Peste Negra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a pandemia. Para a doença, veja Peste.
Peste Negra
Bubonic plague-pt.svg
Mapa da propagação da peste negra na Europa
Doença
Local Eurásia
Período 1343–1353 (auge)
Estatísticas globais
Mortes 75–200 milhões (est)

A Peste Negra (também conhecida como Grande Peste, Peste ou Praga) foi a pandemia mais devastadora registada na história humana, tendo resultado na morte de 75 a 200 milhões de pessoas na Eurásia, atingindo o pico na Europa entre os anos de 1347 e 1351. Acredita-se que a bactéria Yersinia pestis, que resulta em várias formas de peste (septicémica, pneumónica e, a mais comum, bubónica), tenha sido a causa.[1] A Peste Negra foi o primeiro grande surto europeu de peste e a segunda pandemia da doença.[2] A praga criou uma série de convulsões religiosas, sociais e económicas, com efeitos profundos no curso da história da Europa.

A Peste Negra provavelmente teve a sua origem na Ásia Central ou na Ásia Oriental,[3][4][5] de onde viajou ao longo da Rota da Seda, atingindo a Crimeia em 1343.[6] De lá, era provavelmente transportada por pulgas que viviam nos ratos que viajavam em navios mercantes genoveses, espalhando-se por toda a bacia do Mediterrâneo, atingindo o resto da Europa através da península italiana.

Estima-se que a Peste Negra tenha matado entre 30% a 60% da população da Europa.[7] No total, a peste pode ter reduzido a população mundial de 475 milhões para 350–375 milhões no século XIV.[8] A população da Europa demorou cerca de 200 anos a recuperar o nível anterior[9] e algumas regiões (como Florença) recuperaram apenas no século XIX.[10][11][12] A peste retornou várias vezes como surtos até ao início do século XX.

Etimologia

A frase "morte negra" (mors nigra) foi usado em 1350 por Simon de Covino ou Couvin, um astrónomo belga, que escreveu o poema "Sobre o julgamento do sol em uma festa de Saturno" (De judicio Solis in convivio Saturni), que atribui a peste a uma conjunção de Júpiter e Saturno.[13][14] Em 1908, Gasquet alegou que o uso do nome atra mors para a epidemia do século XIV apareceu pela primeira vez em um livro de 1631 sobre a história dinamarquesa de J. I. Pontanus : "Comummente e pelos seus efeitos, eles chamavam de morte negra" (Vulgo & ab effectu atram mortem vocitabant).[15][16] O nome espalhou-se pela Escandinávia e depois pela Alemanha, tornando-se gradualmente associado à epidemia de meados do século XIV como um nome próprio.

Contudo, atra mors é um termo usado para se referir à febre pestilencial (febris pestilentialis) já no século XII, Sobre os sinais e sintomas de doenças (em latim: De signis et sinthomatibus egritudinum) pelo médico francês Gilles de Corbeil.[17][18] Em inglês, o termo foi usado pela primeira vez em 1755.[19][20]

Cronologia

Origens

A doença da peste, causada por Yersinia pestis, é geralmente presente em populações de pulgas transportadas por roedores terrestres, incluindo marmotas em várias áreas,[21] incluindo Uganda, oeste da Arábia, Curdistão, Norte da Índia, Deserto de Gobi, no Norte da China, e Ásia Central.[22][23] Devido às mudanças climáticas na Ásia, os roedores começaram a fugir dos prados secos para áreas mais populosas, espalhando a doença.[24] Em outubro de 2010, médicos geneticistas sugeriram que todas as três grandes ondas da peste tiveram a sua origem na China.[25][26] Pesquisas em 2017 sobre sepulturas nestorianas datadas de 1338 a 1339, perto de Issyk-Kul, no Quirguistão, com inscrições referentes a peste, levaram muitos epidemiologistas a pensar que marcam o surto da epidemia; de onde poderia facilmente se espalhar para a China e para a Índia.[27][necessário esclarecer]

Pesquisas em 2018 encontraram evidências de Yersinia pestis num antigo túmulo suéco, que pode ter sido a causa do que foi descrito como o declínio neolítico por volta de 3000 a.C, em que as populações europeias diminuíram significativamente.[28] Em 2013, os pesquisadores confirmaram especulações anteriores de que a causa da Praga de Justiniano (541–542 d.C., com recorrências até 750) foi Yersinia pestis.[29][30]

A conquista mongol da China no século XIII causou um declínio na agricultura e no comércio. A recuperação económica foi observada no início do século XIV.[31] Na década de 1330, muitos desastres e pragas naturais levaram à fome generalizada, começando em 1331, com uma praga mortal aparecendo logo depois.[32] Epidemias, que podem ter incluído a peste, mataram cerca de 25 milhões na Ásia durante quinze anos antes de chegar a Constantinopla em 1347.[23][33]

A doença pode ter viajado ao longo da Rota da Seda com exércitos e comerciantes mongóis, ou poderia até ter chegado de navio.[34] No final de 1346, relatos de pestes chegaram aos portos da Europa: "a Índia foi despovoada, e a Tartária, a Mesopotâmia, a Síria e a Arménia estavam cobertas de cadáveres".[35]

Segundo diversos relatos, a peste foi introduzida pela primeira vez na Europa por comerciantes genoveses da cidade portuária de Kaffa, na Crimeia, em 1347.[36][37] Durante um prolongado cerco à cidade pelo exército mongol sob Jani Beg, cujo exército sofria da doença, o exército catapultou cadáveres infectados sobre as muralhas da cidade de Kaffa para infectar os habitantes dentro da cidade. Os comerciantes genoveses fugiram, levando a peste de navio para a Sicília e depois para a península italiana, de onde se espalhou para o norte.[38] Seja essa hipótese precisa ou não, é claro que várias condições existentes, como guerras, fome, clima e desigualdade social, contribuíram para a gravidade da Peste Negra. Entre muitos outros culpados de contágio por peste, a desnutrição, mesmo que distante, também contribuiu para uma perda imensa na população europeia, pois enfraquecia o sistema imunológico.[39]

Surto na Europa

Parece ter havido várias introduções na Europa. A peste atingiu a Sicília em outubro de 1347,[40] transportada por doze galés genovesas e rapidamente se espalhou por toda a ilha.[41] As galés de Kaffa chegaram a Génova e Veneza em janeiro de 1348, mas foi o surto em Pisa, algumas semanas depois, que marcou o ponto de entrada para o norte da Itália. No final de janeiro, uma das galés expulsas da Itália chegou a Marselha.[42]

Da Itália, a doença espalhou-se para o noroeste por toda a Europa, atingindo a França, a Espanha que foi atingida pelo calor — a epidemia ocorreu nas primeiras semanas de julho,[43] Portugal e Inglaterra em junho de 1348, continuando também a espalhar-se para o leste e norte através de Alemanha, Escócia e Escandinávia de 1348 a 1350. Foi introduzida na Noruega em 1349, quando um navio desembarcou em Askøy, espalhando-se depois para Bjørgvin (moderna Bergen) e Islândia.[44]

