Perda auditiva condutiva

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As perdas auditivas são classificadas de acordo com o grau de severidade, ao tipo e a configuração audiométrica e lateralidade. [1]

Quanto ao tipo de deficiência auditiva, esta se relaciona com a localização das estruturas afetadas no sistema auditivo. E, desta maneira, compara os limiares de via aérea (VA) e de via óssea (VO) de cada orelha, separadamente. [1]

CONCEITO[editar | editar código-fonte]

Na Perda auditiva condutiva, as ondas sonoras não alcançam a orelha interna de forma adequada, seja por problemas na orelha externa (meato acústico) ou na orelha média (membrana do tímpano, cadeia ossicular, janelas redonda ou oval, ou mesmo a tuba auditiva), acarretando numa redução da acuidade auditiva, e assim, caracterizando-se por um problema na condução do som.  [2]

Neste tipo de perda auditiva, o limiar de VO (Via óssea) deve estar dentro de seu limite de normalidade (até 15 dB) e o limiar de VA (Via aérea) acima de seu limite de normalidade (20 ou 25 dB), sendo indicativo de que o problema se encontra na orelha média e/ou externa. [1]

Perda auditiva condutiva
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Anatomia do ouvido humano

CARACTERÍSTICAS AUDIOLÓGICAS[editar | editar código-fonte]

Audiometria Tonal e Logoaudiometria:[editar | editar código-fonte]

  • Gap aéreo-ósseo ≤ 15 dBNA;
  • LRF (Limiar de Reconhecimento de Fala): valor igual ou até 10 dB maior que a média tritonal obtida pelo indivíduo;
  • IRF (Índice de Reconhecimento de Fala): porcentagem de acertos entre 92 e 100%;
  • Grau de perda que pode variar de leve a moderadamente severo.  

Imitanciometria:[editar | editar código-fonte]

Curva timpanométrica: varia conforme a alteração apresentada na orelha média.

- Tipo As: caracterizada por um pico de máxima admitância à baixa pressão, mas com amplitude reduzida. Curva presente em condições de aumento de rigidez do sistema.

- Tipo C: curva caracterizada por pico de máxima admitância deslocado para pressão negativa, compatível com disfunção da tuba auditiva

- Tipo B: curva plana caracterizada por ausência de pico de máxima admitância; encontrada em casos de presença de líquido no espaço da orelha média

- Tipo Ad: curva aberta, presente em condições de diminuição de rigidez do sistema. Segundo vários autores, é compatível com disjunção de cadeia ossicular

- Tipo D: curva com duplo pico de máxima admitância.

Reflexos acústicos ausentes: Em perdas unilaterais, o reflexo ipsilateral da orelha afetada estará ausente e o reflexo contralateral da orelha não afetada também, ambas por problema de eferência. Já em perdas bilaterais, todos os reflexos estarão ausentes, pelo mesmo problema.

Emissões Otoacústicas Evocadas - EOE:[editar | editar código-fonte]

Por estímulo transiente: Estará ausente pois para que haja registro de emissão otoacústica, a onda sonora deve alcançar as células ciliadas externas e retornar parcialmente, sendo, portanto, necessariamente obrigatória a passagem pela orelha externa e média. Entretanto, caso estas se encontrem com problemas, as emissões passarão com dificuldade e chegarão à cóclea com pouca energia para serem interpretadas pelas CCE, do mesmo modo que o retorno até a orelha externa para ser captado pela sonda encontrará impedimentos e por isso, há ausência de resposta.

Por Produto de Distorção: dois tons puros são apresentados simultaneamente, ocorrendo a distorção da resposta da cóclea, pois o órgão não consegue processar tão bem quando chegam dois tons puros se comparado a quando chega apenas um, devido à inabilidade da membrana basilar de responder excitações simultâneas e isto, se relaciona com a organização tonotopia da cóclea. Em perdas condutivas, poderá está ausente ou com respostas aumentadas, já que o caminho percorrido pelo som encontrará obstáculos a nível de orelha média, dificultando sua condução até a cóclea e, consequentemente, seu retorno.

Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico - PEATE:[editar | editar código-fonte]

Encontra-se latências absolutas das ondas I, III e V aumentadas devido à dificuldade a nível de OE e/ou OM para que a onda sonora seja amplificada, causando um atraso simétrico nas três principais ondas registradas neste exame; as latências dos intervalos interpicos I-III, III-V, I-V apresentam valores normais visto que nas estações da via auditiva central em que estas ondas são registradas não há alterações e sim na parte periférica do sistema auditivo; o limiar eletrofisiológico pode estar moderadamente elevado já que o local aonde há amplificação da onda sonora não está completamente funcionante.[2]

CAUSAS[editar | editar código-fonte]

As causas comuns de perda auditiva condutiva incluem:

  • malformações de orelha externa e média: ocorre por alteração do desenvolvimento embrionário do 1º sulco branquial;
  • Otites;
  • disfunção tubária: Refere-se à impermeabilidade temporária ou persistente da tuba auditiva, podendo colabar e apresentar sintomas como plenitude auricular, sensação de ouvido tampado, autofonia, dor;
  • otosclerose;
  • rolha de cerúmen;
  • tumores;
  • corpos estranhos;[2]

SINTOMAS[editar | editar código-fonte]

Os principais sintomas de perda auditiva são:

TRATAMENTO[editar | editar código-fonte]

Pode ser tratada de diferentes formas, dependendo das circunstâncias.[3]

Quando há ausência ou deformação de estruturas do ouvido, não é possível ser corrigido.

Em casos de infecção, os antibióticos ou medicamentos antifúngicos são uma opção.[4]

Referências

  1. a b c Tratado de Audiologia. Rio de Janeiro: EDITORA GUANABARA KOOGAN LTDA. pp. 1–827 
  2. a b c d e f Filho, Otacílio Lopes (2013). Novo tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Editora Manole Ltda. pp. 1–1278 
  3. «Deafness and Hearing Loss» (em inglês). NICHCY. Junho de 2010. Consultado em 19 de dezembro de 2013 
  4. «Types, Causes and Treatment» (em inglês). Hearing Loss Association of America. Consultado em 19 de dezembro de 2013