Pelé

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Pelé
Pelé
Pelé em 1995.
Informações pessoais
Nome completo Edson Arantes do Nascimento
Data de nasc. 23 de outubro de 1940 (80 anos)
Local de nasc. Três Corações, Minas Gerais, Brasil
Nacionalidade brasileiro
Altura 1,73 m
ambidestro
Apelido Pelé,[1] O Rei,[2] Peróla Negra,[3] D10S.[4]
Informações profissionais
Período em atividade 1956–1974, 1975–1977
Clube atual Aposentado
Posição Atacante
Site oficial pele10.com (em inglês)
Clubes de juventude
1952–1956 Bauru
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1956–1974
1975–1977
Santos
New York Cosmos
01116 0(1091)[5]
00106 000(64)[6]
Seleção nacional
1957–1971 Brasil 00092 000(77)[7]

Edson Arantes do Nascimento[8] ONMORBKBE (Três Corações, 23 de outubro de 1940), mais conhecido como Pelé, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como atacante. Ele é amplamente considerado como um dos maiores atletas de todos os tempos.[9] Em 1999, ele foi eleito Jogador do Século pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) e foi um dos dois vencedores conjuntos do prêmio Melhor Jogador do Século da FIFA. Nesse mesmo ano, Pelé foi eleito Atleta do Século pelo Comitê Olímpico Internacional. Segundo a IFFHS, Pelé é o maior goleador da história do futebol, marcando 650 gols em 694 partidas da liga, e no total 1281 gols em 1363 jogos, que incluem amistosos não oficiais, um recorde mundial do Guinness.[10] Durante sua carreira, chegou a ser por um período o atleta mais bem pago do mundo.

Pelé começou a jogar pelo Santos Futebol Clube aos quinze anos e pela Seleção Brasileira de Futebol aos dezesseis. Durante sua carreira na seleção, ele ganhou três Copas do Mundo da FIFA: 1958, 1962 e 1970, sendo o único jogador a fazê-lo. Ele também é o maior goleador da história da seleção brasileira, com 77 gols em 92 jogos. Em clubes, ele é o maior artilheiro do Santos e os levou à conquista da Copa Libertadores da América de 1962 e 1963. Conhecido por conectar a frase "jogo bonito" ao futebol, a "ação eletrizante e a propensão a objetivos espetaculares" de Pelé fizeram dele uma estrela rapidamente, e sua equipe fez turnês internacionais, a fim de aproveitar ao máximo sua popularidade. Desde que se aposentou em 1977, é embaixador mundial do futebol e fez muitos trabalhos de atuação e comerciais. Em janeiro de 1995 foi nomeado ministro do esporte no governo Fernando Henrique Cardoso.[11] Em 2010, foi nomeado Presidente Honorário do New York Cosmos.

Com média de quase um gol por jogo ao longo de sua carreira, Pelé era especialista em chutar a bola com qualquer dos pés, além de antecipar os movimentos de seus oponentes em campo. Embora predominantemente atacante, ele também podia se aprofundar e assumir um papel de playmaker, fornecendo assistências com sua visão e habilidade de passe; ele também usava suas habilidades de drible para ultrapassar os adversários. No Brasil, é aclamado como herói nacional por suas realizações no futebol e por seu apoio franco a políticas que melhoram as condições sociais dos pobres.[12][13] Ao longo de sua carreira e aposentadoria, Pelé recebeu vários prêmios individuais e de equipe por seu desempenho em campo, suas conquistas recordes e seu legado no esporte.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascido em Três Corações em 1940, Pelé teve uma rua nomeada em sua homenagem na cidade – Rua Edson Arantes do Nascimento. Uma estátua de Pelé também está localizada em uma praça no centro da cidade.

Edson Arantes do Nascimento nasceu em 23 de outubro de 1940 em Três Corações, Minas Gerais, Brasil, sendo filho do jogador do Fluminense João Ramos do Nascimento, mais conhecido como Dondinho, e Celeste Arantes. É o mais velho de dois irmãos.[14] Pelé recebeu seu primeiro nome em homenagem ao inventor estadunidense Thomas Edison.[15] Seus pais decidiram remover o "i" e chamaram-no de "Edson", mas houve um erro na certidão de nascimento, levando muitos documentos a mostrar seu nome como "Edison", não "Edson", como é chamado.[15][16] Ele foi originalmente apelidado de "Dico" por sua família.[14][17] Edson recebeu o apelido "Pelé" durante seu tempo de escola por conta da forma que pronunciava o nome de seu jogador favorito, o goleiro Bilé do Vasco da Gama, o qual falava de forma equivocada[18] e, quanto mais se queixava, mais o nome pegava. Em sua autobiografia, Pelé afirmou que não tinha ideia do que o nome significava, nem seus velhos amigos.[14] Além da afirmação de que o nome é derivado de Bilé, e que significa "milagre" em hebreu (פֶּ֫לֶא), a palavra não tem nenhum significado em português.[nota 1][19]

Pelé cresceu na pobreza, em Bauru, no estado de São Paulo. Ele ganhava dinheiro extra trabalhando em lojas de chá. Ensinado a jogar futebol pelo seu pai, não tinha dinheiro para comprar uma bola de futebol adequada, e geralmente jogava com uma meia recheada com jornal e amarrada com uma corda ou ainda jogava com uma toranja.[20][14] Jogou por várias equipes amadoras em sua juventude, incluindo Sete de Setembro, Canto do Rio, São Paulinho e Amériquinha.[21] Pelé levou o Bauru Atlético Clube juniores (cujo técnico era Waldemar de Brito) para dois campeonatos de juventude de São Paulo.[22] Em meados da adolescência, jogou por uma equipe de futebol de salão chamada Radium. O futebol de salão tinha acabado de se tornar popular em Bauru quando Pelé começou a jogar. Ele fez parte da primeira competição de futsal na região. Pelé e sua equipe ganharam o primeiro campeonato e vários outros.[23]

De acordo com Pelé, o futsal apresentou desafios difíceis; ele disse que era muito mais rápido do que o futebol na grama e que os jogadores eram obrigados a pensar mais rápido, uma vez que todo mundo está perto de todo mundo em campo. Pelé creditou o futebol de salão por ajudá-lo a pensar melhor e mais rápido. Além disso, o futebol de salão permitiu-lhe jogar com adultos quando tinha cerca de 14 anos de idade. Em um dos torneios em que participou, foi inicialmente considerado muito jovem para jogar, mas enfim se tornou o artilheiro da competição com quatorze ou quinze gols; "isso me deu muita confiança", afirmou posteriormente.[23]

Carreira em clubes[editar | editar código-fonte]

Santos[editar | editar código-fonte]

Em 1956, Brito levou Pelé para a cidade de Santos para experimentar jogar para o time profissional Santos Futebol Clube, dizendo à administração do Santos que o jovem de quinze anos seria "o maior jogador de futebol do mundo."[24] Pelé impressionou o treinador do Santos, Luís Alonso Pérez (Lula) no Estádio Urbano Caldeira, e assinou um contrato profissional com o clube em junho de 1956.[25] Pelé foi muito divulgado na mídia local como uma futura estrela. Ele fez a sua estreia em 7 de setembro de 1956, com quinze anos, contra o Corinthians de Santo André e teve um bom desempenho em uma vitória de 7 a 1, marcando o primeiro gol de sua carreira profissional durante a partida.[26]

Pelé nos Países Baixos com o time do Santos, em outubro de 1962

Quando a temporada de 1957 começou, Pelé foi colocado como titular e, com dezesseis anos de idade, tornou-se o artilheiro da liga. Dez meses após assinar profissionalmente, o adolescente foi convocado para a Seleção Brasileira de Futebol.[27] Pelé ganhou seu primeiro grande título com o Santos, em 1958, o Campeonato Paulista; Pelé iria terminar o torneio como artilheiro da competição com 58 gols,[28] um recorde que permanece até hoje. Ele calcula que tenha jogado mais de cem partidas naquele ano, entre Santos, seleção brasileira e o time do Exército.[29] As atuações nesse ano lhe renderam o interesse da italiana Inter de Milão, que tentou contratá-lo; o negócio acabou não avançando em razão da revolta dos torcedores com a possível saída do jogador.[27]

"Quando ele apanha a bola e dribla um adversário, é como quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento."

