Pérsio Arida
Pérsio Arida | |
|---|---|
Persio Arida, 2011 | |
| 22º Presidente do BNDES | |
| Período | Setembro de 1993 até Janeiro de 1995 |
| Presidente | Itamar Franco |
| Antecessor(a) | Luiz Carlos Delben Leit |
| Sucessor(a) | Edmar Bacha |
| 20º Presidente do Banco Central do Brasil | |
| Período | 11 de janeiro de 1995 até 13 de junho de 1995 |
| Presidente | Fernando Henrique Cardoso |
| Antecessor(a) | Gustavo Franco (interino) |
| Sucessor(a) | Gustavo Loyola |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 1 de março de 1952 (74 anos) São Paulo, SP |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Alma mater | Universidade de São Paulo Massachusetts Institute of Technology |
| Partido | PSDB |
| Profissão | economista |
Pérsio Arida (São Paulo, 1 de março de 1952) é um economista brasileiro, conhecido por transitar entre a academia, o governo e o setor privado. Estudioso da inflação brasileira, foi um dos idealizadores do Plano Real. Presidiu o BNDES (1993-1995) e o Banco Central do Brasil (janeiro a junho de 1995).[1][2]
Biografia
[editar | editar código]Origens familiares e formação
[editar | editar código]Filho de Riad Arida e Alice Farah Arida,[2] é descendente de libaneses.[3] Concluiu seu bacharelado em Economia na Universidade de São Paulo (USP) em 1975.[2] Posteriormente, obteve seu Doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) em 1992.
Ainda na condição de estudante de ensino médio, Arida participou de movimentos clandestinos contrários ao regime militar durante a administração do general Emílio Médici (1969-1974). Preso e submetido a tortura em 1970 e posteriormente denunciado pela Justiça Militar em 1971, junto com outras 34 pessoas, por subversão e vinculação à VAR-Palmares.[2]
Trajetória acadêmica
[editar | editar código]De 1978 a 1979, desempenhou atividades de professor visitante no Institute for Advanced Study. No período entre 1980 e 1984, lecionou na USP e na PUC-Rio, conduzindo investigações sobre fenômenos inflacionários na economia brasileira. Entre 1984 e 1985, atuou como pesquisador convidado da Smithsonian Institution em Washington, D.C.. Realizou também atividades de pesquisa no Institute for Advanced Studies em Princeton, Nova Jersey, e no Centre for Brazilian Studies da Universidade de Oxford.[4]
Formação no MIT
[editar | editar código]Arida chegou ao MIT em 1976, aos 24 anos. Na instituição, beneficiou-se de uma conjuntura intelectual extraordinária, tendo sido aluno direto de diversos prêmios Nobel e economistas de grande influência: Paul Samuelson, Robert Solow, Franco Modigliani, Martin Weitzman e Stanley Fischer. Entre seus colegas de geração estava uma constelação de economistas que posteriormente ocupariam posições de liderança global, incluindo Mario Draghi, Ben Bernanke, Kenneth Rogoff e Lawrence Summers.[4]
Uma influência particularmente significativa veio de Rudiger Dornbusch, professor de teoria monetária e internacional que estimulava seus alunos a aplicarem conceitos econômicos a problemas concretos de política pública. Dornbusch viajava frequentemente pela América Latina, conversando com formuladores de política, e comunicava essa perspectiva voltada para questões práticas a seus discípulos. Outro mentor importante foi Albert Hirschman, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, sob cuja supervisão Arida desenvolveu interesses em racionalidade limitada e inovação tecnológica — campos que posteriormente evoluiriam para as finanças comportamentais.[4]
Inicialmente, Arida considerou fazer doutorado em Cambridge, Reino Unido, sob influência do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, recém-exilado do Brasil e trabalhando no Cebrap. Cardoso o recomendou após sugestão do economista Celso Furtado, mas a complexidade do processo de admissão britânico levou Arida a optar pelo MIT. Essa decisão revelou-se crucial para sua trajetória intelectual e profissional posterior.[4]
Vida profissional
[editar | editar código]No setor público
[editar | editar código]Em 1982, publicou um influente artigo propondo uma abordagem heterodoxa para resolver a crise na economia brasileira, questionando a eficácia dos programas do FMI.[5][6]
