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Pierre-Guillaume-Frédéric Le Play

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Pierre-Guillaume-Frédéric Le Play
Nascimento11 de abril de 1806
La Rivière-Saint-Sauveur (Primeiro Império Francês)
Morte5 de abril de 1882 (75 anos)
6.º arrondissement de Paris
CidadaniaFrança
Filho(a)(s)Albert Le Play
Alma mater
Ocupaçãoeconomista, engenheiro, político, sociólogo, economista, engenheiro de minas
Distinções
  • Grande-Oficial da Legião de Honra
  • Prémio Montyon (1856)
Cargo(s)
senador do Segundo Império (1867–1870)
Obras destacadasThe European Workers
Movimento estéticoconservadorismo liberal

Pierre-Guillaume-Frédéric Le Play (La Rivière-Saint-Sauveur, 11 de abril de 1806Paris, 5 de abril de 1882) foi um engenheiro de minas e professor de metalurgia francês, que se tornou mais tarde investigador independente, tendo contribuído largamente para o desenvolvimento empírico de uma sociologia em formação.[1]

Foi conselheiro de Estado em 1855 e senador de 1867 a 1870. Foi também organizador das Exposições Universais de Paris (1855 e 1867) e da Exposição Universal de Londres (1862).[2]

Era doutrinador do catolicismo social, principalmente através revista La Science Sociale,[2] e politicamente conservador. Seus estudos enfermam de algum preconceito.[1]

Defende a necessidade de uma reforma social contra doutrina da lei natural e individualismo. Privilegia a intervenção do grupo familiar e uma reforma moral. Fala numa constituição essencial, que se forma nas relações de sangue (família), de sociabilidade (comuna) e de interesses (profissão). Considera igualmente a necessidade da restauração de uma autoridade paternal, tanto na família como nas fábricas. Privilegia a família como a molécula primordial das sociedades, como a entidade intermediária entre o indivíduo e a sociedade.[2]

Da sua obra destaca-se Les ouvriers Européens (1855), produto das extensas viagens que realizou pela Europa, onde de forma pioneira reúne dados e apresenta entrevistas acerca da vida familiar e da economia doméstica dos operários europeus.[1]

Teve uma grande influência no desenvolvimento da sociologia aplicada devido às metodologias que propôs, considerando a família e o orçamento familiar fundamentais para estudar as condições sociais da sociedade em que estas se encontravam:

A família porque a considerava como base de uma estrutura social, pois seria ao suporte indispensável de um indivíduo e o meio onde as crianças se socializam e se estabelecem as relações sociais fundamentais.

Através do orçamento familiar poder-se-ia estudar, através do rendimento e da despesa toda a vida da família, especialmente no que toca aos seus hábitos de consumo. A partir do rendimento social, segundo Le Play, seria possível estudar aspectos como a inserção social da família, conseguindo daqui chegar ao entendimento das sociedades mais vastas. Consciente da degradação das condições de vida das camadas populares como consequência da inexistência das solidariedades tradicionais em espaço urbano. Na sua opinião, a sociedade caminhava para um tipo de família "instável" como resultado da industrialização e da urbanização crescentes e da inserção das mulheres no mercado de trabalho.[1]

Nesse sentido Le Play defende medidas para reforçar a instituição família para apoiar o indivíduo.

Le Play considerando que estes também teriam obrigações de caráter social para a melhoria das condições de vida, chamou a atenção das entidades empregadoras para que o seu contributo para o bem-estar social não terminasse no pagamento do salário aos seus empregados.