Por fim, continuou a propagar-se para o noroeste da Rússia em 1351.[45] A peste foi menos comum em partes da Europa com comércio menos desenvolvido com os seus vizinhos e através de quarentenas, incluindo a maioria do País Basco, partes isoladas da Bélgica, da Holanda, Polônia e aldeias alpinas isoladas de todo o continente.[46]

Segundo alguns epidemiologistas, períodos de clima desfavorável dizimaram populações de roedores infectados pela peste e forçaram as suas pulgas a procurar hospedeiros alternativos,[47] induzindo surtos de peste que frequentemente atingiam o pico do verão quente do Mediterrâneo,[48] bem como durante os frio meses de outono dos estados do sul do Báltico.[49] No entanto, outros pesquisadores não acham que a peste tenha-se tornado endémica na Europa ou na população de ratos. A doença varreu repetidamente os transportadores de roedores, de modo a que as pulgas desapareceram até que um novo surto da Ásia Central repetisse o processo.[50] Foi demonstrado que os surtos ocorrem aproximadamente quinze anos após um período mais quente e húmido em áreas onde a peste é endémica em outras espécies, como gerbos.[51]

Surto no Médio Oriente

A peste atingiu várias regiões do Médio Oriente durante a pandemia, levando a um grave despovoamento e mudanças permanentes nas estruturas económicas e sociais. Pode ter-se espalhado da Ásia Central com os mongóis para um posto comercial na Crimeia, de nome Kaffa, controlado pela República de Génova.[52] Quando roedores infectados infectaram novos roedores, a doença espalhou-se por toda a região. No outono de 1347, a peste atingiu Alexandria no Egipto, através do comércio do porto com Constantinopla e outros portos no Mar Negro. Durante 1347, a doença viajou para o leste, para Gaza, e para o norte, ao longo da costa leste, para as cidades modernas do Líbano, Síria, Israel e Palestina, incluindo Ashkelon, Acre, Jerusalém, Sidon, Damasco, Homs e Alepo. Em dois anos, a peste espalhou-se por todo o império muçulmano, da Arábia ao norte da África.[53] Entre 1348 e 1349, a doença atingiu Antioquia. Os moradores da cidade fugiram para o norte, mas a maioria acabou morrendo durante a viagem.[54]

Meca foi infectada em 1349. Durante o mesmo ano, os registos mostram que a cidade de Mosul sofreu uma epidemia maciça e a cidade de Bagdade passou por uma segunda ronda da doença.

Os estudiosos religiosos muçulmanos ensinaram que a peste era um "martírio e misericórdia" de Deus, garantindo o lugar do crente no paraíso. Para os não crentes, foi um castigo.[53] Alguns médicos muçulmanos alertaram contra a tentativa de prevenir ou tratar uma doença enviada por Deus. Outros adoptaram muitas das mesmas medidas e tratamentos preventivos para a peste usada pelos europeus. À semelhança dos europeus, esses médicos muçulmanos também dependiam dos escritos dos antigos gregos.

Causas

Yersinia pestis (aumento de 200 ×), a bactéria que causa a peste bubónica

O conhecimento médico havia estagnado durante a Idade Média. O relato mais autoritário da época veio da faculdade de medicina de Paris, num relatório ao rei da França que culpava os céus, na forma de uma conjunção de três planetas em 1345 que causou uma "grande peste no ar".[55] Este relatório tornou-se no primeiro e mais amplamente divulgado de uma série de folhetos sobre a peste que buscavam dar conselhos aos que sofrem. O facto de a praga ter sido causada pelo mau ar tornou-se a teoria mais amplamente aceite na época, a teoria do miasma. A palavra praga não se referia inicialmente a uma doença específica, e apenas a recorrência de surtos durante a Idade Média deu a ela o significado que persiste na medicina moderna.

A importância da higiene foi reconhecida apenas no século XIX; até então, as ruas eram geralmente imundas, com animais vivos de todo tipo e abundantes parasitas, facilitando a propagação de doenças transmissíveis. Um avanço médico precoce como resultado da Peste Negra foi o estabelecimento da ideia de quarentena na cidade-estado de Ragusa (moderna Dubrovnik, Croácia) em 1377, após contínuos surtos.[56]

Hoje, a explicação dominante para a peste negra é a teoria da peste, que atribui o surto a Yersinia pestis, também responsável por uma epidemia iniciada no sul da China em 1865, que se espalhou mais tarde para a Índia.[57] A investigação do agente patogénico que causou a praga do século XIX foi iniciada por equipas de cientistas que visitaram Hong Kong em 1894, entre os quais o bacteriologista franco-suíço Alexandre Yersin, após o qual o agente patogénico foi nomeado.[58] O mecanismo pelo qual Y. pestis é normalmente transmitido foi estabelecido em 1898 por Paul-Louis Simond e descobriu-se que envolvia picadas de pulgas cujos intestinos estavam obstruídos pela replicação de Y. pestis vários dias após a alimentação em um hospedeiro infectado. Esse bloqueio mata as pulgas e leva-as a um comportamento alimentar agressivo e tenta eliminar o bloqueio por regurgitação, resultando em milhares de bactérias da peste sendo liberadas no local de alimentação, infectando o hospedeiro.[carece de fontes?] O mecanismo da peste bubónica também dependia de duas populações de roedores: uma resistente à doença, que actua como hospedeiro, mantendo a doença endémica, e uma segunda que carece de resistência. Quando a segunda população morre, as pulgas passam para outros hospedeiros, incluindo pessoas, criando assim uma epidemia humana.[carece de fontes?]

O historiador Francis Aidan Gasquet escreveu sobre a Grande Peste em 1893, sugerindo que "parecia ser alguma forma da praga oriental ou bubónica comum".[59] Ele conseguiu adoptar a epidemiologia da peste bubónica pela peste negra para a segunda edição em 1908, implicando ratos e pulgas no processo, e sua interpretação foi amplamente aceite para outras epidemias antigas e medievais, como a peste de Justiniano, que ocorreu no Império Bizantino de 541 a 700 d.C.[60]

Uma estimativa da taxa de mortalidade de casos para a peste bubónica moderna, após a introdução de antibióticos, é de 11%, embora possa ser maior em regiões subdesenvolvidas.[61] Os sintomas da doença incluem febre de 38–41 °C, dores de cabeça, dores nas articulações, náuseas e vómitos, e uma sensação geral de mal-estar. Deixados sem tratamento, dos que contraem a peste bubónica, 80% morrem em oito dias.[62] Já a peste pneumónica tem uma taxa de mortalidade de 90 a 95%. Os sintomas incluem febre, tosse e escarro com sangue.[63] À medida que a doença progride, o escarro torna-se vermelho vivo. A peste septicémica é a menos comum das três formas, com uma taxa de mortalidade próxima a 100%. Os sintomas são febre alta e manchas roxas na pele (púrpura devido à coagulação intravascular disseminada). Nos casos de peste pneumónica e particularmente septicémica, o progresso da doença é tão rápido que muitas vezes não há tempo para o desenvolvimento de linfonodos aumentados.[64]

Várias teorias alternativas, implicando outras doenças na pandemia da Peste Negra, também foram propostas por alguns cientistas modernos.

