Império Sassânida

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Império Sassânida
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Flag Brasão
Bandeira Brasão
Localização de Império Sassânida
Continente Ásia e Africa
Capital Ctesifonte
Língua oficial Persa médio, grego, hebraico, aramaico, árabe, hindi, armênio, georgiano
Religião Zoroastrismo, cristianismo, judaísmo, hinduísmo
Governo Monarquia Absoluta
 • 224–242 Artaxes I
 • 632–651 Isdigerdes III
História
 • 224 Morte de Artabano IV
 • 654 Conquista muçulmana
Moeda Dracma e dinar

O Império Sassânida (em persa: امپراتوری ساسانیان)[nota 1] foi o último Império Persa pré-islâmico, governado pela dinastia sassânida (224–651).[3][4] O Império Sassânida, que sucedeu ao Império Parta, foi reconhecido como uma das principais potências da Ásia Ocidental e Central, juntamente com o Império Romano/Bizantino, por um período de mais de 400 anos.[5]

Foi fundado por Artaxes I, após a queda do Império Arsácida e a derrota do último rei arsácida, Artabano IV. Durante sua existência, o Império Sassânida dominou os territórios dos atuais Irã, Iraque, Afeganistão, o leste da Síria, o Cáucaso (Armênia, Geórgia, Azerbaijão e Daguestão), o sudoeste da Ásia Central, parte da Turquia, certas áreas litorâneas da península Arábica, a região do golfo Pérsico, e algumas regiões do Baluquistão paquistanês

De acordo com a lenda tradicional persa, o vexiloide do Império Sassânida era o Derafsh Kaviani.[6] Hipóteses foram levantadas afirmando que a transição que resultou no Império Sassânida representa o fim da disputa entre os proto-persas e seus parentes próximos étnicos migrantes, os partas, cuja pátria original localizava-se na atual Ásia Central.

O período sassânida, durante a Antiguidade Tardia, é considerado um dos mais importantes e influentes períodos históricos da história da Pérsia e do Irã, e constituiu o último grande império iraniano antes da conquista muçulmana e a adoção do islamismo pela população local.[7] O Império Sassânida testemunhou o auge da civilização persa, de diversas maneiras; a Pérsia da época influenciou a civilização romana consideravelmente durante o período.[8] A influência cultural sassânida ultrapassou em muito as fronteiras territoriais do império, chegando até a Europa ocidental,[9] a África,[10] a China e a Índia.[11] Teve um papel importante na formação da arte medieval europeia e asiática.[12]

História[editar | editar código-fonte]

A dinastia sassânida foi estabelecida por Artaxes I, descendente de uma linhagem de sacerdotes zoroastrianos que governava a província de Pars (berço do Império Persa, corresponde hoje à província de Fars). Seu avô paterno foi Sasano, o grande sacerdote do Templo de Anaíta; historiadores posteriores dariam à dinastia reinante da Pérsia a designação sassânida. O pai de Artaxes, Pabaco, depôs o rei de Pars (vassalo do Império Parta) e assumiu o trono. O próprio Artaxes subiu ao poder em Pars, em 208, após rebelar-se contra o irmão.

A expansão do reino de Pars pelos territórios vizinhos atraiu a atenção de Artabano IV, grande rei do Império Parta, suserano de Artaxes. Artabano avançou contra Pars, em 224, mas foi morto em batalha, em Hormuzdagã. Artaxes, então, anexou as demais províncias da Pártia. Foi coroado em 226 (imperador) da Pérsia, encerrando 400 anos de domínio parta e dando início a quatro séculos de governo sassânida.

Artaxes e seus sucessores estabeleceram um vasto império baseado em Firuzabade (naquela época conhecida como Gor), que alcançava as fronteiras do antigo Império Aquemênida a leste do rio Eufrates. Travaram guerras frequentes com o Império Romano (mesmo após a queda de sua parte ocidental). Os imperadores sassânidas adotaram o zoroastrismo como religião oficial.

A expansão continuou com o filho e sucessor de Artaxes, Sapor I (r. 240–270). Este empreendeu diversas campanhas contra o Império Romano e chegou até mesmo a capturar o imperador romano Valeriano (r. 253–260), em 259.

Sapor II (r. 309–379), coroado, segundo dizem, in utero (a coroa teria sido colocada sobre o ventre da mãe), presidiu a um dos períodos áureos do Império Sassânida: derrotou os árabes ao sul, os hunos brancos a leste e os romanos a oeste; estes últimos cederam-lhe cinco províncias orientais. Em seu reinado completou-se o Avesta, compilação de textos zoroastrianos. Os cristãos foram perseguidos em território persa, em parte como reação à cristianização do Império Romano por Constantino I (r. 306–337).

As frequentes guerras com os romanos levaram à exaustão e à destruição do império. Com Constantinopla sitiada, o imperador bizantino Heráclio (r. 610–641) flanqueou os persas por mar na Ásia Menor e atacou-os pela retaguarda, o que resultou numa derrota decisiva em 627 para os sassânidas na Mesopotâmia setentrional. Estes viram-se obrigados a abandonar todos os territórios conquistados e recuar, seguindo-se o caos interno e a guerra civil.

