Pirataria em Portugal

O fenómeno da pirataria em Portugal regista-se praticamente desde a origem do país e continuou até 1830, com um pico nos sécs. XVI e XVII. Ela motivou a criação da Marinha Portuguesa, a mais antiga do mundo ainda em funcionamento e condicionou muito a vida das populações costeiras, sobretudo no Algarve.
Embora alguns portugueses tenham participado em acções de corso contra os navios de potências hostis, a grande maioria dos piratas que actuaram em águas portuguesas eram franceses, ingleses, holandeses e, sobretudo, muçulmanos do al-Andalus ou do Magrebe. Isto deu origem à expressão anda mouro na costa, usada para denunciar um perigo iminente.[1]
História
[editar | editar código]Com o declínio do Império Romano e o estabelecimento dos vândalos no norte de África, a pirataria, antes suprimida, regressou à península Ibérica e a todo o Mediterrâneo.[2] Posteriormente deram-se ataques de vikings contra o território peninsular e depois de muçulmanos do al-Andalus, primeiro do Califado Omíada e depois almorávidas e almóadas.[3]
Durante a Reconquista deram-se ataques piratas de parte a parte mas, sobretudo de muçulmanos contra as costas e navios dos reinos cristãos, Portugal entre eles. Durante este período, Mumadona Dias mandou construir o castelo de Guimarães para proteger os habitantes e os monges de um mosteiro próximo de ataques piratas muçulmanos ou normandos.[4] 32 anos após a conquista de Lisboa, na Primavera de 1179 Ganim ben Mardanis entrou no estuário do Tejo com uma frota de nove galés, capturou duas galés portuguesas que se encontravam de vigia e assolou os arredores de Lisboa antes de regressar a Sevilha com ricos despojos.[5] É neste contexto que se deu a Batalha Naval do Cabo Espichel. Durante este período, os tavirenses liderados por Abdulla Ibn Ubeidala eram descritos até por muçulmanos como "um verdadeiro bando de piratas".[6]
Embora haja menção de "galés do rei" e de um "mestre" responsável por elas, a pressão da pirataria muçulmana levou à reorganização e fundação da Marinha Portuguesa pelo almirante Manuel Pessanha.
Em 1207, o rei D. Sancho convidou os trinitários, cuja Ordem havia sido oficialmente fundada em 1198, a estabelecerem-se definitivamente em Portugal.[7] Esta Ordem dedicava-se à libertação de cativos em poder dos muçulmanos e recolha de fundos para pagar resgates.[7] Fixaram-se em Santarém em 1208, Lisboa em 1218, Silves em 1239, Sintra em 1400 e Faro em 1415.[7] Mais tarde, o rei D. Afonso V fundou o Tribunal da Rendição dos Cativos em 1450, passando a Coroa a tutelar o resgate de prisioneiros, com excepção da assistência, recolha de esmolas e cuidados com os enfermos, órfãos e pobres.[7] Foi também criado por este rei o posto de alfaqueque-mor, oficial que tinha por funções resgatar cativos, escravos e prisioneiros de guerra.[7]
A cidade de Alcácer do Sal era uma importante base de piratas e corsários muçulmanos mas a sua conquista pelos portugueses em 1217 e, mais tarde, do Algarve mitigou os ataques contra a navegação e território português.[8] Privados de bases na costa ocidental da península Ibérica, os piratas e corsários muçulmanos deslocaram a sua actividade para de Granada, Marrocos ou Argel, tendo as cidades do Magrebe tido um destaque especial no seu desenvolvimento.[9]
O Algarve passou a ser a região de Portugal mais afectada por ataques piratas. Após a abolição da Ordem do Templo, o rei D. Dinis fundou a Ordem de Cristo a 14 de Março de 1319 para substituí-la e sediou-a em Castro Marim, para ajudar a combater a pirataria magrebina.[10][11] O alcaide e o aguazil de Lagos convenceram o rei D. Afonso IV a mandar amuralhar a cidade como protecção contra os piratas, que desembarcavam para capturar gado e pessoas, mais tarde vendidas nos mercados de escravos no norte de África.[7] Marrocos e Argel revelaram-se especiais protagonistas destes ataques.[7]

Os portugueses também participaram em acções de corso reguladas pela Coroa, contra a navegação muçulmana hostil ou potências em guerra com Portugal. O alcaide-mor do Porto e donatário de Matosinhos, João Rodrigues de Sá, conhecido como o Sá das Galés, autorizava o uso deste último porto como base de corso por homens como Fernão Coutinho, que tinha ali um navio.[12] Com a Conquista de Ceuta em 1415, a guerra de corso ganhou maior expressão.[9] O capitão de Ceuta D. Pedro de Meneses promoveu a actividade corsária contra as costas e navegação muçulmana inimiga, de Granada, Marrocos e Argélia e o Infante D. Henrique, feito responsável pelo abastecimento daquela praça-forte pelo rei D. João I, incumbiu João Gonçalves Zarco, genro do Sá das Galés, de patrulhar as costas sul de Portugal para defendê-las de ataques piratas.[9][12]

Alcácer-Ceguer era uma vila de "homens de guerra, principalmente no negócio do mar, no qual erao muy exercitados, e acostumados a fazer mal, e dano aos Christãos da Hespanha, e a outros que navegavam para aquelle Estreyto" segundo Damião de Góis.[9] A próspera cidade de Anfa, em Marrocos, era uma conhecida base de piratas ou corsários e, segundo Leão o Africano, de lá partiam a saquear as cidades da península Ibérica. Em 1469, portanto, uma armada portuguesa, chefiada pelo duque de Viseu arrasou a cidade.[13] Em 1490, os portugueses arrasaram Targa, outra conhecida base de piratas, na Expedição a Targa.