Evidência de ADN

Esqueletos numa vala comum de 1720 a 1721 em Martigues, França, renderam evidências moleculares do ramo orientalis de Yersinia pestis, o organismo responsável pela peste bubónica. A segunda pandemia de peste bubónica esteve activa na Europa desde 1347, o início da peste negra, até 1750

Em 1998, Drancourt et al. relataram a detecção de ADN de Y. pestis na polpa dental humana de um túmulo medieval.[65] Outra equipe liderada por Tom Gilbert questionou essa identificação e as técnicas empregues, afirmando que esse método "não nos permite confirmar a identificação de Y. pestis como agente etiológico da Peste Negra e das pragas subsequentes. Além disso, a utilidade da técnica de ADN publicada com base em dentes antigos, usada para diagnosticar bacteremias fatais em epidemias históricas, ainda aguarda confirmação independente".[66]

A confirmação definitiva do papel de Y. pestis chegou em 2010 com uma publicação no PLOS Pathogens de Haensch et al.[67] Eles avaliaram a presença de ADN / RNA com técnicas de reação em cadeia da polimerase (PCR) para Y. pestis das cavidades dentárias em esqueletos humanos de valas comuns no norte, centro e sul da Europa, associadas arqueologicamente com a Peste Negra e ressurgimentos subsequentes. Os autores concluíram que essa nova pesquisa, juntamente com análises anteriores do sul da França e da Alemanha, "encerra o debate sobre a causa da Peste Negra e demonstra inequivocamente que Y. pestis foi o agente causador da peste epidémica que devastou a Europa. durante a Idade Média ". Em 2011, esses resultados foram confirmados com evidências genéticas derivadas de vítimas da Peste Negra no cemitério de East Smithfield, na Inglaterra. Schuenemann et al. concluiu em 2011 "que a peste negra na Europa medieval foi causada por uma variante de Y. pestis que pode não existir mais".[68]

Mais tarde em 2011, Bos et al. relatou na Nature o primeiro rascunho do genoma de Y. pestis a partir de vítimas da peste do mesmo cemitério de East Smithfield e concluiu que o ramo que causou a Peste Negra é ancestral relativamente aos ramos mais modernos de Y. pestis.[69]

Desde essa época, outros trabalhos em genomas confirmaram ainda mais a localização filogenética da cepa Y. pestis responsável pela Peste Negra como a ancestral das epidemias posteriores da peste,[70] incluindo a terceira pandemia de peste,[71] causada por um ramo descendente da responsável pela Praga de Justiniano. Além disso, os genomas da peste significativamente mais antigos, na pré-história, foram recuperados.[72]

O ADN retirado de 25 esqueletos de Londres do século XIV mostrou que a peste é de um ramo de Y. pestis quase idêntico ao que atingiu Madagascar em 2013.[73][74]

Consequências

Ver artigo principal: Consequências da Peste Negra

Mortes

Inspirado na Peste Negra, A Dança da Morte, ou Danse Macabre, uma alegoria sobre a universalidade da morte, era um motivo de pintura comum no final do período medieval

Não há números exatos para o número de mortos, variando amplamente por localidade. Nos centros urbanos, quanto maior a população antes do surto, maior a duração do período de mortalidade.[75] Estima-se que a peste tenha matado cerca de 75 a 200 milhões de pessoas na Eurásia.[76] A taxa de mortalidade da Peste Negra no século XIV foi maior que o surto da yersinia pestis que ocorreu na Índia no século XX, matando até 3% da população em certas cidades do país.[77]

O historiador americano Philip Daileader, acredita que durante quatro anos, 45 a 50% da população europeia teriam morrido de peste.[78][79] O norueguês Ole Benedictow, supõe que a população no continente europeu naquela época estaria em torno de 80 milhões de habitantes. A partir disso, sugere que o número de mortes pode ter acometido 60% da população na Europa — cerca de 50 milhões morreram na Peste Negra.[80] Em 1348, a peste espalhou-se de uma forma tão rápida que, antes dos médicos ou autoridades governamentais pudessem planejar uma forma de rastrear sua origem, 30% da população européia já havia sido dizimada pela doença; nas grandes cidades, não era raro encontrar dados evidenciando 50% de mortes.[81] Metade da população de Paris morreu. Na Itália, a população de Florença foi reduzida de 110–120 mil habitantes em 1338 para 50 mil em 1351. Pelo menos 60% da população de Hamburgo e Bremen pereceram,[82] e uma porcentagem semelhante em Londres pode ter acometido os moradores da cidade,[73] com um número de mortos de aproximadamente 62 mil entre 1346 e 1353.[83][nota 1] Os registros fiscais de Florença sugerem que 80% da população da cidade morreram em quatro meses em 1348.[77] Antes de 1350, havia cerca de 170 mil assentamentos na Alemanha, sendo reduzido em quase 40 mil em 1450.[85] A doença contornou algumas áreas, sendo que as áreas mais isoladas sofreram menos pelo contágio pandêmico. A peste não esteve presente em Douai, França, até a virada do século XV, impactando de modo menos severo também em Hainaut, Finlândia, norte alemão e áreas da Polônia.[77] Monges, freiras e padres foram especialmente atingidos, pois estavam em contato direto ao cuidarem das vítimas da doença.[86]

Ilustração dos cidadãos de Tournai enterrando as vítimas da peste (c 1353)

O médico do papado de Avinhão, Raimundo Chalmel de Vinario, observou que a taxa de mortalidade e surtos decresceram em 1347–48, 1362, 1371 e 1382, de acordo com o tratado De epidemica.[87] No primeiro surto (1347–48), dois terços da população contraíram a peste e a maioria dos pacientes morreram. No segundo (1362), metade da população ficou doente, mas apenas alguns morreram. No terceiro (1371), um décimo foi afetado e muitos sobreviveram, enquanto que na quarta ocorrência (1382), apenas um em cada vinte pessoas adoeceram, sobrevivendo a maioria.[87] Na Europa, durante a década de 1380, afetou predominantemente crianças.[77] O médico papal reconheceu que o tratamento através da sangria era ineficaz — embora continuasse indicando este tratamento para membros da Cúria Romana — alegando que todos os casos verdadeiros de peste eram causados por fatores astrológicos e incuráveis; ele próprio nunca foi capaz de efetuar uma cura.[88]

A estimativa de mortalidade mais amplamente aceita para o Oriente Médio durante esse período — incluindo Iraque, Irão e Síria, é de cerca de um terço da população.[89] A Peste Negra matou cerca de 40% da população do Egito.[90] No Cairo, houve dois surtos da peste entre 1430 e 1460, durando um pouco mais que quatro meses em ambos os surtos: no primeiro surto (1430), matou em torno de 90 mil, enquanto que no segundo (1460), cerca de 70 mil pessoas.[91][nota 2] Estima-se que naquele período, Cairo tivesse uma população de 600 mil habitantes — possivelmente a maior cidade a oeste da China, estipulando algo entre 200–240 mil mortes em menos de um ano.[92]

