Pierre Heymans

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Ambox important.svg
Foram assinalados vários aspectos a serem melhorados nesta página ou se(c)ção:
Pierre Heymans
Nascimento setembro de 1935 (83 anos)
Bruxelas
Cidadania Bélgica
Ocupação pintor, escultor, poeta

Pierre Heymans, pintor, poeta e escultor belga. Nasceu em 1935, em Bruxelas. De 1939 a 1946, viveu em Toronto, Canadá. Realizou numerosas exibições de suas obras, na Bélgica, Canadá, Itália, França, Estados Unidos, Brasil. Morou em Bruxelas até o ano de 2000, quando se mudou para a Itália e, atualmente, mora no Brasil, na cidade de Belo Horizonte, com sua segunda esposa Rosemary Dore.[1]

Biografia de Pierre Heymans[editar | editar código-fonte]

Esta biografia pode ser iniciada com as palavras de Raymond Coumans (1922-2001), pintor belga que, em 1980, declarou sobre Pierre Heymans:


“Estamos na presença de um artista jovem e brilhante. Seu desenho é ativo, ele tem a percepção da composição e é mestre na distribuição das cores. Pierre Heymans não vai em busca da complicação. Ele olha em torno de si, por vezes com ironia, mas também com ternura. Ele aborda com nobreza a paisagem, os interiores, a figura humana. Sua paixão pela paisagem do mar é total e completa. Renova-a totalmente, integrando-a numa longa tradição. Leva-me a pensar em Munch[1] e Spillaert.[2] Sua arte, como a deles, é uma confissão na qual se encontram simultaneamente a alegria e a angústia, e essa profunda inquietação do homem diante da imensidão da natureza. Eu acredito em Pierre Heymans. Sua obra é, antes de tudo, humana e quanto mais humana é uma obra, mais o tempo enriquecerá sua beleza e renovará o seu significado, tornando-a amada. Eu acredito em Pierre Heymans, pintor autêntico, pois somente as obras que não renunciam à vida poderão oferecer uma imagem elevada do nosso tempo às gerações futuras e servirão como exemplo para aqueles que vão retomar a tocha depois de nós.”[3] Entre as obras de Pierre Heymans, encontra-se “40 anos de amor por Bruxelas”[2], que foi exibida na prefeitura de Bruxelas e também mostrada pela televisão, em 1991. O primeiro programa de “Itinerários”, na TeleBruxelas, em 1993, também mostrou sua obra sobre Bruxelas.


Na ocasião, Pierre afirmou: “(...) amo o que faço e, se pinto Bruxelas, é porque é uma cidade colorida, plena de vida!”[4] “Este homem pleno de talento”, diz o editorial do jornal Le passage, ainda em 1991, “é professor no Collège St. Pierre e se dedica em tempo parcial ao desabrochar de seus alunos e o resto da sua vida a uma obra fortemente variada. Sem jamais se sacrificar aos modismos ou às pessoas, sem compromissos com o mercado de arte, ele pinta pelo prazer de pintar, pelo amor à pintura. Pierre Heymans permaneceu um artista correto que se exprime em suas aquarelas com um grande senso de colorido. Seus retratos têm um alcance de um olhar interior e suas telas se enchem de silhuetas fugidias e de luzes raras que fazem vibrar o décor urbano.”[5] Pierre Heymans fez numerosas exibições pessoais, desde 1958, na Bélgica, na Suíça, na França, nos Estados Unidos Alemanha, Dinamarca, Canadá, Itália, Brasil.

O município de Schaerbeek, em Bruxelas, exibiu em 1994 uma retrospectiva de seu trabalho sobre o litoral belga. Hors saison [6] é um livro sobre essa exposição, composto por desenhos, esboços, gravuras, aquarelas e óleos cuja poesia é tão clara que dispensa comentários.


Recebeu Medalha de honra da Cidade de Paris (1956) e o 1º Prêmio do Município de Woluwé St.-Lambert, em 1960, assim como Medalha da cidade de Villers-la-Ville; Prêmio dos artistas profissionais da Bélgica; Medalha de Prata do Conselho Europeu de Arte e Estética; Bolsa Charles Buls; Prêmio de Poter. Em 1989, ganhou o prêmio Pierre Poirier, pela sua exposição de pinturas a óleo em Gand, na Galeria Vyncke Van Eyck. Foi também ganhador de quatro Grandes Distinções da Academia Real de Belas Artes de Bruxelas, entre 1969 e 1973. Além disso, ganhou Medalha de Prata da Cidade de Bruxelas. Muitos de seus Quadros, de seus Desenhos, de suas Esculturas e Aquarelas foram adquiridos pelo Município de Provence de Brabant, pela Cabinet des Estampes de Bruxelles, pelas Cidades de Woluwé, Schaerbeek, Martelange e por muitos estrangeiros. É Membro do Ciclo de Arte de Ixelles «Emile Bouillot» e também do Grupo de Arte «Gryday». Recebeu a condecoração de «Cavaleiro do Mérito Artístico.[7]