Com a conquista de Granada em 1492, muitos piratas mudaram-se para Marrocos e de Larache, Tetuão e, sobretudo, Salé, atacavam as costas e navegação da Península Ibérica.[9] Alguns eram judeus sefarditas expulsos, como Sinan Reis ou Samuel Pallache.[14]

Por volta de 1520 D. Manuel reforçou a marinha portuguesa de forma a tornar mais eficaz a defesa contra a pirataria com a criação de três armadas de guarda-costeira: a Armada da Costa, cuja função era defender a navegação na costa ocidental de Portugal entre o Cabo Espichel e a foz do Douro, com especial atenção às naus da Carreira da Índia de regresso a Portugal do Oriente;[15] a Armada do Estreito, que actuava no Algarve, Mar das Éguas e Estreito de Gibraltar, e a Armada das Ilhas, que patrulhava os Açores.
Devido a conflitos entre Espanha e França, as costas da Península Ibérica passaram a ser percorridas por piratas franceses que atacavam a navegação portuguesa também. Até meados do séc. XVI, os portos de Matosinhos, Leça, S. João da Foz, Massarelos, Miragaia e Porto registaram a perda de 39 embarcações para corsários franceses.[12]
O governador de Cacelha Velha, D. Simão de Meneses, escreveu em 1548 que os pescadores de atum de Cacela, Santo António e da Gomeira tinham mudado as suas residências mais para o interior para evitarem as depredações de piratas.[14] Em 1559, 13 galés, aparentemente turcas, atacaram Porches-o-Velho às 3 da manhã de 13 de Julho.[16] As mulheres e crianças foram evacuadas para Silves e a milícia local de moradores mobilizada.[16] Os piratas, em número de 1000, saquearam as casas de 20 residentes em Monte Canelas mas viram-se obrigados a reembarcar pelos cavaleiros, milicianos e residentes armados vindos de Armação de Pêra, Alcantarilha e Canelas entre outros, comandados pelo capitão Pedro da Silva.[16]
Devido à ameaça pirata, o rei D. João III assinou com o Imperador Carlos V um convénio de apoio mútuo na defesa da navegação, que previa que as armadas portuguesas defendessem os navios mercantes espanhóis em águas portuguesas e vice-versa.[17] Iniciou também a fortificação das costas de Portugal, tarefa mais tarde continuada por D. Sebastião.[14] No Algarve foram construídos fortalezas, atalaias e fachos ao longo da costa; alguns exemplos podem ser admirados ainda hoje, tal como o Forte do Rato em Tavira, o Forte de São João da Barra em Cabanas de Tavira ou a Torre D'Aires perto de Luz de Tavira.
Em 1566, o Funchal sofreu um grande ataque de piratas franceses liderados por Peyrot de Monluc, que pilharam a cidade durante quinze dias.[18][19]
As costas de Tavira eram atacadas com tanta frequência que os fidalgos daquela região "montavam vigia de dia e noite, com pé no estribo e de lança em riste", segundo o testemunho de frei João de São José, em 1577.[14]
O auge da pirataria em Portugal
[editar | editar código]Integrado Portugal em Espanha, a navegação portuguesa passou a ser visada por piratas e corsários holandeses e ingleses a juntar aos muçulmanos e franceses.

