Piratini

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Município de Piratini
"Primeira Capital Farroupilha"
Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Piratini

Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Piratini
Bandeira desconhecida
Brasão de Piratini
Bandeira desconhecida Brasão
Hino
Aniversário 6 de julho
Fundação 1789 (227 anos)
Gentílico piratinense
Prefeito(a) Vilso Agnelo da Silva Gomes (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Piratini
Localização de Piratini no Rio Grande do Sul
Piratini está localizado em: Brasil
Piratini
Localização de Piratini no Brasil
31° 26' 52" S 53° 06' 14" O31° 26' 52" S 53° 06' 14" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Sudeste Rio-grandense IBGE/2008 [1]
Microrregião Serras de Sudeste IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Canguçu, Encruzilhada do Sul, Santana da Boa Vista, Pinheiro Machado, Herval, Pedro Osório e Cerrito
Distância até a capital 347 km
Características geográficas
Área 3 561,480 km² [2]
População 20 614 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 5,79 hab./km²
Altitude 349 m
Clima subtropical/ temperado Cfb
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,756 alto PNUD/2000 [4]
PIB R$ 183 593,765 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 8 728,84 IBGE/2008[5]
Página oficial
Prefeitura http://www.prefeiturapiratini.rs.gov.br/

Piratini é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul.

Fundada por açorianos no final do século XVIII, célebre pelo fato de ter sediado uma das primeiras experiências republicanas da América Latina e única brasileira antes da Proclamação da República do Brasil em 15 de novembro de 1889, à época da secessão da Província de São Pedro do Império do Brasil durante a Revolução Farroupilha (1835-1845)[6], sendo a primeira sede oficial da República Rio-Grandense ou República do Piratini, entre 11 de setembro de 1836 á 15 de julho 1842.

Localizada na zona sul do Estado, Piratini é, pela sua formação histórica, uma das cidades mais importantes do Rio Grande do Sul. Possui significativa concentração de monumentos tombados pelo IPHAN e IPHAE, o que a diferencia em razão de contar com Centro Histórico considerado dos mais completos e homogêneos do RS, ainda carente de abrangente intervenção que resulte em sua revitalização. Está entre as primeiras cidades brasileiras que definiram e regularizaram a ocupação de seus centros históricos, tendo recebido o reconhecimento nacional na década de 1940.

A cidade tem desenvolvimento similar aos das outras cidades de mesmo porte da região, tendo o seu IDH 0,658 comparável ao estado da Paraíba ou ainda a Bolívia.

Nas centenárias ruas ressoaram as esporas ao tropel dos corcéis farrapos. Conserva ainda hoje, em suas ruas, os casarões da época do povoamento e da revolução, patrimônio histórico e cultural do Rio Grande do Sul, tais como o Museu Histórico Farroupilha, a Igreja Nossa Senhora da Conceição, o Palácio da República Rio Grandense, o Sobrado da Dorada, a Casa da Camarinha, construções do final do século XVIII e primeira metade do século XIX, entre outros.

Denominação em língua tupi-guarani[editar | editar código-fonte]

Piratini ou Piratinin (denominação primitiva) na língua tupi-guarani significa "peixe-barulhento", referente ao peixe que vivia nos cursos d´água da região .

Os povos formadores[editar | editar código-fonte]

O Rio Grande do Sul não era um vazio populacional. Antes da chegada dos europeus, o território do Estado era habitado por Povos indígenas. A economia Guarani tinha por base uma horticultura tecnicamente simples, da derrubada e queimada (sistema conhecido como coivara).

Os índios do Estado cultivavam principalmente mandioca, milho, batata-doce, feijão, abóbora, fumo, erva-mate e algodão, além de praticarem a caça e a pesca, alternando as atividades para suprir suas necessidades.

Ainda nos dias atuais é possível identificar características étnicas indígenas presentes na população de algumas regiões do município de Piratini. Estes grupos, mesmo bastante miscigenados como o branco e o negro, ainda carregam traços marcantes característicos dos Guaranis, como por exemplo a tonalidade da pele e os cabelos pretos e lisos. [7]

Os primeiros colonizadores do período do Brasil Colonial foram 48 casais provenientes do Arquipélago dos Açores, principalmente da Ilha do Faial, que se estabeleceram no local denominado "Capão Grande do Piratinin". Aproveitaram a ocupação do solos concedido, logo estabelecendo seus limites além das frações de terras recebidas. [8] Os açorianos, além de colonizar o município de Piratini, deixaram aqui rastros que em nossos dias são percebidos em nossos dias atuais, como uma rica contribuição cultural, na forma de trabalhar a terra, no acampamento de seus rituais religiosos, na maneira de se utilizar a pesca, no linguajar, nas festas e da forma como construíram suas casas e, em várias outras coisas que marcaram na maneira de agir dos piratinenses.

A história do Rio Grande do Sul, assim como a do Brasil, silenciou a participação dos negros na formação da sociedade, omitindo terríveis capítulos que foram decisivos para a formação da nossa identidade cultural, negando ao povo negro até mesmo o direito de ser reconhecido como autor fundamental da civilização brasileira.

O negro chegou ao Rio Grande do Sul - particularmente em Piratini - quando da ocupação portuguesa, uma vez que os colonizadores luso-brasileiros já haviam se acostumado com o lucro fácil do trabalho escravo, e não cogitavam dispensar essa forma desumana de trabalho. [7]

Um dos primeiros registros demográficos do município foi feito em 1872, quando sua população era de 6.501 habitantes. Em 1890, 8.859; em 1900, 10.933; em 15 de outubro de 1911, 12.170; em 1922, 15.000. A população atual é estimada em 20.614, segundo censo de 2010, realizado pelo IBGE. [9]

História[editar | editar código-fonte]

Povoamentos Pré-Históricos:[editar | editar código-fonte]

A região sul do Brasil foi inicialmente ocupada por alguns grupos indígenas pampeanos, entre eles os charruas e minuanos, irradiados dos pampas platinos ao Sul e a Oeste. Com o Gado das vacarias tornaram-se hábeis cavaleiros numa paisagem de horizontes ilimitados. Deles herdou-se a Boleadeira de pedra e a técnica de construção de torrões. Sua mobilidade caracteristicamente Nômade, deixou poucos vestígios de ocupação. Os ''cerritos'', aterros circulares ou elípticos construídos no centro da Aldeia temporária são vestígios arqueológicos de rituais de sepultamento praticados por estes grupos em regiões da metade sul do estado.

Nas áreas próximas aos rios, a ocupação se inicia com integrantes do tronco linguístico Tupi-Guarani, vindos de direções diversas, e que aí chegaram em dois estágios. Primeiro ocupando as várzeas dos rios Uruguai e Jacuí (no Século V), posteriormente ainda vindos do norte mas chegando a região através da região costeira e lacustre (Século IX e Século x). No município, os Sítios arqueológicos do Cerro do Sandi e Ferraria, são testemunho desta ocupação. Estes nativos utilizavam a terra no sistema de derrubada e queimada ou Coivara. Semeavam e colhiam a Mandioca, o Milho, a Batata-doce, o Feijão, o Algodão, a Abóbora, e a Erva-mate. Caçavam e pescavam com arcos e flechas e conheciam técnicas de tecelagem e da cerâmica. [8]

Contexto histórico regional:[editar | editar código-fonte]

O processo de expansão lusa rumo ao sul se inicia pelo Atlântico, quando os portugueses, em 1680, criam um posto avançado em terras espanholas: a Colônia do Santíssimo Sacramento, no Rio da Prata. Em local considerado hostil e inacessível por terra, a povoação se apoiava em Laguna, o último assentamento luso do sul do Brasil. Dali para baixo, só havia o extenso, reto e raso litoral, a praia com cômoros que encobria a barra de Rio Grande, a única entrada para o Continente. Domingos da Filgueira foi de Colônia á Laguna, em 1703, pelo litoral, margeando as cristalinas águas da Lagoa Mirim. Atravessou a barra e descreveu o primeiro caminho, o da Praia – considerado mais seguro - por ser menos povoado de índios. Era imprescindível ocupar as terras do Continente Del Rei, conhecidas como Terras de Ninguém, percorridas apenas por tropeiros e contrabandistas. Cristóvão Pereira de Abreu, o vaqueano, fez o reconhecimento em 1737 da perigosa barra de Rio Grande, enquanto que o Brigadeiro de Infantaria José da Silva Pais permaneceu em Laguna com a frota de apoio, esperando ordens para avançar. Os portugueses entraram sem dificuldades barra adentro e instalaram o forte Forte Jesus-Maria-José que deu origem à Vila de Rio Grande de São Pedro. Além de baluartes, fortins, paliçadas e baterias para a defesa, nos dois lados do canal, também foi criada uma Companhia de Dragões. O Tratado de Madrid, celebrado entre Espanha e Portugal em 1750, previa a troca dos Sete Povos das Missões pela Colônia do Sacramento. Nesta época a Capitania de São Pedro do Rio Grande, vinculada à Capitania de Santa Catarina, era ainda um grande vazio enquanto que as Ilhas dos Açores estavam excessivamente povoadas. O governo português recomendou a transferência de ilhéus para ocupar as terras das Missões, que passariam ao domínio português. Os casais D’El Rey chegaram em 1752 e se instalaram perto da Vila de Rio Grande de São Pedro, sede da Capitania, uma vez que a região das Missões ainda se encontrava sob domínio espanhol. Logo entraram pela costa doce da lagoa, instalando-se inicialmente em Viamão e depois no Porto do Dornelles, às margens do Rio Guaiba, que passou a ser conhecido como Porto dos Casais (hoje Porto Alegre).

Mapa da Província de São Pedro do Rio Grande, c. 1852, Herrmann Wendroth.

Para fixar os novos limites, entre as terras portuguesas e espanholas, aportaram na região as comissões de demarcação representantes das duas Cortes e o trabalho se iniciou com a partida para Castilhos Grande, onde foi colocado o primeiro marco de pedra. De longe as comissões foram acompanhadas pelos guarani-missioneiros que passaram a reagir à implantação do Tratado com ataques e escaramuças. Como consequência, eclode a Guerra Guaranítica, entre 1754 e 1756, com o massacre de centenas de missioneiros em Caibaté, seguido da expulsão dos jesuítas e consequente ocupação das reduções pelas tropas ibéricas.