Pierre Heymans tem publicado livros com textos e desenhos de Jean-Philippe et François,[8] Bruxelas,[9] Bruxelas II,[10] Valérie (e os pássaros),[11] Ballet[12]



De acordo com o Dictionnaire des Arts Plastiques Modernes et Contemporains, de Jean-Pierre Delarge (2001),[13] Pierre Heymans proporciona “uma atmosfera muito discreta e plena do classicismo dos meios. Sem elevar o tom, ele encontra a frequência que convém a uma tempestade sobre Flandres, um raio de sol na Ardenne úmida ou uma claridade num céu chumbo marinho. Suas figuras levam em conta a temporalidade, apreendida num instante preciso.” Já o Dictionnaire biographique illustré des Artistes en Belgique, depuis 1830,[14] registra: “Pintor, desenhista, aquarelista de paisagens, do mar, de retratos e de nus. Escultor. É, sem dúvida, na eclosão da paisagem que ele exterioriza o melhor de suas impressões, seus estados d’alma, sua necessidade de evadir-se, seu amor pela pintura. Sua Bruxelas, sua Veneza e seu Canadá lhe permitem ampliar o conhecimento de um artista observador e caloroso”. “Pintor figurativo... paisagista... sensível retratista, fino desenhista e dotado pintor do mar, também escultor e gravador” (Dicionário dos pintores belgas do Século XIV aos nossos dias).[15] “Parece que ele modifica a realidade das coisas conforme uma imagem perseguida há muito tempo”.[16]



Com tantas exibições pelo mundo e vencedor de concursos diversos, Pierre Heymans destaca-se pelo seu talento. Aquarelista de uma sinceridade absoluta, ele consagrou um álbum a Bruxelas,[17] com textos e cantos de amor. Suas esculturas tentam materializar uma forma fugidia, um momento de fragilidade ou o surgimento da emoção.



Sua pintura é irmã da aquarela. Ele descreve os mesmos momentos felizes. Uma sombra que passa, a forma de uma face, o sorriso de uma criança. O artista é um intimista que se desdobra em poeta, indiferente aos modismos. Ele traduz a solidão de um casal diante do mar ou deslumbramento de uma estada em Veneza com a mesma fonte de verdade e expressão. Além de escultor, pintor aquarelista e poeta, ele é um desenhista. Seus croquis preparatórios para as telas são feitos à moda antiga.

Não é um velho procedimento, é simplesmente uma maneira própria de trabalhar os recursos ensinados nas novas escolas. Pierre Heymans assegura que a arte é uma respiração livre, que não é travada por palavras de ordem de cada época. É um artista que ama a vida, um intimista sensível ao charme de uma silhueta de uma criança, atento ao perfil de uma jovem, ao charme de um lugar solitário. O que nos toca em seu trabalho é a qualidade de uma determinada visão da existência fugaz, mas também de um calor humano pelas cenas da vida, pelo homem que passa, por uma criança que brinca sob o sol.


No Brasil, fez uma exibição na Galeria da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), entre 6 a 21 de novembro de 2002, com aquarelas e desenhos sobre Veneza, e outra em Blumenau, Santa Catarina, em 2010, no Museu de Arte de Blumenau. Em Veneza, Itália, fez mais recentemente duas exposições em 2005 e 2006.

Atuou como professor convidado da escola de Belas Artes da UFMG, oferecendo o curso Escultura Figurativa, bem como da Faculdade de Educação da UFMG, ministrando palestras e iniciando o/as estudantes de Pedagogia à apreciação de obras de arte.[18] Além disso, tem sistematicamente colaborado para a unidade de Estética e Educação, no curso de Filosofia da Educação da Faculdade de Educação da UFMG.


Seu desejo é o de um dia poder expressar em sua pintura a atmosfera de algumas cidades do Brasil, como o fez com Praga,[19] Veneza, Roma e sua amada Bruxelas. Seu sonho é o de conquistar um lugar para fazer a doação de parte de suas obras e da de outros artistas que compõem a sua coleção, talvez para um museu em alguma cidade do Brasil, para que elas possam ser apreciadas por um público sempre mais amplo.