Após ter estalado a Guerra Anglo-Espanhola em 1585, corsários ingleses comandados por Francis Drake atacaram a Baleeira, Beliche, Sagres e Cabo de São Vicente. A 25 de Maio de 1587 Drake tentou saquear a cidade de Lagos mas a defesa montada pelo governador e capitão-geral do Algarve Fernão Teles de Meneses impediu-o.[6] Os Açores foram atacados em 1589 por uma frota de seis navios comandada por George Clifford, que apresou vários navios e saqueou a cidade de Horta, naquela que ficou conhecida como a sua terceira expedição aos Açores. Em 1596 Cádis foi saqueada por corsários ingleses chefiados por Robert Devereux, que depois desembarcaram em Farrobilhas e saquearam Faro também, a 23 de Julho, tendo sido levados, entre outras coisas, os livros do bispo da cidade, mais tarde doados à biblioteca da Universidade de Oxford, onde ainda hoje se encontram.[6] A assinatura de paz com Inglaterra em 1604 levou ao cessamento temporário de ataques ingleses.
Em 1606, os piratas barbarescos passaram a dispor não só de galés mas também de naus e patachos, com mais autonomia e capazes de navegar em alto-mar, depois de se ter fixado em Argel o pirata holandês Simon Danser.[20]
O perigo de ataques obrigou as autoridades a decretar medidas excepcionais para a defesa do território. Em 1613 o rei D. Filipe I autorizou todos os portugueses residentes no Algarve a terem espingardas de pederneira em casa para se protegerem de piratas.[6] Em 1616, piratas argelinos atacaram a Ilha de Santa Maria, nos Açores e, no ano seguinte, Porto Santo e a Madeira, de onde foram levadas mais de 1800 pessoas, tendo o Porto Santo ficado quase completamente despovoado. Em 1619, um navio foi capturado por corsários na foz do Douro com todas as pessoas a bordo.[21] Dois anos mais tarde, deu-se o polémico afundamento da Nossa Senhora da Conceição, nau da Carreira da Índia atacada por uma frota de piratas argelinos ao largo da Ericeira, sem que lhe tenha podido ajudar a frota de guarda-costas de António de Ataíde, um dos mais experientes oficiais navais do seu tempo.[15] Depois de na noite de 12 para 13 de Junho de 1622 piratas turcos terem desembarcado entre Matosinhos e Azurara, a câmara do Porto colocou um navio a patrulhar o litoral entre Aveiro e Viana do Castelo.[21]
O fim da pirataria
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Aquando da Restauração da Independência de Portugal, a costa portuguesa encontrava-se "pejada de corsários e piratas".[22] Separado Portugal de Espanha e assinadas as pazes com Inglaterra, os Países Baixos e França, a principal ameaça em águas portuguesas voltaram a ser os piratas berberescos. No séc. XVII, Argel tornou-se um dos principais centros económicos do Mediterrâneo e do comércio de escravos e de resgate de reféns.[1] Ali os cativos eram vendidos, resgatados ou trocados por outros prisioneiros.[1]
O Sismo de 1755 danificou ou destruiu muitas fortalezas e em 1758 o Marquês de Pombal enviou cinco esquadrões de dragões para o Algarve a fim de proteger a região contra possíveis ataques piratas enquanto as fortalezas a ocidente de Lagos não eram reparadas.[14]
O desenvolvimento da fragata, que era um navio mais rápido e ágil mas não sacrificava poder de fogo foi um importante passo no combate à pirataria.[23]
A assinatura do Tratado Luso-Marroquino de 1774 pôs fim às incursões de piratas marroquinos contra as costas e navegação portuguesa e disponibilizou à marinha portuguesa oito ou nove portos de abastecimento para apoiar o combate à pirataria argelina, tunisina e tripolitana.[23] Portugal barrava a passagem de navios argelinos no Estreito de Gibraltar mas em 1794 negociou uma trégua com a Argel, o que obrigou os EUA a negociar com Argel para salvaguardar a segurança da sua navegação no Atlântico.[24] A 14 de Junho de 1813 Portugal assinou um Tratado de Paz com Argel.[25][26] Os ataques piratas só cessaram definitivamente quando a França conquistou Argel em 1830.[27]
O destino dos cativos
[editar | editar código]Em águas portuguesas, os piratas, sobretudo mouros, procuravam capturar não só bens como as próprias pessoas também, para as venderem nos mercados do norte de África como escravos ou obterem por elas um resgate, especialmente se os cativos fossem indivíduos de elevado estatuto social.