Em 1760, a Capitania de São Pedro do Rio Grande era dependente da Capitania do Rio de Janeiro e Rio Grande, sua capital. Em 1761 o Tratado de El Pardo revogou o Tratado de Madrid e os portugueses aproveitaram para reforçar o controle das fronteiras do Sul, com distribuição de terras e títulos a tropeiros e militares, como forma de contribuir para sua defesa, a partir das estâncias, ampliando os conflitos com os espanhóis. Com a concessão de sesmariassesmarias, os casais açorianos recebiam do Governo da Capitania um quarto de légua em quadro. Logo começam a plantar trigo, a produzir vinho e a participar do comércio. Com os rebanhos de gado alçado deixado pelos jesuítas se estruturam as estâncias e se estabelecem os fazendeiros. Nas lides campeiras das fazendas ou no Pampa, indômito, vivendo da preia do gado para vender o couro, cria-se a figura do gaúcho, branco, ou misto com índio, sem lei e sem Rei. E os acampamentos militares criados para a defesa das fronteiras móveis geram povoações, cidades marcos, em terras conquistadas nas patas dos cavalos. Neste jogo político, o governador de Buenos Aires, D. Pedro de Cevallos tomou a Colônia do Sacramento e em 1763 ocupou os fortes de Santa Teresa, São Miguel e a Vila de Rio Grande de São Pedro. Com a invasão espanhola, a população de Rio Grande fugiu em busca de proteção, refugiando-se na região e em Viamão, para onde foi transferida a capital da Província.

Ao longo do Rio Jacuí foram criadas algumas povoações açorianas, com suas capelas caiadas, torres sineiras, casas de porta e janela, caixilharias com guilhotinas, grandes telhados com beirais galbados, curtos. E os costumes dos ilhéus se manifestavam na gastronomia, nas festas religiosas, nos impérios, nos tapetes floridos, nas procissões luminosas, com cheiro de alecrim queimado e som de sinos repicando. Nas noites, ternos de reis, antigas de roda, danças e doces, muito doces, dourados, de ovos.

Em 1777 o Governador de Buenos Aires invadiu a Ilha de Santa Catarina e um novo Tratado entre as duas Coroas, o de Santo Ildefonso, redefiniu novamente as fronteiras. Os portugueses ficaram com a Ilha de Santa Catarina e os espanhóis com as Missões e com a Colônia do Sacramento. A situação permaneceu assim até 1801, quando, aproveitando o conflito bélico entre Espanha e Portugal, um grupo de soldados e estancieiros invadiu e reconquistou os Sete Povos das Missões. A Capitania de São Pedro do Rio Grande foi elevada à condição de Capitania-geral em 1807, desvinculada da Capitania do Rio de Janeiro, com o nome de Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul. Em 1809, a Capitania-geral é dividida em quatro municípios, e as povoações classificadas como Vilas: Rio Grande de São Pedro do Sul, Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre, Nossa Senhora de Rio Pardo, e Santo Antônio da Patrulha.

A criação do gado bovino favoreceu o surgimento de charqueadas que se localizavam junto aos arroios; conectados aos mercados consumidores nordestinos pelo porto de Rio Grande. A concentração de riqueza desta indústria se manifestou na sofisticação de uma nova elite, com a pompa no pampa, ostentando costumes importados. Eram veludos, brocados, rendas, louças e pratarias nos saraus dos luxuosos palacetes e música clássica e óperas nos teatros.

As incipientes povoações com características coloniais foram incorporando estilos arquitetônicos europeus do neoclássico e das múltiplas formas do ecletismo em residências e espaços públicos. Nas periferias, as charqueadas, formavam rios de sangue, fedentina e moscas. Nas senzalas, se amontoavam seus motores, os escravos negros. E vez por outra, verificavam-se revoltas, rebeliões e fugas, aos quilombos.

Em 1820, Portugal incorporou o território da Província Cisplatina, a “Banda Oriental”. Em 1822, com a Independência do Brasil, as Capitanias passaram à categoria de Províncias. As terras da Cisplatina foram recuperadas em 1825 pelos “Trinta e Três Orientais”, quando foi criada a República Oriental do Uruguai.

O descontentamento com os impostos imperiais aplicados aos produtos pecuários, que eram a base da economia gaúcha, provocou reações e desencadeou a Revolução Farroupilha em tomada de Porto Alegre pelas tropas comandadas por Bento Gonçalves da Silva marca o início do embate conhecido também como Guerra dos Farrapos. A partir de revolta começa a ser combatida por forças militares do governo central, comandada pelo então Barão de Caxias, Luís Alves de Lima e Silva. Apoiada em Porto Alegre e Rio Grande, a reação imperial provocou o deslocamento sucessivo da capital dos farroupilhas: de Piratini para Caçapava do Sul e depois para o Alegrete. Os embates se sucederam e finalmente, em 1 de março de 1845, o Duque de Caxias e David Canabarro entraram em acordo e celebraram a paz que pôs fim à mais longa guerra civil brasileira. Após dez anos de luta e devido ao surgimento de outros conflitos internacionais, o governo imperial buscou uma paz honrosa, em acordo firmado em 1845, em Ponche Verde. O período era de grande instabilidade e muitas guerras no espaço platino e assim se mantém durante grande parte do século XIX. O tratado de paz entre o Império e os farroupilhas acontece pelo interesse na manutenção e na expansão das fronteiras do Império Brasileiro ao sul, e para tal era importante a aliança com a elite rio-grandense e seus agregados. O Duque de Caxias manteve todos os oficiais do exército da República Rio-Grandense em seus postos (com exceção apenas dos Generais), dívidas foram saldadas e os atos praticados pela República foram respeitados. Segundo Sérgio da Costa Franco foi Tristão de Alencar Araripe, trinta anos depois, o primeiro a escrever sobre este tema no livro A guerra civil do Rio Grande do Sul. E são jovens estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Júlio de Castilhos, Alcides de Mendonça Lima, Assis Brasil e outros que manifestam interesse pela história da República Rio-Grandense, a história farroupilha. Criam lá o Clube 20 de Setembro, com esse interesse específico.

Enfim, em 1880, quando é publicado um livro de Assis Brasil sobre a história da República Rio-Grandense, e por ocasião da fundação do Partido Republicano começa a nascer o interesse político por sua história. Quando vitoriosa a República Brasileira em 1889, o hino, a bandeira e as armas da República Rio-Grandense tornam-se oficiais. Ainda segundo Sergio da Costa Franco, de todos os pensamentos federalistas que surgiram durante a Regência apenas o do Rio Grande do Sul se consolidou no imaginário regional e se oficializou. O mapa do Rio Grande do Sul só se configurou, finalmente, a partir do Tratado de 1851. Para ocupação da região e domínio do território foram trazidos imigrantes livres, europeus. Primeiro vieram os alemães, logo os italianos. Mais tarde, em diferentes circunstâncias, chegaram descendentes de outras etnias, conformando o chamado mosaico cultural, onde cada um, com sua bagagem e habilidade, contribuiu na formação deste Estado. [8]

Processo de colonização açoriana:[editar | editar código-fonte]

Em 1494, Portugal e Espanha firmaram o Tratado de Tordesilhas. Por esse tratado, foi estabelecida uma linha imaginária, que corria no sentido norte-sul, distante 370 léguas a oeste do arquipélago do Cabo Verde. As terras que ficassem a leste desta linha pertenceriam a Portugal e, a oeste, à Espanha. Assim, grande parte do Brasil de hoje todo o Rio Grande do Sul pertenceria á Espanha. Passados mais de dois séculos do descobrimento é que chegam aos campos de Viamão as primeiras expedições, com o propósito de se estabelecer no Continente de São Pedro (Rio Grande do Sul).

A emigração de casais açorianos para o Brasil começou no Século XVII, quando 50 famílias constituídas por 219 pessoas embarcaram, no dia 29 de março de 1677, no barco Jesus, Maria e José em Horta, Ilha do Faial, com destino ao Grão-Pará, atual Estado do Pará.

O Campeiro dos Pampas de Jean-Baptiste Debret.

Em meados do século XVII começou a se realizar, por determinação das autoridades de Lisboa, uma bem sucedida experiência de colonização do tipo moderno mediante a fixação de famílias ao solo. Essa imigração em massa visava defender e povoar os atuais estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pois a Coroa estava convencida que a melhor maneira de garantir a posse da terra era povoá-la. Assim, imigraram para o Brasil a partir de 1732 milhares de colonos ilhéus oriundos do Arquipélago dos Açores.

Em 31 de agosto de 1746, o rei Dom João V de Portugal comunicou aos habitantes das ilhas dos Açores que a Coroa oferecia uma série de vantagens aos casais ilhéus que decidissem emigrar para o litoral do sul do Brasil. Nos termos de um edital fartamento distribuído pelas nove ilhas do arquipélago as vantagens do convite eram evidentes:

- "haverá um grande alívio nas ilhas porque elas não mais verão padecer os seus moradores, uma vez que vão diminuir os males da indigência em que todos vivem;"

- "haverá um grande benefício para o Brasil , já que os imigrantes irão cultivar terras ainda não exploradas."

O edital acenava com uma série de mordomias, a partir do "transporte gratuito até os citios que se lhes destinarem para as suas habitações. E logo que chegarem aos citios que haverão de habitar, se dará a cada casal uma espingarda, duas enxadas, um machado, uma enxó, um martelo, um facão, duas facas, duas tesouras, duas verrumas, uma serra com sua lima e travadeira, dois alqueires (27,5 litros) de sementes, duas vacas e uma égua. No primeiro ano se lhes dará a farinha, que se entende bastar para o sustento, assim dos homens como das mulheres, mas não às crianças que não tiverem 7 anos e, aos que tiverem até os 14, se lhes dará quarta e meia de alqueire para cada mês. Se dará a cada casal um quarto de légua em quadra, para principiar as suas culturas, sem que se lhes levem direitos nem salários algum por esta sesmaria. E quando, pelo tempo adiante tiverem família com que possam cultivar mais terra, a poderão pedir ao governador do distrito".

Sua Majestade definiu que o primeiro estabelecimento de casais açorianos seria feito na Ilha de Santa Catarina e nas suas vizinhanças, "em que a fertilidade da terra, abundância de gados e grande quantidade de peixes conduzem muito para a comodidade e fartura desses novos habitantes".

Em menos de um ano, 7.817 pessoas declararam o desejo de se transferirem para o outro lado do Oceano Atlântico. Uma Provisão Régia do rei Dom João V, de 9 de agosto de 1747, determinou ao brigadeiro José da Silva Pais, então governador da Capitania da Ilha de Santa Catarina, que tomasse cuidado em tratar bem os novos colonos:

"O dito brigadeiro porá todo o cuidado em que estes novos colonos sejam bem tratados e agasalhados e, assim que lhe chegar esta ordem, procurará escolher assim na mesma Ilha, como nas terras adjacentes, desde o Rio de São Francisco do Sul até o Serro de São Miguel, nos altos da Serra do Mar, e no sertão correspondente a este distrito, com atenção porém que se não dê a justa razão de queixa aos espanhóis confinantes".