Nos anos 1980, formou-se um consenso sobre o caráter inercial da inflação brasileira. Arida, junto com André Lara Resende, distanciou-se da proposta de "Choque Heterodoxo" do economista Francisco Lopes, que incluía congelamento de preços. Analisando experiências de estabilização em Israel e Argentina, os dois economistas desenvolveram a "Proposta Larida", baseada em uma moeda indexada que circularia paralelamente à moeda oficial brasileira, permitindo desindexação da economia sem engessamento de preços.[7][4]
Concepção e debate intelectual da Proposta Larida
[editar | editar código]A origem da Proposta Larida encontrava-se nas análises que Arida e Lara Resende realizavam sobre os problemas de sincronização de preços numa economia com inflação elevada. A fragmentação dos períodos de reajuste contratual criava distorções permanentes nos preços relativos, impedindo estabilização duradoura. Arida propôs inicialmente a sincronização de todos os contratos através de reajustes periódicos uniformes, preservando o valor real médio. A contribuição inovadora de Lara Resende foi sugerir a criação de uma moeda complementar, denominada ORTN pro rata die, com valor fixo em relação ao dólar e crescimento de poder aquisitivo automático. Essa moeda circularia voluntariamente lado a lado com a moeda oficial, criando um padrão estável de referência.[4]
A proposta diferenciava-se fundamentalmente do "Choque Heterodoxo" pois evitava congelamento compulsório de preços e custos. Arida e Resende buscavam criar incentivos de mercado para que agentes privados adotassem voluntariamente a nova moeda indexada. A originalidade do mecanismo residia em sua aplicação a uma economia com indexação financeira generalizada — uma particularidade brasileira decorrente da forma como o Estado tinha organizado seus empréstimos desde a década de 1960.[4]
A proposta foi apresentada em artigo acadêmico em 1983, circulando posteriormente entre pesquisadores por meio de documento de trabalho da instituição econômica da PUC-Rio. Com apoio do economista norte-americano John Williamson, professor visitante que reconheceu a sofisticação intelectual da proposta, Arida e Resende prepararam versão em inglês para conferência sobre inflação e indexação agendada em Washington para dezembro de 1984. Foi nessa conferência internacional que o economista alemão Rudiger Dornbusch, comentarista da apresentação dos brasileiros, criou o acrônimo "Larida" — junção de partes dos dois nomes — tornando-o referência consolidada na literatura.[4]
A resposta da comunidade econômica brasileira foi controversa. Críticos argumentavam que tratar-se-ia de engano que desviaria das necessidades de ajuste fiscal e monetário severo. Outros temiam que a completa indexação econômica a um único parâmetro eliminaria defasagens nominais e causaria espiral inflacionária. Notavelmente, o economista Mário Henrique Simonsen, então fora da PUC-Rio, reconheceu a sofisticação intelectual da proposta, entendendo-a como facilitadora de estabilização apenas em cenários de hiperinflação clássica. Larry Summers, em seminário no MIT com moderação de Franco Modigliani, ressalvou que a proposta era inteligente mas condenada ao fracasso político, pois gestores públicos sempre preferem gastos irrestitos. Philip Cagan, historiador de hiperinflações, ofereceu interpretação mais favorável: a proposta funcionaria porque representava "padrão-ouro sem lastro metálico".[4]
Durante o Governo José Sarney (1985-1989), Arida ocupou a função de secretário da Coordenação Econômica e Social em 1985. Posteriormente, assumiu responsabilidade pela gestão de operações bancárias do Banco Central do Brasil, participando da concepção do Plano Cruzado.[2] O Plano, anunciado em 28 de fevereiro de 1986, fundamentava-se na teoria da inércia inflacionária e incorporava ações de reforma econômico-monetária, criação de nova moeda e controle de preços e salários. Embora tenha alcançado resultados positivos inicialmente ao reduzir a inflação, enfrentou posteriormente diversos problemas de ajuste.[4]
Implementação e desafios do Plano Cruzado
[editar | editar código]Arida chegou ao governo em 1985 com o propósito de contribuir para o processo de redemocratização brasileiro, após morte de Tancredo Neves e posse de José Sarney. O presidente designou João Sayad ministro do Planejamento, que ofereceu a Arida uma secretaria especial para elaboração de propostas econômicas. A dinâmica política criou espaço para Arida e Lara Resende apresentarem a Proposta Larida ao presidente, que demonstrou interesse genuíno. Sarney indicou José Saulo Pereira Ramos, consultor-geral da República, para avaliar a viabilidade jurídica da moeda indexada virtual. Ramos descartou a proposta como constitucionalmente impossível, argumentando que o Brasil não poderia manter duas moedas simultâneas pois as funções monetárias são indivisíveis.[4]
