Philadelpho Menezes

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Philadelpho Menezes Neto (São Paulo, 21 de junho de 1960 – 23 de julho de 2000) foi um poeta, tradutor e ensaísta, importante pesquisador da poesia sonora, mas também da poesia visual. Mestre e doutor em comunicação e semiótica pela PUC/SP, com pesquisa de doutoramento na Universidade de Bolonha, Itália, foi professor do programa de pós-graduação em comunicação e semiótica da PUC/SP. Foi o articulador e coordenador da Mostra "Poesia Intersignos" - que aconteceu em São Paulo (1988). Morreu num acidente automobilístico, em 2000.

Philadelpho Menezes se destacou tanto na área acadêmica quanto na produção de eventos culturais-artísticos. Organizou a mostra Poesia Intersignos (1985) e a 1ª Mostra Internacional de Poesia Visual de São Paulo (1988), ambas no Centro Cultural São Paulo. Em 1997, organizou a sala especial Poesia Sonora do evento Arte Tecnologia, promovido pelo Itaú Cultural, São Paulo. Em 1998, foi curador do evento Intersignos, do impresso ao sonoro e ao digital, realizado no Paço das Artes. Entre seus livros publicados podemos citar: Signos Plurais - Mídia, Arte e Cotidiano na Globalização (organização e apresentação, São Paulo: Experimento, 1997); A Crise do Passado - Modernidade. Vanguarda. Metamodernidade (São Paulo: Experimento, 1994); Poesia Sonora - Poéticas Experimentais da Voz no Século XX (organização e introdução, São Paulo: Educ, 1992); e Poética e Visualidade - Uma Trajetória da Poesia Brasileira Contemporânea (Campinas: Editora da Unicamp, 1991).

O poeta foi homenageado em 2002 pelo projeto "Poetas na Biblioteca" no Memorial da América Latina com uma exposição de seus trabalhos selecionados pela artista plástica e viúva do artista Ana Aly[1].

Em 2014 houve o evento e a exposição retrospectiva de sua obra "Goma de mascarar sabor mental", sob curadoria de Ana Aly, na Casa das Rosas.

Obra poética[editar | editar código-fonte]

  • 4 achados construídos, 1980
  • Poemas 1980-1982 (1984)
  • Demolições (ou poemas aritméticos), 1988

POESIA INTERSIGNOS Do impresso ao sonoro e ao digital

(acerca da exposição da Mostra de Poesia Intersignos - 1985)

Há treze anos, realizou-se a primeira exposição de Poesia Intersignos no Centro Cultural São Paulo, com pouco mais de três dezenas de poemas visuais expostos em painéis, todos de poetas brasileiros, sob minha curadoria. Eu tentava delimitar uma vertente da poesia visual brasileira que, distanciando-se do poema visual eminentemente verbal, feito exclusivamente de formas gráficas do texto, colocasse no centro da comunicação poética a imagem em suas mais variadas configurações: desenhos, fotos, numerais, rabiscos, gráficos, cores. A idéia era mostrar poemas em que a imagem participasse como elemento de significação na construção semântica do trabalho, que ela exigisse uma decifração conceitual do observador para a interpretação do poema como um todo. De sua intersemiose plena (conceitual e formal) com o verbal, nasce o poema intersignos.

A presente exposição dá continuidade a essas idéias, mas agora tendo em vista a explosão das formas comunicacionais que levou a poesia a experimentar com o universo do som, da imagem videográfica e com o vasto campo das novas tecnologias, sem deixar de lado o registro impresso. Se a poesia visual intersignos efetuava a exploração das possibilidades do impresso na fusão palavra/imagem, os poemas que aqui se exibem ultrapassam o espaço material do livro para se dar enquanto poemas-objeto, penetram no espaço ambiental do som para produzir a poesia sonora e incidem no espaço virtual das tecnologias para criar poemas digitais.

Assim como a poesia intersignos de anos atrás não queria inventar a poesia visual, mas distinguir-se enquanto um "setor" especial dela, a poesia exposta no Paço das Artes não quer criar a "nova poesia experimental" do próximo milênio, ou a poesia do "novo homem" das tecnologias da comunicação. Ela só quer expor como é possível encontrar uma poética espraiada pelos espaços extra-livros, em que permaneça a idéia de que a poeticidade é feita de uma interação formal e uma composição conceitual entre os signos verbais e os demais signos provientes de cada uma das técnicas que o poema usa. Dessa maneira, de uma lado, distingue-se de uma poesia pretensamente experimental que, no entanto, só reproduz a forma clássica da poesia como processo específico da verbalidade, mas envolto pelos artifícios das outras linguagens. De outro, distancia-se de uma postura ingênua que vê o simples uso da palavra em novas tecnologias como a invenção do novo mundo poético-midiático. A exposição procura incitar o observador a deslocar sua atenção das técnicas usadas para os modos como os signos se combinam e se articulam dentro dessas técnicas, em processos poéticos intersígnicos que destacam as funções formais, estruturais e semânticas de todos os signos involvidos no poema.

Com isso, a exposição intencionalmente faz conviver no mesmo espaço o impresso, o objeto tridimensional, o sonoro, o performático e o tecnológico, sem qualquer proposição de caráter evolutivo, afirmando a natureza cumulativa e interagente de técnicas de diferentes períodos da cultura, e contaminando a pretensa pureza tecnológica com a artesanalidade e o hibridismo de técnicas "obsoletas" e com a materialidade do corpo e dos gestos.