Muitos açorianos imigraram para o sul do Brasil porque a miséria grassava no Arquipélago, no século XVIII, como resultado do fraco desenvolvimento das ilhas na produção do trigo e do pastel (outrora, a sua maior riqueza), acrescido do excesso demográfico que atingiu um caráter cíclico nas ilhas maiores. Os açorianos aparecem na história do Brasilem diversas regiões e estão distribuídos pela Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Amazonas, Pará, Paraíba, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Atualmente, vivem no Brasil 1 milhão e 200 mil portugueses, sendo a maior parte açorianos e seus descendentes. [10]

Primeiros anos:[editar | editar código-fonte]

Na década de 1780, a Vila do Rio Grande de São Pedro (hoje Rio Grande), contava com três distritos, sendo: 1º distrito, a Vila de Rio Grande; 2º distrito, o Povo Novo; o 3º distrito, o Serro Pelado. O "Serro Pelado" (atual Piratini) era uma grande área que abrangia, na época, extensão muito maior do que o atual município de Piratini. Esse local era uma elevação com 215 metros de altitude, localizado próximo á cidade de Cerrito, entre o Rio Piratini e o Arroio das Pedras, ainda tem hoje o mesmo nome e é visível por quem transita pela BR-293,na altura do km 45, a direita de quem viaja em direção a cidade de Pelotas.

Sua história colonial como ocupação urbana se vincula ao processo de expansão territorial português no sul do Brasil, em áreas que pelo Tratado de Santo Ildefonso (1777), pertenciam a Coroa espanhola. Um mapa de demarcação de demarcação do Tratado de Santo Ildefonso, levantado entre 1784 e 1788, reproduzido no livro "O Negro e descendentes na Sociedade do RS" (pg. 185), registra o Rio Piratini, o Passo do Acampamento, onde acampavam os militares portugueses demarcadores do tratado acima citado. A chegada de militares portugueses que instalaram-se na Guarda do Posto, no Passo da Guarda junto ao Rio Piratini deu-se no ano de 1777, uma vez que os limites das posses entre as duas coroas era o próprio Rio Piratini.

A concessão de sesmarias foi um artifício utilizado pelos portugueses para ampliar os seus domínios no território do sul, apesar de muitos dos criadores que ocupavam terras não possuírem títulos legítimos. Na localidade do Passo do Balthazar, no Rio Piratini e, em sua margem esquerda até o local próximo a atual cidade de Piratini, as estâncias de Balthazar Garcia e Manoel de Tal, todas já infiltradas ao sul do Piratini em desacordo com o Tratado de Santo Ildefonso e, inclusive charqueadas, ao sul da confluência do Piratini com o Canal São Gonçalo.

Palácio do Governo farroupilha, construído entre 1824 e 1826, por Manuel Jacinto Dias, abastado morador de Piratini. Hoje, abriga o Museu Histórico Municipal Barbosa Lessa.

A região no sul do Rio Grande do Sul era muito almejada por castelhanos no século XVIII, que insistentemente tentavam apropriar-se daquelas terras. Esta insegurança, provavelmente tenha sido o principal fator que motivou o chefe militar Rafael Pinto Bandeira, a indicar a ocupação da área. A solicitação de Bandeira foi acatada pela rainha de Portugal, Dona Maria I, que ordenou ao Vice-Rei do Brasil Dom Luiz de Vasconcelos e Souza a distribuição de sesmarias e o início do povoamento data de 1789, mesmo ano em que a França revolucionária derrubava a Bastilha, com a chegada 48 casais de açorianos, os Casais Del-Rey, em terras que a Coroa Portuguesa permutou com o sesmeiro José Antônio Alves, em três léguas de campo que possuía, foram requeridas por concessão régia, nas pontas do rio Piratini, por extensão igual na Coxilha de São Sebastião e dividiu essa área em 48 "datas" de igual tamanho (cerca de 250 ha), concedendo-as, por carta de 6 de julho de 1789, por ordem da Dona Maria I de Portugal, a região - localizada no cume de uma coxilha, nas proximidades dos rios Camaquã e Piratini, onde hoje se localizada a cidade - , afim de garantir posse do território. Os primeiros povoadores, ao chegarem, estabeleceram-se no local denominado Capão Grande do Piratini e fundaram uma capela em honra a Nossa Senhora da Conceição, no atual local onde existe a atual igreja da cidade. Desde então ela é a padroeira do município. As datas de terras foram dadas aos casais sob a ordem de nelas trabalharem, plantarem e não as venderem sem terem passados 5 anos. Ali, a partir de 1789, eles construíram suas casas de arquitetura singela, com alinhamento de duas janelas e porta na fachada. A escolha dos açorianos deu-se devido aos seus conhecimentos sobre agricultura, que poderiam ser utilizados naquelas terras. As terras onde foram colocados os casais faziam parte de uma estratégia de ali barrar possíveis caminhos de invasão por espanhóis ao Rio Grande do Sul, ao longo do divisor da serra dos Tapes, a partir de Cerro Largo (atual Mello), através do passo Centurión (então Passo N.S. da Conceição) do Rio Jaguarão.

Eles ficaram estabelecidos a margem direita do Rio Piratini Mirim (atual passo do Batalha). No local, produziam algodão, trigo, cevada e demais produtos. Além dos casais de número ou casais d'El Rei, outras famílias vieram para Piratini, nos primeiros tempos do povoamento. Eram oriundos de diversas povoações do Brasil, Espanha, Portugal e outros países. A paisagem de Piratini lembrava e muito as paisagens de Portugall, e a arquitetura é uma das marcas deixadas pelos portugueses no Rio Grande do Sul, e constituem os troncos principais das famílias de Piratini.

O Tratado de Santo Ildefonso em 1777, imposto pela Espanha e Portugal, desgostara sobremodo os rio-grandenses. E de 1777 e 1800 houve um grande esforço de Portugal para infiltrar seus súditos em território motivo de disputa entre Portugal e Espanha. E ao sul do Piratini disto se encarregou o comandante da Fronteira do Rio Grande e sesmeiro em Cerrito, o Marechal Manuel Marques de Sousa 1º denominação histórica da 8a Brigada de Infantaria Motorizada de Pelotas, cuja proposta vitoriosa foi por nós sugerida e instruída. Infiltração iniciada ao sul de Piratini já antes de 1784 e que foi percebida e denunciada pelo espanhol Félix de Azara, fundador de São Gabriel, alertando que se ali não se criassem núcleos espanhóis, em 4 anos a Espanha perderia o território, no caso em tela, entre os rios Piratini e Jaguarão. E esta perda aconteceu logo. E Piratini, como Vila dos Casais, formou na vanguarda desta infiltração portuguesa, ao ponto de 11 anos antes da Guerra de 1801 ali se estabelecerem casais açorianos para um duplo papel de soldado e agricultor. E para esta infiltração muitos açorianos se deslocaram de Estreito, Mostardas e Povo Novo para a fronteira, então no corte do Piratini, em Piratini, Canguçu, Vila Freire e Cerrito atuais, de onde muitos partiriam para a conquista da estância própria nos territórios conquistados em 1801, entre os rios  Piratini e Jaguarão e nos Sete Povos das Missões, em guerra financiada pelos estancieiros gaúchos.

No interior do Museu Histórico Municipal, onde funcionou o Palácio da República Rio-Grandense o visitante acompanha a evolução cultural do povo piratinense.

Coincidente com a instalação de 48 casais em Piratini, em Canguçu atual  a Real Feitoria do Linho cânhamo do Rincão do Canguçu (1783-1789), com sede em Canguçu Velho atual, era transferida, por questões de segurança, de provável Zona de Guerra para São Leopoldo. Assim, em 1 de janeiro de 1800 foi fundado Canguçu como capela curada. E fundada numa encruzilhada e nó orográfico, no dorso da Serra dos Tapes, capaz de barrar caminhos de invasão provenientes de Melo, no Uruguai, ou de Rio Pardo demandando Rio Grande e vice e versa. A sede da Real Feitoria passou a ser conhecida desde então como Canguçu Velho.

Em 1801 aconteceu a vitoriosa Guerra de 1801, que dilatou as fronteiras da Coroa Portuguesa com a Coroa Espanhola, do Rio Piratini ao Rio Jaguarão e do Taim ao Chuí. [11]

José de Mattos de Guimarães, um português nascido em Guimarães, construiu o primeiro moinho num dos galhos do Rio Piratini. Com a chegada do primeiro vigário, reverendo Jacinto José Pinto Moreira, em 17 de abril de 1810 no mesmo local da primitiva Capela, foi construído um amplo templo, em terreno doado por José de Mattos Guimarães, devido a sua devoção a Nossa Senhora da Conceição. Em 1823 o vigário retirou-se para a corte, deixando-a inacabada. Posteriormente, após grande temporal começa a ameaçar ruir, em 1848, foi demolida até os alicerces, para ser construída a atual Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, construída entre 1848 e 1854

As Reduções Jesuíticas que iniciaram a introdução a introdução do gado bovino em 1629, dando início ao gigantesco rebanho que formaria as "vacarias do mar", penetraram também até os Tapes. O gado se reproduziu solto e se tornou o principal fundamento da economia gaúcha.

O crescimento da população e a prosperidade da criação de gado bovino e do cultivo, principalmente de linho e cereais, como o trigo, atraíram novos habitantes e despertaram a atenção do governo imperial, que decidiu elevar o povoado, por alvará do Príncipe Regente, D. João VI de Portugal, datado de 03 de abril de 1810, à categoria de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Piratinin. Nesse período, moradores abastados começaram a construir casas em volta da capela, que havia sido ampliada pelo reverendo Jacinto José Pinto Moreira, primeiro vigário de Piratini. Em 1811 teve lugar a fundação de São Sebastião de Bagé pelo Capitão-General D. Diogo de Souza, tornando-se a Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, um grande acampamento militar.

Entre 1816 e 1820, agitou-se a fronteira com as guerras contra o General José Artigas, tendo chegado do Reino de Portugal a Divisão de Voluntários Reais. A insegurança fronteiriça no vai e vem, elegeu Piratini situada sobre a proteção da Serra dos Tapes como lugar seguro para se viver. Para Piratini imigraram famílias que construíram moradias antes mesmo da Guerra de 1801 e antes de 1832, incluindo palacetes e sobrados, que iriam abrigar os prédios públicos da República Rio-Grandense, que se mantém de pé até os dias atuais. [11] Foi nessa época, por volta de 1820 que começava a chegar a Piratini a mão de obra escrava africana, aqui chegados através do tráfico negreiro. Os braços fortes dos escravos eram usados nas estâncias e charqueadas nas lides campeiras e em diversos outros ofícios. Mais tarde, por conta da Revolução Farroupilha, a estes foi jurada a liberdade caso juntassem-se ao exército farroupilha. Constituíram importante formação militar farroupilha, conhecida como lanceiros Negros, liderados principalmente pelo Coronel Joaquim Teixeira Nunes.