Económica

Com um declínio populacional tão grande causado pela peste, os salários aumentaram em resposta à escassez de mão-de-obra.[93] Os proprietários de terras também foram pressionados a substituir as rendas por serviços de trabalho, num esforço para manter os inquilinos.[5]

Meio Ambiente

Alguns historiadores acreditam que as inúmeras mortes provocadas pela peste arrefeceram o clima, libertando terras e desencadeando reflorestamentos. Isto pode ter levado à Pequena Idade do Gelo.[94]

Perseguições

O renovado fervor religioso e o fanatismo floresceram com o despoletar da peste negra. Vários grupos, como judeus, frades, estrangeiros, mendigos, peregrinos, muçulmanos,[95] leprosos, sodomitas e ciganos, foram alvos de perseguições e igualmente considerados culpados pela disseminação da doença e outros com doenças de pele como acne ou psoríase foram mortos em toda a Europa.[96]

Como os curandeiros e os governos do século XIV não tinham quaisquer ferramentas para explicar ou parar a doença, os europeus voltaram-se para forças astrológicas, terremotos e envenenamento de poços pelos judeus como possíveis razões para surtos.[97] Muitos acreditavam que a epidemia era um castigo de Deus pelos seus pecados, e poderiam ser aliviados com o perdão de Deus.[98]

Houve muitos ataques contra comunidades judaicas.[99] No massacre de Estrasburgo, em fevereiro de 1349, cerca de 2 mil judeus foram assassinados. Em agosto de 1349, as comunidades judaicas em Mainz e Colônia foram aniquiladas. Em 1351, 60 comunidades judaicas maiores e 150 menores haviam sido destruídas.[100] Durante esse período, muitos judeus mudaram-se para a Polônia, onde foram recebidos calorosamente pelo rei Casimiro, o Grande.[101]

Segunda pandemia de peste

A Grande Peste de Londres, em 1665, matou até 100 mil pessoas

A peste voltou repetidamente a assombrar a Europa e o Mediterrâneo ao longo dos séculos XIV a XVII.[102] Segundo Biraben, a peste estava presente em algum lugar da Europa todos os anos entre 1346 e 1671.[103] No entanto, há pesquisadores que não possuem certeza a respeito do período exposto por Biraben.[104] A segunda pandemia foi particularmente disseminada nos anos seguintes: 1360–1363; 1374; 1400; 1438–1439; 1456–1457; 1464–1466; 1481–1485; 1500–1503; 1518–1531; 1544–1548; 1563–1566; 1573–1588; 1596–1599; 1602–1611; 1623–1640; 1644–1654; e 1664–1667. Os surtos subsequentes, embora graves, marcaram um retrocesso da maior parte da Europa (século XVIII) e norte da África (século XIX).[105] Segundo Geoffrey Parker, "só a França perdeu quase um milhão de pessoas devido à peste na epidemia de 1628–1631".[106]

Na Inglaterra, na ausência de números do censo, os historiadores propõem uma série de números da população pré-incidente de seis milhões em 1300,[107] e uma população pós-incidente de 1,5 milhões.[108] No final de 1350, a Peste Negra diminuiu, mas ocorreram outros surtos em 1361–1362, 1369, 1379–1383, 1389–1393 e durante a primeira metade do século XV.[6] Um surto em 1471 atingiu 10 a 15% da população, enquanto a taxa de mortalidade da peste de 1479 a 1480 poderia ter chegado a 20%.[109] Os surtos mais gerais na Inglaterra de Tudor e Stuart parecem ter começado em 1498, 1535, 1543, 1563, 1589, 1603, 1625 e 1636, finalizando com a Grande Peste de Londres em 1665.[110]

Gravura contemporânea de Marselha durante a Grande Peste em 1720

Em 1566, estimasse que 25 mil pessoas tenham morrido da peste em Paris.[111] Durante os séculos XVI e XVII, a peste esteve presente em Paris cerca de 30% do tempo.[112] A Peste Negra devastou a Europa por três anos antes de continuar na Rússia, onde a doença estava presente em algum lugar do país 25 vezes entre 1350 e 1490.[113] As epidemias de peste devastaram Londres em 1563, 1593, 1603, 1625, 1636 e 1665,[114] reduzindo a sua população entre 10 a 30% durante esses anos.[115] Mais de 10% da população de Amsterdão morreu em 1623–1625 e novamente em 1635–1636, 1655 e 1664.[116] A peste ocorreu em Veneza 22 vezes entre 1361 e 1528.[117] A peste de 1576–1577 obteve um aumento de 28% no índice de mortalidade em Veneza — equivalente a 50 mil mortes em uma população de 180 mil venezianos.[118] Os surtos tardios na Europa central incluíram a Peste italiana de 1629–1631, associada a movimentos de tropas durante a Guerra dos Trinta Anos, e a Grande Peste de Viena em 1679. Mais de 60% da população da Noruega morreu em 1348–1350.[119] O último surto de peste devastou Oslo em 1654.[120][121]

Na primeira metade do século XVII, uma peste reivindicou cerca de 1,7 milhão de vítimas na Itália, ou cerca de 14% da população.[122] Em 1656, a Peste de Nápoles matou cerca de metade dos 300 mil habitantes de Nápoles.[123] Mais de 1,25 milhões de mortes resultaram da extrema incidência de peste na Espanha do século XVII.[124][125] A peste de 1649 provavelmente reduziu a população de Sevilha pela metade. A epidemia também alastrou-se durante a Grande Guerra do Norte (1700–1721), disputa entre o Império Sueco contra o Czarado da Rússia,[126] matando cerca de 100 mil e 300 mil, respectivamente, entre os anos de 1709 e 1713.[127][128] A peste matou dois terços dos habitantes de Helsínquia e reivindicou um terço da população de Estocolmo.[129][130] A última grande epidemia da Europa Ocidental ocorreu em 1720 em Marselha.[119] A peste russa de 1770–1772 matou até 100 mil pessoas em Moscovo.[131] Estima-se que 60 mil pessoas morreram durante a peste de Caragea em 1813–1814, 20 a 30 mil delas em Bucareste.[132]

Gravura contemporânea de Nápoles durante a peste de Nápoles em 1656

A Peste Negra devastou também grande parte do mundo islâmico.[133] A peste estava presente em pelo menos um local no mundo islâmico praticamente todos os anos entre 1500 e 1850.[134] A peste atingiu várias vezes as cidades do norte da África. Argel perdeu 30 a 50 mil habitantes em 1620–1621 e novamente em 1654–1657, 1665, 1691 e 1740–1742.[135] A peste permaneceu um grande evento na sociedade otomana até ao segundo quarto do século XIX. Entre 1701 e 1750, trinta e sete epidemias maiores e menores foram registradas em Constantinopla, e outras trinta e uma entre 1751 e 1800.[136] Bagdade sofreu severamente com as visitas da peste e, por vezes, dois terços da população foi exterminada.[137]

