Piatã

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Piatã (desambiguação).
Piatã
  Município do Brasil  
Piatã.The.Coldest.City.Inside.Brazilian.State.of.Bahia.1280.m.jpg
Símbolos
Bandeira de Piatã
Bandeira
Brasão de armas de Piatã
Brasão de armas
Hino
Gentílico piatãense ou piatense
Localização
Localização de Piatã na Bahia
Localização de Piatã na Bahia
Piatã está localizado em: Brasil
Piatã
Localização de Piatã no Brasil
Mapa de Piatã
Coordenadas 13° 09' 07" S 41° 46' 22" O
País Brasil
Unidade federativa Bahia
Municípios limítrofes Abaíra, Boninal, Novo Horizonte e Rio do Pires
Distância até a capital 572 km
História
Fundação 25 de maio de 1842 (180 anos)
Emancipação 11 de julho de 1878 (144 anos)
Administração
Distritos
Prefeito(a) Marcos Paulo Santos Azevedo ( PDT, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [2] 1 508,036 km²
População total (IBGE/2018[3]) 17 269 hab.
Densidade 11,5 hab./km²
Clima Oceânico (Cfb)
Altitude 1280 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010[4]) 0,571 baixo
PIB (IBGE/2016[5]) R$ 116 625 mil
PIB per capita (IBGE/2016[5]) R$ 6 350,03
Sítio piata.ba.gov.br (Prefeitura)

Piatã é um município do estado da Bahia, no Brasil. Sua população estimada em 2018 era de 17 269 habitantes. É o município mais alto e frio do estado da Bahia, assim como de toda a Região Nordeste do Brasil.[6][7] Com 1.280 m de altitude na sede, superando outros municípios serranos baianos como Morro do Chapéu, Maracás, Rio de Contas, Barra do Choça, Lagedo do Tabocal, Itiruçu, Ibicoara, Mucugê, Barra da Estiva e Vitória da Conquista, Piatã ainda conta com povoados e distritos com altitudes ainda mais altas, podendo ascender e exceder os 1.500 m de altitude.

Situada na região da Chapada Diamantina, é uma cidade rica em belezas naturais e é berço de muitas águas possuindo a nascente do Rio de Contas (um dos principais rios da Bahia). Além das belas montanhas, da rica vegetação e cachoeiras, é conhecida pela potente cultura do café especial, que cultivado em sua maioria por pequenos grupos familiares, colocou a cidade entre as regiões produtoras mais premiadas do país.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Piatã" é um nome com origem na língua tupi: significa "pé duro", através da junção dos termos py (pé) e atã (duro).[8][9]

História[editar | editar código-fonte]

Em meados do século XVI, Mem de Sá, então governador-geral do Brasil, envia o explorador Vasco Rodrigues de Caldas para explorar o interior da Bahia e encontrar ouro. Partindo de Salvador, Vasco chegou onde hoje é Andaraí, mas não encontrou o minério.

A partir de meados do século XVII, a região da Chapada Diamantina Meridional é desbravada por bandeirantes paulistas, à procura de ouro. Nas suas explorações, descobrem, por volta de 1680, um quilombo situado entre as serras de Santana e da Tromba.

No início do século XVIII, foi descoberto ouro na região de Piatã, o que atrai muitos forasteiros para minerá-lo, entre portugueses, paulistas e baianos. Estes desbravadores acabam se fixando em fazendas e entram em conflito com os índios tapuias, habitantes primitivos da região.

Na década de 1720, Pedro Barbosa Leal foi encarregado pelo então governador-geral do Brasil, Vasco Fernandes César de Meneses, para construir uma estrada ligando a vila de Minas do Rio de Contas à vila de Jacobina. Nas margens deste caminho, entre 1725 e 1726, João de Moraes Barros cede um terreno para a edificação de uma capela em louvor a Bom Jesus, no local em que atualmente se situa a matriz de Piatã, e, ao seu redor, forma-se o povoado de Bom Jesus dos Limões, pertencente à vila de Minas do Rio de Contas.

Por volta de 1725 a 1726, é erguida, entre as serras de Santana e da Tromba, uma capela em louvor a Bom Jesus, em torno da qual forma-se o povoado de Bom Jesus do Rio de Contas (atual Piatã), pertencente à vila de Minas do Rio de Contas.