Diante desse impasse jurídico, Arida e Resende reconsideraram a proposta do "Choque Heterodoxo" de Francisco Lopes como alternativa viável. O plano seguiria modelo israelense bem-sucedido, com congelamento de curta duração acompanhado de contração dos gastos públicos e política monetária austera. O Plano Cruzado foi executado com dupla estrutura administrativo-bancária que criou dificuldades significativas. O Banco Central enfrentava restrições políticas que impediam decisões técnicas autonomamente: o Conselho Monetário Nacional tinha composição excessivamente pulverizada, incluindo representantes do setor privado e até do Ministério do Trabalho, nenhum deles comprometido com a estabilização. O diretor do Banco Central não possuía poder de voto nas decisões relativas à política monetária.[4]
Os maiores desafios ocorreram na gestão bancária estadual. Diversos bancos estaduais operavam com deficiências de caixa e insolvência, continuando a efetuar saques sobre compulsórios mesmo sob ameaça de intervenção. Os governadores consideravam qualquer supervisão federal como intromissão de Brasília nas competências estaduais, bloqueando ações necessárias. Arida tentou mecanismos alternativos, como bloqueio de transferências do Fundo de Participação dos Estados, mas encontrou resistência de outras instituições federais alinhadas com as práticas estaduais. O congelamento de preços enfrentou colapso por excesso de demanda acumulada, pois não havia como elevar as taxas de juros sem contradizer as diretrizes políticas de manutenção do teto de preços. Em novembro de 1986, o presidente do Banco Central Fernão Bracher realizou pequena desvalorização cambial unilateral, o que resultou em sua saída do cargo, acompanhado por Arida.[4]
Setor privado (1987-1993)
[editar | editar código]Após deixar o Banco Central, Arida ingressou no setor privado em 1987, ocupando o cargo de diretor na Brasil Warrant, onde atuou até 1993. Também como sócio e diretor da HE Participações, desempenhou a função de vice-presidente do Unibanco, que se destacava como um dos maiores bancos privados do país, mantendo essa posição até 1993.[8][2]
Participação no debate constitucional
[editar | editar código]Em meados de 1993, tomou parte em iniciativa do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP voltada para revisão constitucional. Integrando o grupo responsável pela análise da Ordem Econômica e Financeira, realizou contribuições relacionadas a função social da propriedade e disparidades socioespaciais.[2]
Presidência do BNDES (1993-1995)
[editar | editar código]Arida foi indicado por Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, ao presidente Itamar Franco para comandar o BNDES, em substituição a Luís Carlos Delben Leite. Tomou posse em setembro de 1993.[2] Sua nomeação foi vista como reforço importante para a execução do programa de privatização do Estado. Enquanto conduzia o BNDES, desempenhou papel central na concepção do Plano Real, estratégia de estabilização econômica implementada de forma incremental na fase final do mandato de Itamar Franco, lançado em 28 de fevereiro de 1994.[4]
Arida inicialmente resistiu a assumir posição no governo Itamar Franco por considerar que a Proposta Larida havia sido rejeitada e que a experiência do Plano Cruzado havia demonstrado a impossibilidade de estabilização sem controle das principais instituições públicas. Conversas com Fernando Henrique Cardoso o persuadiram de que o ministro possuía a confiança presidencial necessária para conduzir uma estabilização bem-estruturada. A aceitação ocorreu quando surgiu especificamente a oportunidade de comandar o BNDES, instituição crucial para o programa de privatizações que seria central na execução de qualquer plano de estabilização.[4]
Arida implementou reformas significativas na operação do banco. Eliminou práticas de análise de projetos baseadas principalmente em avaliação de impacto multiplicador sobre emprego e renda, estabelecendo rigor creditício comparable ao de bancos privados. Instituiu comitê de crédito que analisava primeiro o colateral oferecido, a capacidade de reembolso e os riscos específicos de cada operação. Para projetos de questionável viabilidade, passou a exigir fiança pessoal de controladores e cláusulas de cross-default — práticas então consideradas ofensivas por empresários acostumados com financiamentos automáticos. A mudança provocou rejeição de empresários habituais do banco e de alguns diretores que não haviam sido nomeados por Arida.[4]