Social

Uma teoria que foi avançada é que a devastação em Florença causada pela Peste Negra, que atingiu a Europa entre 1348 e 1350, resultou em uma mudança na visão mundial das pessoas na Itália do século XIV e levou ao Renascimento. A Itália foi particularmente afetada pela peste, e especula-se que a familiaridade resultante com a morte fez com que os pensadores pensassem mais nas suas vidas na Terra, em vez de na espiritualidade e na vida após a morte.[138] Também se argumentou que a Peste Negra provocou uma nova onda de piedade, manifestada no patrocínio de obras de arte religiosas.[139] No entanto, isso não explica completamente por que o Renascimento ocorreu especificamente na Itália no século XIV. A Peste Negra foi uma pandemia que afetou toda a Europa das formas descritas, não apenas a Itália. O surgimento do Renascimento na Itália foi provavelmente o resultado da complexa interação dos fatores acima, em combinação com um influxo de estudiosos gregos após a queda do Império Bizantino.[140]

O Triunfo da Morte, de Pieter Bruegel, reflete o levante social e o terror que se seguiu à peste, que devastou a Europa medieval

A peste foi carregada por pulgas em navios que retornavam dos portos da Ásia, espalhando-se rapidamente devido à falta de saneamento adequado: a população da Inglaterra, então com cerca de 4,2 milhões, perdeu 1,4 milhão de pessoas devido à peste bubónica. A população de Florença estava quase pela metade no ano de 1347. Como resultado da dizimação na população, o valor da classe trabalhadora aumentou e os plebeus passaram a gozar de mais liberdade. Para responder à crescente necessidade de mão-de-obra, os trabalhadores viajaram em busca da posição mais favorável economicamente.[141]

O declínio demográfico devido à peste teve consequências económicas: os preços dos alimentos caíram e os valores da terra caíram de 30 a 40% na maior parte da Europa entre 1350 e 1400. Os proprietários enfrentaram uma grande perda, mas, para alguns homens e mulheres comuns, foi um golpe de sorte. Os sobreviventes da peste descobriram não apenas que os preços dos alimentos eram mais baratos, mas também que as terras eram mais abundantes, e muitos deles herdaram propriedades de seus parentes mortos, e isso provavelmente ajudou a desestabilizar o feudalismo.[142]

A propagação da doença foi significativamente mais desenfreada em áreas de pobreza. As epidemias devastaram cidades, principalmente crianças. As pestes eram facilmente disseminadas por piolhos, água potável não sanitária, exércitos ou por falta de saneamento. As crianças foram as mais atingidas porque muitas doenças, como tifo e sífilis congênita, atingem o sistema imunológico, deixando as crianças sem chance de lutar. As crianças nas residências da cidade foram mais afetadas pela propagação de doenças do que as crianças dos mais abastados.[143]

A Peste Negra causou uma maior agitação à estrutura social e política de Florença do que as epidemias posteriores. Apesar de um número significativo de mortes entre os membros das classes dominantes, o governo de Florença continuou a funcionar durante esse período. As reuniões formais dos representantes eleitos foram suspensas durante o auge da epidemia devido às condições caóticas da cidade, mas um pequeno grupo de funcionários foi nomeado para conduzir os assuntos da cidade, o que garantiu a continuidade do governo.[144]

Terceira pandemia de peste

Distribuição mundial de animais infectados pela peste, 1998

A terceira pandemia de peste (1855–1859) começou na China em meados do século XIX, espalhando-se por todos os continentes habitados e vitimando 10 milhões de pessoas somente na Índia.[145] Doze surtos de peste na Austrália entre 1900 e 1925 resultaram em mais de mil mortes, principalmente em Sydney. Isso levou ao estabelecimento de um Departamento de Saúde Pública no país, que realizou algumas pesquisas de ponta sobre a transmissão da peste de pulgas de ratos a humanos através do bacilo Yersinia pestis.[146]

A primeira epidemia de peste na América do Norte foi a praga de São Francisco de 1900 a 1904, seguida por outro surto em 1907 a 1908.[147][148][149]

Os métodos modernos de tratamento incluem inseticidas, uso de antibióticos e uma vacina contra a peste. Teme-se que a bactéria da peste possa desenvolver resistência a medicamentos e novamente voltar a ser uma grande ameaça à saúde. Um caso de uma forma resistente à droga da bactéria foi encontrado em Madagascar em 1995.[150] Um novo surto em Madagascar foi relatado em novembro de 2014.[151] Em outubro de 2017, o surto mais mortal da peste nos tempos modernos atingiu Madagascar, matando 170 pessoas e infectando milhares.[152]

Notas

  1. Enquanto relatos contemporâneos afirmam a criação de inúmeras valas em resposta ao grande número de mortos, investigações científicas recentes de uma cova no centro de Londres encontraram indivíduos bem preservados enterrados em sepulturas isoladas e espaçadas de maneira uniforme, sugerindo algum planejamento estratégico e enterros associados ao cristãos naquele período.[84]
  2. Evidências primárias quantitativas, incluindo números de mortos diariamente, apoiam essa conclusão.[91]