Outro nome bastante importante da história regional é o de Antônio Veloso da Silva, que provavelmente era português. Este explorador teve intensa atuação nestes sertões no combate aos índios bravios e negros fugidos. Em 1732, foi encarregado da missão de descer o Rio de Contas e conduzir ouro até a casa de fundição da vila de Minas do Rio de Contas, além de abrir um melhor caminho às minas da região de Piatã. Em 1738, travou um violento combate entre os indígenas em um trecho do rio, ali fundando uma fazenda de gado, no local onde hoje se situa Jussiape.

Com o fim da mineração, no final do século XVIII, o povoado de Bom Jesus dos Limões começa a se esvaziar, com os seus habitantes se instalando em propriedades rurais na região.

Em meados do século XIX, a descoberta de jazidas de diamantes em Mucugê, Lençóis, Andaraí e Palmeiras traz um grande fluxo emigratório da região de Bom Jesus dos Limões para estes depósitos.

Em 25 de maio de 1842, a lei provincial nº 169 cria, dentro da vila de Minas do Rio de Contas, a freguesia de Bom Jesus do Rio de Contas. Pela lei provincial nº 1.813, de 11 de julho de 1878, esta freguesia é desmembrada da vila à qual pertencia e elevada à categoria de vila. Esta vila, anos mais tarde, seria elevada à categoria de cidade.

Em 29 de janeiro de 1916, a lei municipal nº 31 aprovou a lei nº 1162 e criou o distrito de Ipiranga (hoje Inúbia). Em 8 de julho de 1931, com o decreto estadual nº 7479, Bom Jesus do Rio de Contas passou a denominar-se Anchieta. Já em 29 de maio de 1934, o decreto-lei estadual nº 8940 criou o distrito de Cabrália. Em 31 de dezembro de 1943, o decreto-lei estadual nº 141 renomeia o topônimo de Anchieta para Piatã.

A lei estadual nº 1622, de 22 de fevereiro de 1962, desmembra do município de Piatã os distrito de Abaíra e Catolés para constituir o território do novo município de Abaíra.

A lei estadual nº 1688, de 23 de abril de 1962, desmembra do município de Piatã os distrito de Boninal e Bastião para constituir o novo município de Boninal.[10][11][12]

Prefeitos de Piatã desde a emancipação[editar | editar código-fonte]

  • Intendente Joaquim Pereira (1878-1880)
  • Intendente José Joaquim Xavier (1880).
  • Intendente Antônio Romualdo dos Santos (Anos 1910)
  • Intendente José de Souza Guedes (1915)
  • Manuel Rodrigues Viana (Prováveis anos 1920)
  • Francisco Borges da Silva (Prováveis anos 1920)
  • Manuel Joaquim Santana (Anos 1930)
  • José Lisboa Xavier (Anos 1930)
  • Arnulfo Soares (1939-1947)
  • José Lisboa Xavier (1947-1951)
  • Alfredo Soares (1951-1955)
  • João Hipólito Rodrigues (1955 -1959)
  • Lindolfo Viana Xavier (1959-1963)
  • Adércio Novais (1963-1967)
  • Luiz Viana Xavier (1967-1971)
  • Benevenuto Cândido de Matos (1971-1973)
  • Luiz Viana Xavier (1973-1977)
  • Arquimedes Gomes de Almeida (1977-1982)
  • Jaime de Oliveira Rosa (1983-1989)
  • Arquimedes Gomes de Almeida (1989 -1993)
  • Jaime de Oliveira Rosa (1993-1997)
  • Edemar Lúcio Ribeiro Martins (1997-2001)
  • Jaime de Oliveira Rosa (2001-2005)
  • Alencar Julião Dias Filho (2005-2013)
  • Edwilson Oliveira Marques (2013-2021)
  • Marcos Paulo Santos Azevedo (2021-Atual)

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município de Piatã está situado na região das montanhas da Chapada Diamantina, em altitudes superiores a 800 m. Sua sede municipal está a uma altitude de 1.280 metros, sendo o município mais alto da Bahia e do Nordeste e o 15ª mais alto do Brasil.[13][12]

Piatã está subdividida em três distritos: Piatã (sede), Cabrália e Inúbia.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o município possui limites com outros 4 municípios baianos, são eles: Abaíra, Boninal, Novo Horizonte e Rio do Pires. Ainda segundo o IBGE, a sua população estimada em 2018 era de 17 269 habitantes e sua densidade demográfica era da ordem de pouco menos de 12 habitantes por quilômetro quadrado.[3]

Clima[editar | editar código-fonte]