A tradição guerreira de Piratini pode ser notada mesmo antes da Revolução Farroupilha, no ano de 1827, quando eclodiu a Guerra da Cisplatina, que resultou na independência do Uruguai do Império do Brasil, que fora a Província Cisplatina por 5 anos, onde muitos habitantes da Freguesia tomaram parte ao lado das tropas brasileiras. No decorrer das negociações de paz, o exército imperial esteve por mais de três meses acampado na localidade entre o inverno e 18 de dezembro de 1829, e foi em Piratini desmobilizado que radicaram-se e casaram-se muitos militares, como os Alferes Antônio Joaquim Bento e Vicente Ferrer Almeida, com filhas de José de Mattos de Guimarães. O Alferes Antônio Joaquim Bento seria futuramente, o 1° professor de Alegrete, nomeado pelo governo farroupilha e seu filho Antônio Joaquim Bento, seria o 1° professor régio em Canguçu em 1857. Piratini passou a ser conhecida como Vila dos Casais, tornou-se localidade segura e atrativa, crescendo a cada dia sua população, prosperando e, em especial a produção de trigo em suas terras férteis e com o dorso das Serras do Sudeste, assegurando comunicações a cavalo e de carretas "sem molhar-se as patas dos cavalos, mulas e das boiadas.[11] Esses fatores contribuíram para um crescente desenvolvimento da localidade, levando o Governo Imperial, por Decreto s/n, de 15 de dezembro de 1830, a elevar a Freguesia à categoria de Vila, com cerca de 80 prédios, entre eles seis sobrados e uma cadeia, integrado pelos distritos de CanguçuCerrito e Bagé, até o Rio Pirai.

7 de junho de 1832 foi instalada a Vila pelo conselheiro Antônio Rodrigues Fernandes Braga, decorridos 42 anos de sua fundação, sendo eleita e empossada a primeira Câmara Municipal, constituída por: Vicente Lucas de Oliveira, presidente, com 361 votos; Manoel Rodrigues Barbosa, com 334 votos, Manoel Gomes Guimarães, com 294 votos, Ubaldo Pinto Bandeira, Ramão Garcia de Vasconcelos, com 194 votos, Manoel da Silva Santos Velleda, com 215 votos e José Pereira da Silva Cacório, com 203 votos secretariada por Antônio Belarmino Ribeiro. Serafim José da Silveira recebeu 274 votos, mas não assumiu por ter sido aceito como Juiz Ordinário. Dos 40 signatários da ata de fundação, registra-se o nome de Bento Gonçalves da Silva (futuro líder farrapo), Ubaldo Pinto Bandeira (consta como sendo irmão do Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira e que dá nome ao Cerro do Ubaldo, no 1° distrito de Piratini, ás margens da RS-702), o mais tarde Comendador Manoel José Gomes de de Freitas, Serafim José da Silveira, José de Mattos de Guimarães e Bernardo Pires da Rosa (simbolista farrapo, criador do Lenço Farroupilha). [11] Geralmente a elevação a categoria de vila se dava devido ao constante crescimento populacional e ao desenvolvimento econômico. [7]

Fotografia sem data e autor, da atual Avenida Gomes Jardim em Piratini.

Depois de elevada a vila, Piratini embora não oficial, era uma cidade com nobres solares e até sobrados - raríssimos então, datando os mais expressivos de 1819 a 1824. E com ruas batizadas: rua Clara, a principal; rua do Bom Fim, rua do Teatro, rua da Conceição, rua da Cadeia, rua do Passo, rua da Fonte, rua Nova, praça das Alegrias, praça do Teatro, e mais alguns becos e ruas, inclusive com uma modista francesa que atendia em seu atelier. Em 14 de janeiro de 1820 foi criada a primeira aula pública para meninos na vila.

Duas fontes públicas abasteciam a população: a Fonte dos Pinheiros e a Fonte da Terra. A existência de um teatro - Teatro 7 de Abril - é uma prova do adiantado grau de cultura da região, já naquela época. E, como atestado do desenvolvimento da comunidade piratiniense, existiam dois estabelecimentos industriais: a Fábrica de Cerveja de Lucindo Manoel de Brum e a Fábrica de Pólvora e Foguetes, dos Irmãos Gonzaga Ferreira Pinto de Souza, os "fogueteiros".

Em 20 anos, o povoado cresceu, ganhou novos prédios e uma capela ainda maior, com portas em arcos e duas torres em estilo gótico. As poucas ruas ainda não tinham calçamento e a água potável chegava à população apenas por duas fontes naturais, acima citadas. A vila era iluminada por querosene e servida por um demorado sistema de correio, inaugurado a 8 de setembro de 1832, que transportava cartas até a Vila São Francisco de Paula (hoje Pelotas) três vezes por semana. No mesmo ano, a vila foi desmembrada do município de Rio Grande, mas seu território continuou abrangendo uma grande extensão, onde estão hoje seis municípios da Região Sul do Estado.

Além dos primeiros povoadores de origem portuguesa-açoriana, hoje fazem parte da população outras etnias, como africanos (trazidos como mão-de-obra escrava), espanhóis, alemães e italianos.

A Proclamação da República de Piratini, de Antônio Parreiras, 1915.

Revolução Farroupilha e capital da República:[editar | editar código-fonte]

Se rasgou o negro lençol de nuvens que que envolvia a vastidão dos céus. E do lado do Sul brilhou uma estrela- Piratini, na qual se lia Amor, Fraternidade, Humildade. (Tito Livio Zambeccari em artigo de 1838)

A Província de São Pedro do Rio Grande do Sul vivia momentos de tensão em 1835. O descontentamento com a política do governo central e a oposição entre conservadores e liberais, o estopim da Revolução Farroupilha, praticamente antecipavam o longo período de confrontos armados.

Os episódios que antecederam esta decisão são inúmeros, porém é necessário frisar alguns, como o alto custo de produtos exportados da então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, como o charque, a graxa, o couro, e tantos outros, que eram taxados com impostos abusivos pelo Império. Além disso, um presidente da província que defendesse os ideais rio-grandenses também era outro clamor dos revolucionários. [12]

Na noite do dia 19 de setembro para o dia 20, após reunião na Estância das Pedras Brancas, ás margens do Lago Guaíba, Gomes Jardim, Onofre Pires e demais líderes do movimento atacaram e tomaram a capital da província, Porto Alegre, destituindo do poder o presidente Antônio Rodrigues Fernandes Braga, que fugiu para Rio Grande. Cerca de duas semanas depois de um grupo de rebeles farroupilhas ter ocupado Porto Alegre, cem homens deflagravam o movimento na Vila Piratini, comandados pelo capitão de milícia Antônio José de Oliveira Nico e por Domingos de Souza Neto, rendendo e destituindo as autoridades imperiais. As primeiras colunas de farrapos marcharam pelas ruas estreitas da vila, a 8 de outubro, sob a aclamação dos piratinienses. O movimento teve grande influência da Revolução Francesa, tendo em seus principais lemas a liberdade, igualdade e humanidade.

Por sua localização estratégica, no alto da Serras do Sudeste, e pela existência de dezenas de prédios próximos para a instalação dos comandos revolucionários, a vila tornou-se o centro de operações do movimento. Em dezembro de 1832, o coronel Antônio de Sousa Neto passou a chefiar a Legião de Guardas Nacionais da Comarca de Piratini, criada em 10 de setembro de 1835, pelo presidente da província, formada por quatro companhias recrutadas em Piratini, Canguçu, Cerrito e Bagé. Com 28 anos, comandou a coluna farroupilha que venceu, em 10 de setembro de 1836, em Seival, as tropas imperiais de Silva Tavares. A Legião organizada pela Câmara de Piratini com o nome de Corpo com 2 Esquadrões, totalizando 4 Compainhas com as seguintes paradas: Piratini, Bagé, Canguçu e Cerrito. As Compainhas de Piratini e Bagé formaram o 1° Esquadrão. As de Canguçu e Cerrito formavam o 2° Esquadrão. Ao 1° Esquadrão foram incorporadas soldados da Guarda Nacional dos atuais municípios de Pinheiro Machado, Hulha Negra e Candiota. [11]

A vitória dos integrantes da Primeira Brigada Liberal marcou um dos acontecimentos militares mais importantes do movimento e despertou o desejo de emancipação dos farrapos. Na noite do combate de Seival, ainda sob a euforia da vitória, o capitão Manuel Lucas de Oliveira e Joaquim Pedro Soares foram até a barraca de Neto para convencê-lo a ocupar o posto de general-em-chefe do exército e proclamar a República. O movimento que até então visava chamar a atenção do governo central para que com os rumos da economia gaúcha, a partir de então tomava caráter separatista. Os soldados do exército farroupilha que antes hasteavam a bandeira do Império do Brasil, agora empunhavam uma bandeira própria (tricolor: verde, vermelho e amarelo), elaborada pelos farrapos em 1835 e usada após a proclamação da República Rio-Grandense em 11 de setembro de 1836. Esta bandeira tornou-se a bandeira oficial do Estado do Rio Grande do Sul a partir de 14 de julho de 1891.

Conta o professor e historiador João Manoel Ferreira, sobre um fato, que virou lenda local, ocorrido por essa época: o pároco da Matriz Nossa Senhora da Conceição, padre Manoel José Soares de Piña, odiava os farroupilhas. Nas missas, imprecava contra os sediciosos do púlpito, xingava os fiéis simpáticos á conspiração e, consta, usava a palmatória, para impor suas ideias. Quando os farrapos depuseram da vila os governantes imperiais, em 8 de outubro de 1835, foram tirar satisfações com o padre resmungão. Piña, não se intimidou, manteve as críticas e disse que não arredaria o pé da sacristia, pois obedecia somente ao Papa. Então, os revolucionários o colocaram no lombo de uma mula velha e mancarrona, e o expulsaram da cidade sob gargalhadas. Indignado com a humilhação a que fora submetido, o padre rogou uma praga a cidade:-"Esta vila nunca será próspera. Um passo para frente, dois para trás". O praguejador possesso jamais voltou. Piratini realmente ficou longe dos trilhos do trem e das rodovias.

Ali mesmo escreveram os rascunhos da proclamação. No dia seguinte, 11 de setembro, antes de sair o sol, as tropas já esperavam o futuro general nos campos dos Menezes, à margem esquerda do rio Jaguarão. Neto apareceu a galope. Postou-se ao centro da tropa, ergueu a espada e anunciou a proclamação da República Rio-Grandense. Em 11 de novembro de 1836 nela instalou-se a capital da nova República Farroupilha, sendo elevada em 1837, ao título de "Mui Leal e Patriótica Cidade de Nossa Senhora da Conceição de Piratinym".

Após a Proclamação da República Rio-Grandense, no dia seguinte e assim decretada pela Câmara de Piratini, depois de assumir o papel de Constituinte da República Rio-Grandense para formalizá-la juridicamente. O presidente da Câmara de Vereadores, Vicente Lucas de Oliveira, aderiu à causa e permaneceu em seu cargo. Outros, como o juiz de paz na época, Comendador Fabião, foram destituídos. A revolução teve como epicentro a região de Piratini, que na época pertenciam os municípios de Bagé (até o Piraí), Hulha Negra, Candiota, Pinheiro Machado, Cerrito e Canguçu, este último, considerando o período 1835-1842 como "o mais perigoso e mais farrapo". Piratini, por decreto do presidente da República Rio-Grandense, General Bento Gonçalves da Silva, de 4 de agosto de 1838, incorporou o atual território do município de Dom Pedrito, ao sul do Arroio Jaguarí, e a leste do Arroio Ponche Verde. Decorridos 56 dias da vitória no Seival, em 5 de novembro a Câmara de Piratini reuniu-se e deliberou:

  1. Assumir o papel de Constituinte (provisória) da nova República Rio-Grandense.
  2. Proclamar independente do Império do Brasil a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.
  3. Declarar a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul estado livre, constitucional e independente com a denominação de Estado Rio-Grandense.
  4. Pode ligar-se ao Estado Rio-Grandense por laços de Federação a outras províncias que adotarem a República.