—Nelson Rodrigues, A realeza de Pelé[30]

Ainda em 1958, Pelé teve atuação destacada em partida contra o America, o que lhe rendeu a alcunha de "Rei", que levaria para o resto da carreira. O confronto foi vencido pelo Santos por 5-3, com quatro gols marcados por Pelé. A atuação do jogador impressionou o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, que se encontrava no Maracanã assistindo o jogo. Rodrigues escreveu uma crônica em homenagem a Pelé, chamada "A realeza de Pelé". Nela, o dramaturgo escreveu que "Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável — a de se sentir rei, da cabeça aos pés".[30]

No ano seguinte, iria ajudar a equipe a conquistar a sua primeira vitória no Torneio Rio–São Paulo com um triunfo por 3 a 0 sobre o Vasco da Gama.[31] No entanto, o Santos não conseguiu manter o título paulista. Em 1960, Pelé marcou 33 gols para ajudar a sua equipe a recuperar o troféu do Campeonato Paulista, mas perdeu no Torneio Rio–São Paulo depois de terminar em oitavo lugar.[32] Em 1960, Pelé marcou 47 gols e ajudou o Santos a recuperar o Campeonato Paulista. O clube acabou vencendo a Taça Brasil, naquele mesmo ano, ao vencer o Bahia na final; Pelé terminou como artilheiro do torneio com nove gols. A vitória permitiu que o Santos participasse da Copa Libertadores da América, a mais prestigiada competição de clubes do Hemisfério Ocidental.[33]

Em 1961, o assédio de clubes europeus pela contratação de Pelé incomodou o então Presidente da República Jânio Quadros. Ele externou sua preocupação em um bilhete endereçado com urgência a João Mendonça Falcão, então presidente do Conselho Nacional de Desportos, afirmando que lhe preocupava "a reiterada contratação de futebolistas brasileiros por clubes estrangeiros", apontando que os europeus desejavam "importar Pelé". Para o então Presidente, esse processo levaria a um "enfraquecimento da seleção campeã"; terminava o bilhete afirmando que aguardava providências de Falcão.[34] A solução engendrada por Jânio Quadros foi declarar Pelé um "tesouro nacional", e com isso impedir sua ida ao exterior.[20][35] O ato do Presidente foi objeto de críticas na época, que apontavam a inconstitucionalidade de se privar Pelé de seus direitos constitucionais.[36]

"Cheguei na esperança de parar um grande homem, mas eu fui embora convencido de que eu tinha sido desfeito por alguém que não nasceu no mesmo planeta como o resto de nós."

—Goleiro do Benfica Alberto da Costa Pereira, após a derrota de 5 a 2 para o Santos.[37]

A temporada de maior sucesso do Santos na Copa Libertadores começou em 1962;[38] a equipe foi sorteada para o Grupo Um, ao lado de Cerro Porteño, Deportivo Municipal Bolívia, vencendo todos os jogos de seu grupo, com exceção de um (um empate em 1 a 1 fora de casa contra o Cerro). O Santos derrotou o Universidad Católica na semifinal e enfrentou o campeão de 1961, o Peñarol, na final. Pelé marcou dois gols na partida do playoff, para garantir o primeiro título de um clube Brasileiro.[39] Pelé terminou como o segundo melhor marcador da competição, com quatro gols. Nesse mesmo ano, o Santos iria defender com sucesso o Campeonato Brasileiro (com 37 gols de Pelé) e a Taça Brasil (Pelé marcou quatro gols na série final contra o Botafogo). O Santos iria ganhar também a Copa Intercontinental de 1962, contra o Benfica.[40] Vestindo a sua camisa 10, Pelé produziu um dos melhores desempenhos de sua carreira, marcando um hat-trick em Lisboa na vitória do Santos por 5 a 2.[41][42] Ainda nesse ano, Real Madrid, Juventus e Manchester United tentaram, sem sucesso, sua contratação.[43] Como campeão, o Santos se qualificou automaticamente para a fase semifinal da Copa Libertadores da América de 1963. O ballet blanco, apelido dado para o Santos por Pelé, conseguiu manter o título depois de vitórias sobre o Botafogo e Boca Juniors. Pelé ajudou o Santos a superar uma equipe do Botafogo que continha jogadores considerados craques como Garrincha e Jairzinho, com um gol no último minuto, na primeira fase das semifinais, transformando em um 1 a 1. Na segunda fase, Pelé marcou um hat-trick no Estádio do Maracanã na vitória do Santos por 4 a 0. O Santos iniciou a série final ao vencer, por 3 a 2, na primeira fase e derrotou o Boca Juniors por 2 a 1, na La Bombonera. Foi uma proeza rara em competições oficiais, com outro gol de Pelé.[44] Santos se tornou a primeira equipe brasileira a conquistar a Copa Libertadores em solo argentino. Pelé terminou o torneio com cinco gols. O Santos perdeu o Campeonato Paulista depois de terminar em terceiro lugar, mas ganhou o Torneio Rio-São Paulo depois de uma vitória 0-3 sobre o Flamengo na final, com Pelé marcando um gol. Pelé também ajudaria Santos reter a Copa Intercontinental e a Taça Brasil contra o Milan e o Bahia, respectivamente.[40]

Pelé é o maior artilheiro da história do Santos

Na Copa Libertadores da América de 1964, o Santos foi derrotado nas duas partidas da semi-final pelo Independiente. O clube venceu o Campeonato Paulista, com Pelé marcando 34 gols. O Santos também compartilhou o Título Rio-São Paulo com o Botafogo e ganhou a Taça Brasil, pelo quarto ano consecutivo. Na Copa Libertadores da América de 1965, o Santos atingiu as semi-finais e enfrentou o Peñarol em uma revanche da final de 1962. Depois de dois jogos, um playoff foi necessário para quebrar o empate.[45] Ao contrário de 1962, o Peñarol saiu por cima e eliminou o Santos por 2 a 1. Pelé seria, no entanto, o artilheiro do torneio, com oito gols.[46] Isto provou ser o início de um declínio com o Santos não conseguindo reter o Torneio Rio-São Paulo. Em 1966, Pelé e o Santos também não conseguiram reter a Taça Brasil com os gols de Pelé, não sendo suficientes para impedir uma derrota por 9 a 4 para o Cruzeiro (liderada por Tostão) na série final. O clube, no entanto, ganha o Campeonato Paulista em 1967, 1968 e 1969. Em 19 de novembro de 1969, Pelé marcou seu milésimo gol em todas as competições, no que foi um momento muito aguardado no Brasil. O objetivo, popularmente apelidado de O Milésimo, ocorreu em uma partida contra o Vasco da Gama, quando Pelé marcou a partir de um pênalti, no Estádio do Maracanã.[47]

Pelé afirma que seu gol mais memorável foi marcado no Estádio Conde Rodolfo Crespi em um Campeonato Paulista, em partida contra o rival de São Paulo, Clube Atlético Juventus, em 2 de agosto de 1959. No lance, ao receber um lançamento de um companheiro, Pelé aplicou, de costas, uma meia lua em seu marcador, sem deixar a bola tocar no chão, e na sequência chapelou três adversários, incluindo o goleiro, concluindo o lance sem deixar a bola cair.[48] Como não há imagens de vídeo do jogo, Pelé pediu que uma animação de computador fosse feita com esta finalidade específica.[49] Cinco décadas depois, uma placa foi colocada no estádio em homenagem ao lance.[48] Já em março de 1961, em partida contra o contra o Fluminense, no Maracanã, Pelé recebeu a bola na entrada da sua própria área, e correu o comprimento do campo, driblando seis adversários, antes de chutar a bola, além do goleiro.[50][51] Uma placa foi encomendada com uma dedicação para "o gol mais bonito da história do Maracanã",[52] dando origem à expressão "gol de placa".[51]

Em 1967, as duas facções envolvidas na Guerra Civil da Nigéria concordaram com 48 horas de cessar-fogo para que pudessem assistir Pelé jogar um amistoso em Lagos.[53] Durante seu tempo no Santos, Pelé jogou ao lado de muitos talentosos jogadores, incluindo Zito, Pepe e Coutinho; o último foi seu parceiro em inúmeras jogadas, ataques e gols.[54]

New York Cosmos[editar | editar código-fonte]

Pelé autografando uma bola para o Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, na Casa Branca, em 1973, dois anos antes de entrar para o New York Cosmos

Após a temporada de 1974 (19ª com o Santos), Pelé se aposentou de clubes brasileiros, embora tenha continuado a jogar ocasionalmente pelo Santos em partidas oficiais competitivas. Dois anos mais tarde, ele saiu de sua semi-aposentadoria para assinar com o New York Cosmos, da North American Soccer League (dos Estados Unidos) para a temporada de 1975.[55] Apesar de já ter passado bastante de sua melhor fase, Pelé foi creditado com o aumento significativo da sensibilização e do interesse do público no esporte nos Estados Unidos.[56][57] Durante sua primeira aparição pública em Boston, ele foi ferido por uma multidão de fãs que o cercaram e fora evacuado em uma maca.[58] Pelé estreou no Cosmos em 15 de junho de 1975 contra o Dallas Tornado no Downing Stadium, marcando um gol no empate em 2 a 2.[59]

Em 1975, uma semana antes da Guerra Civil Libanesa, Pelé jogou um amistoso pelo clube libanês Nejmeh SC contra uma equipe de estrelas da Liga Libanesa de Futebol,[60] marcando dois gols que não foram incluídos em sua contagem oficial.[61][62] No dia do jogo, quarenta mil espectadores estavam no estádio de manhã cedo para assistir ao jogo.[60]

Na esperança de criar um mesmo tipo de sensibilização na República Dominicana, ele e a equipe do Cosmos jogaram em uma partida de exibição contra a equipe haitiana Violette AC, no Estadio Olímpico Félix Sánchez, em 3 de junho de 1976, onde mais de 25 mil fãs assistiram-no marcar um gol nos últimos segundos da partida, levando o Cosmos a uma vitória por 2 a 1.[63] Ele levou o Cosmos à conquista do campeonato estadunidense de 1977, na sua terceira e última temporada com o clube.[64]

Em 1 de outubro de 1977, Pelé encerrou a sua carreira em uma partida de exibição entre o Cosmos e o Santos. O Santos chegou à Nova Iorque depois de derrotar o Seattle Sounders, em Nova Jérsei, por 2 a 0. A partida foi jogada na frente de uma multidão no Estádio dos Giants e foi transmitida nos Estados Unidos pelo programa Wide World of Sports, da American Broadcasting Company, bem como em todo o mundo. O pai e a esposa de Pelé assistiram a partida, bem como Muhammad Ali e Bobby Moore.[65]

Carreira na Seleção Brasileira[editar | editar código-fonte]

O primeiro jogo de Pelé pela Seleção Brasileira foi em uma derrota por 2 a 1 contra a Argentina, em 7 de julho de 1957, no Maracanã.[66][67] Naquela partida, ele marcou seu primeiro gol pelo Brasil aos 16 anos e nove meses, sendo o jogador mais jovem a realizar tal feito.[68][69]

Copa do Mundo de 1958[editar | editar código-fonte]

"Pelé é obviamente infantil. Falta-lhe o necessário espírito de luta. É jovem demais para sentir as agressões e reagir com a força adequada. [...] Não acho aconselhável seu aproveitamento”.