Devido à sua altitude, Piatã é considerada uma das cidades mais frias do Nordeste brasileiro. A cidade possui um clima oceânico (Cfb, segundo a classificação climática de Köppen-Geiger).[14] A cidade possui verão úmido e fresco, devido às frentes frias oriundas do sul e do sudeste. No verão e final da primavera, as temperaturas máximas ficam em torno de 28 ºC nos meses mais quentes. Julho é o mês mais frio, com uma temperatura média de 16,8 ºC.[14]

Segundo dados da estação meteorológica automática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) no município, em operação desde maio de 2008, a menor temperatura registrada em Piatã foi de 9,6 °C em 4 de julho de 2017 e a maior atingiu 33,3 °C em 9 de outubro de 2010. O menor índice de umidade relativa do ar ocorreu na tarde de 19 de outubro de 2019, de apenas 7%, caracterizando estado de emergência. Por sua vez, a maior rajada de vento chegou a 21,5 m/s (77,4 km/h) em 17 de junho de 2020.[15][16]

Dados climatológicos para Piatã, Bahia
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 32,1 32,2 33,2 32,8 30,2 30,3 28,2 30,7 32,6 33,3 33,2 33,1 33,3
Temperatura máxima média (°C) 26,6 26,6 27,0 25,3 23,8 22,5 21,7 22,9 25,1 26,7 25,8 26,5 25,0
Temperatura média (°C) 21,7 21,9 22,2 21,1 19,7 18,4 17,5 18,1 19,6 21,3 21,2 21,7 20,4
Temperatura mínima média (°C) 16,9 17,2 17,4 16,8 15,6 14,3 13,2 13,3 14,2 15,9 16,7 16,9 15,7
Temperatura mínima recorde (°C) 13,7 14,3 14,3 13,0 11,4 10,1 9,6 10,0 10,5 11,5 12,9 13,7 9,6

Fontes: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (recordes de temperatura: 03/05/2008-presente)[15][16]

Demografia e cultura[editar | editar código-fonte]

Originalmente, a região era habitada por indígenas tapuias, das etnias dos maracás e cariris. Com o início da colonização destas terras, inicia-se os conflitos entre os forasteiros e os silvícolas.

A região de Piatã foi povoada no início do século XVIII, com a descoberta das jazidas auríferas e a chegada de desbravadores portugueses, baianos e paulistas.

No século XVII, escravos africanos fugidos acabam se concentrando na região entre as serras de Santana e da Tromba, aonde fundam um quilombo. Somam-se também os escravos africanos trazidos para a mineração de ouro.

A população piatanense foi formada pela mistura entre portugueses, indígenas e negros. As influências dos três também está presente na cultura do município, como na Folia de Santos Reis.[11][12]

Referências

  1. Dados de Piatã segundo o IBGE
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. a b «estimativa_ibge_2018.xls». agenciadenoticias.ibge.gov.br. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 11 de agosto de 2013 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2010 à 2016». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  6. «Cidades: Piatã». Página oficial do Estado da Bahia 
  7. «Piatã é a cidade mais fria da Bahia e temperaturas podem chegar a 3 graus». iBahia. 23 de julho de 2014. Consultado em 23 de julho de 2014 
  8. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. 463 p.
  9. FRANÇA, I. VisitePiatã.com. Disponível em http://visitepiata.webnode.com.br/cidade/historia/. Acesso em 14 de junho de 2013.
  10. FERREIRA, J. P. et. al (1958). Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. 21. Rio de Janeiro: IBGE. pp. 111–112 
  11. a b NASCIMENTO, Ildimar França (2009). E viva Santo Reis: um estudo sobre manifestações culturais em Piatã/Abaíra, Chapada Diamantina, Bahia (PDF). Salvador: UFBA. 121 páginas. Consultado em 10 de abril de 2022 
  12. a b c «Dados Municipais de Piatã». Câmara Municipal de Piatã. Consultado em 10 de abril de 2022 
  13. ANDRADE, Charles. As 30 cidades mais altas do Brasil. Disponível em [1]. Acesso em agosto de 2017
  14. a b «Clima Piatã: Temperatura, Tempo e Dados climatológicos». Climate-Data. Consultado em 20 de outubro de 2020 
  15. a b Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). «Estação: PIATÃ (A430)». Consultado em 19 de julho de 2020 
  16. a b INMET. «Gráficos horários de estações automáticas». Consultado em 19 de julho de 2020 
Ícone de esboço Este artigo sobre um município da Bahia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.