Assinaram estas importantes decisões históricas os vereadores Vicente Lucas de Oliveira, Manoel José da Silva Santos Veleda, Serafim José da Silveira, Antônio Correia da Silva, João Antônio de Moraes e José Pereira Cacório. No outro dia, a mesma Câmara ausente o vereador Silva Verde, por motivo de doença, presidiram as seguintes eleições:

Reprodução da 1° edição do jornal revolucionário "O Povo", editado na tipografia da República, em Piratini no ano de 1838

Segundo a tradição, o vereador Serafim José da Silveira, afim de evitar que o vice-presidente Paulino da Fontoura assumisse o governo por ser conhecido boêmio e conquistador, criou a figura apavorada de Gomes Jardim para assumir a presidência.

Bento Gonçalves que encontrava-se preso em Salvador (Bahia), escapou da prisão com a ajuda de amigos maçons, recebeu da Câmara de Vereadores a posse da Presidência da República em 16 de dezembro de 1837. Piratini foi capital da República e sede do governo farrapo de 10 de novembro de 1836 á 7 de janeiro de 1837; de 26 de maio de 1837 á 14 de fevereiro de 1839; de 4 de maio de 1843 até o final da Revolução Farroupilha, ou seja, teria abrigado o governo por mais de 3 anos.

O período áureo da República Rio-Grandense teve Piratini como capital. Foram aprovadas a bandeira, o brasão e o hino rio-grandense.[11] Em 1838, por iniciativa de Domingos José de Almeida e Luigi Rossetti, foi criado o órgão oficial da República, o jornal "O Povo", sendo a tipografia e redação instaladas no prédio onde residiam Rossetti e Giuseppe Garibaldi, que chegaram a vila via Uruguai, após contato com Bento Gonçalves, enquanto este se encontrava preso na Fortaleza da Laje, no Rio de Janeiro.

Ao alvorecer do ano de 1839, os interesses da República e a estratégia militar fazem com que se decida a transferência da capital para Caçapava do Sul, e a 14 de fevereiro o Governo Republicano deixa Piratini em direção à nova Capital, onde permaneceu até 15 de julho de 1842, quando foi transferida para Alegrete. Todavia, quando da marcha de Canabarro para a fronteira, em março de 1843, o governo resolve refugiar-se novamente em Piratini, onde resolveu fixar-se, definitivamente, a 4 de maio de 1843, restituindo à primitiva sede a sua categoria de Capital.

Em 9 de novembro de 1842 assumiu a Presidência e o Comando das Armas da Província do Rio Grande, o Barão de Caxias, e após as primeiras refregas e com sua experiência e habilidade política, procurou desarmar os espíritos, conclamando os riograndenses ao entendimento e propondo um acordo de paz honrosa. Assim, após prévios encontros com Bento Gonçalves e outras autoridades republicanas, foi assinada em Ponche Verde a Ata da Pacificação, em 25 de fevereiro de 1845. [1]

Anos posteriores a Revolução Farroupilha:[editar | editar código-fonte]

Por ato do Governo Imperial, em 1 de março de 1845, Piratini foi rebaixada à categoria de Vila e, por esse Ato, ficou na história o declínio do outrora próspero município. Era a política da Terra Arrasada.

Com seus rebanhos aniquilados, as lavouras abandonadas pelos filhos chamados à luta, uma outra pena lhe foi imposta pelos governos da província que se sucederam: o abandono, a discriminação, a perseguição política. Nenhuma outra localidade e seus habitantes sofreu tanta represália de parte dos governantes imperiais, como Piratini. Áreas de seu território foram sendo desmembradas, como espólio de guerra, para a criação de novos municípios como Bagé (1846), Canguçu e Cerrito (1856) e Cacimbinhas (atual Pinheiro Machado (1878). Nos próximos 30 anos após o fim da Revolução Farroupilha, algumas obras mais significativas para a cidade foram feitas, tais como a 1° escola pública para meninas em 1846, em 1856 são construídas a Câmara municipal e a Cadeia Pública, em 1863 o Cemitério Público, em 1870 a Ponte do Império, e em 1880, Piratini passa a contar com a Linha de Telégrafo.

Embora no campo militar a Revolução Farroupilha tenha acabado em 28 de fevereiro de 1845 no atual Dom Pedrito, ela continuou e continua no campo político. Farrapos combateram pelo Brasil, e não pelo Império nas guerras externas contra Oribe e Rosas (1851-1852) e contra Solano López do Paraguai (1865-1870) levaram para os campos de batalha a bandeira e o lenço farrapo, idealizado por Bernardo Pires da Rosa, em Piratini, lembrando o ideal republicano. O pensamento republicano farrapo influenciou de modo marcante meios universitários de Direito em São Paulo, através da pregação de Assis Brasil, que produziu a primeira versão farrapa da história da Revolução. Movimento este republicano que influenciou os ânimos de Deodoro da Fonseca como presidente da província, através dos contatos que manteve com os republicanos Júlio de Castilhos e mais uma vez Assis Brasil na rumorosa Questão Militar que liderou. [11]

No final do século XIX, a construção de ferrovias no Brasil era uma realidade crescente. A Southern Brazilian R. G. do Sul Ry. Co. Ltd. (ativa entre 1887-1905) ficou responsável pelo trecho entre Bagé e Rio Grande, onde pelo projeto os trilhos passariam pela Vila de Piratini.

"A respeito da Estação de Piratini, a história conta que quando acabou a Revolução Farroupilha, a cidade de Piratini, que foi Capital da República Farroupilha, foi praticamente abandonada pelo Império e pelo Presidente da Província, como represália. Mas os piratinenses sempre reivindicaram um tratamento melhor, devido ao estado de calamidade, abandono e perseguições por que passava o município. O Imperador D. Pedro II determinou pessoalmente, então, que a linha férrea - supremo sinal de progresso, no final do século XIX - que ligaria o porto do Rio Grande à fronteira, em Bagé, passasse por Piratini, a fim de reativar o progresso do município. Os governantes do Estado, em represália, não cumpriram a determinação, e passaram a ferrovia a 70 km de Piratini, à margem direita do arroio Santa Maria, na estação de "Ivo Ribeiro" (hoje Pedro Osório), e a chamaram de Estação Piratini. Assim, conseguiram enganar o Imperador e fizeram um desserviço à Capital da República Rio-Grandense, que ficou uma cidade isolada do resto do Estado." [13]

Em 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República Brasileira, Piratini, fiel aos seus ideais republicanos, já em 18 desse mesmo mês, através de sua Câmara Municipal, aderiu ao novo regime. Em 15 de outubro de 1891, foi instalado o primeiro Conselho Municipal, mas somente em 1892 foi eleito o primeiro Intendente Municipal (equivalente ao atual cargo de Prefeito Municipal), assumindo o posto o Tenente-Coronel José Pedroso de Oliveira.

A República, no entanto, aprofundou a crise existente então no Rio Grande do Sull, deflagrando-se a Revolução Federalista, da qual participaram e morreram inúmeros piratinenses. Marcada pela degolas e sangrentas batalhas, o conflito eclodiu por desavenças ideológicas, entre "pica-paus" (Partido Republicano Rio-Grandense, de Júlio de Castilhos) e "maragatos" (revolucionários federalistas, liderados por Gaspar da Silveira Martins, que defendiam um sistema parlamentar de governo, identificados pelo uso de lenços vermelhos). Durante esse movimento revolucionário, Piratini foi ocupada pelas forças do General Guerreiro Vitório, após breve combate travado com a guarnição do Coronel Leão Terra. Piratini deu o seu nome ao acordo de paz, o "Armistício de Piratini", em 1895.

Em 1916 foi inaugurada uma placa no prédio onde funcionou o Governo Provisório da República Rio-Grandense, em homenagem aos heróis da Revolução de 1835. No ano de 1921, um grande incêndio destrói parcialmente o interior da Igreja Matriz Nossa Senhora Conceição de Piratini.

A Rua Bento Gonçalves a antiga Praça das Alegrias (hoje Praça da República Rio-Grandense) em 1922.

Igualmente na Revolução de 1923, na qual alguns opositores ao governo estavam descontentes com o governo de Borges de Medeiros, que estavam no poder havia 25 anos. Piratini participou das ações tendo, a 24 de abril desse ano, a vila sido ocupada pelas forças do general rebelde José Antônio Neto (Zeca Netto). Em 4 de maio, na Serra das Asperezas, travou-se o combate entre as forças rebeldes do capitão João F. Fabres e as do tenente-coronel Juvêncio Maximiliano Lemos. Ainda ligados a esse movimento, após a assinatura da ata de pacificação, ocorreu um combate no Passo das Carretas, 3° distrito, entre as tropas do Coronel Bosano, da Brigada Militar e as tropas de Honório Lemes e Zeca Netto, quando morreram vários combatentes que foram sepultados á margem direita do Rio Camaquã.[7]

Em 1926 foram inauguradas as instalações da rede elétrica na cidade.[14] Ocorreu certo estacionamento no progresso do município após a Revolução Farroupilha, devido a falta de comunicação rápida com centros urbanos mais adiantados.[9]

Finalmente, em 20 de setembro de 1932, o 4° distrito foi palco de mais um movimento revolucionário, com o combate da Estância da Olaria, ocorrido entre as forças revolucionárias comandadas pelos Dr. Borges de Medeiros e João Batista Luzardo e as forças legais, sob o comando do Coronel Adel Bento Pereira.

Nas comemorações do centenário da Revolução Farroupilha, em 1935, inaugura-se um busto de Bento Gonçalves no interior da Prefeitura Municipal; um obelisco na Praça das Alegrias (atual Praça da República Rio-Grandense) em homenagem aos heróis da Revolução Farroupilha, e uma ponte metálica sobre o Rio Piratini, no local denominado Passo do Costa, por onde hoje passa a RS-702. No ano de 1937, é construída uma ponte de cantaria, no Arroio Piratini-Mirim, um afluente do Rio Piratini, chefiada por um arquiteto espanhol. Durante uma grande enchente em 1958, dada a pouca vazão da ponte, fora levada pela força das águas. Hoje, existe uma ponte metálica, pouco acima da antiga, no local denominado Passo da Vila, junto ao Balneário Municipal de Piratini.

Piratini foi uma vila por quase 100 anos, voltando a categoria de cidade, por Decreto Federal, em 2 de março de 1938.

