Pinheiros (bairro)

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Disambig grey.svg Nota: Se procura o distrito de mesmo nome, veja Pinheiros (distrito de São Paulo).
Pinheiros
Pinheiros SP.jpg
Bairro de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Área: Oeste
Dia Oficial: 15 de agosto
Fundação: 17 de agosto de 1560
Estilo arquitetônico
inicial:
Barroco
Estilo arquitetônico
predominante:
Pós-moderno, Brutalista
e Art déco
Imigração predominante: Líbano  Itália
Distrito: Pinheiros
Subprefeitura: Pinheiros
Região Administrativa: Oeste

Pinheiros é um bairro da cidade de São Paulo, localizado no distrito de Pinheiros, na zona oeste, estabelecido em 1560 às margens do Rio Pinheiros. Atualmente, possui três estações de metrô da linha 4 - amarela, estação Pinheiros (possui estação de trem da CPTM e terminal de ônibus urbanos) localizada próximo à Avenida das Nações Unidas e ao Sesc Pinheiros Faria Lima, localizada no Largo da Batata, e a Fradique Coutinho, localizada na Rua dos Pinheiros. Sedia diversas empresas, tais como: Odebrecht, Brasilinvest e Unibanco.

Limita-se com os bairros: Jardim Paulistano, Vila Madalena e Alto de Pinheiros, além de Cidade Jardim e City Butantã, localizados na outra margem do rio Pinheiros.

História[editar | editar código-fonte]

Aldeia de Pinheiros em detalhe da "Costa do Brasil desde a ponta de Itapetininga, São Paulo, até o rio Imbou ao sul da Ilha de Santa Catarina" (1750)

Pinheiros e São Miguel Paulista são considerados os dois primeiros bairros paulistanos, em função de sua criação relacionada à Vila de São Paulo, sendo na origem aldeias e não freguesias. O povoado de Pinheiros foi inicialmente constituído por algumas dezenas de indígenas provenientes da aldeia de São Paulo do Campo, estabelecida em 1553 na colina de Inhapuambuçu pelos integrantes das aldeias de Jeribatiba, Piratininga e Guaré. Os indígenas que se dirigiram a Pinheiros haviam saído da aldeia de São Paulo do Campo em função da chegada dos habitantes de Santo André da Borda do Campo, transferidos em 1560 para São Paulo do Campo, e que resultou na fundação, nesse mesmo ano, da Vila de São Paulo de Piratininga. De acordo com Eudes Campos: "A chegada dos portugueses vindos de Santo André provocou a imediata retirada dos índios, que, abandonando suas casas, foram reunir-se em dois pontos afastados, transformados depois em aldeamentos, Pinheiros e Ururaí (São Miguel Paulista)." [1] Instalada em 1560 às margens do rio Grande - posteriormente conhecido como Rio Pinheiros -  supostamente no local hoje ocupado pelo Largo de Pinheiros e/ou pelo Largo da Batata, a área fazia parte de uma enorme sesmaria doada em 1532 por Martim Afonso de Sousa a Pero de Góis, cujas terras se estendiam do atual Butantã à cabeceira do riacho Água Branca. Em 1584, essas terras passaram a pertencer a Fernão Dias Paes, um dos responsáveis pela expulsão provisória dos jesuítas do local, pois como bandeirante praticava a captura e escravização dos indígenas.[2][3][4]

Vila dos Pinheiros em 1897

Há divergências sobre a origem do nome de 'Pinheiros'. Geralmente aceita-se que seja devido à  grande ocorrência de araucárias nas terras onde o bairro surgiu. Entretanto, João Mendes de Almeida, em seu livro Dicionário Geográfico da Província de S.Paulo [5] discorda dessa versão. Segundo ele, os índios tupi chamavam o rio de Pi-iêrê, que significa "derramado", em alusão ao transbordamento das águas que alagava as margens. Por corruptela, a palavra Pi-iêre teria se transformado em Pinheiros. A existência dos pinheiros, segundo o autor, serviu "só para operar mais facilmente a corruptela".[6][3]

Conhecida, a partir de então, como Aldeia dos Pinheiros, no local foi erguida uma igreja para a catequese dos índios, com o nome de Nossa Senhora da Conceição. A aldeia sempre foi importante por estar às margens do Rio Pinheiros e ajudar os viajantes em sua travessia. Sua importância acentuou-se com a construção de mais vilas ao sul e da primeira ponte de madeira destinada a atravessar rio, no século XVIII. Destruída frequentemente devido às enchentes, foi substituída por uma ponte de metal em 1865.[2]

O Caminho dos Pinheiros[editar | editar código-fonte]

Vila dos Pinheiros em 1905.

