Pico Alto (Vila do Porto)

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Pico Alto, ilha de Santa Maria: torres de comunicação.
Vista panorâmica de Santa Maria a partir do Pico Alto. Ao fundo, Vila do Porto.
Pico Alto: monumento aos mortos no voo 1851.
Pico Alto:monumento aos mortos no voo 1851.

O Pico Alto localiza-se na freguesia de Santa Bárbara, concelho da Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores.

É o acidente geológico dominante da ilha, com o seu pico elevando-se a 587 metros acima do nível do mar.

Devido à sua altitude é determinante para o ciclo hidrológico na ilha, promovendo a intercepção da humidade dos ventos e permitindo a formação de nuvens orográficas em seu topo, o que propicia a chamada precipitação oculta. A água assim obtida permite condições para a existência de uma vegetação rica em suas encostas e de algum pasto.

Nesta região situam-se as freguesias de Santa Bárbara e de Santo Espírito, as mais rurais e mais agrícolas da ilha e as elevações do Pico da Faleira, do Pico do Penedo.

Do cimo deste pico é possível ter uma vista panorâmica sobre a paisagem da ilha.

A queda do Douglas C-54[editar | editar código-fonte]

Um Douglas C-54, aeronave de transporte militar, despenhou-se no Pico Alto no início de julho de 1945, ainda ao tempo da "American Air Force (AAF) Base / Santa Maria".

A queda do Piper Aztec[editar | editar código-fonte]

Um Piper Aztec do Paquistão, em 5 de outubro de 1964, colidiu com o Pico Alto, perecendo o piloto e o co-piloto.[1]

A queda do Boeing 707-300[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Voo Independent Air 1851

Aqui se registou a queda de uma aeronave de passageiros Boeing 707-331B,[2] às 13:30h (hora local) de 8 de fevereiro de 1989. Pereceram 137 passageiros e 7 membros da tripulação, no que se constituiu, à época, no "o maior desastre aéreo ocorrido em território nacional".[3] O impacto deu-se a 546 metros de altitude, durante a manobra de aproximação à pista, a uma velocidade de 226 nós (426 km/k), acarretando a dissipação dos destroços por uma vasta área.[4] Os corpos, carbonizados, mutilados e irreconhecíveis, distribuíram-se por vários quilómetros quadrados, na mata.

As causas apontadas pela investigação para o acidente foram:[5]

  1. Devido à transmissão da Torre de Controlo do Aeroporto de Santa Maria, a aeronave ficou 240 pés abaixo do que era indicado a bordo;
  2. Comunicações técnicas deficientes por parte do 1º oficial que começou a fase descendente para os 3000 pés, indicados pela torre de controlo, sem que esta tivesse acabado a transmissão;
  3. A torre de controlo não confirmou se as transmissões para a descida foram recebidas;
  4. A tripulação não respeitou os procedimentos estabelecidos nos manuais da companhia, nomeadamente no que diz respeito à disciplina de cockpit, ao briefing de aproximação e à confirmação das autorizações para a descida, uma vez que se encontravam abaixo dos 10000 pés (3048 metros) de altitude;
  5. Apatia geral da tripulação, no que diz respeito, ao GPWS e aos valores mínimos de altitude;
  6. Não houve uso da fraseologia standard, tanto por parte do controlador aéreo, quanto pela tripulação, nas comunicações;
  7. Inexperiência da tripulação em voos internacionais, principalmente do 1º oficial;
  8. Treino deficiente da tripulação no que concerne ao GPWS;
  9. Utilização de uma rota não autorizada segundo a AIP-Portugal (Aeronautical Information Publication);
  10. O plano de voo foi efetuado de uma forma deficiente.

Entre os 170 acidentes envolvendo aeronaves Boeing 707, este foi o quarto com maior número de vítimas. Após o acidente a Independent Air viu suspensos os seus contratos com os operadores turísticos e veio a encerrar as suas atividades em 1990. O desastre também impulsionou a criação da corporação de bombeiros voluntários de Vila do Porto.[6]

Referências

  1. FERREIRA, s.d.:239
  2. Voo 1851 da companhia americana Independent Air Inc., fretado pela empresa Dominicana Dominiair, que havia partido de Bérgamo, na Itália para Santo Domingo, na República Dominicana, com escala técnica para reabastecimento em Santa Maria.
  3. Revista Sábado (Edição Especial), 12 de fevereiro de 1989. p. 3. A mesma fonte aponta um total de 145 mortos (op. cit., p. 4), embora refira, no corpo da reportagem, os números de 137 passageiros e 7 tripulantes (op. cit., p. 6). No periódico local, a época, foi referido um total de 144 vítimas (O Baluarte de Santa Maria, nº 140, 2ª série, Fevereiro de 1989).
  4. "Açores viveram pior desastre aéreo de Portugal há 23 anos". in Açoriano Oriental, 8 fev 2012, p. 2-3.
  5. Comandante Thomas A. Duke. Flight Safety Foundation. O jornal local, em março de 1989 noticiou o que o relatório preliminar apontou como sendo as causas do acidente: duplo erro humano (O Baluarte de Santa Maria, nº 141, 2ª série, Março de 1989, p. 4).
  6. "Açores viveram pior desastre aéreo de Portugal há 23 anos". in Açoriano Oriental, 8 fev 2012, p. 2-3.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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