Pentateuco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disambig grey.svg Nota: Para a visão judaica do Pentateuco, veja Torá.
Pentateuco
Rolo da Torá judaica
Autor(es) Moisés
Idioma Hebraico

O Pentateuco (do grego Πεντάτευχος; transl. Pentátefchos), literalmente "cinco partes ou seções", é composto pelos cinco primeiros livros da Bíblia.[1][2] Entre os judeus é chamado de Torá, uma palavra da língua hebraica com significado associado ao ensinamento, instrução, ou literalmente Lei, uma referência à primeira secção do Tanakh, os primeiros cinco livros da Bíblia hebraica, cuja autoria é atribuída a Moisés. Os judeus também usam a palavra Torá num sentido mais amplo, para referir o ensinamento judeu através da história como um todo. Neste sentido, o termo abrange todo o Tanakh, o Mishná, o Talmude e a literatura midrash. Em seu sentido mais amplo, os judeus usam a palavra Torá para referir-se a todo e qualquer tipo de ensino ou filosofia.

Autoria[editar | editar código-fonte]

O Pentateuco é uma coleção de livros anônima. Entretanto, com base na arqueologia, a história e a linguística sabe-se que o Pentateuco tem origem na tradição oral e foi escrito durante seis séculos, reformulando, adaptando e atualizando tradições antigas e criando novas.[3].

Teorias de composição[editar | editar código-fonte]

Seria a autoria do Pentateuco mosaica ou um mosaico? No período do 2o Templo, começou-se a atribuir sua autoria a Moisés. Contudo, segundo a concepção crítica, quando a Torá ou o Pentateuco é atribuído a Moisés, os Salmos a Davi e os livros de Sabedoria a Salomão, há uma acepção de Moisés como o legislador, Davi como o salmista e Salomão como o homem ajuizado e sábio.Portanto, quando as Escrituras se referem a Moisés como autor apenas lhe atribui uma figura de protótipo de legislador.

Apesar de o Pentateuco ser anômimo, há uma visão tradicional sobre a origem do Pentateuco, o qual teria sido composto por Moisés entre os anos de 1446 a.C. e 1406 a.C aproximadamente. Entretanto, não há evidências da escrita de uma obra dessas proporções na Idade do Bronze e o hebraico do Pentateuco é dos meados do primeiro milênio e posterior a livros como Oseias ou Amós.

Alguns estudiosos atribuem somente o decálogo como sendo de autoria de Moisés, outros inserem o código da Aliança. Ainda, a ausência do nome do autor harmoniza-se com a prática do Antigo Testamento em particular, e com as obras literárias antigas em geral. No antigo Oriente Médio, o “autor” era basicamente um preservador do passado, limitando-se ao uso de material e metodologia tradicionais.[4]

Entre os documentos mais antigos que compõe o Pentateuco está Deuteronômio 12-26. Este livro teria sido encontrado no templo por ocasião de reformas proporcionadas pelo rei de Judá Josias (640-609 AC). A partir dele, várias redações e tradições paralelas (como a registrada nas redações Jovista e Eloísta) coexistiram até ficar pronta a versão canônica após o exílio (por volta de 450-400 AC).[5]

Entre as teorias de composição, três são as principais baseadas em evidências internas e externas da Bíblia.

Segundo a Hipótese documental, conforme formulada por Julius Wellhausen (1844-1918) sustenta que o Pentateuco é uma obra redacional, composta de quatro diferentes tradições (documentos): a javista com textos compostos na época da monarquia (950 a.C.), a Eloísta com textos posteriores ao ano 750 a.C., a deuteronomista com textos escritos aproximadamente no ano 600 a.C. e a sacerdotal com textos escritos no Cativeiro Babilônico (por volta do ano 500 a.C..[6][7]

Já a teoria fragmentária postula que o Pentateuco seria uma obra maior -- oral ou textualizada -- que teria sido editada de forma reduzida durante o período persa.

Para a teoria suplementar um núcleo redigido foi aos poucos incrementado, com adições de outras versões e tradições que circulavam até antigir a forma canônica no século V a.C.

Por último, há a teoria da tradição, baseada em paralelos de literatura oral encontrada por antropólogos e seus processos de textualização. [8]

Irrespectiva de qual teoria de composição, eruditos como Erhard Blum e Joseph Blenkinsopp, o governo persa decidiu conceder autonomia política a Judá, mas precisava estabelecer uma única “constituição” para governá-lo. Sob dos persas, o Pentateuco tornou-se o código oficial da lei para os judeus, tanto os que viviam na Palestina quanto na Diáspora. Contudo, as discrepâncias na descrição de Esdras e Neemias do feriado de Sucot indicam que a versão final ocorreu nas fases finais dos persas ou em algum momento no início do período helenístico. O autor de Neemias segue tradições semelhantes às expressas em Levítico, mas parece não ter conhecimento das tradições de Números e Deuteronômio. O inverso é verdadeiro para o autor de Esdras 3, que desconhece Números e Deuteronômio, mas conhece Levítico. Por fim, os judeus de Elefantina até o ano 404 a.C. praticavam o culto a YHWH (inclusive com sacrifícios e a celebração da páscoa), conheciam alguns salmos, mas não o Pentateuco, indicando que a tradição oral não tinha sido totalmente fixada em texto.

