 de janeiro de 2014). «Ficha histórica: Mundo literário : semanário de crítica e informação literária, científica e artística (1946-1948).» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 03 de Novembro de 2014.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  2. Urbano Bettencourt, Pedro da Silveira – Ilhéu de Mundos, in A República, a Autonomia e o Futuro: catálogo.2004, Direcção Regional da Cultura, Angra do Heroísmo, 2004.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]