Em 1952, o palacete onde funcionou o Ministério da Guerra é restaurado pelo governo estadual. Um ano depois, em 11 de fevereiro de 1953, após a reforma, é criado o Museu Histórico Farroupilha. Neste mesmo ano é criada a Escola Normal Ponche Verde.[14]

No ano de 1976, desenvolveu-se em Piratini um pólo madeireiro na localidade do 3° e 4° distritos, em áreas rurais de campos degradados, tendo sido a AGROFIL S.A., a empresa pioneira nesta área. No entanto, desde que traçaram os princípios de florestamento e reflorestamento, Piratini vem crescendo de forma considerável, pois mais empresas ocuparam este pólo, inclusive com a instalação de uma usina termelétrica, a Piratini Energia (junto ao Arroio Barrocão, 4° distrito), para atender as demandas crescentes de energia elétrica. Todo o município de Piratini, apesar de ter suas bases socioeconômicas sustentadas na agropecuária, também se beneficia deste processo que ainda está em crescimento, estimulando o desenvolvimento populacional e econômico da cidade.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra se acentua em Piratini a partir do ano de 1990, com a instalação do assentamento Nova Sociedade, no 2° distrito do município. Até o ano de 2006, já foram instalados 15 assentamentos no município, distribuídos em maior parte no 2° distrito e com 2 assentamentos no 4° e 5° distrito. O movimento agrário reforça a história da sociedade rual em Piratini, mostrando um trabalho de luta que se trava pela tão sonhada reforma. Desta forma, as diversidades culturais se somam e tornam ainda mais forte a cultura e tradição de Piratini. [7]

No ano de 2006 é criado o Museu Histórico Municipal Barbosa, após reforma no Museu Histórico Farroupilha, que conta com riqueza de informação e objetos a história do município.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Minas do Paredão, junto ao Rio Camaquã.

Piratini é realmente um dos mais belos lugares do

mundo; dividida em duas regiões: uma de planícies

e a outra montanhosa.

O viajante não tem precisão de dizer nem de pedir

coisa alguma; entra em qualquer habitação, vai

direto à câmara de hóspedes; os criados aparecem

sem que sejam chamados, descalçam-no e lavam-lhe

os pés. Fica ali quanto tempo quer e, quando lhe

apetece, retira-se sem despedir-se nem agradecer;

e, apesar desta descortesia, outro que venha depois

dele não é recebido com menos agrado.

É a juventude da natureza, o erguer da humanidade.

Giuseppe Garibaldi.[15]

A paisagem, flora, fauna e clima:[editar | editar código-fonte]

O território do município de Piratini fica situado na região geográfica da Serras do Sudeste, conjunto morfológico do maciço cristalino, representado por granitos, xistos e guaises, com intrusões mineralizantes de estanho.

A altitude média oscila entre 300 e 380 metros, destacando-se as elevações da Serra dos Tapes, que na cidade recebe as denominações de Coxilha de Santo Antônio, Serra das Asperezas, Serra do Barrocão, Serra dos Garcia, Serra do Bica etc. Localiza-se a uma latitude 31º26'53" sul e a uma longitude 53º06'15" oeste, estando a uma altitude de 349 metros. O ponto mais alto do município é o Cerro do Sandi, localizado no 1º distrito, com 510 metros de altitude. O clima neste planalto é subtropical ou temperado com verões amenos.

Limita-se ao norte com os municípios de Santana da Boa Vista e Encruzilhada do Sul. Ao Sul, com Pedro Osório e Herval; ao Leste, com Canguçu e Pedro Osório. E ao Oeste, com Pinheiro Machado

Possui uma área de 3.562,5 km² e sua população estimada, que em 2015 era de 20.7012 habitantes. Está localizado a 350 km de distância da capital estadual, Porto Alegre. A história da paisagem sul-rio-grandense começa pela Serra do Sudeste, em paisagens amplas, formadas por campos e coxilhas do Escudo Cristalino Sul-Rio-Grandense. Sobre esta microrregião localiza-se a cidade de Piratini. Á área denominada escudo rio-grandense além de ser o fundamento geológico do país, compõe o núcleo mais antigo do continente sul-americano. Os terrenos do município pertencem a formação triássica, sabendo-se a existência de minas de cobre no vale do Rio Camaquã. [9]A região está banhada pelos rios Rio Camaquã, o Rio Piratini e o Rio Santa Maria, juntamente com seus afluentes. Entre os mais importantes podemos citar o Arroio Piratini-Mirim, onde tem o Balneário Municipal e de onde capta-se a água que abastece a cidade.

Possui clima Subtropical Cfb, com verões suaves e invernos frescos, registra por vezes o fenômeno da neve.

Embora paisagem predominante nas estâncias, com vegetações baixas e esparsas, o modo de vida pampeano na região incorporou maciços de vegetação á paisagem, na busca por lenha, por um pouco de sombra e abrigo dos ventos.

A vegetação nativa apresenta ocorrência de corticeira, pitangueira, coronilla scorpioides, canela-branca, butiá, branquilho, canela-preta, araucária, aroeira preta, aroeira cinzenta e aroeira periquitas. Ocorre a introdução de árvores exóticas compondo novas florestas (Eucalipto, Pinho, Acácia, etc), ao lado de espécies de tradicional uso paisagístico (Salso-chorão, Cipreste-português, Cedro, Álamo e Plátano).

As espécies mais características da região quanto a fauna, são: Mamíferos como Veado-virá, Veado-campeiro, Lebre, Tatu, Raposa, Gamba, Capivara, Graxaim (sorro), aves como o Ximango, Perdiz, Caturrita, Quero-quero, Jacu, Ema, Seriema, Pomba-do-mato (pombão), Cardeal-de-topete-vermelho, Periquito, Tico-tico, João-de-barro, Répteis como Lagarto, Cobras como cruzeira e Peixe como Traíra, Jundiá e Lambari. [8]

As vias que dão acesso ao município são as RS 265 e RS-702.

Governo[editar | editar código-fonte]

Piratini é governado por um Prefeito, eleito pelo povo, que forma o Poder Executivo, pois executa as leis. O prefeito além de seus auxiliares diretos é auxiliado pela Câmara Municipal, formada por 11 vereadores, que formam o poder executivo.

Após a pacificação em 1845, foi organizada administração municipal dentro da nova ordem vigente, tendo sido reempossado a Câmara e os demais membros eleitos em 1832. Piratini teve 14 Câmaras até o advento da República do Brasil. Em 15 de novembro de 1889 é proclamada a República do Brasil, e Piratini fiel aos ideais republicanos, a 18 de novembro, adere ao novo regime. Em 1891 é instalado o 1° Conselho Municipal e em 1892 é eleito o primeiro Intendente Municipal. Piratini teve 9 Intendentes. Nicanor Rodrigues Barbosa foi o 1° Prefeito Municipal, assumindo de 6 de fevereiro de 1930, até 6 de fevereiro de 1932, quando se licenciou do cargo. Egydio da Costa Rosa assumiu o cargo, como substituto de Nicanor Rodrigues Barbosa, renunciando em 1934. O Capitão Edmundo Ossuoski foi nomeado pelo interventor estadual, governando até 1936. Após, Piratini teve 20 prefeitos até a presente data.

Celina Feira de Souza foi a única mulher vereadora de Piratini, assumindo o mandato em 5 de dezembro de 1947, tendo como presidente da Câmara de Vereadores Miguel Gomes de Freitas. Cumpriu seu mandato até 31 de dezembro de 1951. Fez parte da comissão que criou o cargo de Secretário Privativo da Câmara. Celina fazia parte do PSD, sendo a única vereadora mulher a fazer parte do legislativo municipal, tendo apresentado várias preposições solicitando reparos em estradas do município. Até os dias atuais nenhuma outra mulher se elegeu vereadora em Piratini. [14]

Divisões administrativas:[editar | editar código-fonte]

Pelo decreto estadual nº 558, de 24 de novembro de 1890, é criado os distritos de Pedregal, Serra das Asperezas e Serro Alegre e anexado ao município de Piratini. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 4 distritos: Piratini, Pedregal, Serra das Asperezas e Serro Alegre. Pelo ato municipal nº 484, de 27 de dezembro de 1924, é criado o distrito de Faxina e anexado ao município de Piratini. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 5 distritos: Piratini, Ferraria, Pedregal, Cerro Alegre (ex-Serro Alegre) e Faxina. Em divisões territoriais datadas de 31 de novembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, o município é constituído de 5 distritos: Piratini, Boa Vista, Faxina, Ferraria e Pedregal. Pelo decreto estadual nº 7199, de 31 de março de 1938, o distritos foram Ferraria, Pedregal, Passo do Graciano (ex-Boa Vista) e Faxina, foram rebaixado á condição de sub-distrito.

No quadro para vigorar no período de 1944-1948, o município é constituído do distrito Sede Em divisão territorial datada de 1 de julho de 1960, o município permanece constituído do distrito Sede. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2001. Em divisão territorial datada de 1 de julho de 1960, o município aparece constituído de 5 distritos: Piratini, Segundo Distrito, Terceiro Distrito, Quarto Distrito e Quinto Distrito. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.[16]

Atividades econômicas[editar | editar código-fonte]

A Agropecuária é uma das principais atividades econômicas do município, cria-se Bovinos, Equinos, Ovinos. A Agricultura também e outra importante geradora de renda, cultiva-se o milho, soja, feijão, aspargos, cevada, tomate, pêssego e figo. Desenvolve-se outras atividades, como a Indústria de transformação, como as de couro, madeira, pequenas indústrias de calçados, tijolos, e telhas.[17]

Homonímia[editar | editar código-fonte]

Piratini é identificada como a própria alma do Rio Grande do Sul, por todo Estado está sempre presente, inclusive na sede do Governo do Estadual, o “Palácio Piratini”. Este situado na rua Duque de Caxias, em frente à praça Marechal Deodoro, em Porto Alegre.

Turismo[editar | editar código-fonte]

O município, com 23 prédios tombados em esfera municipal, estadual ou federal, tem um conservado conjunto de construções do final do Século XVIII e primeira metade do Século XIX. As valiosas edificações reunidas no centro histórico de Piratini, não apenas pelo seu valor arquitetônico, mas também histórico, são testemunhas da Revolução Farroupilha, marco na História do Rio Grande do Sul e de significativa importância na História do Brasil, no período das regências.

Sede da Capital da República Rio-Grandense, muitos dos seus prédios foram utilizados como moradia pelos líderes da Revolução ou abrigaram diversos órgãos, como a casa de Bento Gonçalves e a casa de Garibaldi – atual Secretaria da Cultura e Turismo de Piratini.

Território e arquitetura[editar | editar código-fonte]

O processo de ocupação do Continente Del Rei e a estruturação de sua sede urbana no período inicial atendeu a duas motivações ou circunstâncias específicas: nas faixas de fronteira, se concentraram as cidades criadas para a defesa e posse do território, ao redor de fortificações ou acampamentos militares, tais como Rio Grande de São Pedro, Espírito Santo do Cerrito de Jaguarão; no interior, pelo parcelamento de terrenos das sesmarias, surgiram os núcleos organizados ao redor de capelas, em terrenos doados por particulares, como Nossa Senhora da Conceição de Piratinin (Piratini) ou São Francisco de Paula de Pelotas (Pelotas).