—João Carvalhaes, psicólogo, sugerindo que Pelé não integrasse o elenco que disputaria a Copa do Mundo de 1958.[70]

Antes da convocação final a Copa do Mundo de 1958, a CBD contratou o psicólogo João Carvalhaes para submeter os atletas a testes de “avaliação de inteligência e equilíbrio psicológico”. Pelé marcou 68 de 123 pontos, o que motivou Carvalhaes a recomendar a comissão técnica que não levasse Pelé, por ser "obviamente infantil" e não possuir senso de responsabilidade suficiente para um jogo coletivo. A recomendação não foi seguida, e Pelé integrou o elenco que iria para a Suécia.[70][71][72]

Pelé (número 10) passa por três jogadores suecos em partida da Copa de 1958

Foi nesta Copa que Pelé começou a usar uma camisa com o número 10. Isto foi resultado de uma desorganização: os líderes da Federação Brasileira não enviaram o número das camisas dos jogadores e cabia à FIFA escolher quais então seriam usados no mundial, ficando Pelé com a número 10.[73]

Pelé foi reserva nas duas primeiras partidas do torneio, só vindo a jogar no terceiro confronto. Há versões contraditórias sobre a razão de Pelé ter iniciado a Copa na reserva. A versão mais comum afirma que com o empate em 0-0 contra a Inglaterra, o Brasil se viu obrigado a vencer sua terceira partida, contra a União Soviética. A necessidade de uma vitória fez com que os líderes do elenco - Bellini, Nilton Santos e Didi - se reunissem com o técnico Feola, o convencendo a escalar Pelé e Garrincha.[74][75] Já outros apontam que essa versão é fantasiosa; Pelé era titular da Seleção antes da Copa do Mundo, e só iniciou o torneio como reserva em razão de lesão que sofreu em amistoso.[76]

Pelé e Garrincha foram fundamentais na vitória por 2-0: Garrincha marcou o primeiro gol, e Pelé deu assistência ao segundo gol de Vavá.[77][78] Ao iniciar a partida, Pelé se tornou o jogador mais jovem do torneio e, na época, o mais jovem a jogar uma Copa do Mundo.[nota 2] No jogo seguinte, Pelé foi novamente fundamental, marcando o gol da vitória sobre o País de Gales.[78] O gol contra o País de Gales, o primeiro de Pelé na competição, tornou-o o mais jovem goleador de tempos com dezessete anos e 239 dias.[79] Nas semifinais, nova atuação destacada: Pelé marcou três gols na vitória por 5-2 sobre a França,[78] tornando-se o mais jovem da história da Copa do Mundo a fazê-lo.[80]

Pelé chora no ombro do goleiro Gilmar após a conquista do mundial de 1958

Em 29 de junho de 1958, se tornou o jogador mais jovem a disputar a final da Copa do Mundo aos dezessete anos e 249 dias. Ele marcou dois gols nessa final quando o Brasil venceu a Suécia por 5 a 2 em Estocolmo. Seu primeiro gol, em que passou a bola por um zagueiro antes de chutar para o canto da rede, foi escolhido como um dos melhores gols da história das Copas.[81] Sobre este segundo gol, o jogador sueco Sigge Parling comentaria mais tarde: "Quando Pelé marcou o quinto gol daquela final, tenho que ser sincero e dizer que aplaudi".[82] Quando a partida terminou, Pelé desmaiou em campo e foi reanimado por Garrincha.[83] Ele então se recuperou e se emocionou pela vitória, chorando enquanto estava sendo parabenizado por seus companheiros de equipe. Ele terminou o torneio com seis gols em quatro jogos disputados, empatado em segundo lugar, atrás apenas de Just Fontaine, e foi eleito o melhor jogador jovem do torneio.[84] Pelé também foi nomeado para a seleção do campeonato.[85] A imprensa proclamou Pelé a maior revelação da Copa e ele recebeu retroativamente a Bola de Prata como o segundo melhor jogador do torneio, atrás de Didi.[82]

Copa América[editar | editar código-fonte]

Pelé também jogou na Copa América. Na competição de 1959, ele foi eleito o melhor jogador do torneio, além de ser o artilheiro com 8 gols, com o Brasil ficando em segundo lugar.[82][86] Ele marcou em cinco dos seis jogos do Brasil, incluindo dois gols contra o Chile e um hat-trick contra o Paraguai.[87]

Copa do Mundo de 1962[editar | editar código-fonte]

Passando por Giovanni Trapattoni no San Siro, Milão, em 1963

Quando a Copa do Mundo de 1962 começou, Pelé já era considerado o melhor jogador do mundo.[88][89] Na primeira partida do torneio no Chile, contra o México, Pelé foi fundamental para a vitória por 2-0: o primeiro gol veio de um lançamento seu para Zagallo, após escapar da marcação. Logo após o primeiro gol, Pelé parte com a bola da intermediária, dribla quatro adversários e conclui, de pé direito, no canto do goleiro mexicano, selando a vitória brasileira.[90][91]

Ele se machucou no jogo seguinte enquanto tentava um chute de longa distância contra a Tchecoslováquia.[92][93] Isso o manteria fora do resto da competição e forçou o técnico Aymoré Moreira a fazer sua única mudança de escalação no torneio. O substituto foi Amarildo, que teve um bom desempenho. No entanto, foi Garrincha quem assumiu o papel de líder e levou o Brasil ao seu segundo título da Copa do Mundo, depois de vencer a Tchecoslováquia na final em Santiago.[94]

Copa do Mundo de 1966[editar | editar código-fonte]

Pelé era o jogador de futebol mais famoso do mundo durante a Copa de 1966 na Inglaterra, e o Brasil uniu alguns campeões mundiais como Garrincha, Gilmar e Djalma Santos com a adição de outras estrelas como Jairzinho, Tostão e Gérson, o que gerou grandes expectativas para eles.[95] Entretanto, foi eliminado na primeira rodada, disputando apenas três partidas.[95] A Copa do Mundo foi marcada, entre outras coisas, por faltas graves em Pelé que o deixaram ferido pelos defensores búlgaros e portugueses.[96]

Pelé marcou o primeiro gol de uma falta contra a Bulgária, tornando-se o primeiro jogador a marcar em três Copas do Mundo FIFA consecutivas, mas devido a sua lesão, não participou do segundo jogo contra a Hungria.[95] Seu treinador afirmou que, após o primeiro jogo, sentiu que "todo time tratará ele [Pelé] da mesma maneira".[96] O Brasil perdeu o jogo e Pelé, apesar de ainda em recuperação, foi levado de volta pelo técnico brasileiro Vicente Feola para a partida crucial contra Portugal no Goodison Park, em Liverpool. Feola mudou toda a defesa, incluindo o goleiro, enquanto no meio-campo voltou à formação do primeiro jogo. Durante o jogo, o zagueiro português João Morais cometeu falta sobre Pelé, mas não foi expulso pelo árbitro George McCabe, decisão vista posteriormente como um dos piores erros de arbitragem da história da Copa do Mundo.[97] Pelé teve que permanecer em campo mancando pelo resto do jogo, já que o time já havia feito todas as substituições possíveis.[97] Após este jogo, ele prometeu que nunca mais jogaria na Copa do Mundo, decisão que mais tarde voltaria atrás.[88]

Copa do Mundo de 1970[editar | editar código-fonte]

Carta colecionável de Pelé produzida pela Panini para a Copa de 1970

"A miopia ficará pior. Há um ano, mais ou menos, percebi que Pelé já não enxergava direito. Isso explica suas más atuações no Santos e na própria seleção. Precisamos de muito mais do que meio jogador. E Pelé, como está, é meio jogador, pelo menos em partidas duras como as que teremos no México"

João Saldanha, explicando sua decisão de barrar Pelé em razão de sua miopia.[98]

Pelé foi convocado para a seleção no início de 1969. Ele recusou a princípio, mas depois aceitou e jogou em seis partidas das eliminatórias para a Copa do Mundo, marcando seis gols.[99][100] Durante as Eliminatórias, Pelé teve rusgas com o então técnico da Seleção, João Saldanha. Saldanha acusou publicamente Pelé de ser míope, o que supostamente lhe traria dificuldades em cabecear e enxergar a bola em jogos noturnos; o técnico então colocou-o na reserva em razão do fato.[101][102] Pelé, de fato, era míope: o ex-jogador já confirmou que nasceu com a condição, e que tinha 1,5 grau na vista direta e 2,5 graus na vista esquerda, em 1970. Ele, contudo, negou que a miopia atrapalhasse seu rendimento em jogos noturnos.[103] Pelé acabou utilizando lentes de contato no final de sua carreira.[104] Saldanha, que anteriormente já tinha entrado em conflito com a CBD e o então Presidente da República, Garrastazu Médici, acabou demitido. Em seu lugar foi contratado o jovem Zagallo, com apenas três anos de carreira como técnico.[105]