Mais controversa ainda foi a reorientação de critérios de elegibilidade para financiamento. Arida determinou que o banco deveria financiar apenas projetos em que houvesse demonstrada falha de mercado creditício — ou seja, operações que não obtivessem financiamento privado apesar de viáveis. Rejeitou projetos lucrativos como o hotel da Encol na Avenida Paulista, argumentando que edificações comerciais numa área de alto valor agregado não carecem de subsídio público. Essa filosofia resultou em queda na velocidade de aprovação de projetos e acumulação de caixa no banco, causando críticas de que estava sendo obstáculo ao crescimento econômico. No entanto, Arida manteve a posição, recusando-se a diminuir padrões creditícios apenas para aumentar volumes de desembolso.[4]
O impacto dessa reformulação de operações se manifestaria posteriormente: Arida conseguiu completar as privatizações do setor siderúrgico, setor de fertilizantes e da Embraer, mantendo disciplina nos preços mínimos de venda e resistindo à pressão por financiamento ao comprador. A Embraer havia sido levada a leilão diversas vezes sem sucesso até que, com recusa de reduzir a base de oferta inicial, apareceu grupo privado interessado ao preço fixado.[4]
Formulação do Plano Real no BNDES
[editar | editar código]Durante a presidência do BNDES, Arida foi figura-chave nas discussões que moldaram o Plano Real, embora a instituição não tivesse agenda diretamente ligada ao plano além das privatizações. As reuniões iniciais de elaboração eram informais e restritas a pequeno grupo de economistas da equipe de Fernando Henrique Cardoso, com participação ocasional do próprio ministro. Os encontros serviam para que Cardoso compreendesse a lógica subjacente ao plano, preparando-o para explicações públicas e negociações legislativas. Arida conciliava dupla jornada: operação do banco no Rio de Janeiro e participações em Brasília nas discussões econômicas.[4]
A formulação do Plano Real beneficiou-se das lições do Cruzado. Ao contrário da abordagem anterior de choque congelador, o novo plano incorporaria estrutura de estágios pré-anunciados e implementação transparente — abandonando a prática de anúncios surpresa que tinha caracterizado todos os planos anteriores. Arida convenceu Fernando Henrique da necessidade crítica de que ajuste fiscal viesse antes de mudança do padrão monetário, estabelecendo que o lançamento ocorreria somente se essa etapa fosse cumprida. Divergências internas ocorriam sobre indexação: Gustavo Franco defendeu por período pré-fixação da inflação em correções cambiais, salariais e monetárias, mas essa proposta havia fracassado anteriormente sob Antônio Delfim Netto e sob Francisco Dornelles.[4]
O grupo convergiu naturalmente para variante da Proposta Larida, explorando diferentes mecanismos de moeda indexada. Preocupado com a rejeição anterior de Saulo Ramos à constitucionalidade da moeda virtual, Arida procurou outro colega de formação, o jurista José Tadeu De Chiara, especialista em direito econômico na Faculdade de Direito da USP. Chiara havia estudado com Arida na faculdade, trabalhado no Unibanco e defendido doutorado exatamente sobre quadros legais aplicáveis à moeda brasileira. Chiara redigiu os artigos iniciais da medida provisória que instituiria a URV, estrutura jurídica que o procurador-geral Geraldo Brindeiro aprovou. Quando publicada, a medida provisória provocou artigo de Saulo Ramos negando sua constitucionalidade, mas Chiara rebateu em periódico sem que Ramos replicasse.[4]
Presidência do Banco Central (1995)
[editar | editar código]Com a posse de Fernando Henrique Cardoso na presidência em janeiro de 1995, Arida foi escolhido para suceder Pedro Malan na presidência do Banco Central do Brasil.[2] Sua confirmação pelo Senado enfrentou demoras decorrentes de articulações políticas em torno de anistia ao senador Humberto Lucena. Após aprovação em 10 de janeiro de 1995, Arida permaneceu no cargo por apenas cinco meses.[4]