A estrutura urbana de Piratini se organiza ao longo de uma rua principal que se desenvolve sobre um divisor de águas, na direção Nordeste-Sudeste atualmente formada pela Avenida Maurício Cardoso, Avenida Gomes Jardim e Rua Gal. Bento Gonçalves.

Apresenta um tracejado urbano semi-regular, caracterizado na maior parte de assentamentos de crescimentos espontâneo de origem Lusa. Adaptado a topografia, com segmentos de vias retas ou curvas, com uma hierarquia marcada pela diferenciação de porte, apresenta largos e ruas com passeios estreitos.

A estrutura fundiária é formada por quarteirões basicamente quadrangulares, parcelados em lotes de formas e dimensões irregulares, com pequena testada e grande profundidade, sem homogeneidade. A ocupação dos lotes pelas edificações, se dá - via de regra - junto ao alinhamento frontal, utilizando toda a testada dos terrenos, formando composições continuadas do tipo rua corredor.

A arquitetura tradicional luso-brasileira ainda é predominante entre as edificações urbanas, com casas térreas ou sobrados, grandes telhados de elegantes curvaturas em galbo, beirais curtos, janelas em guilhotina. Algumas destas construções foram posteriormente reformadas, sendo introduzidos elementos arquitetônicos característicos do ecletismo, com platibandas decoradas, frisos, inserção de novas esquadrias, de abrir à francesa. Também se encontram alguns exemplares de prédios com influência do racionalismo do estilo Art Déco e Modernismo. Neste conjunto ainda se destacam pelo porte, composição e estrutura, dois grandes sobrados de esquina, a Casa de Camarinha e o imponente Sobrado da Dorada, além da Igreja Matriz, cujas austeras torres, com seus buzinotes, dominam a paisagem.

A Rua Bento Gonçalves no século XX. Ao longo da imagem nota-se a Casa de Garibaldi e o Sobrado dos Azulejos.

Depois da elevação à categoria de Vila, Piratini, contava com inúmeras edificações térreas, nobres solares e sobrados nas ruas que, à época se denominavam de: Clara, a principal, do Bom Fim, do Teatro, da Conceição, da Cadeia, do Passo, da Fonte e Rua Nova, além de alguns becos. O assentamento inicial possuía duas praças: a do Teatro, hoje Praça da Bandeira e a da Igreja, da Conceição ou das Alegrias, hoje da República Rio-Grandense. No passado, duas fontes públicas abasteciam a população, a Fonte dos Pinheiro e a Fonte da Terra. A existência de um teatro, o 7 de Abril, para saraus, audições e danças, confirma o intercâmbio cultural que existia na região. Dois estabelecimentos industriais se destacavam: a Fábrica de Cerveja dos Brum e a Fábrica de Pólvora e Foguetes, dos conhecidos fogueteiros. Importante atividade comercial era desempenhada pelos Fabião. Durante a Revolução Farroupilha, a redação e tipografia do jornal revolucionário O Povo ocorria na casa onde residiram Luigi Rossetti e Giuseppe Garibaldii.

Atualmente a Praça da República Rio-Grandense se constitui no centro cívico e religioso da cidade, onde se localizam a Prefeitura Municipal no local da antiga Casa de Câmara e a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, cercado por um importante casario residencial e comercial. Piratini foi uma das primeiras cidades do Estado do Rio Grande do Sul (1955) a delimitar e buscar preservar o seu Centro Histórico assim como a regular sua ocupação. Ganhou reconhecimento nacional, a partir de 1938, com os processos de tombamento de três edificações de importância histórica; O Palácio do Governo Farroupilha, a Casa de Garibaldi e O Quartel General Farroupilha (hoje Museu Histórico Farroupilha) e em 1984, com o conjunto de 15 bens que foram protegidos pelo Governo do Estado, somando-se aos 31, preservados pelo Governo Municipal.

A arquitetura tradicional portuguesa adaptada aos contextos regionais brasileiros, utilizando os materiais e a mão de obra disponíveis, conseguiu edificar características tipológicas que permitem o seu reconhecimento e dão unidade ao conjunto. Estas formas construídas nas áreas urbanas ou rurais, utilizadas para atender a programas ou necessidades peculiares (residenciais, comerciais, religiosas, militares, estâncias, charqueadas, etc.), geraram tipologias próprias, como representações locais das influências portuguesas. Nas últimas décadas foram feitos esforços integrados para valorizar e potencializar o patrimônio cultural da região, como alternativa para o desenvolvimento, por meio de ações de educação, de recuperação de edificações e áreas urbanas, de renovação de museus, de revitalização de tradições assim como pela preparação das cidades para promover o turismo cultural.

Apesar de esforços múltiplos neste sentido, ainda se observam intervenções tecnicamente inadequadas nas edificações de interesse cultural, com modificação de vãos e vedações, colocação de toldos e marquises, substituição de revestimentos e de telhados tradicionais e, principalmente, pela superposição de sinalização comercial sobre requintados elementos artísticos, de maneira excessiva, o que contribui para o encobrimento, a descaracterização e a desvalorização destes significativos conjuntos arquitetônicos.

Ainda em relação a preservação do patrimônio edificado, destaca-se o fato de algumas ruas do Centro Histórico possuírem restrição a circulação de veículos pesados, como ônibus e caminhões, impedindo que esse tráfego danifique os remanescentes da cidade.

Patrimônio Histórico[editar | editar código-fonte]

Piratini conta com um importante centro histórico, construções que remontam os séculos XVIII, XIX e XX, tombados pelos Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, além de tombamentos a nível municipal, constituído do de 1,792 metros quadrados, contando com 15 bens tombados em nível estadual, 14 prédios urbanos tombados em 1986. Quando das comemorações do sesquicentenário da Revolução Farroupilha a Ponte do Império foi tombada á nível estadual, em 1984. Após a capital, é o município que possui o maior número de bens tombados em nível estadual. No município de Piratini assuntos referentes ao patrimônio são tratados diretamente pela Prefeitura Municipal. Diversas leis municipais desde 1955 protegem 30 prédios e a Fonte dos Pinheiro São eles:

