Período das Cinco Dinastias e dos Dez Reinos

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O Período das Cinco Dinastias e dos Dez Reinos (chinês simplificado: 五代十国, chinês tradicional: 五代十國, pinyin: wǔdàishíguó) ou, abreviadamente, as Cinco Dinastias, foi uma etapa da história da China que durou desde o ano 907 ao ano 960 [1]. Foi uma época de instabilidade política situada cronologicamente entre as Dinastias Tang e Song. Durante este período, cinco Dinastias sucederam-se rapidamente no norte e mais de uma dúzia de estados independentes, principalmente no sul, foram criados, ainda que só dez deles são enumerados tradicionalmente, daqui o nome dos "Dez Reinos".

As Dinastias e Reinos[editar | editar código-fonte]

As cinco Dinastias[editar | editar código-fonte]

Os dez reinos[editar | editar código-fonte]

Preparando o palco[editar | editar código-fonte]

Este período foi o resultado directo da desintegração política no final da Dinastia Tang, que viu o poder escapar-se das mãos da governação imperial para as de governadores militares regionais (jiedushi) [2]. A rebelião Huang Chao (875-884) também causou um severo golpe à autoridade da governação central [3] . A princípios do século X, a governação central conservava escasso controlo sobre os poderosos jiedushi, que eram de facto independentes [4].

O Norte[editar | editar código-fonte]

Zhu Wen era o mais poderoso militar da época no norte da China. Originalmente membro do exército rebelde de Huang Chao, rendeu-se à Dinastia Tang e foi um elemento crucial na supressão da rebelião. Por isto lhe foi dado o título de jiedushi de Xuanwu . Depois de uns poucos anos tinha consolidado o seu poder destruindo os seus vizinhos, e foi capaz de forçar o transferência da capital imperial a Luoyang, que estava sob seu controlo [5]. Em 904 havia feito assassinar o imperador Zhaozong e havia posto o seu filho de treze anos no trono como um dirigente fantoche. Mais tarde proclamou a fundação da Dinastia Liang posterior, com o mesmo como imperador [6].

Por então, muitos dos seus rivais haviam declarado os seus próprios regimes independentes, e muitos não reconheciam a nova Dinastia. Particularmente, Li Cunxu e Liu Shouguang opunham-se ao novo regime, e lutaram pelo controlo do norte da China. Li Cunxu em concreto teve bastante sucesso. Após derrotar em 915 Liu Shouguang (que havia proclamado o império Yan em 911), Li Cunxu autoproclamou-se imperador em 923 e, em poucos meses, varreu o regime de Liang posterior, substituindo-o com a Dinastia Tang posterior [7]. Sob o seu comando, a maior parte do norte da China foi reunificado de novo, e em 925 conseguiu conquistar o Shu anterior, um regime que havia surgido em Sichuan [8].

A Dinastia Tang posterior teve uns poucos anos de acalma relativa. No entanto, cedo a inquietude começou a formar-se de novo. Em 934 Sichuan independizou-se novamente como Shu posterior. Em 936, Shi Jingtang, um jiedushi baseado em Taiyuan, rebelou-se com a ajuda do império Kitán da Manchúria [9]. Em resposta à sua ajuda, Shi Jingtang prometeu aos Kitán dezasseis prefeituras na área de Yoyun (actual norte da província de Heibei e Pequim) e um tributo anual. A rebelião teve sucesso, e Shi Jingtang converteu-se no imperador da Dinastia Jin posterior nesse mesmo ano [10].

Após a fundação da Dinastia Jin posterior, os kitán começaram a ver-se cada mais poderosos na China. Em 943 decidiram tomar a terra por si mesmos, e num período de três anos haviam chegado à capital situada em Kaifeng, levando ao seu fim a Dinastia Jin posterior. No entanto, foram incapazes (ou não tiveram vontade) de manter as vastas terras da China que haviam conquistado, e retrocederam em pouco tempo durante o decurso do seguinte ano.

Para encher este vazio, um jiedushi chamado Liu Zhiyuan entrou na capital imperial em 947 [11], proclamando a Dinastia Han posterior. Esta foi a Dinastia de mais curta vida das cinco, já que um golpe em 951 levou ao entronamento do general Guo Wei e ao começo da Dinastia Zhou posterior. No entanto, Liu Chong, um membro da família imperial de Han posterior, criou o regime de Han setentrional em Taiyuan, e procurou a ajuda de Kitán para derrotar a Dinastia Zhou posterior [12].

Após a morte de Guo Wei em 951, o seu filho adoptado Chai Rong sucedeu-lhe no trono e começou a seguir uma política de expansão e reunificação. Em 954 derrotou as forças combinadas de Han setentrional e Kitán, acabando com as suas esperanças de destruir a Dinastia Zhou posterior. Entre 956 e 958 Zhou posterior infligiu severas derrotas a Tang meridional, a mais poderosa Dinastia no sul da China, forçando-a a ceder todo o território a norte do rio Yangzi. Em 959 Chai Rong atacou o império Kitán apostando em recuperar os territórios cedidos durante a Dinastia Jin posterior, e obtiveram várias vitórias antes de haver sucumbido à doença [13].