No mar, os piratas tratavam os prisioneiros de diversas maneiras. No séc. XVII os turcos consideravam que pecados no mar davam azar e resultariam no afundamento dos seus navios, por isso as mulheres eram mantidas em lugares bem iluminados a bordo.[28] Já os jovens podiam sofrer a violação pelas tripulações.[28] Os homens, por sua vez, eram submetidos a maus tratos e o primeiro a ser embarcado num navio argelino era pendurado de uma escotilha de cabeça para baixo para dar sorte, segundo o testemunho de um sobrevivente.[28]
Desembarcados nas cidades do norte de África, os cativos eram divididos consoante a sua religião e mantidos em prisões específicas.[28] Em Argel, tinham o nome de "banhos" e em 1621 quatro retinham ao todo cerca de 8,000 prisioneiros católicos, havendo, na cidade, porém, muitos prisioneiros de diversas nacionalidades e credos, estimados estes em 8,000 almas também ou até mais.[28] As autoridades muçulmanas permitiam, porém, que os prisioneiros praticassem o seu culto e que clérigos cristãos mantivessem hospitais e igrejas nas prisões.[28] As mulheres e os jovens tendiam a ser vendidos para a prostituição, para os exércitos ou para os haréns.[29] Os homens eram vendidos para o serviço doméstico, nas galés, na agricultura ou na construção de infra-estruturas. O serviço nas galés era o pior, pois eram submetidos a maus tratos e acorrentados ao navio, afundando-se com ele.[28]
| “ | ...é tão grande o que se passa em uma galé de turcos, que dizem os cativos de Argel, que o que não foi a galé não diga que foi cativo, e assim é: porque além de meterem o triste em que lá foi, em uma cadeia muito grande pregada na mesma galé, que se acerta de se trabucar [soçobrar], como cada dia acontece, não nenhum que possa escapar com vida; além disto se alguma hora dormem, são cinco escravos em quatro palmos de banco todos de ilharga assentados sem se poderem virar: o comer é dois punhados de biscoito negro cada dia, sem mais outra coisa, o trabalho é infinito, remando nus, da cintura para cima, os açoites são tantos, e tais que nenhum se dá que não arrebente, e salte logo o sangue fora: pois o serviço de uma destas galés não parece que o fazem homens senão espíritos malignos... | ” |
— João Carvalho Mascarenhas in Memorável Relação da Perda da Nau Conceição | ||

Em Portugal, o resgate de cativos competia ao Tribunal da Rendição dos Cativos e à Ordem dos Trinitários.[30] As autoridades portuguesas organizavam periodicamente Resgates Gerais ou Redenções para recuperar todos os portugueses cativos em determinado lugar, em articulação com os "padres redentores".[30] Embora fosse dada prioridade ao resgate de mulheres e crianças, estas desapareciam rapidamente, pelo que a maioria dos resgatados eram homens.[29] Entre os resgatados contou-se, por exemplo, Maria Faleira, da Ilha de Santa Maria, que viveu 38 anos em cativeiro.[29]
Números e consequências
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O resgate de cativos acompanha toda a história nacional desde a fundação até ao início do século XIX.[30] Entre 1607 e 1778, Mais de 4500 portugueses foram resgatados dos mercados de escravos de Tunes, Salé, Tripoli e Argel, e entre 1655 e 1778 foram executados nove resgates gerais em Argel, dois em Mequinez e um em Tetuão.[6][31] Dos portugueses resgatados, 514 provinham dos Açores, a maioria de São Miguel e da Terceira.[32] Entre 1706 e 1777 foram realizados seis Resgates Gerais, cinco em Argel e dois em Mequinez, que resultaram na libertação de 1364 cristãos.[1]
Os ataques piratas atrofiaram a economia algarvia.[6] Quando os piratas cessaram os seus ataques em 1830, a pesca do atum nas costas algarvias conheceu grande crescimento.[6]
Principais intervenientes
[editar | editar código]Vikings
[editar | editar código]Os vikings foram alguns dos mais antigos piratas a actuar contra a navegação e costa portuguesa. O condado portucalense foi alvo de ataques vikings e para proteger a povoação de Guimarães e o seu mosteiro de ataques mouros ou vikings, por mar ou por terra, Mumadona Dias construiu o castelo de Guimarães, que em 968 era dado por concluído.[33] Em 1015 deu-se um grande ataque na região do Douro, rio que os vikings subiram até alcançarem o rio Ave e em 1026 deu-se um ataque na região de Santa Maria da Feira.[3]
Mouros
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Os piratas muçulmanos foram de longe os que mais perdas causaram a Portugal e durante mais tempo. Os primeiros ataques deram-se ainda no tempo do condado portucalense e duraram quase um milénio até 1830. A maioria dos piratas eram sobretudo árabes, berberes oriundos da Península Ibérica e do Magrebe. Quando o Império Otomano se apoderou de Argel em 1519, as costas portuguesas passaram a ser atacadas por turcos também.