A Aldeia dos Pinheiros foi originalmente instalada na confluência do Rio Pinheiros com o Caminho do Peabiru (pré-cabralino), simultaneamente como projeto de conversão e aldeamento indígena e como ponto de parada entre a Vila de São Paulo de Piratininga e o oeste da Capitania de São Vicente. O então denominado Caminho dos Pinheiros era o trecho do antigo Caminho do Peabiru que passou a ser usado pelos novos habitantes da Vila de São Paulo: vindo do litoral, passava pela parte baixa da atual Praça da Sé (o Largo da Sé, nos séculos XVIII e XIX), prosseguia pelas atuais Rua Direita, Largo da Misericórdia, Rua José Bonifácio, Largo da Memória, Rua Quirino de Andrade, Rua da Consolação, Avenida Rebouças e Rua dos Pinheiros.[7] O Peabiru prosseguia rumo à atual Praça da Paineira, Rua Reação e Rodovia Raposo Tavares, caminho que posteriormente foi explorado pelos bandeirantes (século XVII) e pelos tropeiros (séculos XVIII e XIX), passando a ser conhecido com o nome de Caminho do Sertão, Caminho das Tropas, Caminho de Cotia, Caminho de Sorocaba e outras designações.

No início do século XVII, o Caminho de Pinheiros era um dos mais destacados da Vila de São Paulo, por ser o único acesso à aldeia e às terras além do rio. Um pequeno desenvolvimento econômico e populacional do bairro posteriormente foi causado pelo sítio do Capão, uma propriedade altamente produtiva que se localizava nas terras da sesmaria, principalmente quando esta se encontrava sob comando de Fernão Dias Paes Leme (o "Caçador de Esmeraldas") e neto do antigo dono da sesmaria.

Bairros de Pinheiros e Butantã em 1913

Solicitada desde 1632, uma ponte de madeira sobre o rio foi construída apenas no século XVIII, ligando a região às vilas e sítios que foram instalados ao longo do Caminho do Peabiru, como Cotia, São Roque e Sorocaba. A ponte foi várias vezes destruída, principalmente por enchentes, cabendo aos moradores das vilas vizinhas arcar com as despesas de reconstrução. Somente em 1865 foi erguida uma ponte de metal. Além da ponte, os moradores custeavam a manutenção do Caminho de Pinheiros que levava ao centro da Vila de São Paulo. Em 1786 iniciou-se a construção de estrada ligando Pinheiros aos campos de Santo Amaro, o que hoje corresponde à Avenida Brigadeiro Faria Lima. Posteriormente, a estrada foi estendida para o sentido oposto até a Lapa, e este novo trecho recebeu o nome de Estrada da Boiada, hoje correspondente aos trechos designados por Rua Fernão Dias, Rua dos Macunis e Avenida Diógenes Ribeiro de Lima.[2][3]

Urbanização do bairro[editar | editar código-fonte]

A população da vila iniciou-se com algumas dezenas de indígenas em uma aldeia e chegou ao final do século XIX, já como bairro de Pinheiros, com cerca de 200 casas. A primeira padaria foi inaugurada em 1890 e a segunda em 1900. Nesse período ainda havia um pouso para tropeiros e a economia era principalmente de subsistência, baseada em agricultura, carvoarias e olarias, devido à excelente argila da região. Nestas olarias eram fabricados tijolos e telhas que aos poucos foram substituindo a taipa de mão nas construções de toda a cidade de São Paulo.

Instalações da Cooperativa Agrícola de Cotia (década de 1920) no Largo da Batata, onde os agricultores de Cotia comercializavam batatas e outros produtos agrícolas.

O Mercado de Pinheiros foi inaugurado em 1910 e não passava de uma área cercada por arame farpado com pequeno galpão no centro, onde agricultores locais e de Cotia, Itapecerica da Serra, Carapicuíba, Piedade, MBoy, etc. comercializavam seus produtos.[8] A área que ficava entre o Mercado de Pinheiros e o Largo de Pinheiros, e que, a partir do início do século XX, começou a receber os agricultores de Cotia (predominantemente japoneses) que dirigiam-se à região para comercializar batatas (o principal produto agrícola de Cotia nas primeiras décadas do século XX) e lá estacionavam suas carroças e animais, acabou sendo denominada, por essa razão, de Largo da Batata.[9] No século XX, houve uma intensa modificação do perfil do bairro. Em 1915 inaugurou-se a iluminação pública e, em 1929, iniciou-se o serviço de água encanada e o início da pavimentação das ruas com paralelepípedos.


A urbanização e desenvolvimento econômico tiveram seu início na região apenas na época do ciclo do café: Na transição do século XIX para o XX a região recebeu imigrantes italianos e, na primeira metade do século XX, de japoneses. Os mapas de São Paulo, ao longo do século XIX, frequentemente indicam a Estrada de Cotia ou Estrada de Sorocaba e, até o final desse século, século, somente o Caminho dos Pinheiros ligava a Vila dos Pinheiros à cidade de São Paulo, mas a partir de 1897 a planta da Vila de Pinheiros passou a ser representada. A essa altura, o bairro exibia sua principal via de acesso, que vinha de São Paulo e prosseguia para Cotia (equivalente à atual Rua Butantã), mas também o formado pelas atuais ruas Teodoro Sampaio e Paes Leme, cortado por apenas cinco ruas: as atuais Fernão Dias, Padre Carvalho, Ferreira de Araújo, Amaro Cavalheiro e Eugênio de Medeiros.