Logo no início da administração, Arida procurou mobilizar assistência financeira para o México, que enfrentava grave crise que poderia afetar a economia brasileira. Articulou rateio entre países latino-americanos, pelo qual o Brasil contribuiria trezentos milhões de dólares, mas o plano foi abandonado diante da recusa do Congresso norte-americano em aprovar alocações paralelas. A administração Arida caracterizou-se por elevação severa das taxas de juros, priorização do saneamento de instituições bancárias estaduais — questão que havia identificado como fundamental durante o Cruzado — e criação de estrutura de bandas cambiais (pisos e tetos) para flutuação da paridade do dólar americano. A austera condução das finanças públicas gerou tensões políticas com setores rurais e com o governador de São Paulo, Mário Covas.[4]
O anúncio das bandas cambiais precipitou volatilidade considerável nos mercados de câmbio, exigindo que o Banco Central utilizasse volumes expressivos das reservas internacionais para conter movimentos especulativos. O mandato curto refletia tanto dificuldades operacionais imediatas quanto questões subjacentes de institucionalidade: o Banco Central ainda não possuía a independência necessária para implementar política monetária consistente com objetivos de estabilização, condição que Arida considerava crucial.[4]
Anunciou sua saída em 31 de maio de 1995, invocando "motivos estritamente pessoais", sendo sucedido por Gustavo Loyola.[2]
Retorno ao setor privado (1996 em diante)
[editar | editar código]A partir de janeiro de 1996, passou a exercer cargo de sócio-diretor na Opportunity Asset Management, firma responsável pela gestão de ativos financeiros subordinada à administração de Daniel Dantas, com base no Rio de Janeiro.[9] Após a desestatização da Companhia Vale do Rio Doce, realizada em 1997, ingressou em seu conselho de administração.
Em julho de 1998, a Opportunity venceu um leilão de privatização do Sistema Telebrás, adquirindo a holding Tele Centro Sul. Poucos meses depois, surgiram gravações de conversas telefônicas interceptadas nas dependências do BNDES, levantando suspeitas de favorecimento à Opportunity. Investigações pela Procuradoria Geral da República apuraram alegada atuação de Luís Carlos Mendonça de Barros, então responsável pelas Comunicações, visando interferir junto ao Banco do Brasil. Após a publicidade do episódio, Arida deixou a direção da Opportunity. Seus colegas Mendonça de Barros e André Lara Resende foram indiciados por improbidade administrativa, apesar de terem sido posteriormente absolvidos pelo Tribunal de Contas da União.[2]
Em 2008, junto com André Esteves, alguns sócios do Banco Pactual e diretores do Banco suíço UBS AG, fundou o Banco BTG, que em 2009 recomprou do UBS o banco Pactual, formando o atual BTG Pactual.[10] Em agosto de 2010, foi incluído na lista de indiciados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Satiagraha, ação para apuração de práticas criminosas envolvendo corrupção, desvio de numerário e lavagem de dinheiro relacionadas aos negócios da Opportunity no contexto de desestatização da Brasil Telecom. Foi indiciado como gestor do fundo, mas refutou qualquer conduta ilícita.[2] Em junho de 2011, o STJ anulou as provas obtidas durante a operação, declarando ilegais as interceptações telefônicas realizadas pela ABIN. Em dezembro de 2014, o STF manteve essa decisão, anulando também as provas coletadas em operações de busca e apreensão.
Em 2016, anunciou que deixara a presidência do conselho de administração do BTG Pactual para dedicar mais tempo a seus interesses intelectuais, mantendo-se como conselheiro.[11] Em maio de 2017, renunciou a seus cargos nos conselhos de administração das companhias e vendeu sua participação acionária.[12] Nessa ocasião, passou a coordenar seminários de política econômica na Blavatnik School of Government da Universidade de Oxford.
Na academia
[editar | editar código]Em 2003 recebeu a distinção de "economista do ano" conferida pela Ordem dos Economistas do Brasil.[13] Desde maio de 2018, participa do Conselho Acadêmico do Livres. Autor de livros dedicados a dívida externa (1983) e inflação zero (1986),[14] tem também publicações em periódicos especializados e coletâneas temáticas. Integra igualmente os conselhos consultivos do Instituto Moreira Salles, da Blavatnik School of Government da Universidade de Oxford,[15] e do Development Committee da MIT Corporation.[16]
Vida pessoal
[editar | editar código]Do primeiro matrimônio, resultaram duas filhas. Posteriormente contraiu novo casamento com Elena Landau, que havia ocupado cargo de direção em programas de desestatização no BNDES.
Em novembro de 2022, participou do grupo técnico na área de Economia do Gabinete de Transição Presidencial do governo de Lula, recém-eleito para seu terceiro mandato.[17]
Referências
- ↑ «Galeria de Ex-Presidentes do Bacen». BANCO CENTRAL DO BRASIL. Consultado em 21 de janeiro de 2016
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Lemos & Pinheiro 2001.
- ↑ de Barros e Silva, Fernando (13 de abril de 2011). «"Não é fácil"». Folha de S.Paulo. Consultado em 10 de agosto de 2022
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Arida 2019.
- ↑ CASTRO. L. B. "Esperança, Frustração e Aprendizado: A História da Nova República", in Giambiagi, F. & Villela, A. (org.). Economia Brasileira Contemporânea (1945-2005). Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
- ↑ ARIDA, P. "Austeridade, Autotelia e Autotomia". Texto para Discussão Arquivado em 16 de novembro de 2007, no Wayback Machine.. PUC-Rio. Setembro de 1982.
- ↑ ARIDA, P. (org.). Inflação Zero: Brasil, Argentina, Israel. Paz e Terra, 1984.
- ↑ «Diretorias». ww13.itau.com.br. Consultado em 4 de maio de 2017
- ↑ «Banqueiro perdeu a paz há muito tempo». Folha de S.Paulo. 17 de abril de 2005. Consultado em 29 de novembro de 2022
- ↑ BTG Pactual nasce como maior banco de investimentos independente baseado em mercados emergentes (primeiro press release divulgado pela instituição).
- ↑ «Persio Arida deixa presidência dos conselhos do BTG Pactual». Valor Econômico
- ↑ Pérsio Arida deixa conselho do BTG Pactual e venderá ações. Valor Econômico, 26 de maio de 2017.
- ↑ Prêmio Economista do Ano. Página de Pérsio Arida Arquivado em 3 de março de 2016, no Wayback Machine. na galeria dos premiados. Acesso em 31 de outubro de 2015.
- ↑ ARIDA, P. A História do Pensamento Econômico como Teoria e Retórica in REGO, J. M.. Retórica na Economia. São Paulo: Editora 34, 1996.
- ↑ «Persio Arida | Blavatnik School of Government». www.bsg.ox.ac.uk (em inglês). Consultado em 4 de maio de 2017
- ↑ «Development Committee | The MIT Corporation». corporation.mit.edu (em inglês). Consultado em 4 de maio de 2017
- ↑ «Alckmin confirma Pérsio Arida, André Lara Resende, Nelson Barbosa e Guilherme Mello para transição na Economia; Simone Tebet fica com área social». InfoMoney. 8 de novembro de 2022. Consultado em 14 de abril de 2023
Bibliografia
[editar | editar código]Lemos, Renato; Pinheiro, Luciana (2001). ARIDA, Pérsio. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. [S.l.]: FGV/CPDOC
de Barros e Silva, Fernando (13 de abril de 2011). «"Não é fácil"». Folha de S.Paulo. Consultado em 10 de agosto de 2022
«Galeria de Ex-Presidentes do Bacen». BANCO CENTRAL DO BRASIL. Consultado em 21 de janeiro de 2016
«Alckmin confirma Pérsio Arida, André Lara Resende, Nelson Barbosa e Guilherme Mello para transição na Economia; Simone Tebet fica com área social». InfoMoney. 8 de novembro de 2022. Consultado em 14 de abril de 2023
Pérsio Arida. Col: Coleção História Contada do Banco Central do Brasil. 20. Brasília: Banco Central do Brasil. 2019
| Precedido por Luiz Carlos Delben Leite |
Presidente do BNDES 1993 — 1995 |
Sucedido por Edmar Bacha |
| Precedido por Pedro Malan |
Presidente do Banco Central do Brasil de janeiro até junho de 1995 |
Sucedido por Gustavo Loyola |
- Nascidos em 1952
- Alunos da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo
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