Já esperava-se que a Copa do Mundo no México fosse a última de Pelé. A seleção brasileira para este torneio apresentou grandes mudanças em relação à equipe de 1966. Jogadores como Garrincha, Nilton Santos, Valdir Pereira, Djalma Santos e Gilmar já haviam se aposentado. Apesar disso, a seleção brasileira da Copa do Mundo de 1970, com jogadores como Pelé, Roberto Rivellino, Jairzinho, Gérson, Carlos Alberto Torres, Tostão e Clodoaldo, é frequentemente considerada a maior equipe de futebol da história.[106][107][108] Curiosamente, essa formação não era a desejada por Zagallo; o treinador entendia que Pelé e Tostão não poderiam atuar juntos. A formação da Copa de 1970, na verdade, surgiu de uma votação popular feita pela revista Placar. Temeroso que a seleção fosse vaiada em seu jogo de despedida, no Maracanã, Zagallo resolveu testar a formação da pesquisa no segundo tempo da partida contra a Áustria; o Brasil ganhou por 1-0, e esse esquema acabou sendo utilizado por todo o torneio.[109]

Ao lado de Mário Zagallo em 2008. Zagallo comentou sobre Pelé: "Um garoto na Suécia [Copa de 1958] deu sinais de genialidade, e no México [Copa de 1970] cumpriu toda aquela promessa e fechou o livro com chave de ouro. E tive o privilégio de ver tudo de perto".[110]

Os cinco jogadores ofensivos Jairzinho, Pelé, Gérson, Tostão e Rivellino criaram um ataque excepcional, com Pelé tendo o protagonismo no caminho do time até a final.[111] Todos os jogos do Brasil no torneio (exceto a final) foram disputados em Guadalajara e, na primeira partida contra a Tchecoslováquia, Pelé ajudou o Brasil na vitória por 2 a 1, dando assistência ao gol de Gérson e depois marcando. Nesta partida, ele tentou encobrir o goleiro Ivo Viktor com um chute próximo do meio de campo, perdendo por pouco o gol. Tal lance entrou para a história das Copas como "o gol que Pelé não fez" e até os dias atuais continua sendo frequentemente lembrado pela mídia brasileira.[112][113] O Brasil venceu a partida por 4 a 1. No primeiro tempo da partida contra a Inglaterra, Pelé quase marcou com um cabeceamento que foi salvo pelo goleiro inglês Gordon Banks,[114] em defesa que ficou conhecida como "Defesa do Século". No segundo tempo, ele dominou um cruzamento de Tostão antes de passar a bola para Jairzinho, que marcou o único gol.[115]

Contra a Romênia, Pelé marcou dois gols, com o Brasil vencendo por um placar final de 3 a 2. Nas quartas de final contra o Peru, o Brasil venceu por 4 a 2, com ele dando o passe para Tostão no terceiro gol. Na semifinal, o Brasil enfrentou o Uruguai pela primeira vez desde a final da Copa do Mundo FIFA de 1950. Jairzinho colocou o Brasil na frente fazendo dois gols e Pelé deu o passe para Rivellino fazer o terceiro na vitória por 3 a 1. Durante essa partida, ele fez uma de suas jogadas mais famosas.[113] Tostão passou a bola para Pelé e o goleiro do Uruguai, Ladislao Mazurkiewicz, tomou conhecimento e saiu da linha para tentar pegar a bola antes dela chegar ao atacante brasileiro. No entanto, Pelé chegou primeiro e enganou Mazurkiewicz com uma finta por não tocar na bola, fazendo-a rolar para a esquerda do goleiro, enquanto ele foi para a direita. Ele então correu ao redor do goleiro para recuperar a bola e chutou.[116]

O Brasil jogou contra a Itália na final no Estádio Azteca na Cidade do México.[117] Pelé marcou o primeiro gol com um cabeceamento depois de ultrapassar o zagueiro italiano Tarcisio Burgnich. Após o centésimo gol do Brasil em Copas, o salto de alegria de Pelé nos braços do companheiro de equipe Jairzinho ao comemorar o gol é considerado um dos momentos mais emblemáticos da história da Copa do Mundo.[118] Ele deu assistência ao terceiro gol, marcado por Jairzinho, e ao quarto de Carlos Alberto. O último gol do jogo é frequentemente considerado o melhor de todos dessa equipe, pois apenas dois jogadores não participaram dele. A jogada culminou em Pelé fazendo um passe às cegas que seguiu a trajetória de corrida de Carlos Alberto. Ele veio correndo por trás e chutou a bola para marcar.[119] O Brasil venceu a partida por 4 a 1, mantendo a Taça Jules Rimet indefinidamente, e Pelé recebeu a Bola de Ouro como jogador do torneio.[82][120] Burgnich, que marcou Pelé durante a final, foi citado dizendo: "Eu disse a mim mesmo antes do jogo: 'ele é feito de pele e ossos como todo mundo' – mas eu estava errado".[121]

O último jogo de Pelé com a Seleção foi em 18 de julho de 1971 contra a Iugoslávia, no Rio de Janeiro. Com Pelé em campo, equipe brasileira conseguiu 67 vitórias, 14 empates e 11 derrotas.[99] O Brasil nunca perdeu uma partida com Pelé e Garrincha em jogo.[122]

Carreira artística[editar | editar código-fonte]

Filmografia
Telenovela
Jogos eletrônicos

Em 2009 foi anunciado a parceria de Pelé com a Ubisoft para o desenvolvimento de um jogo de videogame de futebol para o Nintendo Wii no qual Pelé é o personagem principal. O jogo chamado Academy of Champions: Soccer remete a ideia de Pelé de trazer o esporte para os mais jovens.[124]

Discografia

Pelé gravou o compacto Tabelinha com a cantora Elis Regina no ano de 1969.[123] O disco foi gravado pela Philips/CBD, hoje Universal Music. (Philips 365291) com as canções "Vexamão" e "Perdão Não Tem". As canções estão disponíveis no CD duplo Elis Regina 20 anos de Saudade, de 2002 (Universal Music) e no CD Peléginga, de 2006 (EMI). Em 2009, foi garoto propaganda de uma campanha publicitária da SPTuris pela cidade de São Paulo. Autor de mais de 120 canções, compôs o samba "Olha Lá São Paulo" falando de 54 bairros paulistanos. A produção foi lançada em cinemas e emissoras de televisão de sete capitais nacionais, além da CNN International e da CNN en Español.[125]

Estilo de jogo[editar | editar código-fonte]

Pelé driblando um defensor durante jogo pelo Brasil, em maio de 1960.
"O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé".
"No momento que a bola chega aos pés de Pelé, o futebol se transforma em poesia".

Pelé também é conhecido por conectar a frase "jogo bonito" com o futebol.[126] Um artilheiro prolífico, ele era conhecido por sua capacidade de antecipar adversários na área e acabar com chances com um tiro preciso e poderoso com o pé.[53][127][128] Pelé também era um jogador de muito treinamento e um atacante completo, com visão e inteligência excepcionais, reconhecido por seu passe preciso e capacidade de se unir aos colegas de equipe e dar assistência.[129][130][131]

Em seu início de carreira, ele jogou em uma variedade de posições de ataque. Embora ele geralmente trabalhasse dentro da grande área como um segundo atacante ou centroavante, sua ampla gama de habilidades também lhe permitia jogar em um papel mais retraído, como atacante interno ou segundo atacante, ou fora de campo.[113][129][132] Em sua carreira posterior, ele assumiu um papel mais profundo no meio de campo atrás dos atacantes, muitas vezes atuando como meia-atacante.[133][134][135] O estilo de jogo único de Pelé combinava velocidade, criatividade e habilidade técnica com força física, resistência e capacidade atlética. Sua excelente técnica, equilíbrio, talento, agilidade e habilidades de drible permitiram que ele vencesse adversários com a bola, e frequentemente o via usando mudanças súbitas de direção e fintas elaboradas para passar por jogadores, como seu movimento de marca registrada, o "drible da vaca".[113][132][136] Outro de seus movimentos de assinatura foi a "paradinha".[nota 3][137]

Apesar de sua estatura relativamente pequena (1,73 m)[138] ele se destacou no ar, devido à sua precisão de rumo, tempo e altitude.[127][130][136][139] Reconhecido por seus chutes, ele também foi um cobrador de faltas e pênalti, embora muitas vezes ele se abstivesse de fazer pênaltis, afirmando acreditar ser uma maneira covarde de marcar.[140][141]

Pelé também era conhecido por ser um jogador justo e altamente influente, que se destacou por sua liderança carismática e esportividade em campo. Seu caloroso abraço em Bobby Moore após o jogo Brasil x Inglaterra na Copa do Mundo de 1970 é visto como a personificação do espírito esportivo, com o The New York Times afirmando a imagem “Capturou o respeito que dois grandes jogadores tiveram um pelo outro. Como eles trocaram camisas, toques e olhares, o espírito esportivo entre eles é tudo na imagem. Nada de regozijo, nenhum bombardeio de Pelé. Nenhum desespero, nenhum derrotismo de Bobby Moore.”[142] Pelé também ganhou a reputação de ser um jogador decisivo para suas equipes, devido a sua tendência de marcar gols cruciais em partidas importantes.[143][144][145]