As respectivas teses são introduzidas em Portugal pelo ensino de Marnoco e Sousa, de quem António de Oliveira Salazar é assistente. Aliás, é este último que, baseado na doutrina da escola de Le Play, misturando-a com o socialismo catedrático, cria, pela primeira vez, um efectivo sistema de segurança social, bem como um modelo global de protecção laboral e de previdência social.[2]

Entre os seus discípulos Paul Descamps e Léon Poinsard, que se dedicam a estudos sobre Portugal.[2]

Pensamento

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O ensaio de Le Play, Reforma Social na França, expõe a base de seu pensamento e oferece suas recomendações para curar as divisões dentro da sociedade francesa. Le Play se posicionou dentro da tradição do Contra-Iluminismo e Contra-Revolucionário francês ao criticar muitas das tendências sociais resultantes do Iluminismo e da Revolução Francesa. Le Play era crítico da ideia iluminista de que o homem era, por natureza, bom, e que o progresso moral inevitavelmente seguia do progresso material. Ele também se opôs às teorias do determinismo político e racial. Ele acreditava que as sociedades, assim como os seres humanos, são verdadeiramente livres, e que uma sociedade que usa suas capacidades para superar a propensão humana ao mal prosperaria, e aquelas que não o fizessem prosperariam. Ele olhou para o passado para encontrar exemplos de como isso poderia ser feito, e especialmente destacou a Idade Média como exemplo de relações sociais. Por essa razão, ele se opôs à rejeição acrítica do passado, especialmente do passado cristão da França, pela Revolução Francesa.[3]

Le Play também acreditava que famílias fortes desempenhavam um papel fundamental na saúde da sociedade, e dava ênfase especial ao papel das mães e das mulheres. A Reforma Social na França destaca dois pontos-chave sobre a família: o primeiro é que o progresso social está ligado ao apoio à propriedade de imóveis e à herança familiar. Como Louis de Bonald antes dele, Le Play se opunha à herança parcial e considerava a família agrícola o ideal. Seu segundo ponto-chave foi que as mulheres são a força motriz do progresso social e moral em qualquer sociedade.[3]

Publicações

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Em tradução para o inglês

  • (1872). The Organization of Labor in Accordance With Custom and the Law of the Decalogue. Philadelphia: Claxton, Remsen & Haffelfinger.
  • (1962). "Household Economy." In: Parsons, Talcott et al., editors, Theories of Society. The Free Press of Glencoe, Inc.
  • (1982). Frederic Le Play on Family, Work, and Social Change. Silver, Catherine Bodard, editora e tradutora, University of Chicago Press.
  • (2004). "Social Reform in France." In: Blum, Christopher Olaf, editor e tradutor, Critics of the Enlightenment. Wilmington DE: ISI Books, pp. 197–258.
  • (2020). "Social Reform in France." In: Blum, Christopher O., editor e tradutor Critics of the Enlightenment. Providence RI: Cluny Media, pp. 103–149.

Referências

Leitura adicional

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  • Beaver, S. H. (1962). "The Le Play Society and Field Work," Geography 47 (3), pp. 225–240.
  • Beum, Robert (1997). "Ultra-Royalism Revisited," Modern Age 39 (3), pp. 290–322.
  • Healy, Mary Edward (1947). "Le Play's Contribution to Sociology: His Method," The American Catholic Sociological Review 8 (2), pp. 97–110.
  • Herbertson, Dorothy (1920). "Le Play and Social Science," The Sociological Review 12 (2), pp. 108–110.
  • Higgs, Henry (1890). "Frédéric Le Play," The Quarterly Journal of Economics 4 (4), pp. 408–433.
  • Pitt, Alan (1998). "Frédéric Le Play and the Family: Paternalism and Freedom in the French Debates of the 1870s," French History 12 (1), pp. 67–89.
  • Rousiers, Paul De (1894). "La Science Sociale," Annals of American Academy of Political and Social Science 4 (4), pp. 128–154.
  • Sorokin, Pitirim A. (1928). "Frederic Le Play's School." In: Contemporary Sociological Theories, New York: Harper, pp. 63–98.
  • Swinny, S. H. (1921). "The Sociological Schools of Comte and Le Play," The Sociological Review 13 (2), pp. 68–74.
  • Zimmerman, Carle Clark (1935). "Le Play Theories." In: Family and Society. New York: D. Van Nostrand Company, Inc., p. 71.

Ligações externas

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