Obras do artista[editar | editar código-fonte]

  • HEYMANS, Pierre. Jean Philippe et François. Bruxelles: Marinx, 1965.
  • HEYMANS, Pierre. Bruxelles. Bruxelles: De Clerck, 1972.
  • HEYMANS, Pierre. Ballet. Bruxelles: Roger Bulens. 1975.
  • HEYMANS, Pierre. Bruxelles II. Bruxelles: De Clerck, 1982.
  • HEYMANS, Pierre. Valerie e les oiseaux. Bruxelles: Auspert & Cie, 1984.
  • HEYMANS, Pierre. Hors saison. Bruxelles: Auspert & Cie, 1993.
  • HEYMANS, Pierre. Praha. Bruxelles: Auspert & Cie, 1999.
  • HEYMANS, Pierre. Agenda 1994. Ilustrações com argumentos sobre Veneza. Bruxelles: Auspert & Cie, 1994.
  • HEYMANS, Pierre. Agenda 1995. Ilustrações argumentos sobre Bruxelas. Bruxelles: Auspert & Cie, 1995.
  • HEYMANS, Pierre. Agenda 1996. Ilustrações com argumentos sobre Ostende. Bruxelles: Auspert & Cie, 1996.
  • HEYMANS, Pierre. Arte uma linguagem natural. [3]
  • HEIJMANS, Pierre ; DORE, R.; SUZUKI, Naoko. Glimpses of Art in Basic Education: Some Lessons through Experiences in Brazil and in Europe. Journal of University Extension, v. 20, p. 57-69, 2011. [4]

Publicações sobre o artista[editar | editar código-fonte]

  • DECAN R. (ed.), Qui est qui en Belgique francophone? 1981-1985. Encyclopédie biographique, Bruxelles: BRD, 1981.
  • DELARGE, Jean-Pierre. Dictionnaire des Arts Plastiques modernes et contemporains. Paris, Gründ, 2001 (ISBN 2-7000-3055-9).
  • Dictionnaire biographique illustré des artistes en Belgique depuis 1830. Bruxelles : Arto, 1987.
  • Le dictionnaire des peintres belges: du XIVe siècle à nos jours. Bruxelles : La renaissance du livre. 1995 (ISBN 2-8041-2012-0).
  • NARDON, Anita. 50 artistes de Belgique. Volume 4. Bruxelles: Logo, 1988-9. (ISBN 2-5537-001)
  • PIRON-L, Paul. Belgian Artists' Signatures, Arts Antiques Auctions, 1991, p. 226. OCLC 123241348


Referências

  1. Edvard Munch (1863-1944). Pintor norueguês.
  2. Léon Spilliaert (1881-1946). Pintor belga.
  3. Tradução em português do artigo de Nicole Lefebvre, “Galerie l’oeil”, publicado pelo jornal La Libre Belgique, em 1980.
  4. Entrevista concedida por Pierre Heymans a Jean Rebuffat, publicada no jornal Le Soir, em 13 de dezembro de 1991.
  5. Jornal Le passage, 1991.
  6. HEYMANS, Pierre. Hors saison. Bruxelles: Auspert & Cie, 1993.
  7. DECAN R. (dir.), Qui est qui en Belgique francophone? 1981-1985. Encyclopédie biographique, Bruxelles: BRD, 1981.
  8. HEYMANS, Pierre. Jean Philippe et François. Bruxelles: Marinx, 1965.
  9. HEYMANS, Pierre. Bruxelles. Bruxelles: De Clerck, 1972.
  10. HEYMANS, Pierre. Bruxelles II. Bruxelles: De Clerck, 1982.
  11. HEYMANS, Pierre. Valérie et les oiseaux. Bruxelles: Auspert & Cie, 1984.
  12. HEYMANS, Pierre. Ballet. Bruxelles: Roger Bulens. 1975.
  13. DELARGE, Jean-Pierre. Dictionnaire des Arts Plastiques modernes et contemporains. Paris, Gründ, 2001 (ISBN: 2-700-55-9), p. 568.
  14. Dictionnaire biographique illustré des artistes en Belgique depuis 1830. Bruxelles : Arto, 1987, p. 201.
  15. Le dictionnaire des peintres belges: du XIVe siècle à nos jours. Bruxelles : La renaissance du livre. 1995 (ISBN 2-8041-2012-0), p. 529.
  16. NARDON, Anita. 50 artistes de Belgique. Volume 4. Bruxelles: Logo, 1988-9, p. 90-3.(ISBN 2-5537-001)
  17. HEYMANS, Pierre. Bruxelles. Bruxelles: De Clerck, 1972; HEYMANS, Pierre. Bruxelles II. Bruxelles: De Clerck, 1982.
  18. DORE, R. . A arte como forma de educar. Boletim da UFMG, Belo Horizonte, p. 02 - 02, 14 out. 2004. https://www.ufmg.br/boletim/bol1458/segunda.shtml
  19. HEYMANS, Pierre. Praha. Bruxelles: Auspert & Cie, 1999.