Inicialmente dispunham apenas de navios ligeiros a remo como galés, fustas ou galeotas e realizavam as suas acções junto à costa mas a partir de 1606 passaram a utilizar naus e patachos, maiores, mais poderosos, com maior autonomia e capazes de navegar em alto-mar.[17] Embora tenham atingido toda a costa portuguesa e as ilhas, o Algarve foi a região de Portugal mais afectada pela pirataria muçulmana.
Franceses
[editar | editar código]Os piratas mais activos em águas portuguesas a seguir aos muçulmanos eram franceses. Quando em 1521 a Espanha e o Império entraram em guerra com França, as águas da península Ibérica passaram a ser frequentadas por navios franceses que atacavam a navegação espanhola e portuguesa também.[34] Os franceses foram os primeiros a contestar o Tratado de Tordesilhas e a partilha do mundo a descobrir entre Portugal e Espanha, atacando não só os navios dos portugueses no Atlântico mas também as suas possessões de além-mar, do séc. XVI ao XVIII.[17] Os piratas e corsários franceses foram os grandes inimigos dos portugueses no Atlântico mas capturavam geralmente pequenos navios com carga de pouco valor, nas costas do Brasil ou nas proximidades da Madeira.[34] De entre as suas vítimas conta-se Fernão Mendes Pinto, que foi espoliado quando o navio em que viajava foi capturado ao largo de Sesimbra.[35] Alguns dos mais famosos piratas ou corsários franceses foram Peyrot de Montluc e René Duguay-Trouin.
Ingleses
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Os ingleses passaram a atacar as costas de Portugal e a navegação portuguesa a partir de 1585, quando começou a Guerra Anglo-Espanhola.[36] A rainha Isabel autorizou corsários a navegar até à península ibérica e destes, o mais famoso foi Francis Drake, mas incluíam também George Clifford e Robert Devereux. Os ingleses ameaçavam sobretudo as grandes naus da Índia, que regressavam do Oriente com cargas valiosas, nas águas dos Açores. É neste contexto que se dá a tomada da nau São Filipe por Francis Drake em 1587, a Madre de Deus em 1592 ou a Acção do Faial em 1594, entre uma frota inglesa comandada por Clifford e a grande nau Cinco Chagas.
Holandeses
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Quando rebentou a Revolta Holandesa, Portugal, então integrado em Espanha, passou a ser alvo de ataques de piratas e corsários holandeses. Na última década do séc. XVI, a República dos Países Baixos dotou-se de uma marinha com navios capazes navegar em alto-mar até à Península Ibérica.[37]
Piratas e corsários notáveis
[editar | editar código]Francis Drake
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Considerado "um dos mais astutos ladrões do mar" e o mais famoso corsário da época Isabelina, Francis Drake liderou em 1587 um ataque audaz ao porto de Cádis e à costa do Algarve.[38][39] Após destruir alguma armação espanhola surta em Cádis, Drake desembarcou com 1000 homens em Lagos e atacou as fortalezas de Sagres, Baleeira, Beliche, e do Cabo de São Vicente. Mais tarde capturou nos Açores a nau São Filipe, de regresso do Oriente com uma carga avaliada em mais de 100,000 libras, equivalentes a 33,000,000 de libras em 2023.[40]
Mondragon
[editar | editar código]Pirata biscainho oriundo da vila de Mondragón, conhecido como o pirata Mondragon, Pedro de Mondragón foi um dos mais famosos da história de Portugal por ter sido o primeiro a capturar uma nau da Carreira da Índia.[41] Na Baía de Cádis Mondragon capturou um navio que depois utilizou para se dedicar à pirataria na região do Cabo de São Vicente.[41] Em 1508 capturou um navio genovês com mercadoria avaliada em 1500 ducados e em Novembro deste capturou a nau Santa Ana, capitaneada por Job Queimado, que regressava da Índia com uma carga de pimenta, cravo, lacre e pedras preciosas avaliada em 100,000 ducados.[41] D. Manuel encarregou João Serrão de dirigir uma caravela a recuperar a nau mas este não foi bem-sucedido.[42] A missão de captura de Mondragon foi então entregue a Duarte Pacheco Pereira, que também não conseguiu prendê-lo.[43]
Um verdadeiro pirata à margem da lei, Mondragon atacou navios de diversos países e estabeleceu-se depois em Bilbau mas Castela emitiu-lhe um mandato de captura e morte em resultado da pressão diplomática portuguesa e Mondragon fugiu para o Reino de Navarra, então em guerra com Castela.[41] Mondragon fugiu depois para França por temer que Castela conquistasse Navarra, como veio a acontecer.[41]