Após catorze anos e sete reis diferentes, o Império Persa foi subjugado pelos árabes muçulmanos; com o assassinato, em 651, do último governante sassânida, Isdigerdes III (r. 632–651), seu território foi absorvido pelo Califado Ortodoxo. A família real persa fugiu para a China e para a Índia.

Religião[editar | editar código-fonte]

Inscrição de Cartir em Naqsh-e Rajab. Nela, relata várias de suas realizações religiosas

No Império Arsácida, os xás foram muito tolerantes com as diferentes comunidade religiosas que habitavam seus domínios, do mesmo modo que não havia uma religião de Estado na Pérsia. Sob Sapor I (r. 240–270), o segundo xá do Império Sassânida, ainda não havia uma preocupação em formalizar uma doutrina como a religião do Estado, e mesmo embora Sapor favorecesse o zoroastrismo também foi tolerante com as minorias religiosas que coabitaram na Pérsia (cristãos, judeus e maniqueístas).[13] Seus sucessores imediatos Hormisda I (r. 270–271), Vararanes I (r. 271–274) e Vararanes II (r. 274–293) permitiram que os sacerdotes zoroastristas espalhassem os ensinamentos de sua religião e suprimissem as comunidades não-zoroastristas. Com o aumentar da influência dos alto sacerdotes zoroastristas sobre a dinastia sassânida, a intolerância religiosa se intensificou. O alto sacerdote Cartir, que esteve ativo no século III, intensificou a supressão das comunidades cristã, judaica, hindu e budista e por sua influência o profeta Maniqueu foi interrogado e preso e os maniqueístas foram censurados e forçados ao exílio.[14]

Corte[editar | editar código-fonte]

Desde Sapor, como indicado em suas inscrições, a corte era dividida hierarquicamente em 4 categorias que indicam precedência: os "reis" (štldl‘n [persa médio], ḥštrdryn [parta], ML‘K, basileos [grego]); "príncipes" (wspwtlk‘n [persa médio], BRBYT‘n, tou eg basiléos [grego]); "grandes" (wčlk‘n [persa médio], RB‘n; o megistanes do período parta); e "livres, nobres" (z‘tn; os liberi de Pompeu Trogo).[15] Os primeiros eram formados por governantes de reinos e grandes províncias (xares) oriundos de dinastias semi-independentes ou príncipes do clã real a quem o rei de reis nomeou como governadores. Os segundos eram pessoas, de ambos os sexos, que estavam relacionada ao clã real e constituíam a mais alta categoria da nobreza, ou seja, os reis e talvez seus filhos de casamento "sem plenos direitos" como aqueles contraídos com uma pessoa em menoridade ou um casamento colateral.[16]

Notas e referências

Notas

  1. Era conhecido por seus habitantes como Ērānshahr - literalmente "Império Ariano"[1] e Ērān, no persa médio, que resultaram nos termos persas atuais Iranshahr e Iran.[2]

Referências

  1. Wiesehofer, Joseph Ancient Persia Nova York:1996 I.B. Tauris
  2. MacKenzie, D. N. (2005). A Concise Pahlavi Dictionary. Londres e Nova York: Routledge Curzon. p. 120. ISBN 0-19-713559-5 
  3. (Wiesehofer 1996)
  4. «A Brief History». Culture of Iran. Consultado em 11 de setembro de 2009.. Cópia arquivada em 11 de outubro de 2007 
  5. (Shapur Shahbazi 2005)
  6. Khaleghi-Motlagh, Derafš-e Kāvīān
  7. Hourani, p. 87.
  8. J. B. Bury, p. 109.
  9. Will Durant, Age of Faith, (Simon and Schuster, 1950), 150; Repaying its debt, Sasanian art exported it forms and motives eastward into India, Turkestan, and China, westward into Syria, Asia Minor, Constantinople, the Balkans, Egypt, and Spain..
  10. Transoxiana 04: Sasanians in Africa
  11. Sarfaraz, pp. 329–330
  12. Iransaga: The art of Sassanians
  13. Shahbazi 2002.
  14. Kia 2016, p. xl.
  15. Lukonin 1983, p. 699-700.
  16. Lukonin 1983, p. 703.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Kia, Mehrdad (2016). The Persian Empire: A Historical Encyclopedia [2 volumes]: A Historical Encyclopedia. Santa Bárbara, Califórnia, EUA: ABC-CLIO. ISBN 1610693914 
  • Lukonin, V. G. (1983). «Political, Social and Administrative Institutions: Taxes and Trade». In: Yarshater, Ehsan. The Cambridge History of Iran 3 (2) - The Seleucid, Parthian and Sasanian Periods. Cambrígia, Londres, Nova Iorque, New Rochelle, Melbourne, Sidnei: Cambridge University Press 
  • Mackenzie, David Neil (tradução de Mahshid Mirfakhraie) (2005). A Concise Pahalvi Dictionary (em persa). Teerã: Institute for Humanities and Cultural Studies. p. 341. ISBN 964-426-076-7 
  • Sarfaraz, Ali Akbar, and Bahman Firuzmandi, Mad, Hakhamanishi, Ashkani, Sasani, Marlik, 1996. ISBN 964-90495-1-7
  • Shapur Shahbazi, A. (2005). Sasanian dynasty. Encyclopedia Iranica. 1. [S.l.]: Columbia University Press 
  • Wiesehöfer, Josef (1996). Ancient Persia. Nova York: I.B. Taurus