Referências

  1. «Plague». Organização Mundial da Saúde. 31 de outubro de 2017. Consultado em 12 de maio de 2020 
  2. Frith, John. «The History of Plague – Part 1. The Three Great Pandemics». Journal of Military and Veterans' Health. 20 (2). Consultado em 12 de maio de 2020 
  3. Julia Hollingsworth (24 de novembro de 2019). «A history of the plague in China, from ancient times to Mao -- and now». CNN. Consultado em 12 de maio de 2020 
  4. Bramanti, B; Stenseth, NC; Walløe, L; et al. «Plague: A Disease Which Changed the Path of Human Civilization». Advances in Experimental Medicine and Biology. 918: 1–26. ISBN 978-94-024-0888-1. ISSN 0065-2598. PMID 27722858. doi:10.1007/978-94-024-0890-4_1. Consultado em 12 de maio de 2020 
  5. a b «Black Death – Causes, Facts, and Consequences». Encyclopædia Britannica. Cópia arquivada em 9 de julho de 2019 
  6. a b Mike Ibeji (17 de fevereiro de 2011). «Black Death». BBC – History. Consultado em 12 de maio de 2020 
  7. Alchon 2003, p. 31, The Significance of the Old World Disease Experience.
  8. «Historical Estimates of World Population». Departamento do Censo dos Estados Unidos. 5 de julho de 2018. Consultado em 12 de maio de 2020 
  9. Peter Jay. «A Distant Mirror». Time. Consultado em 12 de maio de 2020. Cópia arquivada em 17 de julho de 2000 
  10. Nauert 2006, p. 142.
  11. Jussila & Majoral 2018.
  12. Goldthwaite 2009, p. 28, The Economy of Renassaince Florence.
  13. Simonis de Covino (1350). «Manuscrit Simonis de Covino, Leodiensis, libellus de judicio Solis in convivio Saturni» (em latim e francês). Gallica. Consultado em 12 de maio de 2020 
  14. Simonis de Covino (1350). «Simonis de Covino, Leodiensis, carmen de judicio Solis in convivio Saturni.» (em latim e inglês). Europeana. Consultado em 12 de maio de 2020 
  15. Gasquet 2007, p. 7.
  16. Pontano 2013, p. 476, Carolus IV, imp.
  17. «Notes to the Origin of the Expression: ≪ Atra Mors ≫». 8 (2). Isis. Maio de 1926. pp. 328–332. doi:10.1086/358397. Consultado em 13 de maio de 2020 – via University of Chicago Press 
  18. de Corbeil & Rose 2006.
  19. «Black Death, n.» 3.ª ed. Oxford English Dictionary. Consultado em 13 de maio de 2020 
  20. Pontoppidan 2012, p. 24, Capítulo I: Of the Air and its Phenomena.
  21. Ziegler 2013, pp. 121–122, Capítulo 1: Origins of Nature.
  22. Ziegler 2013, pp. 114–115, Capítulo 1: Origins of Nature.
  23. a b Kohn 2008, p. 31, Black Death.
  24. Tignor, Adelman & Aron 2011.
  25. Nicholas Wade. «Europe's Plagues Came From China, Study Finds». The New York Times. Consultado em 12 de maio de 2020 
  26. Nicholas Wade. «Black Death's Origins Traced to China». The New York Times. Cópia arquivada em 1 de novembro de 2010 
  27. Eroshenko, Galina A; Nosov, Nikita Yu; Krasnov, Yaroslav M.; et al. (26 de outubro de 2017). «Yersinia pestis strains of ancient phylogenetic branch 0.ANT are widely spread in the high-mountain plague foci of Kyrgyzstan». PLoS One. 12 (10): e0187230. PMC 5658180Acessível livremente. PMID 29073248. doi:10.1371/journal.pone.0187230. Consultado em 13 de maio de 2020 
  28. Sarah Zhang (6 de dezembro de 2018). «An Ancient Case of the Plague Could Rewrite History». The Atlantic. Consultado em 14 de maio de 2020 
  29. «Modern lab reaches across the ages to resolve plague DNA debate». Phys.org. 20 de maio de 2013. Consultado em 14 de maio de 2020 
  30. «Plague DNA found in ancient teeth shows medieval Black Death, 1,500-year pandemic caused by same disease». National Post. 25 de janeiro de 2015. Consultado em 14 de maio de 2020 
  31. Twitchett, Fairbank & Franke 1978, p. 585, Capítulo 7: Shun-Ti and the end of Yüan rule in China.
  32. Twitchett, Fairbank & Franke 1978, pp. 556–557, Capítulo 6: Mid-Yüan Politics.
  33. Sussman, George D. (2011). «Was the black death in India and China?». Bulletin of the History of Medicine. 85 (3): 319–355. PMID 22080795. doi:10.1353/bhm.2011.0054. Consultado em 14 de maio de 2020 
  34. Malcolm Moore (1 de novembro de 2010). «Black Death may have originated in China». The Daily Telegraph. Consultado em 14 de maio de 2020 
  35. Hecker & Babington 1859, p. 21.
  36. Wheelis, M. (Setembro de 2002). «Biological warfare at the 1346 siege of Caffa.». Emerging Infectious Diseases. 8 (9): 971–975. PMC 2732530Acessível livremente. PMID 12194776. doi:10.3201/eid0809.010536. Consultado em 14 de maio de 2020 
  37. Barras, V.; Greub, G. (1 de junho de 2014). «History of biological warfare and bioterrorism.». Clinical Microbiology and Infection. 20 (6): 497–502. PMID 24894605. doi:10.1111/1469-0691.12706. Consultado em 14 de maio de 2020 
  38. John Seven (16 de abril de 2020). «The Black Death: A Timeline of the Gruesome Pandemic». History. Consultado em 15 de maio de 2020 
  39. Köpke, Nikola; Baten, Jörg (2003). «The biological standard of living in Europe during the last two millennia» (PDF). Universidade de Tubinga: Tübinger Diskussionsbeiträge (265): 3–4; 20. doi:10.1017/S1361491604001388. Consultado em 15 de maio de 2020 – via Eberhard-Karls – Universität Tuebingen 
  40. Gregorio 1791, pp. 561562, Michaelis Platiensis – Capítulo XXVI: De pace faeta inter Reginam Johannam neptem Regis Robert cum duce Johanne, cum Regno Sicilie, quo tempore.
  41. Gregorio 1791, p. 428, Nicolai Specialis – Capítulo XIV: De navali bello opud Infulam Pontii, ubi Siculorum claffis dividea eft.
  42. de Smet 1841, p. 280, Breve chronicon Elnosense.
  43. Ole Benedictow (Março de 2005). «The Black Death: The Greatest Catastrophe Ever». 55 (3). History Today. Consultado em 15 de maio de 2020 
  44. Karlsson 2000, pp. 97–123, Part II – Under Foreign Rule, 1262-c.1800.
  45. Welford, Mark; Bossak, Brian H. (Junho de 2010). «Revisiting the Medieval Black Death of 1347–1351: Spatiotemporal Dynamics Suggestive of an Alternate Causation». 4 (5). Geography Compass. pp. 561–575. ISSN 1749-8198. doi:10.1111/j.1749-8198.2010.00335.x – via ResearchGate 
  46. Zuchora-Walske 2013, p. 53, Capítulo 4: History Poland's Perseverance.
  47. Samia, Noelle I.; Kausrud, Kyrre Linné; Heesterbeek, Hans; et al. (30 de agosto de 2011). «Dynamics of the plague-wildlife-human system in Central Asia are controlled by two epidemiological thresholds.». Proceedings of the National Academy of Sciences. 108 (35): 14527–32. PMC 3167548Acessível livremente. PMID 21856946. doi:10.1073/pnas.1015946108. Consultado em 16 de maio de 2020 