Tabaco Arrais
[editar | editar código]Tabaco Arrais foi um pirata argelino que, com uma grande frota de 17 naus e patachos, se destacou em 1621 por ter capturado 19 navios ingleses ao largo do Cabo Espichel e atacado em frente à Ericeira a nau Nossa Senhora da Conceição, que regressava da Índia com uma carga excepcionalmente rica.[44] A nau acabou por se incendiar e afundar mas os piratas levaram de regresso para Argel cativos portugueses.[44] O caso teve muito mediatismo na época por ter envolvido um dos mais experientes capitães do seu tempo, D. António de Ataíde, comandante da Armada da Costa, encarregue de proteger a costa ocidental portuguesa de ataques piratas mas que não conseguiu socorrer a nau.[15]
Principais tipos de navio utilizados
[editar | editar código]Fusta
[editar | editar código]A fusta era um pequeno navio a remos maior que um bergantim mas mais pequeno que uma galeota, com dez a quinze bancos de um remador por remo apenas e um único mastro apenas.[45][46] Estava armada com um canhão ligeiro na proa ou apenas com pequenos canhões de carregar pela culatra montados nas amuradas.[45] Era uma embarcação muito útil em operações costeiras e muito usada no litoral de Marrocos, tanto por portugueses como pelos piratas e corsários de Larache ou Tetuão.[46] No séc. XVI encontram-se exemplos até dezoito bancos por banda e birremes. As fustas mais pequenas podiam-se confundir com bergantins e as maiores com galeotas.[46] As diferenças residiam nas proporções do casco, sendo uma fusta grande mais estreita que uma galeota pequena.[46]
Fragata
[editar | editar código]No séc. XVI a fragata era um navio misto semelhante à galeota.[47] No séc. XVIII tratava-se de um navio semelhante à nau mas mais pequeno, mais rápido, melhor de bolina e menos artilhado.[47] Era essencialmente um navio com três mastros e duas baterias de artilharia.[48] Em meados do século XVII, deslocavam cerca de 150 toneladas e não passavam das 16 a 24 bocas-de-fogo mas rapidamente evoluíram para 290 toneladas e 32 peças de artilharia.[48] A partir de 1730, as maiores fragatas já tinham 40 a 46 peças de artilharia.[48] As fragatas eram utilizadas para atacar a navegação mercante em guerra de corso ou para providenciar escolta a navios mercantes e apoiar naus quando integradas em frotas.[48]
Galé
[editar | editar código]A galé era o maior navio a remos usado pelos piratas berberescos, utilizado desde a Idade Média.[49] Dispunha de dois ou três mastros com velas latinas ou redondas. Nas galés de três mastros o da vante tinha geralmente pano redondo.[44] Tinha vinte a trinta bancos com três remadores por banco e a partir do séc. XVI aparecia armada com cinco canhões montados na proa, sendo o meio de maior calibre.[49]
Galeão
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O galeão era um navio de grande porte, mais pequeno que uma nau mas mais manobrável e melhor armado. Utilizado sobretudo pelas marinhas de Portugal, Espanha, França e Inglaterra, os galeões utilizados pelos corsários ingleses eram notavelmente mais ligeiros e melhor armados que os galeões ibéricos, pois tinham castelos de proa e popa menos alterosos, sendo designados race galleons.
Xaveco
[editar | editar código]O xaveco era um navio argelino de formas finas, rápido e bom de bolina com três mastros.[50] Envergava velas redondas nos mastros da frente e uma vela latina no da ré.[50]
Medidas de prevenção e combate
[editar | editar código]Para combater a pirataria, as autoridades portuguesas instituíram uma série de medidas desde os tempos mais remotos.
Construção de castelos para refúgio das populações.
Criação de uma marinha permanente.
Criação de esquadras de guarda costeira. O crescimento das viagens além-mar resultou também num crescimento da pirataria no Atlântico e para dar resposta a esta situação, o rei D. Manuel instituiu em 1520 três esquadras de guarda-costa dedicadas a actuar em diferentes áreas da costa portuguesa. A Armada da Costa tinha por função defender a navegação na costa ocidental de Portugal desde o Cabo Espichel à foz do Douro, devendo ela prestar especial atenção às naus da Carreira da Índia de regresso do Oriente.[15] A Armada do Estreito actuava no Algarve, Mar das Éguas e Estreito de Gibraltar, e a Armada das Ilhas, patrulhava os Açores.
Construção de fortalezas para vigia e defesa das costas.