Sem considerar qual teoria ou hipótese, é consenso entre os estudiosos que o Pentateuco é uma composição que começou nos meados do 1o milênio e levou tempo a atingir sua forma estável canônica, tal qual a conhecemos.

Livros do pentateuco (Torá)[editar | editar código-fonte]

Gênesis[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Gênesis

Primeiro livro da Bíblia. Narra acontecimentos, desde a criação do mundo, na perspectiva judaica (o chamado "relato do Gênesis"), passando pelos patriarcas hebreus, até à fixação deste povo no Egito, depois da história de José.

Génesis segundo a fé judaica é o início, é o princípio da criação dos céus, da terra, da humanidade e de tudo quanto existe vida, todos os seres. O livro é o primeiro dos cinco livros atribuídos a Moisés, porém a menção de filisteus, caldeus e arameus -- povos que emergiram 500 anos depois do período em que Moisés teria vivido -- indica que sua composição seja da Idade do Ferro.

Êxodo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Livro do Êxodo

O livro conta a história da saída do povo de Israel do Egito, onde foram escravos durante 430 anos. Narra o nascimento, a vida e o ministério de Moisés diante do povo de Israel, bem como o estabelecimento da Lei e a construção do Tabernáculo. Mostra o início de um relacionamento entre o povo recém-saído do Egito e Deus através de uma aliança proposta pelo próprio Deus. É a organização do judaísmo.

Levítico[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Levítico

Basicamente é um livro teocrático, isto é, tem caráter legislativo; apresenta em seu texto o ritual dos sacrifícios, as normas que diferenciam o puro do impuro, a lei da santidade e o calendário religioso entre outras normas e legislações que regulariam a religião.

Números[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Livro dos Números

Este livro é de interesse histórico, pois fornece detalhes acerca da rota dos israelitas no deserto e de seus principais acampamentos. Pode ser dividido em três partes:

  • O recenseamento do povo no Sinai e os preparativos para retomar a marcha (1-10:10). O capítulo 6 relata o voto de Nazireu.
  • A história da jornada do Sinai até Moabe, o envio dos espiões e o relato que fizeram, e as murmurações (oito vezes) do povo contra as dificuldades do caminho (10:11-21:20).
  • Os eventos na planície de Moabe, antes da travessia do rio Jordão (21:21-cap. 36).

Deuteronômio[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Deuteronômio

Contém os discursos de Moisés ao povo, no deserto, durante seu êxodo do Egito à Terra Prometida por Deus. Os discursos contidos nesse livro, em geral, reforçam a ideia de que servir a Deus não é apenas seguir sua lei.

O título provém do grego e quer dizer: "Segunda Lei", ou melhor, "Repetição da Lei". Em Êxodo, Levítico e Números, as leis foram dadas, conforme a necessidade da ocasião, a um povo acampado no deserto. Em Deuteronômio, essas leis foram repetidas a uma geração que, dentro em breve, moraria nas casas, vilas e cidades da terra prometida.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Echegary, J. González; et al. (2000). A Bíblia e seu contexto. 2 2 ed. São Paulo: Edições Ave Maria. 1133 páginas. ISBN 9788527603478 
  2. Pearlman, Myer (2006). Através da Bíblia. Livro por Livro 23 ed. São Paulo: Editora Vida. 439 páginas. ISBN 9788573671346 
  3. «Pentateuco». www.paulus.com.br , acessado em 20 de julho de 2010
  4. MORAES, Danilo (2015). O Pentateuco - Uma critica dos pressupostos científicos das Hipóteses Documentárias em face da autoridade bíblica e seus fundamentos. São Paulo: Fonte Editorial. pp. 316–317 
  5. Römer, Thomas (2016). São Paulo: Paulus  Texto "A origem de Javé." O Deus de Israel e seu nome" ignorado (ajuda); Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  6. «A "nova" hípotese documentária do Pentateuco». teologiabiblica.wordpress.com , Padre Lucas Prazer, Centro Catequetico Diocesano Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, Jundiai SP, 1ª quinzena de Março 2005, acessado em 20 de julho de 2010
  7. «Ler o Pentateuco». www.airtonjo.com , acessado em 20 de julho de 2010
  8. Goody, Jack. "From oral to written: An anthropological breakthrough in storytelling." The novel 1 (2006): 3-36.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dever, William G (2003). Who were the early israelites ? (em inglês). Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Co. 
  • Silberman, Neil A.; et al. (2001). A Bíblia Desenterrada. Nova Iorque: Simon e Schuster 
  • Machado de Assis (1880). Memórias Póstumas de Brás Cubas. [S.l.: s.n.] 
Ícone de esboço Este artigo sobre a Bíblia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.