Após o futebol[editar | editar código-fonte]

Pelé na Casa Branca em 10 de setembro de 1986, com os presidentes Ronald Reagan e José Sarney

Em 1994, Pelé foi nomeado Embaixador da Boa Vontade da UNESCO.[146] Em 1995, o presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso o nomeou para o cargo de Ministro do Esporte. Durante esse período, ele propôs uma legislação para reduzir a corrupção no futebol brasileiro, que ficou conhecida como "Lei Pelé".[147] Ele deixou o cargo em 2001 depois de ser acusado de envolvimento em um escândalo de corrupção que roubou 700 mil dólares da UNICEF. Foi alegado que o dinheiro dado à empresa de Pelé para uma partida beneficente não foi devolvido após o cancelamento, apesar de nada ter sido provado e ter sido negado pela UNICEF.[148][149] Em 1997, ele recebeu o título honorário de Cavaleiro do Império Britânico da rainha Isabel II em uma investidura no Palácio de Buckingham.[150] Pelé também ajudou a inaugurar a final da Copa do Mundo FIFA de 2006, ao lado da supermodelo Claudia Schiffer.[107]

Pelé com o presidente dos Estados Unidos Bill Clinton no Rio de Janeiro, 15 de outubro de 1997

Em 1993, ele acusou publicamente o presidente da CBF Ricardo Teixeira de corrupção, depois que a companhia de televisão de Pelé foi rejeitada em uma disputa pelos direitos domésticos do Brasil à Copa do Mundo de 1994.[151] As acusações levaram a uma disputa de oito anos entre os dois.[152] Como consequência do caso, o presidente da FIFA João Havelange, proibiu Pelé do sorteio da Copa do Mundo da FIFA de 1994 em Las Vegas. Considerou-se que as críticas à proibição afetaram negativamente as chances de Havelange se reeleger como presidente da FIFA em 1994.[151]

Pelé publicou várias autobiografias, estrelou em documentários e compôs peças musicais, incluindo a trilha sonora do filme Pelé, em 1977.[153] Ele apareceu no filme Fuga para a Vitória, de 1981, sobre uma partida de futebol durante a Segunda Guerra Mundial entre prisioneiros de guerra aliados e um time alemão. Ele estrelou ao lado de outros jogadores das décadas de 1960 e 1970, com os atores Michael Caine e Sylvester Stallone.[154] Em 1969, Pelé estrelou uma telenovela chamada Os Estranhos, sobre o primeiro contato com alienígenas. Foi feita por conta do interesse nas Missões Apollo.[155] Em 2001, teve uma participação especial no filme satírico, Mike Bassett: England Manager.[156]

Pelé no Fórum Econômico Mundial na Suíça, 2006

Em novembro de 2007, Pelé esteve em Sheffield, Inglaterra, para marcar o 150º aniversário do clube de futebol mais antigo do mundo, Sheffield Football Club.[157] Ele foi o convidado de honra no jogo de aniversário do Sheffield contra a Inter de Milão em Bramall Lane.[157] Como parte de sua visita, ele abriu uma exposição que incluiu a primeira exibição pública em 40 anos das regras originais do futebol manuscritas.[157] Pelé foi olheiro para o Fulham Football Club, clube da Premier League, em 2002.[158] Ele fez o sorteio para os grupos de qualificação para as finais da Copa do Mundo FIFA de 2006.[159] Em 1 de agosto de 2010, ele foi apresentado como Presidente Honorário de um New York Cosmos revivido, com o objetivo de formar um time na Major League Soccer.[160] Em agosto de 2011, a ESPN informou que o Santos estava pensando em tirá-lo da aposentadoria para uma participação especial na Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2011, mas isso se provou falso.[161]

Presidente do Brasil Luís Inácio Lula da Silva e Pelé em comemoração dos 50 anos do primeiro título mundial brasileiro, Palácio do Planalto, 2008

A área mais notável da vida de Pelé desde o fim de sua carreira no futebol é o seu trabalho como embaixador. Em 1992, ele foi nomeado embaixador da ONU de ecologia e meio ambiente.[162] Ele também foi premiado com a Medalha de Ouro no Brasil por serviços destacados ao esporte em 1995. Em 2012, recebeu um título honoris causa da Universidade de Edimburgo por "contribuição significativa para causas humanitárias e ambientais, bem como por suas realizações esportivas".[163]

Em 2009, Pelé apoiou a candidatura do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de Verão de 2016. Em julho de 2009, ele liderou a apresentação do Rio 2016 na Associação de Comitês Olímpicos Nacionais da África, em Abuja, na Nigéria.[164] Em 12 de agosto de 2012, Pelé participou da cúpula olímpica da fome de 2012, organizada pelo primeiro-ministro britânico David Cameron em 10 Downing Street, Londres, parte de uma série de esforços internacionais que tentaram responder ao retorno da fome como um grande problema global.[165][166] Mais tarde no mesmo dia, ele apareceu na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012 em Londres, após a seção de entrega para a próxima cidade-sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016, no Rio de Janeiro.[167]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Relacionamentos e filhos[editar | editar código-fonte]

Praticante do catolicismo, Pelé doou uma camiseta autografada ao Papa Francisco. Acompanhada de uma bola autografada por Ronaldo, está localizada no Museu do Vaticano.[168]

Em sua primeira biografia, "Eu sou Pelé" (1961), Pelé afirmou que iria "morrer solteiro"; segundo ele, por não saber se as mulheres gostavam "de mim, como o homem que sou, ou se querem apenas o Pelé".[169] Sua previsão, contudo, não se concretizou: em 21 de fevereiro de 1966 Pelé se casou com Rosemeri dos Reis Cholbi.[170] Eles tiveram três filhos: Kelly Cristina (1967), Jennifer (1978) e o jogador Edinho (1970) – que foi preso e condenado em 2014 por lavagem de dinheiro e narcotráfico.[171][172] O casal se separou em 1980.[173] Entre 1981 e 1986 namorou a apresentadora Xuxa, que na época ainda era modelo.[174] Em 1990 começou a namorar a cantora Assíria Nascimento, com quem se casou em 1994 e teve gêmeos, Joshua e Celeste (1996). O casal se divorciou em 2008.[175] Em 2010 começou a namorar a empresária Marcia Aoki, se casando em 2016.[176][177] Pelé e Marcia estão juntos até hoje.[169]

Além disso, Pelé teve duas filhas fora do casamento. Sandra Regina Machado (1964) foi fruto de uma traição com a empregada doméstica Anisia Machado, da época em que ainda namorava Rosemeri, que se tornaria sua primeira esposa.[178] O jogador nunca quis conhecê-la e, após anos lutando nos tribunais, Sandra conseguiu ser reconhecida como filha através do teste de DNA em 1996.[179] Mesmo legalmente reconhecida, Pelé não quis contato com Sandra, que morreu em 2006 vitima de um câncer sem conseguir apoio do jogador para o tratamento.[178][179] A postura de Pelé lhe rendeu muitas críticas.[180] Já Flávia Kurtz (1970) foi fruto de outro caso extraconjugal com a jornalista Lenita Kurtz, a qual também conseguiu reconhecimento nos tribunais.[181]

Política[editar | editar código-fonte]

Em 1970, Pelé foi investigado pela ditadura militar brasileira por suspeita de simpatia com a esquerda política. Documentos desclassificados mostraram que o jogador foi investigado após receber um manifesto pedindo a libertação de presos políticos. Ele não se envolveu mais nas lutas políticas do país.[182]

Em 1976, Pelé estava em uma viagem patrocinada pela Pepsi em Lagos, na Nigéria, quando ocorreu a tentativa de golpe militar daquele ano. Ele ficou preso em um hotel junto com Arthur Ashe e outros tenistas, que estavam participando do torneio interrompido no WCT de Lagos. Pelé e sua equipe acabaram deixando o hotel para ficar na residência do embaixador do Brasil, pois não podiam deixar o país por alguns dias. Mais tarde, o aeroporto foi aberto e ele deixou o país disfarçado de piloto.[183][184]

Em junho de 2013, ele foi criticado pelo público por suas opiniões conservadoras.[185][186] Durante os protestos de 2013 no Brasil, Pelé pediu que as pessoas "esquecessem as manifestações" e apoiassem a Seleção Brasileira.[187]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Em 1977, a mídia brasileira informou que Pelé teve seu rim direito removido.[188] Em novembro de 2012, ele passou por uma operação no quadril.[189][190] Entretanto, em 2016 afirmou que houve um erro médico nesta cirurgia,[191][192] o que levou a necessidade de outra cirurgia, de correção, em 2015.[192] Por conta da nova cirurgia, em dezembro de 2017 ele apareceu em uma cadeira de rodas no sorteio da Copa do Mundo de 2018 em Moscou, onde foi fotografado com o presidente russo Vladimir Putin e Diego Maradona.[193] Um mês depois, desmaiou de exaustão e foi levado para o hospital.[193] Sua saúde debilitada impediu-o de participar da Copa do Mundo FIFA de 2018,[194] a primeira Copa desde 1958 sem sua presença - seja como jogador, garoto-propaganda do torneio, comentarista ou convidado.[195] Em 2020 seu filho Edinho afirmou que o pai apenas se locomove com ajuda de um andador e que sente-se deprimido com a situação, evitando aparecer em público.[196]

Legado[editar | editar código-fonte]

Estátua de Pelé na cidade de Três Corações
"Pelé é um dos poucos que contradizem minha teoria: em vez de quinze minutos de fama, ele terá quinze séculos."

