Per Yngve Ohlin

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Dead
Ohlin por volta de 1989
Informação geral
Nome completo Per Yngve Ohlin
Nascimento 16 de janeiro de 1969
Origem Österhaninge, Estocolmo
País Suécia
Morte 8 de abril de 1991 (22 anos)
Gênero(s) Death metal (início)
Black metal
Instrumento(s) Vocal
Afiliação(ões) Morbid
Mayhem

Per Yngve Ohlin (16 de janeiro de 1969 - 8 de abril de 1991), mais conhecido como "Dead", foi vocalista da banda Mayhem após a saída de Maniac. Maquiava-se como um cadáver (dead) até durante os ensaios da banda.

A Roadrunner Records o listou na 48ª posição no ranking "Os 50 Melhores Vocalistas de Metal de Todos Os Tempos".[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Per Yngve Ohlin, às vezes também conhecido como "Pelle", sofria de apneia do sono na infância. Aos 10 anos, sofreu rompimento do baço após, segundo ele, sofrer um acidente no gelo, sendo levado para um hospital, onde foi por um tempo dado como morto (embora fontes próximas a sua família informem que este acidente, foi em realidade, ocasionando por Bullying[2] sofrido por ele na escola). Após essa experiência de quase-morte, tornou-se encantado pela morte.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Em 1986, fundou o grupo sueco de death e black metal Morbid, com o qual gravou a demo December Moon. Pouco depois, ele percebeu que a banda não tinha futuro. Foi nesse período que o interesse de se juntar ao grupo norueguês de black metal Mayhem surgiu. Dead se comunicava com os integrantes da banda por carta. De acordo com o baixista do Mayhem, Jørn 'Necrobutcher', para entrar no grupo, Pelle enviou-lhes um pequeno pacote contendo uma fita demo, uma carta e um rato crucificado em estado de decomposição. Embora eles tenham achado estranho, Dead conseguiu chamar a atenção da banda e foi escolhido na hora como vocalista. Ohlin mudou-se para a Noruega e se juntou à banda no início de 1988.[3][4]

Dead e Euronymous usando corpse paint.

Em um monólogo de Jan Axel Blomberg, mais conhecido com Hellhammer, o baterista e único membro remanescente da formação clássica do Mayhem. Disse que ele foi o primeiro músico de Black Metal a usar o corpse paint, e por isso era conhecido como "Morto" (Dead). Ainda segundo Hellhammer, Dead se trancava em seu quarto e vivia sempre deprimido. Euronymous, o guitarrista, e Dead não se davam muito bem e as discussões acabavam em brigas violentas. Um dia, Hellhamer decidiu ir a Oslo com amigos e antes de partir encontrou Dead, que estava carrancudo e deprimido: "Veja, eu comprei uma faca enorme. Ela está muito afiada". Aquelas foram as últimas palavras que Hellhammer ouviu dele antes de sua morte. O baixista Necrobutcher disse que, após viverem juntos por um período, Dead e Euronymous "se estressavam muito um com o outro" e "não eram amigos de verdade na época". Hellhammer recorda que uma vez Dead foi dormir na floresta porque Euronymous estava tocando música sintetizada que Dead odiava. Euronymous, então, saiu da casa e começou a atirar no ar com uma espingarda. Varg Vikernes afirma que Dead chegou a esfaquear Euronymous, certa vez.[5]

Nos concertos, Dead usava uma bolsa com um cadáver de corvo no interior para sentir, segundo ele, "a essência da morte". Vestia roupas que anteriormente tinha enterrado e onde proliferavam germes e insectos. Também costumava se cortar com facas de caça e vidro quebrado. Durante um show em Sarpsborg, em 1990, os cortes foram tão profundos que ele teve de ser levado ao hospital por causa da severa perda de sangue.

Dead fez uma breve aparição no videoclipe da canção "Bewitched" da banda sueca Candlemass, onde ele aparece atrás do vocalista Messiah Marcolin como um dos zumbis.[6]

Performances[editar | editar código-fonte]

Para os concertos, Dead fez um grande esforço para conseguir a imagem e atmosfera que ele desejava. Desde o início de sua carreira, ele era conhecido por usar "corpse paint", que o envolvia cobrindo o rosto com maquiagem preta e branca. De acordo com Necrobutcher, "Não teve nada a ver com as maquiagens do Kiss e do Alice Cooper. Dead realmente queria parecer um cadáver. Ele não fez isso para parecer legal".[7] Hellhammer afirmou que Dead "Foi o primeiro artista do Black metal a usar corpse paint", com exceção da banda Brasileira Sarcófago, que foram na verdade, graficamente os primeiros.[carece de fontes?] Para completar sua imagem de cadáver, Dead enterrava as roupas de palco e as desenterrava novamente para usar na noite de um concerto. De acordo com Hellhammer: "Antes dos shows, Dead enterrava suas roupas para que pudessem começar a apodrecer e obter aquele cheiro grave. Ele era um cadáver em um palco. Uma vez ele até mesmo nos pediu para enterrá-lo no solo - ele queria que sua pele se tornasse o mais pálida possível.[8]

Durante uma turnê com o Mayhem, ele encontrou um corvo morto e manteve-o em um saco plástico. Ele sempre o carregava com ele e cheirava a ave antes de subir ao palco, para cantar "com o cheiro da morte em suas narinas". Ele também mantinha aves mortas debaixo de sua cama.

Dead gostava de se cortar ao cantar no palco. Durante um show em 1990, ele cortou o braço dele com uma garrafa quebrada. Faust afirma que Dead teve que ser levado para o hospital após o show, mas chegou tarde demais e por isso não adiantava dar pontos no ferimento.

Personalidade[editar | editar código-fonte]

Ohlin acreditava que a vida era somente um sonho. Era um fanático pelos castelos Cárpatos e porfirinas. Além disso dizia ser de outra realidade. A sua banda favorita era Sodom, dos quais possuía uma camiseta que habitualmente usava, sendo também apreciador da brasileira Sarcófago. Em entrevista, vários músicos descreveram Dead como uma pessoa estranha e introvertida. Devido a sua personalidade mórbida e delírios de negação, foi levantada à possibilidade de que Ohlin poderia estar sofrendo Síndrome de Cotard, uma condição muito rara que se manifesta na crença de que o corpo não é de um ser humano vivo, mas de um cadáver; essa teoria é apoiada por uma variedade de declarações de Dead sobre o assunto de seu sangue e seu corpo. Segundo Bård "Faust" Eithun, baterista do Emperor: "Dead não era uma pessoa que podia se conhecer bem. Era difícil se aproximar dele. Ele tinha muitas idéias estranhas. Eu lembro do Aarseth falando dele, dizendo que ele não tinha senso de humor. Ele tinha, mas era muito obscuro. Honestamente, eu não acho que ele estava gostando da vida nesse mundo.". Hellhammer, companheiro de banda no Mayhem, o descreveu como "uma personalidade muito estranha, depressiva, melancólica e sombria." O guitarrista Euronymous disse certa vez, a respeito de Ohlin: "Eu honestamente penso que o Dead é mentalmente insano. De que outro jeito posso descrever um cara que não come para sentir as dores da fome? Ou que usa camisetas com anúncios fúnebres?"

Automutilação e suicídio[editar | editar código-fonte]

Em 1990, os membros do Mayhem passaram a morar em uma casa numa floresta próxima a Kråkstad, a qual era usada para os ensaios da banda. Com o tempo, a situação social de Dead e seu fascínio pela morte fizeram com que seu estado mental piorasse. Ele tentaria se cortar enquanto estava com seus amigos. Embora isso tenha incomodado alguns de seus companheiros de banda, Euronymous ficou fascinado com as tendências suicidas de Dead - aparentemente porque se encaixava na imagem de Mayhem - e, segundo alguns membros da banda, Euronymous encorajou Dead a se matar.[9][10] Manheim disse: "Não sei se Øystein fez isso por puro mal ou se ele estava apenas brincando".[11] Segundo Hellhammer, Dead passava grande parte do tempo escrevendo cartas e desenhando. Ele "apenas sentava em seu quarto e ficava cada vez mais deprimido".[12]  