Instituição de vigias e sistemas de sinais de fogo e fumo. Ao longo da costa portuguesa, em sítios mais propícios a acidentes marítimos, existiam "casas de facho de guarda-mar", guarnecidas por um reduzido número de homens, encarregues de acender um poste com um grande archote mas durante a Restauração o rei D. João IV mandou os concelhos revitalizar os locais de vigia devido à pirataria intensa que por então se verificava.[51] A Restauração foi um tempo de forte investimento na vigia das costas.[51] Deviam os fachos ser guarnecidos por 10 homens armados.[51] Por toda a costa portuguesa também se multiplicaram as "atalaias", pequenas torres cilíndricas, algumas do tempo dos romanos ou árabes, situadas em pontos altos e providas de lenha e archotes para fazerem fumo de dia ou fogo de noite, em articulação com os vigias das aldeias, encarregues de tocar os sinos e dar o aviso em caso de sinais de fumo ou fogo.[51] Em 1801 existiam no Algarve trinta e nove.[51]
Facilitação da posse de armas em regiões mais expostas ao perigo. Uma vez que as tropas e as milícias de moradores se revelavam insuficientes para defender eficazmente toda a extensão da costa portuguesa, em 1613 o rei D. Filipe 1613 o rei D. Filipe I autorizou todos os portugueses residentes no Algarve a terem espingardas de pederneira em casa para se protegerem de piratas em caso de ataque.[6]
Agregação dos navios mercantes em frotas. Para proteger os navios mercantes, a Coroa começou a agrupá-los em frotas escoltadas por navios de guerra, especialmente os que navegavam entre Portugal e o Brasil.[52] A 30 de Dezembro de 1643 foi instituída a "frota do Brasil" e no ano seguinte chegaram a Portugal mais de trinta navios mercantes escoltados pelo galeão São Lourenço.[52]
Cronologia
[editar | editar código]- 1015 — Grande ataque viking no rio Douro até ao rio Ave.[3]
- 1016 — Presença viking em Vermoim.[3]
- 1026 — Ataque viking na região de Santa Maria da Feira.
- 1332 — 12 galés muçulmanas atacaram Lagos e de lá levaram certo número de residentes cativos para o norte de África.[9]
- 1354 — Uma frota magrebina, cuja origem se desconhece, atacou uma aldeia no Algarve e cativou ou matou os seus residentes por inteiro, causando grandes estragos "sem distinção pelo sagrado ou profano".[9]
- 1384 — Loulé foi atacada por piratas que cativaram o vereador Lourenço Anes Mil Libras.[53]
- 1508 — O pirata Mondragon captura a nau Santa Ana, regressada da Índia.
- 1522 — Um pirata francês captura uma caravela em patrulha no Estreito de Gibraltar.[34]
- 1525 — Uma nau da Índia comandada por D. Luís de Meneses é saqueada por um pirata francês.[34]
- 1532 — Um corsário de Larache, em Marrocos, atacou Arenilha e Monte Gordo com a ajuda de um renegado português, tendo capturado 25 a 30 pessoas.
- 1554 — Combate naval entre uma frota portuguesa comandada pelo capitão-mor D. Pedro da Cunha e uma frota de oito navios argelinos, que foram desbaratados, sendo capturados 200 e resgatados 100 cativos cristãos.
- 1559 — Ataque pirata de 13 galés e 1000 homens a Porches-o-Velho.[16]
- 1566 — Saque do Funchal.
- 1587 — Ataques a Sagres, Baleeira, Beliche e Cabo de São Vicente por Francis Drake. Captura da nau São Filipe.
- 1592 — Captura da nau Madre de Deus por uma frota inglesa nos Açores.
- 1594 — Acção do Faial. A nau Cinco Chagas é afundada por uma frota de 3 navios corsários ingleses comandados por George Clifford.
- 1596 — Corsários ingleses atacam as Berlengas.
- 1616 — Chega ao Porto uma carta de um prisioneiro português em Argel, enviada no ano anterior, a avisar que um ataque pirata contra Matosinhos dar-se-ia no ano a seguir, o que gera pânico na cidade.[21]
- 1617 — Uma frota argelina cativou 668 pessoas no Porto Santo, 1200 pessoas na Madeira e levou importantes despojos, incluindo os sinos das igrejas, para além de terem queimado os arquivos.
- 1619 — Um navio é capturado por piratas na foz do Douro.[21]
- 1621 — A nau Conceição, comandada por D. Luís de Sousa e vinda da Índia com rica carga, foi afundada por uma frota de 17 navios argelinos.[15]
- 1622 — Piratas turcos desembarcam entre Matosinhos e Azurara.
