Phyllomedusa bicolor

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Como ler uma caixa taxonómicaKambo
Exemplar no Jardim Zoológico de Paris

Exemplar no Jardim Zoológico de Paris
Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Amphibia
Ordem: Anura
Família: Hylidae
Género: Phyllomedusa
Espécie: P. bicolor
Nome binomial
Phyllomedusa bicolor
Distribuição geográfica
Parte norte sulamericana
Parte norte sulamericana

A Phyllomedusa bicolor, designada rã-kambo, rã-kambô, rã-cambô ou sapo-verde, é uma rã voadora encontrada na Amazônia e oeste e norte do Brasil, estendendo-se desde o norte da Bolívia, sudeste da Colômbia, leste do Peru, sul e leste da Venezuela, e nas Guianas. Ocasionalmente é encontrada na vegetação ribeirinha do Cerrado.

A rã-kambo possui hábitos noturnos de caça de pequenos insetos, o que explica seu deslocamento arborícola. Já foi encontrada emitindo seu "canto" territorial ou de acasalamento, em árvores em floresta tropical úmida em alturas de mais de 2 metros acima da água próximas a uma lagoa da floresta (Duellman 1997). Gorzula e Señaris (1999) relataram o achado de ninho de folhas dessa espécie encontradas cerca de 2 m acima dos corpos hídricos da floresta. Os girinos desenvolvem-se em massas de água temporárias. Eles também são encontrados em matas de galeria no cerrado.[1]

A criação e comercialização de anuros no Brasil é regulamentada pelo IBAMA. Essas espécies muitas vezes são alvo da biopirataria pois produzem secreções de substâncias que despertam interesses para o desenvolvimento de medicamentos, face à sua utilização medicinal entre índios da Amazônia, seringueiros, e mais recentemente por "curandeiros" nos centros urbanos.

Secreções da pele da barriga da rã são utilizadas por algumas tribos indígenas da Amazônia, como os índios katukinas, para acabar com a má sorte na pesca e na caça e também para acabar a "panema", o estado de espírito negativo que causa doenças, segundo as crenças de alguns povos indígenas.[2][3] O veneno produzido pela rã-kambo inclui dermorfina e deltorfina[4] que atuam nos receptores neuronais sensíveis aos opiáceos, podendo levar a uma alteração no nível de consciência.[5] Os sintomas apresentados no envenenamento pelas substâncias da rã Kambo incluem forte diarreia, vômito e taquicardia.

Alguns componentes isolados da secreção da rã Kambo foram patenteados no passado[3]. Os estudos são controversos, segundo alguns autores estudos iniciados na década de 80 mostraram que nenhum dos pacientes teve sucesso com o tratamento experimental dessas substâncias e seu uso foi não recomendado pela medicina, contudo a deltorfina mostrou alguma eficácia e é comercializada como medicamento. Há relatos também, de que dermaseptinas possuem propriedades antibacterianas contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas na faixa de 3-25 μm, bem como atividade anti-protozoário, que foi investigada através de T. cruzi e cultivadas, tanto em meios de cultura de células como no sangue.[6]

No Brasil a "vacina do sapo" in-natura é considerada como desprovida de comprovação científica e tanto o uso como a sua publicidade comercial estão proibidos desde 2004 pela Agência Nacional de vigilância sanitária.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Phyllomedusa bicolor

Referências

  1. Phyllomedusa bicolor
  2. «Homem morre no interior de SP após usar 'vacina do sapo'». Estadão. 25 de abril de 2008. Consultado em 2008-04-25. 
  3. a b Tatiana Diniz (03/11/2005). «Apesar de proibida, pacientes recorrem à vacina do sapo». Folha Online. Consultado em 2008-04-26. 
  4. «O Caso da Rã Phyllomedusa Bicolor - Vacina do Sapo». Limites Éticos. 22 de agosto de 2007. Consultado em 2008-04-26. 
  5. «Phyllomedusa bicolor». 1 de maio de 2007. Consultado em 2008-04-25. 
  6. Brand GD, Leite JR, Silva LP; et al. (2002). «[[Dermaseptin]]s from [[Phyllomedusa oreades]] and Phyllomedusa distincta. Anti-[[Trypanosoma cruzi]] activity without [[cytotoxicity]] to mammalian cells». J. Biol. Chem. [S.l.: s.n.] 277 (51): 49332–40. doi:10.1074/jbc.M209289200. PMID 12379643.  Ligação wiki dentro do título da URL (Ajuda)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Phyllomedusa bicolor

Conteúdo relacionado com Phyllomedusa bicolor no Wikimedia Commons