Um lugar privilegiado de discussão dessas questões, central para a poética e a estética contemporâneas, é a própria tecnologia digital em suas possibilidades ainda abertas de uso, tanto pelas novidades que elas podem vir a apresentar para a configuração da linguagem comunicacional quanto pelo impacto delas na sociedade que vai surgindo. Poesia Intersignos exibe uma série de poemas em CD-ROM, na chamada linguagem "multimídia". Primeiramente, eles não são "experimentos de textos poéticos escritos", mas processos intersígnicos de palavra, imagem, som, movimento, direções variáveis de leitura, em que imagem e som não se dão apenas enquanto acabamento da palavra. Adentrando uma nova configuração espacial que já não é mais o da forma códice do livro, a poesia necessariamente ultrapassa os limites do próprio signo verbal. Se o hipertexto se torna naturalmente hipermídia pela tendência à integração das linguagens dentro das tecnologias digitais, o poema digital também se faz de um tráfego entre signos de diferentes linguagens que, quando melhor realizado, bem poderia ser denominado intermídia (em substituição ao atual estágio inicial multimídia de exploração da linguagem digital em que há mais o acúmulo e sobreposição de diversos signos do que propriamente integração semântico-funcional entre eles).

No entanto, o poema, antes de penetrar o espaço digital, já havia saltado, na poética intersígnica, do livro para o objeto e para a sonoridade, onde, respectivamente, elementos como interatividade e imaterialidade, dois totens das nascentes (e ainda fragilíssimas) teorias de poéticas em novas mídias, estão realizados. O que importa, então, no uso dessas novas tecnologias é primeiramente a facilitação e o incitamento às realizações integrativas entre linguagens, em que, de novo, signos não-verbais não se reduzam ao papel de elementos meramente reforçadores do verbal. Por fim, fusão intersígnica dirige a prática criativa à fusão entre os gêneros do texto, onde a poesia penetra o campo da teoria, do conto, da informação enciclopédica. Tudo caminha para a formação de grandes sistemas de vasos comunicantes em que poesia, ficção narrativa, jogo, pesquisa científica, informação trivial, contato interpessoal sejam momentos de uma mesma prática produtiva.

Teoria[editar | editar código-fonte]

  • Poética e Visualidade - Uma Trajetória da Poesia Brasileira Contemporânea (Ed. UNICAMP, Campinas, 1991)
  • Poesia Sonora - Poéticas Experimentais da Voz do Século XX (EDUC, SP, 1992).
  • A Crise do Passado: Modenidade, Vanguarda, Metamodernidade. (Experimento, São Paulo, 2001.)

Poesia Sonora

"Poesia sonora pode ter várias definições e manifestações. Mas alguns pontos são comuns em qualquer de suas vertentes. Primeiramente, ela é um tipo de poesia oral, mas associado a uma característica especial: ele é essencialmente experimental. Isso significa que a poesia sonora se distancia claramente da poesia declamada.

Diferenciar-se da poesia declamada quer dizer não reproduzir as formas tradicionais de declamação emotiva e lírica, teatral e dramática do texto. Em seu lugar, entram o humor, as técnicas fonéticas, o rumorismo, a utilização de meios tecnológicos. Por conseqüência, a poesia sonora se distancia da idéia de texto: o poema sonoro nunca é um texto lido oralmente, por mais que um texto se pretenda experimental enquanto discurso verbal. A poesia sonora parte da idéia de que a poesia nasce antes do texto e do discurso e não depende dele para existir. Ela se cria com certas conjunções sonoras (sendo a palavra apenas um de seus elementos possíveis) que, organizadas numa certa ordem, exprimem conceitos, sensações e impressões.

Portanto, não se deve confundir poesia sonora com poesia musicada ou musicalização de poemas (sejam estes em forma de verso ou mesmo poemas visuais), porque os sons não entram no poema sonoro com a função que possuem na música: não apresentam problemas de combinação com um texto (porque não há texto), nem de harmonia, nem de desenvolvimento melódico. A vinculação histórica da poesia sonora é com a poesia fonética das vanguardas futuristas e dadaístas do início do século.

Quando vem apresentado ao vivo, o poema sonoro se preenche de outras questões que partem da sua integração a outros meios e linguagens: espaço, gestualidade, vídeo, interação com o público. Porém, todos esses elementos devem participar dirigidos pelo projeto do poema sonoro e a ele se integrar num processo de montagem, de relação intersígnica, intermídia (não de colagem, de multimídia). Ao contrário dos anos 50, quando Henri Chopin criou o nome poesia sonora para seus poemas em aparelhagem eletroacústica (primeiras manifestações de poesia tecnológica da história), hoje se assiste a uma revisão do uso da tecnologia: ainda que extremamente rica e útil, a tecnologia deve se subordinar a um projeto poemático que escape dos meros efeitos eletroacústicos, reponha em jogo o corpo e a voz em suas possibilidades expressivas e tenha em vista a complexidade semântica da comunicação poética." No subtítulo do livro A Crise do Passado, utiliza o termo Metamodernidade, fruto de suas discussões poéticas com Jayro Luna.

Referências

  1. «Poesia de Philadelpho Menezes é tema de evento no Memorial». Folha de S.Paulo. 13 de novembro de 2002. Consultado em 13 de Abril de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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