Em 8 de abril de 1991, enquanto estava sozinho na casa da banda, Dead cometeu suicídio aos 22 anos, cortando os pulsos e garganta e dando um tiro em sua testa com uma espingarda.[13] Antes de cometer suicídio, Dead deixou uma nota escrita: "Desculpe pelo sangue". Nessa nota estavam inseridas mais informações onde ele dizia que não era humano e que sua vida era apenas um sonho e logo ele iria acordar, desabafava que a sua alma pertencia à floresta e aos bosques nórdicos para onde sempre quis ir. O corpo foi encontrado por Euronymous após entrar na casa da banda pela janela devido à porta estar trancada.[14][15] Ao descobrir o corpo de Dead, Euronymous foi até a cidade, comprou uma câmera, tirou fotos do cadáver do ex-companheiro de banda e usou uma delas como capa do futuro LP do Mayhem, chamado Dawn of the Black Hearts. Euronymous admitiu ter mudado algumas coisas, como colocar a faca por cima do corpo, para tornar a imagem mais chocante.

Euronymous usou o suicídio de Dead para promover a imagem "maligna" do Mayhem, e afirmou que Dead havia se matado porque o black metal se tornou "modinha" e comercial.[16] Necrobutcher especulou que tirar as fotos e forçar outras pessoas a vê-las era uma maneira de Euronymous lidar com o choque de ver o corpo de seu amigo.

O suicídio de Dead causou uma briga entre Euronymous e alguns de seus amigos, que ficaram revoltados com sua atitude em relação a Dead antes do suicídio e seu comportamento depois. Necrobutcher terminou sua amizade com Euronymous e deixou o Mayhem.[17] Manheim depois especulou que Euronymous havia deliberadamente deixado Dead sozinho em casa para que ele tivesse a chance de se matar.[18] O suicídio de Dead causou "uma mudança de mentalidade" na cena do black metal da Noruega, e foi o primeiro de uma série de eventos infames realizados por seus membros.

Um obituário de um jornal sueco afirmou que o funeral de Dead foi realizado em Österhaninge kyrka (Igreja Oriental de Haninge) na sexta-feira, 26 de abril de 1991.[19] Ohlin foi sepultado nos planos de Österhaninge (cemitério de Eastern Haninge), em Estocolmo.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Título Banda Lançamento
Morbid Rehearsal Morbid 7 de Agosto de 1987
December Moon Morbid 25 de Dezembro de 1987
Dawn of the Black Hearts Mayhem 28 de Fevereiro de 1990
Live in Leipzig Mayhem 26 de Novembro de 1990
Freezing Moon/Carnage Mayhem 1990
Out from the Dark Mayhem 1991

Referências

  1. «THE 50 GREATEST METAL FRONT-MEN OF ALL TIME!». www.roadrunnerrecords.com. Consultado em 24 de dezembro de 2014 
  2. Alexandru (27 de setembro de 2017). «Black Metal History – Dead From Mayhem and his Suicide». The Dark Side of History (em inglês). Consultado em 7 de maio de 2019 
  3. name=purefucking>Stefan Rydehed (director) (2008). Pure Fucking Mayhem (motion picture). Index Verlag 
  4. name=onceuponatime>Martin Ledang (director), Pål Aasdal (director) (2007). Once Upon a Time in Norway (motion picture). Another World Entertainment 
  5. Lords of Chaos, p. 57.
  6. «Candlemass – Bewitched» (music video). YouTube. Consultado em 2 de abril de 2013 
  7. http://arts.guardian.co.uk/features/story/0,11710,1419364,00.html
  8. «Cópia arquivada». Consultado em 19 de fevereiro de 2008. Arquivado do original em 19 de fevereiro de 2008 
  9. name=onceuponatime
  10. name=guardian
  11. name=onceuponatime
  12. name=LoC52>Lords of Chaos, p. 52.
  13. name="untilthelight"
  14. name=onceuponatime
  15. name=untilthelight
  16. Lords of Chaos, pp. 59–60.
  17. name=onceuponatime
  18. name=onceuponatime
  19. «Dead's gallery» (image). PerYngveOhlin.com. Consultado em 2 de abril de 2013. Cópia arquivada em 10 de março de 2012 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]