 Andy Warhol.[197]

"Meu nome é Ronald Reagan, sou o presidente dos Estados Unidos da América. Mas você não precisa se apresentar, porque todo mundo sabe quem é Pelé."

 Presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, introduzindo Pelé na Casa Branca.[197]

Pelé é um dos jogadores mais elogiados da história e é frequentemente classificado como o melhor jogador de sempre.[198][199][200] Entre seus contemporâneos, o astro holandês Johan Cruyff afirmou: "Pelé foi o único jogador de futebol que ultrapassou os limites da lógica."[197] O capitão do Brasil na Copa do Mundo de 1970, Carlos Alberto Torres, opinou: "Seu grande segredo foi a improvisação. Essas coisas que ele fez foram em um momento. Ele tinha uma percepção extraordinária do jogo."[197] Tostão, seu parceiro de ataque na Copa do Mundo de 1970: "Pelé foi o maior - ele foi simplesmente impecável. E fora do campo, ele está sempre sorrindo e otimista. Você nunca o vê mal-humorado. Ele adora ser o Pelé."[197] Seu companheiro de equipe Clodoaldo comentou sobre a adulação que ele testemunhou: "Em alguns países eles queriam tocá-lo, em alguns eles queriam beijá-lo. Em outros, até beijavam o chão em que ele caminhava. Eu achava lindo, lindo".[197]

Pelé é o maior jogador de todos os tempos. Ele reinou supremo por 20 anos. Não há ninguém para comparar com ele.
— Capitão campeão da Copa de 1974 pela Alemanha Ocidental Franz Beckenbauer.[82]

A ex-estrela do Real Madrid e da Hungria, Ferenc Puskás, afirmou: "O maior jogador da história foi Di Stéfano. Recuso-me a classificar Pelé como jogador. Ele estava acima disso."[197] Just Fontaine, atacante francês e artilheiro da Copa do Mundo de 1958: "Quando vi Pelé jogar, senti que deveria pendurar minhas chuteiras."[197] O capitão da Inglaterra, campeão da Copa de 1966, Bobby Moore, comentou: "Pelé foi o jogador mais completo que já vi, ele tinha tudo. Dois pés bons. Magia no ar. Rápido. Poderoso. Poderia derrotar pessoas com habilidade. Poderia superar pessoas. Com apenas um metro e meio de altura, ele parecia um atleta gigante em campo. Equilíbrio perfeito e visão impossível. Ele foi o maior porque ele poderia fazer qualquer coisa e tudo em um campo de futebol. Lembro-me de Saldanha, o técnico, ser perguntado por um jornalista brasileiro quem era o melhor goleiro de sua equipe. Ele disse Pelé. O homem poderia jogar em qualquer posição".[127] O ex-atacante do Manchester United e membro da equipe vencedora da Inglaterra na Copa do Mundo de 1966, Bobby Charlton, afirmou: "Eu às vezes sinto que o futebol foi inventado para esse jogador mágico."[197] Durante a Copa do Mundo de 1970, quando o defensor do Manchester United, Paddy Crerand (que fazia parte do painel do ITV) foi convidado: "Como você soletra Pelé?", Ele respondeu: "Fácil: D-E-U-S".[197]

Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

Selo postal brasileiro em comemoração ao milésimo gol de Pelé

Desde que se aposentou, Pelé continuou sendo elogiado por jogadores, treinadores, jornalistas e outros. O meia-atacante brasileiro Zico, que representou o Brasil nas Copas do Mundo de 1978, 1982 e 1986, afirmou: "Este debate sobre o jogador do século é absurdo. Só existe uma resposta possível: Pelé. Ele é o melhor jogador de todos os tempos, e de longe, devo acrescentar".[82] O francês Michel Platini, três vezes vencedor do Ballon D'or, disse: "Há Pelé, o homem, e depois Pelé, o jogador. E jogar como Pelé é jogar como Deus." Jogador conjunto do século da FIFA, Diego Maradona afirmou: "É uma pena que nunca nos demos bem, mas ele era um jogador incrível".[82] Romário, vencedor da Copa do Mundo FIFA de 1994: "É inevitável que eu admire Pelé. Ele é como um Deus para nós".[82] Cristiano Ronaldo, cinco vezes campeão da Ballon d'Or, disse: "Pelé é o melhor jogador da história do futebol, e haverá apenas um Pelé"; José Mourinho, bicampeão da UEFA Champions League comentou: "Eu acho que ele é o futebol. Você tem o especial de verdade – Sr. Pelé."[201] O presidente honorário do Real Madrid e ex-jogador Alfredo Di Stéfano, opinou: "O melhor jogador de todos os tempos? Pelé. Lionel Messi e Cristiano Ronaldo são grandes jogadores com qualidades específicas, mas Pelé foi melhor".[202]

Pelé vestindo a camisa número 10 do Cosmos. O número foi aposentado em sua homenagem

Apresentando a Pelé o Prêmio Laureus do Esporte Mundial, o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela disse: "Observá-lo jogar era observar o deleite de uma criança combinado com a extraordinária graça de um homem por inteiro".[203] O político e cientista político estadunidense Henry Kissinger declarou: "O desempenho em um nível alto em qualquer esporte deve exceder a escala humana comum. Mas a performance de Pelé transcendeu a da estrela comum tanto quanto a estrela excede a performance comum".[204] Depois que um repórter perguntou se sua fama era comparada à de Jesus, Pelé brincou: "Há partes do mundo em que Jesus Cristo não é tão conhecido".[121]

Jovens visitam o Museu Pelé, aberto em 2014 em Santos

Em 1999, a Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) elegeu Pelé o Jogador do Século. Nesse mesmo ano, o Comitê Olímpico Internacional o elegeu o atleta do século. Segundo a IFFHS, Pelé é o maior goleador do mundo, marcando 1281 gols em 1363 jogos, incluindo amistosos não oficiais e jogos de turnê. Em 1999, a revista Time nomeou Pelé uma das 100 pessoas mais importantes do século XX. Enquanto ainda jogava, ele foi por um período o atleta mais bem pago no mundo.[205] Seu "jogo eletrizante e a propensão a objetivos espetaculares" fizeram dele uma estrela em todo o mundo. Para tirar o máximo proveito de sua popularidade, suas equipes fizeram turnês internacionais.[53] Durante sua carreira, ele ficou conhecido como "O Pérola Negra", "O Rei do Futebol", "O Rei Pelé" ou simplesmente "O Rei".[20] Em 2014, a cidade de Santos inaugurou o Museu Pelé, que exibe uma coleção de 2,4 mil objetos referentes ao jogador.[206] Aproximadamente 22 milhões de dólares foram investidos na construção do museu, alojado em uma mansão do século XIX.[207]

Popularidade e imagem comercial[editar | editar código-fonte]

"Perguntem a qualquer zebra de Jardim Zoológico: 'Qual é o maior jogador do mundo?'. Todas as zebras dirão, numa cálida unanimidade: 'Pelé'." (...) "Do esquimó ao chinês, do russo ao alemão, do patagônio ao egípcio, todos acham que Pelé realmente é o grande craque do presente, do passado e do futuro."
— Nelson Rodrigues
"Da Sibéria à Patagônia todo mundo conhece Pelé".
— Vinícius de Moraes

Durante toda a sua carreira, Pelé gozou de uma imensa popularidade. Essa popularidade pode ser medida pelo número de crianças registradas como "Edson": em 1950, antes de iniciar sua carreira, eram pouco mais de 43 mil crianças batizadas com o nome no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; em 1970 eram mais de 111 mil, crescimento reputado ao jogador.[208] Sua popularidade o levou a ser "garoto-propaganda" de várias marcas famosas, nos mais variados ramos - a única restrição era não associar sua imagem à bebidas alcoólicas e cigarros.[123] Pelé já atuou em propagandas de diversas marcas internacionais, como Atari, Honda, Pepsi, Emirates, Louis Vuitton e Mastercard. No Brasil, já atuou em comerciais da lã de aço Bombril, do medicamento Biotônico Fontoura e para a empresa de telecomunicações Vivo, dentre outras.[123][209][210][211] Alguns comerciais estrelados por Pelé acabaram se tornando famosos, com destaque para a propaganda do Ministério da Educação "Toda Criança na Escola", na qual o ex-jogador canta o refrão "ABC, ABC, toda criança tem que ler e aprender". A campanha é até hoje lembrada,[123] e o jingle considerado um dos mais famosos do Brasil.[209]

Pelé também atuou em diversos filmes. Sua primeira participação se deu no filme O Barão Otelo no Barato dos Bilhões (1971), no qual faz uma participação especial como um banqueiro rico e generoso. No ano seguinte, estrelou A Marcha, interpretando o escravo Chico Bondade. Pelé já participou de dezoito filmes no total,[123] incluindo o bastante criticado Pedro Mico, que trazia diversas cenas de nudez e sexo.[212] Também contracenou com Os Trapalhões, na película Os Trapalhões e o Rei do Futebol, de 1986.[123] Seu filme mais famoso é provavelmente Fuga para a Vitória, dirigido por John Huston, com a participação de Sylvester Stallone. Nele, Pelé e Stallone são prisioneiros numa prisão nazista, planejando sua fuga durante uma partida de futebol contra os oficiais alemães.[123][213]