Em 960, o general Zhao Kuangyin perpretrou um golpe e apropriou-se do trono, fundado a Dinastia Song setentrional. Este fato marca o fim oficial do período das Cinco Dinastias e dos Dez Reinos. Nas duas décadas posteriores, Zhao Kuangyin e o seu sucessor Zhao Kaungyi derrotaram a todos os restantes estados que ficavam na China, conquistado Han setentrional em 979 e reunificando China completamente em 982 [14].

O Sul[editar | editar código-fonte]

Ao contrário do norte da China, onde as Dinastias se sucediam uma a seguir às outras em rápida sucessão, os regimes do sul da China existiram de forma mais ou menos simultânea, cindindo-se cada um a uma área geográfica específica.

Por 920, Wu havia-se estabelecido nas províncias actuais de Jiangsu , Anhui e Jiangxi [15]; Wuhue estava estabelecido na sua maior parte na província moderna de Zhejiang, Min em Fujian, Han meridional em Guangdong, Chu em Hunan, Jingnan em Jianglin (província de Hubei) e Shu anterior em Sichuan. Sichuan caiu sob o controlo do norte em 925, mas em 934 recuperou a sua independência como Shu posterior [16]. Em 937 Wu foi substituído por Tang meridional.

Ainda que mais estável na sua totalidade que o norte da China, o sul também foi retalhado pela guerra. Wu teve escaramuças com os seus vizinhos numa tendência que continuou quando Wu foi substituído por Tang meridional. Em 940 Min e Chu passaram por crises internas das quais Tang meridional rapidamente soube aproveitar-se, destruindo Min em 945 e Chu em 951 (apesar disto restos de Min e Chu sobreviveram na forma de Qingyuan Jiedushi e Wuping Jiedushi por muitos anos) . Com isto, Tang meridional converteu-se indiscutivelmente no regime mais poderoso do sul da China. No entanto, foi incapaz de derrotar as incursões da Dinastia Tang posterior entre 956 e 958, e perdeu todas as suas terras ao norte do rio Yangzi [17].

A Dinastia Song setentrional, estabelecida em 960, estava determinada a reunificar a China. Jingnang e Wuping foram apagados do mapa em 963, Shu posterior em 965, Han meridional em 971, Tang meridional em 975. Finalmente, Wuyue e Qingyuan cederam o seu território aos Song setentrionais em 978, deixando todo o sul da China sob o controle da governação central [18].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f Gungwu Wang The Structure of Power in North China During the Five Dynasties, (em inglês) Stanford University Press, 1963 p. 1 ISBN 9780804707862
  2. Tan Koon San, Dynastic China: An Elementary History (em inglês) The Other Press, 2014 p 200 ISBN 9789839541885
  3. Hung Hing Ming, Ten States, Five Dynasties, One Great Emperor: How Emperor Taizu Unified China in the Song Dynasty (em inglês) Algora Publishing, 2014 p.1 ISBN 9781628940725
  4. Tan Koon San, Dynastic China , p 218
  5. Hung Hing Ming, Ten States, Five Dynasties, One Great Emperor, pp. 7-15
  6. Hung Hing Ming, Ten States, Five Dynasties, One Great Emperor, pp. 15-18
  7. Naomi Standen, Unbounded Loyalty: Frontier Crossings in Liao China (em inglês) University of Hawaii Press, 2007 pp 71-72 ISBN 9780824829834
  8. Frederick W. Mote, Imperial China 900-1800 (em inglês) Harvard University Press, 2003 pp. 12-13 ISBN 9780674012127
  9. Gregorio Doval Huecas, Breve historia de la China milenaria (em espanhol) Ediciones Nowtilus S.L., 2011 p 312 ISBN 9788499670140
  10. Frederick W. Mote, Imperial China 900-1800 p. 13
  11. Xiu Ouyang, Richard L. Davis,Historical Records of the Five Dynasties (em inglês) Columbia University Press, 2004 p. 93 ISBN 9780231128278
  12. Frederick W. Mote, Imperial China 900-1800 p. 13-14
  13. Xiu Ouyang, Richard L. Davis,Historical Records of the Five Dynasties pp. 107-108
  14. Arthur Cotterell, The Imperial Capitals of China: An Inside View of the Celestial Empire (em inglês) Random House, 2011 pp. 147-148 ISBN 9781446448397
  15. John Bowman, Columbia Chronologies of Asian History and Culture (em inglês) Columbia University Press, 2005 p. 27 ISBN 9780231500043
  16. Rowan K. Flad, Pochan Chen; Ancient Central China: Centers and Peripheries Along the Yangzi River (em inglês) Cambridge University Press, 2013 pp; 71-73 ISBN 9780521899000
  17. Johannes L. Kurz1, China's Southern Tang Dynasty, 937-976 (em inglês) Taylor & Francis, 2011 pp. 34-35 ISBN 9781136809569
  18. Peter Lorge, The Reunification of China: Peace through War under the Song Dynasty (em inglês) Cambridge University Press, 2015 pp. 131-133 ISBN 9781107084759

Ligações externas[editar | editar código-fonte]