  48. Cohn JR., Samuel K. (2008). «Epidemiology of the Black Death and successive waves of plague.». Bibliography of the History of Medicine (27): 74–100. PMC 2630035Acessível livremente. PMID 18575083. Consultado em 16 de maio de 2020 
  49. Braun & Kroll 2004.
  50. Baggaley, Kate (23 de fevereiro de 2015). «Bubonic plague was a serial visitor in European Middle Ages». Science News. Consultado em 16 de maio de 2020 
  51. Schmid, Boris V.; Büntgen, Ulf; Easterday, W. Ryan; et al. (10 de março de 2015). «Climate-driven introduction of the Black Death and successive plague reintroductions into Europe.». Proceedings of the National Academy of Sciences. 112 (10): 3020–5. PMC 4364181Acessível livremente. PMID 25713390. doi:10.1073/pnas.1412887112. Consultado em 16 de maio de 2020 
  52. Green, Monica H. (24 de dezembro de 2018). «Putting Africa on the Black Death map: Narratives from genetics and history». Institut des Mondes Africains. ISSN 2108-6796. doi:10.4000/afriques.2125. Consultado em 16 de maio de 2020 
  53. a b Kelly 2005.
  54. Harreld 2016.
  55. Horrox 2011, p. 159, Part Two: Explanations and Responses – IV: Scientific explanations: The report of the Paris medical faculty, October 1348.
  56. Mackowiak, Philip A.; Sehdev, Paul S. (1 de novembro de 2002). «The Origin of Quarantine». 35 (9). Clinical Infectious Diseases. pp. 1071–1072. PMID 12398064. doi:10.1086/344062. Consultado em 16 de maio de 2020 – via Oxford University Press 
  57. Achtman, Mark; Zurth, Kerstin; Morelli, Giovanna; et al. (23 de novembro de 1999). «Yersinia pestis, the cause of plague, is a recently emerged clone of Yersinia pseudotuberculosis.». Proceedings of the National Academy of Sciences. 96 (24): 14043–8. PMC 24187Acessível livremente. PMID 10570195. doi:10.1073/pnas.96.24.14043. Consultado em 16 de maio de 2020 
  58. Christakos, Olea & Serre 2005, p. 110, III. Black Death: The Background – B. The Controversy About the Epidemiologic Nature of Black Death – Modern Etiology.
  59. Gasquet 2014.
  60. Christakos, Olea & Serre 2005, p. 111, III. Black Death: The Background – B. The Controversy About the Epidemiologic Nature of Black Death – Modern Etiology.
  61. «Plague Home – What is the death rate of plague?». Centros de Controle e Prevenção de Doenças. Consultado em 17 de maio de 2020 
  62. Totaro 2005, p. 26.
  63. Byrne 2004, pp. 15–20, Capítulo 2: The Black Death and Modern Medicine.
  64. Byrne 2004, p. 8, Capítulo 1: Overview: Plague in the Middle Ages.
  65. Drancourt, Michel; Aboudharam, Gérard; Signoli, Michel; et al. (13 de outubro de 1998). «Detection of 400-year-old Yersinia pestis DNA in human dental pulp: an approach to the diagnosis of ancient septicemia.». Proceedings of the National Academy of Sciences. 95 (21): 12637–40. PMC 22883Acessível livremente. PMID 9770538. doi:10.1073/pnas.95.21.12637. Consultado em 18 de maio de 2020 
  66. «Absence of Yersinia pestis-specific DNA in human teeth from five European excavations of putative plague victims.». Microbiology. 150 (Pt 2). Fevereiro de 2004: 341–354. PMID 14766912. doi:10.1099/mic.0.26594-0. Consultado em 18 de maio de 2020 
  67. Haensch, Stephanie; Bianucci, Raffaella; Signoli, Michel; et al. (Outubro de 2010). «Distinct clones of Yersinia pestis caused the black death.». PLoS Pathogens. 6 (10): e1001134. PMC 2951374Acessível livremente. PMID 20949072. doi:10.1371/journal.ppat.1001134. Consultado em 18 de maio de 2020 
  68. Schuenemann, Verena J.; Bos, Kirsten; DeWitte, Sharon; et al. (20 de setembro de 2011). «Targeted enrichment of ancient pathogens yielding the pPCP1 plasmid of Yersinia pestis from victims of the Black Death.». Proceedings of the National Academy of Sciences. 108 (38): E746–52. PMC 3179067Acessível livremente. PMID 21876176. doi:10.1073/pnas.1105107108. Consultado em 18 de maio de 2020 
  69. Bos, Kirsten I.; Schuenemann, Verena J.; Golding, G. Brian; et al. (12 de outubro de 2011). «A draft genome of Yersinia pestis from victims of the Black Death.». Nature. 478 (7370): 506–10. PMC 3690193Acessível livremente. PMID 21993626. doi:10.1038/nature10549. Consultado em 18 de maio de 2020 
  70. Spyrou, Maria A.; Keller, Marcel; Tukhbatova, Rezeda I.; et al. (2 de outubro de 2019). «Phylogeography of the second plague pandemic revealed through analysis of historical Yersinia pestis genomes.». Nature Communications. 10 (1): 4470. PMC 6775055Acessível livremente. PMID 31578321. doi:10.1038/s41467-019-12154-0. Consultado em 18 de maio de 2020 
  71. Wagner, David M; Klunk, Jennifer; Harbeck, Michaela; et al. (1 de abril de 2014). «Yersinia pestis and the plague of Justinian 541-543 AD: a genomic analysis.». The Lancet. 14 (4): 319–26. PMID 24480148. doi:10.1016/S1473-3099(13)70323-2. Consultado em 18 de maio de 2020 
  72. Rasmussen, Simon; Erik, Morten; Nielsen, Allentoft Kasper; et al. (22 de outubro de 2015). «Early Divergent Strains of Yersinia pestis in Eurasia 5,000 Years Ago.». Cell. 163 (3): 571–582. PMC 4644222Acessível livremente. PMID 26496604. doi:10.1016/j.cell.2015.10.009. Consultado em 19 de maio de 2020 
  73. a b Vanessa Thorpe (29 de março de 2014). «Black death skeletons reveal pitiful life of 14th-century Londoners». The Guardian. Consultado em 19 de maio de 2020 
  74. James Morgan (30 de março de 2014). «Black Death skeletons unearthed by Crossrail project». BBC News. Consultado em 19 de maio de 2020 
  75. «Duration of urban mortality for the 14th-century Black Death epidemic». Human Biology. 77 (3). Junho de 2005: 291–303. PMID 16392633. doi:10.1353/hub.2005.0051. Consultado em 16 de julho de 2020 
  76. a b c d Bjork 2010.
  77. Daileader 2004.
  78. «Late Middle Ages». The Great Courses. Consultado em 23 de julho de 2020 
  79. Ole Benedictow (3 de março de 2005). «The Black Death: The Greatest Catastrophe Ever». 55 (3). History Today. Consultado em 23 de julho de 2020 
  80. Christakos, Olea & Serre 2005, pp. 110–114, III. Black Death: The Background – B. The Controversy About the Epidemiologic Nature of Black Death – Modern Etiology; C. Interdisciplinay Sources.
  81. Katherine Schulz Richard (17 de janeiro de 2020). «The Global Impacts of the Black Death». ThoughtCo. Consultado em 26 de julho de 2020 
  82. Tignor, Adelman & Aron 2011, p. 407.
  83. Dick, Henry C.; Pringle, Jamie K.; Sloane, Barney; et al. (Julho de 2015). «Detection and characterisation of Black Death burials by multi-proxy geophysical methods». Journal of Archaeological Science. 59: 132–141. doi:10.1016/j.jas.2015.04.010. Consultado em 26 de julho de 2020. Cópia arquivada (PDF) em 23 de abril de 2015 