Pinheiros e Butantã na Planta da Cidade de São Paulo (1916).
Bairros de Pinheiros e Butantã na Planta da Cidade de S. Paulo Mostrando Todos Os Arrabaldes e Terrenos Arruados (1924).

A progressiva mudança na configuração do bairro, em função do aumento do número de ruas foi documentado nos mapas publicados nos anos seguintes. Na primeira década do século XX foi construída a Rua Arco Verde (atual Rua Cardeal Arco-Verde) e instalada, na Rua Teodoro Sampaio, a linha de bonde ligando Pinheiros ao centro de São Paulo: iniciada em 1904, passava pelo cemitério do Araçá e chegava até o cruzamento da Rua Teodoro Sampaio com a Capote Valente. O Largo de Pinheiros foi contemplado com essa linha de bonde somente em 1909, após drenagem e aterro em toda a área entre os dois pontos.[2]

Na década de 1910 o bairro foi ampliado, com a construção da Vila Cerqueira César e de um bairro operário entre as atuais ruas Fernão Dias, Padre Carvalho e Ferreira de Araújo, ambos a partir do modelo dos bairros operários da Mooca e do Brás, constituídos de casas pequenas, com a frente junto à calçada e com as paredes laterais próximas das casas vizinhas, sem espaço frontal ou lateral para jardins, porém com quintal e, eventualmente, edícula nos fundos.

O início da construção, em 1922, da BR-2 ou Estrada São Paulo-Paraná (futura Rodovia Raposo Tavares), sobre a antiga Estrada de Cotia ou Estrada de Sorocaba, acelerou o desenvolvimento da região e atraiu os agricultores de Cotia a comercializarem seus produtos no Mercado de Pinheiros, fazendo com que a Cooperativa Agrícola de Cotia instalasse galpões de armazenamento no local que, por essa razão, passou a ser conhecido como Largo da Batata. O bairro de Pinheiros, a partir da década de 1920, tornou-se uma conexão comercial com o oeste paulista, ao mesmo tempo em que o espaço entre esse bairro e o centro de São Paulo foi rapidamente urbanizado, passando a ser facilmente percorrido por meio do bonde. Nessa década também foi construída a Vila Operária de Pinheiros, ao lado direito das atuais Rua dos Pinheiros e Avenida Rebouças (sentido centro, a partir da atual Avenida Brigadeiro Faria Lima), enquanto o espaço rural da região foi desaparecendo rapidamente a partir da década de 1930.[10]

É interessante ressaltar que, conforme a Planta da Vila Operária de Pinheiros, o Caminho dos Pinheiros, até a década de 1920, era claramente assinalado na parte alta da Avenida Rebouças (da Avenida Consolação até a Avenida Brasil) e - a partir de onde é hoje a Avenida Brasil (atravessando um riacho e um charco) - prosseguido pela atual Rua dos Pinheiros. No final dessa década foi construída uma rua que seguia na mesma direção da Avenida Rebouças (rumo à atual Avenida Brigadeiro Faria Lima), inicialmente denominada Rua Itapirussu, depois Rua Coronel Boaventura Rosa, e que acabou sendo unificada à Avenida Rebouças a partir da década de 1930, renomeando-se o trecho posterior ao charco como Rua dos Pinheiros.

Planta da Vila Operária de Pinheiros.
Edifícios comerciais do bairro.

Referências

  1. CAMPOS, Eudes. A vila de São Paulo do Campo e seus caminhos. Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, n.204, p.11-34, 2006.
  2. a b c d «O Bairro Mais Antigo de SP - A História de Pinheiros». SP In Foco. 2 de fevereiro de 2017 
  3. a b c «Cinco curiosidades sobre o bairro de Pinheiros - Geral - Estadão». Estadão 
  4. «BAIRRO DE PINHEIROS | Secretaria Municipal de Cultura | Prefeitura da Cidade de São Paulo». www.prefeitura.sp.gov.br. Consultado em 22 de setembro de 2018. 
  5. Diccionario geographico da provincia de S. Paulo: precedido de um estudo sobre a estructura da lingua tupi e trazendo, em appendice, uma memoria sobre o nome "América". Obra posthuma. São Paulo: Typ. a Vap. Espíndola, Sigueira, 1902.
  6. Almanack Paulistano.
  7. «A Planta da cidade de São Paulo de 1897: uma cartografia da cidade existente ou da cidade futura? - PDF». docplayer.com.br. Consultado em 17 de setembro de 2018. 
  8. Reale, Ebe. Brás, Pinheiros, Jardins; três bairros, três mundos. São Paulo: Pioneira; Ed. da Universidade de São Paulo, 1982. 225p.
  9. «Por que o nome Largo da Batata? | Projeto São Paulo City». Projeto São Paulo City. 9 de janeiro de 2018 
  10. Pinheiros - São Paulo Minha Cidade


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