- 1640 — Sete navios turcos perseguem uma caravela no Porto Santo.[54]
- 1641 — Navios piratas tentam atacar o navio que transportava o embaixador português à Catalunha.[55]
- 1650 — A frota do Brasil é atacada ao largo da costa portuguesa por piratas zelandeses, que capturam três navios. Junto à foz do Tejo voltou a ser atacada por piratas ingleses, que capturaram mais sete.[56]
- 1669 — Dois navios partidos do Brasil combatem contra uma fragata argelina nas imediações do Cabo da Roca.
- 1671 — Dois navios portugueses são capturados por piratas berberescos perto do Cabo de São Vicente.
- 1674 — Piratas berberescos capturam a fragata Nossa Senhora da Piedade e uma charrua perto da Madeira. Os seus passageiros foram levados para Argel e vendidos como escravos. A nau São José, vinda de Hamburgo, combate contra quatro naus de piratas berberescos.[57]
- 1675 — Ataque pirata contra a Ilha de Santa Maria. Ataque pirata contra o Porto Santo. Devido ao desmazelo da parte das sentinelas, os piratas lograram desembarcar e cativar 11 pessoas. Uma confraternidade foi mais tarde fundada para apoiar as vítimas de pirataria e resgatar reféns que ainda hoje existe, chamada Confraria dos Escravos da Cadeinha.
- 1676 — A nau Nossa Senhora da Madre de Deus combate contra uma fragata berberesca durante três horas entre Lagos e Lisboa.[57]
- 1677 — Combate naval entre a fragata Santo António de Lisboa e uma frota de três navios berberescos.
- 1691 — A nau São Boaventura captura um pequeno navio de piratas berberescos.
- 1692 — Combate naval entre uma frota portuguesa de guarda costas composta por duas naus e duas fragatas e uma frota argelina perto de Tetuão.
- 1694 — Bloqueio de Mamora e Salé. Combate naval entre uma frota portuguesa e um navio argelino perto de Mamora, em Marrocos.
- 1702 — Apresamento do patacho Nossa Senhora do Pópulo por piratas argelinos, entre Lisboa e Mazagão.
- 1714 — Combate naval entre três navios argelinos e um navio mercante vindo do Brasil. Combate
- 1716 — Apresamento de dois navios portugueses por piratas.
- 1720 — Apresamento de duas caravelas portuguesas por piratas magrebinos.
- 1723 — Dois navios berberescos atacam uma frota mercante portuguesa em Cabo Verde. Combate naval entre o vaso Nossa Senhora da Vitória e três navios argelinos.
- 1724 — Uma frota de sete navios mercantes confronta três navios argelinos.
- 1726 — Combate naval entre a nau de guerra Nossa Senhora da Vitória e duas naus de piratas berberescos, que haviam capturado três naus mercantes idas do Brasil.[58]
- 1727 — Combate naval entre a nau Nossa Senhora da Lampadosa e a nau Nossa Senhora da Vitória contra piratas berberescos.
- 1728 — Combate naval entre o vaso Nossa Senhora da Oliveira e seis fragatas argelinas, perto de Peniche.
- 1750 — Combate naval entre um navio mercante vindo do Brasil e dois navios argelinos nas Berlengas.
- 1751 — Combate naval entre um navio português e um xaveco da cidade de Salé.
- 1754 — Combate naval entre quatro navios portugueses e cinco navios magrebinos entre Viana do Castelo e Lisboa.
- 1774 — Tratado de paz entre Portugal e Marrocos.
- 1778 — Apresamento de vários navios perto de Lisboa, por piratas argelinos.
- 1784 — Bombardeamento de Argel.
- 1786 — Combate entre uma frota portuguesa e um navio argelino perto de Gibraltar.
- 1789 — Combate entre navios portugueses e um navio de piratas franceses perto de Argel.
- 1797 — Combate entre uma frota portuguesa e uma frota de corsários franceses.
- 1800 — Apresamento de um xaveco argelino por um navio português, entre Cádis e Argel.
- 1802 — Apresamento da fragata Cisne por uma fragata argelina.
- 1806 — Capturados dois navios de corsários argelinos pela Esquadra do Estreito.
- 1813 — Tratado de paz entre Portugal e Argel.
- 1818 — Combate entre uma esquadra portuguesa de três fragatas e um xaveco contra uma esquadra tunisina perto de Gibraltar.
Ver também
[editar | editar código]- Marinha portuguesa
- Trinitários
- República de Salé
- Conquista de Ceuta
- Confraria de Escravos da Cadeinha
- Escravatura no mundo muçulmano
- Provedoria das Armadas
- Batalha Naval da Ericeira
Referências
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