  84. Wunderli 1992, p. 52, Capítulo IV: Walpurgisnacht.
  85. Bennett & Hollister 2009, p. 329.
  86. a b Byrne 2012, p. 354, Vienna, Austria.
  87. Byrne 2012, p. 334339, Syndenham, Thomas (1625–1689).
  88. Mark Lewis (3 de abril de 2005). «'The Great Mortality': Plague to World: Drop Dead». The New York Times. Consultado em 27 de julho de 2020 
  89. Lotfy, Wael M. (Julho de 2015). «Plague in Egypt: Disease biology, history and contemporary analysis: A minireview». Journal of Advanced Research. 6 (4): 549–554. PMC 4506964Acessível livremente. PMID 26199744. doi:10.1016/j.jare.2013.11.002. Consultado em 27 de julho de 2020 
  90. a b Borsch 2014, p. 129, Plague Depopulation and Irrigation Decay in Medieval Egypt — Measuring Rural Depopulation.
  91. Byrne 2012, p. 65.
  92. Scheidel 2017, pp. 292–93; 304.
  93. Kate Ravilious (27 de fevereiro de 2006). «Europe's chill linked to disease». BBC News. Consultado em 19 de maio de 2020 
  94. Nirenberg 2015, pp. 231232, Epilogue – The Black Death and Beyond.
  95. Moore 2008, p. 144, Capítulo 5: A Persecuting Society.
  96. Bennett & Hollister 2009, p. 326.
  97. «Black Death». History. 30 de março de 2020. Consultado em 20 de maio de 2020 
  98. Richard Gottheil, Joseph Jacobs. «Black Death». Enciclopédia Judaica. Consultado em 20 de maio de 2020. Cópia arquivada em 4 de agosto de 2011 
  99. «The Black Death». Jewish History. Consultado em 20 de maio de 2020. Cópia arquivada em 17 de dezembro de 2011 
  100. Gottfried 2010, p. 74, Capítulo 4: The Plague’s Progress.
  101. Porter 2009, p. 25, Capítulo 1: Plague and Society.
  102. Hays 1998, p. 58, Capítulo 3: The Great Plague Pandemic.
  103. Roosen, Joris; Curtis, Daniel R. (Janeiro de 2018). «Dangers of Noncritical Use of Historical Plague Data». Emerging Infectious Diseases. 24 (1): 103–110. PMC 5749453Acessível livremente. doi:10.3201/eid2401.170477. Consultado em 20 de maio de 2020 
  104. Hays 2005, p. 46, Capítulo 7: Second Plague Pandemic, 1346–1844.
  105. Parker 2001, p. 7.
  106. Borsch 2009, Capítulo 2: Mortality, Irrigation, and Landholders in Mamluk Egypt.
  107. Wallace 1999, p. 63, Capítulo 3: Early Middle English.
  108. Gottfried 2010, p. xvi, Introduction.
  109. «Voices of the Powerless». BBC Radio 4. 29 de agosto de 2002. Consultado em 21 de maio de 2020 
  110. Harding 2002, p. 25, Capítulo 2: London and Paris, the Setting of Life and Death.
  111. Harding 2002.
  112. Byrne 2004, p. 62, Capítulo 4: Effects of The Black Death on European Society.
  113. Harding 2002, p. 24, Capítulo 2: London and Paris, the Setting of Life and Death.
  114. Champion 1993, pp. 1–17.
  115. Noordegraaf & Valk 1996, p. 230.
  116. Pullan 2005, p. 151, Capítulo 7: Wage-Earners and the Venetian Economy, 1550–1630.
  117. Lindemann 1999, p. 41, Capítulo 2: Epidemics and Infectious Diseases.
  118. a b Harald Aastorp (1 de agosto de 2004). «Svartedauden enda verre enn antatt» (em norueguês). Forskning.no. Consultado em 25 de maio de 2020 
  119. Øivind Larsen (2005). «Book review: Black Death and hard facts». 2. Michael Journal. pp. 252–6. Consultado em 25 de maio de 2020 
  120. Benedictow 2006, pp. 146–158, Capítulo 16: Norway.
  121. Belock 1937, pp. 359–60.
  122. «Naples in the 1600s». Naplesldm. 2005. Consultado em 28 de maio de 2020 
  123. Payne 1973, Capítulo 15: The Seventeenth-Century Decline.
  124. Stanley G. Payne. «The Seventeenth-Century Decline». The Library of Iberian Resources Online. Consultado em 28 de maio de 2020 
  125. Kathy McDonough. «The Empire of Poland and the Baltic Nations». Universidade de Washington. Consultado em 5 de junho de 2020. Cópia arquivada em 11 de outubro de 2008 
  126. Alexander 2002, p. 21, Capítulo 1: Plague Epidemics and Antiplague Precautions in Russia to 1770.
  127. Bray 2004, p. 72, Capítulo 8: The Black Death (part 3).
  128. «Old Church Park - Ruttopuisto». Helsingin kaupunki. Consultado em 5 de junho de 2020 
  129. Griffiths 2009, p. 9, A Beutiful, Hungry Landscape Approaching Stockholm.
  130. Melikishvili, Alexander (2006). «Genesis of the Anti-Plague System: The Tsarist Period» (PDF). Critical Reviews in Microbiology. 32 (1): 19–31. CiteSeerX 10.1.1.204.1976Acessível livremente. PMID 16610335. doi:10.1080/10408410500496763. Consultado em 6 de junho de 2020 
  131. Ionescu 1974, pp. 287–293.
  132. Bakers, Lanslor & Eskelner 2019, Seção 13.
  133. Byrne 2008, p. 49, Volume 1: Animal Diseases (Zoonoses) and Epidemic Diseases.
  134. Davis & Davis 2003.
  135. Ladriere & Publishers 2018.
  136. Issawi 1988, p. 104, Capítulo 24: Plagues and Floods in Baghdad, 1822 and 1831.
  137. Tuchman 2011.
  138. «The End of Europe's Middle Ages – Black Death». UMass Boston. Consultado em 17 de junho de 2020. Cópia arquivada em 13 de outubro de 1997 
  139. Brotton 2006, pp. 28–61, Capítulo 1: A Global Renaissance; Capítulo 2: The Humanist Script; Capítulo 3: Church and State.
  140. Netzley 1998, Citação.
  141. Hause & Maltby 2000, p. 217.
  142. Holt 2002, pp. 30; 39; 69; 166.
  143. Hatty & Hatty 1999, p. 89, Capítulo 4: Disordered Bodies in Abundance.
  144. Stenseth, Nils Chr. (8 de agosto de 2008). «Plague Through History». Science. 321 (5890): 773–774. doi:10.1126/science.1161496. Consultado em 28 de junho de 2020 
  145. «Bubonic Plague Comes to Sydney in 1900». Universidade de Sydney. Consultado em 28 de junho de 2020 
  146. Chase 2003.
  147. Echenberg 2007, pp. 236; 240, Capítulo 8: Black Plague Creeps into America.
  148. Kraut 1995, p. 96, Capítulo 4: A Plague of Nativism: The Cases of Chick Gin and “Typhoid Mary”.
  149. T.V. Padma (23 de março de 2007). «Drug-resistant plague a 'major threat', say scientists». Science and Development Network. Consultado em 4 de julho de 2020 
  150. «Plague – Madagascar». Organização Mundial da Saúde. 21 de novembro de 2014. Consultado em 4 de julho de 2020 
  151. Alexandra Wexler, Amir Antoy (16 de novembro de 2017). «Madagascar Wrestles With Worst Outbreak of Plague in Half a Century». The Wall Street Journal. Consultado em 4 de julho de 2020 

Bibliografia

Ligações externas

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Peste Negra
  • «Plague» (em inglês). Organização Mundial da Saúde (OMS) 
  • «Plague» (em inglês). Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC)