Pinacoteca de Mogi das Cruzes

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Pinacoteca de Mogi das Cruzes
Fachada da Pinacoteca de Mogi das Cruzes
Tipo Museu de arte
Inauguração 24 de setembro de 2016 (2 anos)
Geografia
País  Brasil
Cidade Mogi das Cruzes

A Pinacoteca de Mogi das Cruzes é um museu localizado na cidade de Mogi das Cruzes, no Estado de São Paulo (Brasil), que foi inaugurado em 24 de setembro de 2016. Destinado à exposição de obras de artes visuais - assinadas por artistas mogianos e convidados -, o espaço cultural é considerado o marco mais recente do município. Em exposição, são 161 obras de 128 artistas, sendo 50 delas pertencentes à prefeitura da cidade. Ainda em seu acervo, há 80 obras na Reserva Técnica.[1] Além de uma sala destinada às obras provisórias e rotativas, o local conta com onze espaços de exposição, sendo um externo e dez internos.[2]

Tendo em vista adquirir uma maior notabilidade das artes plásticas mogianas, a Pinacoteca de Mogi das Cruzes surge depois de diversos fóruns e debates com classe artística do segmento de artes visuais.[3] A perspectiva é ampliar o tamanho do acervo do museu, uma vez que a Secretaria Municipal de Cultura está em busca de novas obras e artistas através de comodatos ou doações.

Aos visitantes da Pinacoteca está disponível um aplicativo de celular que possibilita a obtenção de informações sobre os artistas e suas obras. Contudo, o sistema abrange apenas parte dos trabalhos expostos.[4]

Atualmente, o prédio também é sede da Secretaria Municipal de Cultura da cidade.[5]

História[editar | editar código-fonte]

A Pinacoteca de Mogi das Cruzes surgiu a partir de uma demanda da população por um centro cultural mais moderno e acessível e também pelos artistas da região que reivindicavam por locais adequados para a exposição de suas obras.[6]

Após diálogos e fóruns com as classes artísticas do segmento de artes visuais, que ocorreram em 2013, a proposta foi aprovada. O investimento para a adaptação do imóvel foi de R$138.722,06.[2]

A concretização do projeto iniciou-se em 2015, quando houve a transferência da Biblioteca Municipal Benedicto Sérvulo de Sant'Anna[7] para o prédio do Centro Cultural. Além disso, a liberação de recursos do FID destinados às obras do prédio do Arquivo Histórico e do Museu Virtual também foi um fator que contribuiu para a criação da Pinacoteca de Mogi das Cruzes.

A escolha das obras foi realizada ao longo de diversos encontros com artistas mogianos. Em prol da valorização das artes visuais na cidade, os artistas aceitaram, a partir de doações ou comodatos, contribuir para o acervo do museu.[8]

Além de enaltecer os artistas contemporâneos da região, a Pinacoteca homenageia artistas falecidos e os que ainda não são reconhecidos - mas que possuem trabalho forte.[8]

Um dos principais temas que a Pinacoteca abriga em suas obras faz alusão a um dos principais eventos da cidade: Festa do Divino Espírito Santo. A festividade tem caráter principalmente religioso, gastronômico e cultural. Com duração de, aproximadamente, três semanas, obras da Pinacoteca relacionadas a festa são expostas, como as de Wilma Ramos, Wanda Barbieri, Ilda Veri Lopes, entre outros.[4]

Outros eventos como o encontro de alguns artistas são projetos da Pinacoteca. O objetivo é a reunião dos autores para discussão de suas obras e a de outros artistas, com quem possuam familiaridade, a fim de promover uma maior interação entre eles e as obras.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Abóboda característica da arquitetura neoclássica

O edifício da Pinacoteca foi construído em 1860 pelo construtor Veríssimo Afonso Fernandes. Durante sua história sediou a Câmera Municipal até 1929. Em seguida, o prédio abrigou a Escola Normal, o Ginásio do Estado, a Escola Técnica Industrial, o Arquivo Histórico ''Historiador Isaac Grienberg'' e a Biblioteca Pública Municipal ''Benedicto Sérvulo de Sant'Anna''.[9] Atualmente, é também sede da Secretaria Municipal de Cultura.[3]

Segundo o secretário da cultura, Mateus Sartori, o prédio foi escolhido por seus traços históricos, por sua localização no centro da cidade e por ter características arquitetônicas importantes para a Pinacoteca, como paredes largas que não agridem as obras.[2] Edificado com base em aspectos e características neoclássicas, como o uso de materiais nobres para a construção (pedras, mármore, granito, madeiras), construção de cúpulas e abóbadas de berço, a arquitetura contrasta-se com a arte moderna - o grafite.

Foram implementadas melhorias em algumas áreas do museu, como a instalação de uma cadeira escalatória (equipamento italiano) que possibilita o acesso dos cadeirantes ao segundo pavimento, a troca de sistema de iluminação para led, a fim de não comprometer e danificar as obras, adequação dos sanitários, tratamento do piso de ladrilho hidráulico e do piso de madeira, revisão das calhas, telhados e rufos, pintura e instalação de balcão de atendimento, guarda-volumes, câmeras de segurança. Além disso, para que a arquitetura histórica do imóvel fosse valorizada também durante a noite, a fachada foi reformada com a instalação de um sistema de iluminação adequado.[6]

Grafite[editar | editar código-fonte]

Os grafites que decoram a Pinacoteca são umas das mais importantes obras do local. Como um grande memorial, nos desenhos e nas letras góticas estão os nomes de mais de setenta artistas, já falecidos, que compuseram a história artística de Mogi das Cruzes, entre eles:

  • Chang Dai-Chein (1899 -1983) - Considerado um dos maiores pintores chineses do século XX. Três décadas após a sua morte, vive, atualmente, um período de destaque no mercado das artes. Famoso por ludibriar renomados especialistas com as obras que forjava, a partir da emulação de técnicas e características de lenda da pintura tradicional chinesa, Dai-Chein viveu por quase duas décadas no município de Mogi das Cruzes.[10]
  • Alfredo Volpi (1896 - 1988) - Característico por suas ilustrações de bandeirinhas e casarios, é conhecido por ser um dos principais pintores da segunda geração modernista do Brasil. O pintor ítalo-brasileiro sintoniza em suas obras a brasilidade e a universalidade, remetendo às artes de Tarsila do Amaral e de Rubem Valentim.[11][12]
Grafites na área interna da Pinacoteca de Mogi das Cruzes

A proposta de contrastar a arte moderna com arquitetura clássica e homenagear os artistas que mogianos, além de funcionar como um grande memorial, é criar uma oportunidade de contemplação para os mais variados públicos, até mesmo aos pedestres e motoristas que transitam pela região.[13]

Desde que os grafites foram feitos no prédio, polêmicas e discussões mobilizaram alguns ativistas. Estes defendem a preservação do patrimônio histórico municipal, alegando que as ilustrações descaracterizam o imóvel. Nas redes sociais o assunto, que é avaliado pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico),[14] também está em relevância.

Funcionários públicos alegam que os grafites, além de terem sido realizados sem autorização, ainda são responsáveis por descaracterizar o prédio - que teve seu tombamento decidido em abril de 2016. Por isso, alguns desses ativistas ingressaram com ação no Conselho a fim de exigir providências do órgão.

Funcionários da Pinacoteca e da Secretaria de Cultura alegam que o projeto é uma porta de abertura para outros tipos de manifestações artísticas , defendendo o diálogo entre arte moderna e atual.[15]

Obra que representa a Festa do Divino Espírito Santo

Festa do Divino Espírito Santo[editar | editar código-fonte]

A Festa do Divino Espírito Santo é a comemoração da descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Cristo. A festa ocorre cinquenta dias após o Domingo de Páscoa, o que, no calendário católico, corresponde ao Pentecostes. A pomba branca, que representa o Divino Espírito Santo, é o principal símbolo da cerimônia.[16]

A festa foi trazida para o Brasil pelos colonizadores europeus, durante o período colonial do país (século XVI).[17] Por ser extremamente popular entre os portugueses da época, em 1822, José Bonifácio de Andrada e Silva escolheu para Dom Pedro I o título de imperador do Brasil, devido ao fato da população estar mais habituada ao termo imperador (do Divino) do que o termo ''rei''.

Em algumas cidades onde ocorrem a festa, o ápice da celebração é a coroação do imperador. Dependendo do local, os folguedos mais comuns são as congadas, os moçambiques e as cavalhadas. Danças como fandango, jongo e cururu também são características da comemoração.[17]

Por ser tão popular na cidade de Mogi das Cruzes - assim como é em Pirenópolis (GO), Paraty (RJ), Tietê (SP) e São Luís do Paraitinga (SP) - muitas obras de artistas mogianos fazem alusão à comemoração.[4] Por esse fato, durante a festa, grande parte do acervo na Pinacoteca (a qual abriga essas obras), é exposta na comemoração.

Sala da Pinacoteca de Mogi das Cruzes destinada às obras que fazem alusão à Festa do Divino Espírito Santo

O intuito de expor as obras que representam a Festa do Divino, além de contribuir com a execução da festa, é valorizar os artistas mogianos que contribuíram e contribuem par as artes visuais da cidade.[4]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Pinacoteca de Mogi das Cruzes». www.cultura.pmmc.com.br. Consultado em 31 de maio de 2017 
  2. a b c «Com 120 obras expostas, Pinacoteca de Mogi das Cruzes atrai alunos». Mogi das Cruzes e Suzano. 10 de outubro de 2016 
  3. a b Mogi, O Diário de (24 de setembro de 2016). «Pinacoteca de Mogi será inaugurada neste sábado - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete». O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete [ligação inativa]
  4. a b c d Mogi, O Diário de (14 de novembro de 2016). «Pinacoteca de Mogi leva à viagem pela arte - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete». O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete [ligação inativa]
  5. «Pinacoteca de Mogi das Cruzes». www.cultura.pmmc.com.br. Consultado em 14 de junho de 2017 
  6. a b Mogi, O Diário de (26 de agosto de 2016). «Pinacoteca de Mogi será entregue em setembro - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete». O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete. Consultado em 14 de junho de 2017. Arquivado do original em 25 de outubro de 2016 
  7. «Biblioteca Municipal». www.cultura.pmmc.com.br. Consultado em 31 de maio de 2017 
  8. a b «Com 120 obras expostas, Pinacoteca de Mogi das Cruzes atrai alunos». Mogi das Cruzes e Suzano. 10 de outubro de 2016 
  9. «COMPHAP - Mogi das Cruzes». www.comphap.pmmc.com.br (em inglês). Consultado em 31 de maio de 2017 
  10. «Grafite» 
  11. «Alfredo Volpi, Arte, Pintor, Vida Alfredo Volpi». Portal São Francisco 
  12. «Alfredo Volpi» 
  13. Mogi, O Diário de (14 de novembro de 2016). «Pinacoteca de Mogi leva à viagem pela arte - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete». O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete [ligação inativa]
  14. «COMPHAP - MOGI DAS CRUZES». www.comphap.pmmc.com.br (em inglês). Consultado em 1 de junho de 2017 
  15. Mogi, O Diário de (17 de novembro de 2016). «Grafite em parede da Pinacoteca de Mogi gera polêmica - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete». O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete. Consultado em 14 de junho de 2017. Arquivado do original em 19 de novembro de 2017 
  16. «Dossie Festa do Divino» (PDF) 
  17. a b SeTIC-UFSC. «Arquipélago dos Açores e Litoral Catarinense – Século XVIII a XXI / Joi Cletison»