O ex-jogador também está presente em diversos jogos eletrônicos. Foram lançados quatro jogos com o nome de Pelé: Pelé’s Soccer, para o Atari 2600, em 1980; Pelé!, para o Mega Drive, em 1993, e sua continuação, Pelé II: World Tournament Soccer, no ano seguinte, para o mesmo console; e Pelé: Soccer Legend, lançado para IOS e Android.[214] Em 2009, a Ubisoft lançou o jogo Academy of Champions: Soccer, para o Wii, no qual o jogador participa de uma escola de futebol dirigida por Pelé e Mia Hamm.[215] Em 2014 o ex-atleta foi inserido na popular série FIFA, como um dos jogadores clássicos disponíveis.[214] Na versão de 2019, Pelé tem a nota mais alta possível no jogo.[216] Em 2020, em homenagem aos seus 80 anos, a Psyonix disponibilizou itens cosméticos com a temática do ex-jogador no videogame Rocket League.[214]

Pelé também já atuou como comentarista esportivo em partidas de futebol. Em 1986, ele foi contratado para comentar a Copa do Mundo FIFA do mesmo ano pela Band.[195] Também participaram como comentaristas daquele torneio seus ex-companheiros Rivellino e Clodoaldo; a emissora aproveitou os três para evocar lembranças da vitoriosa seleção de 1970.[217] Nas duas Copas seguintes, comentou pela Rede Globo.[195] Na final da Copa do Mundo FIFA de 1994, ficou famosa cena protagonizada entre Pelé e o narrador Galvão Bueno: após Roberto Baggio perder o pênalti decisivo, confirmando o título brasileiro, um Galvão eufórico abraça Pelé enquanto grita "É tetra!" aos pulos.[218][219] A imagem é considerada uma das mais famosas da história do futebol brasileiro;[218] a expressão "é tetra" acabou se consolidando como uma expressão popular de comemoração.[219] Em 2010, Pelé apresentou a série "Um Minuto Com Pelé", composta de 27 episódios sobre a história da Copa do Mundo, pelo SBT.[220]

Pelé foi muito celebrado por jornalistas, escritores e prosistas brasileiros. Nelson Rodrigues, responsável pela alcunha de "Rei", escreveu diversas crônicas sobre o jogador. Segundo Rodrigues, Pelé era um "gênio indubitável", comparando-o a Michelangelo, Homero e Dante Alighieri.[30][221] Pelé foi objeto de linhas de importantes escritores brasileiros, como Carlos Drummond de Andrade, Luis Fernando Verissimo, Rachel de Queiroz, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, dentre inúmeros outros.[30][222] Drummond, em famosa frase, escreveu que "O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé", comparando ainda seu futebol a uma "comida de arte (...) que atinge o paladar de todos". Já para Luis Fernando Verissímo, "Pelé era bom até amarrando a chuteira".[30] Escritores sul-americanos também eram fãs do jogador; o peruano ganhador do Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa, afirmou em entrevista em 2008 que "não me emocionei tanto com alguém como foi com Pelé", ao descrever a partida do jogador que assistira no Maracanã.[222] Já o uruguaio Eduardo Galeano escreveu sobre Pelé que aqueles que tiveram "a sorte de vê-lo jogar, recebemos dele oferendas de rara beleza: momentos desses tão dignos de imortalidade que a gente pode acreditar que a imortalidade existe".[222]

O escritor e quadrinista Mauricio de Sousa criou em 1976 o personagem Pelezinho, baseado na infância de Pelé.[223] Segundo Mauricio de Sousa, Pelé inicialmente foi contrário a criar uma versão infantil de si mesmo; preferia uma versão "superatleta", nas palavras de Sousa.[224] Sousa convenceu Pelé ao desenhar o personagem e pedir que ele mostrasse para seus filhos.[224] O personagem inicialmente era reproduzido em tiras de jornal;[225] em 1977 foi lançada a revista Turma do Pelezinho.[224] Foram lançadas 66 revistas, entre 1977 e 1986.[226] Em 1996, o personagem apareceu numa série animada espanhola, coproduzida pelo canal Antena 3,[227] Anima Dream e Worldwide Cartoons.[228] Em 2012, Mauricio de Sousa confirmou a volta da publicação da Turma do Pelezinho pela Panini Comics.[229] Em 2014, o personagem foi a estrela do curta-metragem de animação Pelezinho em: Planeta Futebol.[230]

Pelé começou a explorar seu nome como um "produto comercial" na década de 1960, consolidando a marca comercial "Pelé".[231] Após se aposentar, continuou explorando comercialmente seu nome, o que lhe permitiu continuar em evidência mesmo após retirar-se dos campos. Em 2013, pesquisa internacional sobre popularidade de celebridades apontou Pelé como uma personalidade esportiva mundialmente conhecida, mesmo em países com pouca tradição no futebol. No Brasil, Pelé foi a personalidade esportiva mais reconhecida entre todas da pesquisa.[232] Em 2015, sua imagem estava associada a quinze empresas ou produtos em todo o mundo, número superior à da seleção brasileira.[231] Em 2019, estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts apontou Pelé como o brasileiro mais famoso no mundo.[233][234] Pelé é reputado por muitos como o brasileiro mais famoso de todos os tempos,[210][235][236] bem como uma das personalidades mais famosas dos tempos atuais[221][237] e um dos mais procurados e valorizados "garotos-propaganda" do mundo.[169][238]

José Carlos Kanner, que comprou a marca "Pelé" em 2009, afirmou que ela valeria seiscentos milhões de reais em 2010.[239] Estudo realizado em 2006 projetou que a marca poderia render negócios da ordem de um bilhão de dólares ao ano.[240][241] Apesar dos valores, a opinião de especialistas é que a marca não foi bem trabalhada por muito tempo.[221][239] Em 2012, ela passou a ser administrada pela "Legends 10", empresa estadunidense.[242] Em março de 2016, Pelé entrou com uma ação contra a Samsung Electronics no Tribunal Distrital dos Estados Unidos do Distrito Norte de Illinois, buscando trinta milhões de dólares em danos que alegam violações ao abrigo da Lei Lanham por endosso falso e uma reivindicação de lei estadual por violação de seu direito de publicidade.[243] A ação alegou que, a certa altura, Samsung e Pelé chegaram perto de assinar um contrato de licença para que o jogador aparecesse em uma campanha publicitária da marca. A empresa retirou-se abruptamente das negociações. O anúncio da Samsung de outubro de 2015 em questão incluiu uma foto parcial de um homem que "lembra muito" Pelé e também uma tela de televisão de alta definição sobreposta ao lado da imagem do homem apresentando um "chute de bicicleta modificado", frequentemente feito pelo jogador.[243]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Santos

New York Cosmos

Seleção Brasileira


Prêmios Individuais

Em dezembro de 2000, Pelé e Maradona dividiram o prêmio de Melhor Jogador do Século da FIFA.[252] Originalmente, o prêmio pretendia basear-se em votos em uma pesquisa na internet, mas muitos observadores reclamaram que a natureza da pesquisa teria significado uma demografia distorcida de fãs mais jovens que teriam visto Maradona jogar, mas não Pelé. A organização então nomeou o comitê "Família do Futebol" de membros da FIFA para decidir o vencedor do prêmio juntamente com os votos dos leitores de sua revista. O comitê escolheu Pelé. Como Maradona ganhou a enquete na internet, foi decidido que os dois deveriam compartilhar o prêmio.[253]

Ordens

Recordes pessoais[editar | editar código-fonte]

  • Seleção Brasileira de Futebol: artilheiro: 77 gols (95 se incluso jogos não oficiais)[292]
  • Sul-americano com mais gols pela seleção nacional: 77 gols[293]
  • Santos: artilheiro: 643 gols em 656 partidas[294]
  • Copa Intercontinental: artilheiro: 7 gols[295]
  • Maior número de hat-tricks: 92[296]
  • Guinness World Records: Jogador com mais gols (futebol): 1281 gols em 1363 partidas[10]
  • Guinness World Records: Jogador com mais Copas do Mundo vencidas: três[10][297]
  • Guinness World Records: Mais jovem vencedor de uma Copa do Mundo: 17 anos e 249 dias na Copa do Mundo FIFA de 1958[298]
  • Jogador mais jovem a marcar um gol em Copa do Mundo: 17 anos e 239 dias (Brasil v País de Gales, 1958)[82][299]
  • Mais jovem jogador a efetuar um hat-trick em Copa do Mundo: 17 anos e 244 dias (Brasil v França, 1958)[299]
  • Mais jovem jogador a participar de uma final de Copa do Mundo: 17 anos e 249 dias (Brasil v Suécia, 1958)[300]
  • Mais jovem jogador a marcar um gol em final de Copa do Mundo: 17 anos e 249 dias (Brasil v Suécia, 1958)[300]
  • Jogador com mais assistências dadas em Copas do Mundo: 10, (1958–1970)[301]
  • Mais assistências em uma única edição de Copa do Mundo: 7, (1970)[301]
  • Mais assistências dadas em uma final de Copa do Mundo: 3, (1958 e 1970)[302]
  • Mais gols em uma Final de Copa do Mundo (junto de Vavá, Geoff Hurst e Zinedine Zidane): 3 gols[303]
  • Mais jovem artilheiro de um Campeonato Paulista: 1957 – Santos
  • Mais jovem vencedor de Copa do Mundo: 1958 – Brasil (17 anos)
  • Mais jovem bicampeão de Copa do Mundo: 1962 – Brasil (21 anos)
  • Mais gols em uma única temporada: 1959 – 127 gols[304][305]

Estatísticas[editar | editar código-fonte]

Clubes[editar | editar código-fonte]

O número de gols de Pelé é frequentemente relatado pela FIFA como sendo 1281 gols em 1363 jogos.[82] Este número inclui gols marcados em amistosos de clubes, como as turnês internacionais que Pelé completou com o Santos e o New York Cosmos, e alguns jogos que disputou para as equipes das Forças Armadas Brasileiras enquanto ainda jogava no Brasil.[306] Ele foi incluso no Guinness World Records por mais gols marcados no futebol.[307] Nas estatísticas oficiais, a temporada em que Pelé mais balançou as redes pelo Santos foi o ano de 1958, quando anotou 66 gols. O alemão Gerd Müller quebrou seu recorde na temporada 1972/1973, por apenas um gol, pelo Bayern de Munique; o recorde atual de mais gols em uma única temporada por uma única equipe pertence ao argentino Lionel Messi, que marcou 72 vezes na temporada 2011/2012, pelo FC Barcelona.[308]

As tabelas abaixo registram todos os gols que Pelé marcou nas principais competições do Santos e do New York Cosmos.

Clube Temporada Campeonato Paulista de Futebol Torneio Rio-São Paulo[nota 7] Campeonato Brasileiro Série A[nota 8] Competições domésticas
Sub-total
Competições internacionais Total
Copa Libertadores da América Copa Intercontinental
Partidas Gols Partidas Gols Partidas Gols Partidas Gols Partidas Gols Partidas Gols Partidas Gols
Santos 1956 0* 0* 1 1 1 1
1957 14+15* 19+17*[nota 9][nota 10] 9 5 38* 41* 38* 41*
1958 38 58 8 8 46 66 46* 66*
1959[312] 32 45 7 6 4* 2* 39 51 43* 53*
1960[313] 30 33 3 0 0 0 33 33 0 0 0 0 33* 33*
1961 26 47 7 8 5* 7 33 55 0 0 0 0 38* 62*
1962 26 37 0 0 5* 2* 26 37 4* 4* 2 5 37* 48*
1963[314] 19 22 8 14 4* 8 27 36 4* 5* 1 2 36 51*
1964 21 34 4 3 6* 7 25 37 0* 0* 0 0 31* 44*
1965 30 49 7 5 4* 2* 37 54 7* 8 0 0 48* 64*
1966 14 13 0* 0* 5* 2* 14* 13* 0 0 0 0 19* 15*
1967 18 17 14* 9* 32* 26* 0 0 0 0 32* 26*
1968 21 17 17* 11* 38* 28* 0 0 0 0 38* 28*
1969 25 26 12* 12* 37* 38* 0 0 0 0 37* 38*
1970 15 7 13* 4* 28* 11* 0 0 0 0 28* 11*
1971 19 8 21 1 40 9 0 0 0 0 40 9
1972 20 9 16 5 36 14 0 0 0 0 36 14
1973 19 11 30 19 49 30 0 0 0 0 49 30
1974 10 1 17 9 27 10 0 0 0 0 27 10
Total 412 470 53 49 173* 100* 638* 619* 15 17[nota 11] 3 7 656 643
  • * Indica que o número foi deduzido da lista da rsssf.com e da lista de jogos de Pelé.
Clube Temporada North American Soccer League Pós-temporada Outros Total
Partidas Gols Partidas Gols Partidas Gols Partidas Gols
New York Cosmos 1975 9 5 14 10 23 15
1976 22 13 2 2 18 11 42 26
1977 25 13 6 4 11 6 42 23
Total 56 31 8 6 43 27 107 64

Seleção Brasileira[editar | editar código-fonte]

Pelé é o artilheiro da seleção brasileira de futebol com 77 gols em 92 jogos oficiais.[82] Além disso, marcou 18 vezes em 22 jogos não oficiais. Isso soma um total não oficial de 114 jogos e 95 gols. Ele também marcou 12 gols e é creditado com 10 assistências em 14 partidas de Copas do Mundo, incluindo 4 gols e 7 assistências apenas em 1970.[315] Pelé compartilha com Uwe Seeler, Miroslav Klose e Cristiano Ronaldo a conquista de serem os únicos jogadores a marcar em quatro torneios separados da Copa do Mundo.[316][317]

Fonte:[99]

Time Ano Torneio Amigável Total Média de gols
Partidas Gols Partidas Gols Partidas Gols
Brasil 1957 2 2 0 0 2 2 1.00
1958 4 6 3 3 7 9 1.13
1959 8 11 1 0 9 11 1.22
1960 2 1 4 1 6 2 0.89
1961 0 0 0 0 0 0 -
1962 4 4 4 4 8 8 1.00
1963 2 3 5 4 7 7 0.88
1964 3 2 0 0 3 2 0.67
1965 0 0 8 9 8 9 1.13
1966 2 1 7 4 9 5 0.85
1967 0 0 0 0 0 0 -
1968 0 0 7 4 7 4 0.63
1969 6 6 3 1 9 7 0.71
1970 6 4 9 4 15 8 0.57
1971 0 0 2 1 2 1 0.50
Total 41 43 51 34 92 77 0.84
Total (incluindo partidas não oficiais)[318] 41 43 69 56 114 95 0.83

Sumário[editar | editar código-fonte]

Os números de Pelé diferem entre as fontes principalmente devido a jogos amigáveis. A RSSSF afirma que Pelé marcou 767 gols em 831 jogos oficiais, 1281 gols em 1365 no geral enquanto ele estava ativo e 1284 em 1375 levando em conta os jogos beneficentes após sua aposentadoria.[295] A tabela a seguir é um sumário de fontes que inclui dados dos sites oficiais do Santos e da FIFA, entre outros.[319]

Partidas Gols Média
Torneios domésticos 702 656 0.94
Torneios internacionais 18 24 1.33
Seleção Brasileira de Futebol 92 77 0.84
Oficial 812 757 0.93
Partidas amigáveis e torneios extintos 554 526 0.95
Total 1366 1283 0.94
Partidas Gols Média
Partidas internacionais (oficiais e amigáveis) 503 479 0.95
Partidas domésticas (oficiais e amigáveis) 863 804 0.93
Total 1366 1283 0.94
Partidas Gols Média
Santos FC[320] 1116 1091 0.98
New York Cosmos[320] 111 65 0.59
Brasil 114 95 0.83
Outro 25 32 1.28
Total 1366 1283 0.94

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Pelé presumiu que era um insulto, já que a palavra não possuía significado em português. Ele descobriu na década de 2000 que a palavra significava "milagre" em hebreu.[19]
  2. O recorde foi superado por Norman Whiteside, da Irlanda do Norte, na Copa do Mundo FIFA de 1982.[79]
  3. Pelé parava no meio da cobrança de pênalti antes de chutar a bola; goleiros reclamavam que isso dava aos atacantes uma vantagem injusta, e na década de 1970, a FIFA proibiu este movimento de competições.[137]
  4. O título de 1973 foi dividido com a Portuguesa.[247][159]
  5. O título de 1964 foi dividido com o Botafogo.[249]
  6. Para coincidir com o 60º aniversário da Ballon d'Or, em 2016 a France Football publicou uma reavaliação dos prêmios dados antes de 1995, quando apenas jogadores europeus eram elegíveis para ganha-lo. 12 das 39 Ballons d'Or desse período seriam concedidas a jogadores sul-americanos; além de Pelé e Maradona, Garrincha, Mario Kempes e Romário foram reconhecidos como possíveis vencedores. Os destinatários originais, no entanto, permanecem inalterados.[265]
  7. Soccer Europe compilou esta lista de Rec.Sport.Soccer Statistics Foundation.[309]
  8. Estatísticas de 1957 a 1974 de Taça de Prata, Taça Brasil e Copa Libertadores foram pegas do website Soccer Europe. Soccer Europe lista a Rec.Sport.Soccer Statistics Foundation, mas não dá uma informação temporada por temporada.[310]
  9. Em 1957, o Campeonato Paulista foi dividido em duas fases: Série Azul e Série Branca. No primeiro, Pelé marcou 19 gols em 14 jogos e, na Série Azul, marcou 17 gols em 15 jogos. Veja[311]
  10. Esse número foi deduzido de uma lista do Santos da rsssf.com e esta lista de jogos que Pelé jogou.
  11. Estatísticas de 1957 a 1974 de Taça de Prata, Taça Brasil e Copa Libertadores foram pegas do website Soccer Europe. Soccer Europe lista a Rec.Sport.Soccer Statistics Foundation, mas não dá uma informação temporada por temporada.[310]

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    CERTIDÃO DE NASCIMENTO CERTIFICO que sob o n° 7.095 às fls. 123 do livro n° 21-A de Registro de Nascimento consta o assento de Edson Arantes do Nascimento, nascido aos vinte e três (23) outubro de mil novecentos e quarenta (1940) às 03 horas e --- minutos em esta Cidade de Três Corações, sexo masculino, filho de João Ramos do Nascimento e de Celeste Arantes.

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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