  • Primeira Câmara Municipal e Ministério da Fazenda e Interior: situada na Avenida Gomes Jardim esquina 24 de maio, 136; lugar onde foi instalada sob a açoteia em 1832 a primeira Câmara Municipal quando Piratini é elevada à categoria de Vila. Em novembro de 1836, a Câmara Municipal promulga a República Rio-Grandense, adere ao novo regime, e sob a presidência de Vicente Lucas de Oliveira declara a Província Estado Livre, Constitucional e Independente. Edificação térrea com aberturas alinhadas com açoteia protegida por gradis em ferro estruturados por pilaretes sobrepostos com jarrões. Esquadrias com tampões cegos e janelas de guilhotinas. Junto à esquina, sobrado construído em 1826, abrigava a residência de d. Ana Gomes Dias, esposa de Manuel Jacinto Dias. No período farroupilha abriga o Ministério da Fazenda e Interior. Suas características arquitetônicas semelhantes às do Palácio do Governo Farroupilha, foram alteradas com a retirada dos beirais, introdução de platibanda cega, ornamentos singelos marcando os vãos retos; esquadrias de abrir à francesa. Ambos tombados pelo Município em 1956.
  • Antiga Cervejaria dos Brum: Avenida Gomes Jardim, 135; prédio onde funcionou uma Fábrica de Cerveja. Edificação construída por Lucindo Manoel de Brum, descendente de família Brum da Ilha Terceira, Açores, lá chegados da Holanda como Bruyn. A cerveja produzida pelos Brum era exportada para o Uruguai com registros de comercialização inclusive em Montevidéu. Edificação de esquina, com oito portas em arco pleno, com bandeira em rosácea e vidros coloridos. Marcação vertical nos cunhais, cobertura em capa-e-canal com galbo e sob o beiral, uma cimalha simples. Hoje abriga um grupo de lojas. Tombado pelo Município em 1956.
Pátio do Palácio da República Rio-Grandense, hoje Museu Histórico Municipal Barbosa Lessa.
  • Palácio do Governo Farroupilha: Avenida Gomes Jardim esquina 24 de maio, 104; o Palácio do Governo Farroupilha foi instalado no sobrado construído em 1826 por Manuel Jacinto Dias. Neste prédio, em 1836, durante a Revolução Farroupilha aconteceu a reunião das Câmaras Municipais que declarou Piratini Capital da República Rio-Grandense. Edificação com características da arquitetura tradicional luso-brasileira, estruturada em dois blocos: um volume frontal em dois pavimentos e uma parte posterior, térrea, com pátio fechado e acesso por escada lateral. Composição com vãos alinhados, vergas em arcos abatidos superpostos por cílios, quatro portas frontais com bandeiras e janelas em guilhotina com postigos. Cobertura do volume frontal em quatro águas telhas capa e canal, com galbo, sobre cimalhas simples e beira-seveira. Marcações verticais nos cunhais. Num dos cômodos do segundo bloco, com acesso pelo pátio, um fogão de chão com chaminé sete bocas, tipo árabe. Possui na fachada um escudo em relevo com as datas 1826-1835, além de placas alusivas aos fatos históricos ali ocorridos. Hoje abriga o Museu Municipal Barbosa Lessa, criado após a reestruturação do Museu Histórico Farroupilha. Este Museu, inaugurado em Julho de 2006, apresenta o processo evolutivo da cidade, da ocupação pré-histórica regional e assentamento luso-brasileiro a partir de 1789, assim como referências ao escritor piratiniense Luiz Carlos Barbosa Lessa (1929-2002). Tombado pelo IPHAN em 1941 e tombado pelo Município em 1956.
  • Casa do General Neto: Avenida Gomes Jardim com Rua Bento Gonçalves; Durante a Revolução Farroupilha o Coronel Antônio de Sousa Neto era Chefe da Legião de Guardas Nacionais da Comarca de Piratinim. Em acampamento volante às margens do Rio Jaguarão, no local chamado Campo dos Menezes, Neto proclama a República Rio-Grandense, em 11 de setembro de 1836, após vencer a batalha no Seival, contra tropas imperiais sob comando de Silva Tavares. Após o acordo de Ponche Verde, que pôs fim ao conflito e à República Rio-Grandense em 1845, Neto retira-se para o Uruguai. Torna-se estancieiro e luta contra Rosas. Por fim, durante a Guerra do Paraguai, é ferido em combate e hospitalizado em Corrientes (Argentina) onde morre em Julho de 1866. Edificação térrea de características luso-brasileiras, Telhado com galbo e telhas de capa-e-canal, com beiral curto, de beira-e-bica, aberturas com vergas retas e portas com bandeira.
Antiga residência do Comendador Gomes de Freitas, construída por volta de 1830.
  • Casa de Gomes de Freitas: Rua Bento Gonçalves, 59; construída por volta de 1830, por Serafim José da Silveira, avô de Manuel José Gomes de Freitas. Gomes de Freitas era Juiz de paz em Piratini quando irrompeu a Revolução Farroupilha. Para evitar envolvimento no conflito retira-se para o Uruguai. Retorna cinco (5) anos depois como Juiz Municipal. Na segunda metade do século XIX, como presidente da Câmara Municipal de Piratini, manda construir um novo cemitério, a Cadeia Pública e a Casa da Câmara. Foi deputado e vice-presidente da Província entre 1875 e 1879. Era oficial da “Ordem da Rosa“ e membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Falava Inglês, Alemão, Espanhol e Frances, além da sua língua materna. Escreveu vários livros, entre eles: Apontamentos dos Fatos Diretos ou Relativos à História do Brasil, Lista de Batalhas desde 753 a.C. até 1860, Bosquejos das Nações e Pormenores Notáveis da História Universal e Pátria, Vila de Piratini e Notícia Histórica, Geográfica e Descritiva. Habitava esta casa quando na cidade, mas passava a maior parte do seu tempo na Estância São Frutuoso, onde morreu em 1884 aos 73 anos. Edificação com características tradicionais da arquitetura luso-brasileira, de segunda época, com equilíbrio entre cheios e vazios. Telhado em quatro águas, com galbo, em telhas de capa-e-canal com beiral e cimalha. Aberturas com vergas retas, portas com bandeiras e janelas em guilhotina. Tombado pelo IPHAE em 1986 e tombado pelo Município em 1956.
Antiga residência do Comendador José Moreira Fabião, rico comerciante de Piratini, construída entre 1800 e 1850.
  • Casa do Comendador Fabião: Rua 20 de setembro, 22; construída em meados do Século XIX para a Família Fabião. No Século XX foi residência do escritor, poeta e folclorista Luiz Carlos Barbosa Lessa (1929-2002). Barbosa Lessa, como era conhecido foi importante folclorista e poeta, com grande identificação com as causas gaúchas. Barbosa Lessa nasceu na Chácara da Boa Esperança, hoje no perímetro urbano de Piratini. Cursou o curso Ginasial em Pelotas e o Clássico no Colégio Julio de Castilhos, em Porto Alegre. Lá conheceu Paixão Côrtes, com quem, em 1947 cria o Departamento de Tradições Gaúchas do Grêmio Estudantil do Julinho, que aportou na criação do Movimento Tradicionalista e no CTG 35. Em 1959, é premiado na Academia Brasileira de Letras pelo romance "Os Guaxos". Dedicou sua vida à cultura, aos romances, à poesia e à música. Foi Secretário de Cultura, Desporto e Turismo do Estado do Rio Grande do Sul, idealizador da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. Edificação térrea, com telhado em quatro águas e portões laterais com bandeiras em arco pleno sobrepostas por pinhas. Fachada de composição eclética, sobre porão alto e acessos laterais. Composição marcada por pilastras com fustes canelados e capitéis de Ordem coríntia. Janelas-portas envidraçadas, com postigos e bandeiras trabalhadas, com gradis metálicos, cercadas por frisos e elementos ornamentais. Platibanda vazada com balaústres. Tombado pelo IPHAE em 1986 e tombado pelo Município em 1956.
  • Casa Comercial dos Fabião: Rua 20 de Setembro, 30; O Comendador Fabião foi um dos primeiros comerciantes de Piratini. O rico comércio na Freguesia de Piratini contribuiu para sua elevação à categoria de Vila em 1830. Edificação com características construtivas tradicionais da arquitetura luso-brasileira, de primeira época, com predominância de cheios sobre vazios. Com quatro águas, telhado em capa e canal, com galbo e beiral de beira e bica. Três portas com arcos abatidos, provavelmente com aberturas substituídas. Após algumas intervenções, apresenta hoje esquadrias de abrir com vidros e postigos, e bandeiras com caixilharia. Acesso lateral geminado à residência da família. Tombado pelo IPHAE em 1986 e tombado pelo Município em 1956.
  • Primeira Cadeia: Rua 20 de Setembro esquina Rua 15 de Novembro; prédio de propriedade da D. Maria Francisca da Conceição, que deu o nome à antiga Rua da Conceição. Ali se instalou a primeira cadeia da Comarca de Piratini, em 1832, enquanto não concluído o prédio em construção para este fim. Com a instalação da cadeia, a rua lateral passou a se chamar Rua da Cadeia. Edificação de esquina, de perfil residencial, com aberturas em vergas retas, telhado de quatro águas com galbo e telhas capa-e-canal. Aberturas da Rua 20 de Setembro alteradas. Tombado pelo Município em 1956.
Casa de Camarinha, construída por volta de 1789, serviu de residência de José de Mattos de Guimarães.
  • Casa de Camarinha: Rua Vinte de Setembro, 150/156; prédio construído aproximadamente em 1789. O uso original foi residencial e o proprietário era Antônio José Vieira Guimarães. É apresentado como o primeiro prédio da povoação de Piratini. A Camarinha, o pequeno torreão engastado na cobertura, foi construída posteriormente, na primeira década do Século XX. Edificação em alvenaria com paredes estruturais com cobertura de telhas capa-e-canal, com galbo, beirais e cimalhas. Possui portas envidraçadas sem bandeiras e portas de abrir à francesa ou tipo-calha. Janelas de madeira com caixilhos de guilhotina e postigos. As vergas das portas e janelas são em arco abatido, com exceção de uma janela e porta-calha, com vergas retas. Tombado pelo IPHAE em 1986 e tombado pelo Município em 1956.
  • Antigo Teatro 7 de Abril: Largo Padre Reinaldo Wist, 23 esquina Comendador Freitas; construído por volta de 1830, se manteve em atividade até 1845. O local foi utilizado para saraus e bailes, onde se dançava o Fandango ao som da Viola e da Rebeca. Festas e homenagens tiveram lugar neste prédio durante a Revolução Farroupilha. O acesso acontecia pela Rua Comendador Freitas, em plano de fachada hoje com duas pequenas janelas. Edificação geminada, com características tradicionais da arquitetura tradicional luso-brasileira de primeira fase, com vãos das aberturas pequenos e estreitos e prevalência de cheios sobre vazios. Beirais curtos, sobre beira-seveira e marcação do cunhal. Vãos em arco abatido, com janelas em guilhotina. Parcialmente desfigurado, abriga hoje três unidades residenciais. Tombado pelo IPHAE em 1986 e tombado pelo Município em 1956.
  • Obelisco ao Centenário Farroupilha: Praça da República Rio-Grandense s/n; defronte à Prefeitura de Piratini, sobre praça cívico-religiosa, no Largo das Bandeiras, se destaca o Monumento comemorativo ao Centenário da Primeira Capital Farroupilha, construído em granito rosa. Sobre placa de bronze, a efígie em relevo, de Bento Gonçalves, esculpido por Augusto Pastorello. Também é destaque a homenagem ao Sesquicentenário da Revolução Farroupilha. Bento Gonçalves (1788-1847) nasceu em Triunfo , de uma família tradicional da região. Aos 23 anos ingressou no serviço militar. Casa em 1814 com Caetana Garcia, uruguaia, filha de um estancieiro espanhol e de mãe brasileira, de ascendência açoriana. Com Caetana teve nove (9) filhos. Em 1816, em Cerro Largo, Uruguai, Bento, já um próspero fazendeiro, tinha uma loja de fazendas e bebidas e uma estância. Em 1820 participou da campanha da qual resultou a anexação da Banda Oriental do Uruguai como Província Cisplatina ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, pelo Tratado de 31 de julho de 1821. Destacou-se na Guerra da Cisplatina, combatendo pelo Império do Brasil. Quando Coronel do Estado Maior, foi nomeado Comandante Superior da Guarda Nacional da Província e foi deputado à Assembleia Provincial em 1834. Um dos mentores da Revolução Farroupilha (1835-1845), foi preso em combate na Ilha do Fanfa, em 1836. Ao ser proclamada a República Rio-Grandense, estava preso na Bahia e mesmo assim foi eleito presidente desta República, assumindo o posto após fugir da prisão e retornar à Província. Em 1842, reafirma seus ideais republicanos, em pronunciamento em Alegrete, então Segunda Capital Farroupilha. Em 1843, renuncia à Presidência a fim de evitar conflitos com os já divididos republicanos, passando apenas a comandar uma divisão militar. A guerra terminou com a assinatura da Paz de Ponche Verde, em 10 de março de 1845, através da qual se estipulou a anistia geral a todos os envolvidos. Empobrecido, Bento volta à Estância do Cristal, em Camaquã (herança do seu pai), único bem restado à família após 10 anos de guerra. Desgostoso com o rumo dos acontecimentos retira-se da cena pública e da vida política para tratar dos seus próprios negócios e da família. Morre em Guaíba na Estância das Pedras Brancas, propriedade do amigo farrapo José Gomes de Vasconcelos Jardim, aos 58 anos. A Estância do Cristal é hoje sede do Parque Histórico General Bento Gonçalves. O escultor Augusto Pastorello, autor da efígie em relevo no monumento, nasceu na França, filho de imigrantes italianos radicados naquele país, que vieram para Pelotas na Colônia Francesa de Santo Antônio, no final do Século XIX. Escultor e gravurista, é autor entre outras obras de esculturas para o Clube Caixeiral em Pelotas, para a Prefeitura de Piratini além de vários bustos, monumentos e placas comemorativas.
Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Piratini, em estilo barroco-militar.
  • Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição: Praça da República Rio-Grandense, s/n. A primeira capela construída quando da chegada dos casais açorianos a Piratini, foi destruída em 1811. Então, por iniciativa do Reverendo Jacinto José Pinto Moreira é erguida uma Igreja por José de Mattos de Guimarães, finalizada em 1814. Quando eclodiu a Revolução Farroupilha a capela estava quase concluída, mas uma das torres ameaçava ruir, sendo então demolida. Naquele templo foi realizado o Te Deum em ação de graças à proclamação da República Rio-Grandense. A nova Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição do Piratini foi construída entre 1840 e 1854, no mesmo local, projetada por arquiteto italiano. Em 1886 após vendaval sofreu avarias e uma de suas torres. Sofreu um grande incêndio no ano de 1921. Composição arquitetônica simétrica e austera, estruturada em três volumes: frontal, nave e capela-mor, sacristia. Estrutura marcada por pilastras lisas, com embasamento. Fachada com corpo central e dois torreões laterais. Nos torreões, aberturas em pares, em arcos plenos, coroados por cimalhas e platibandas vazadas com coruchéus sobre os cunhais. O deságue da cobertura é feito por meio de gárgulas metálicas, com cabeças de dragões. Na parte central, plana, a porta principal, com verga em arco pleno e bandeira com vitrais, ladeada por pilastras, com acabamento em pináculos em alto relevo. Na altura do coro, um óculo com caixilharia em quadros e um vitral. Coroando a composição central, um nicho, com arco trilobado, abriga a imagem de Nossa Senhora Imaculada Conceição. No interior, nave única, com arco cruzeiro e capela mor. O piso em ladrilhos hidráulicos. Nas laterais, vitrais inseridos em vãos de arco pleno.
  • Antiga Casa Fabião: Rua Bento Gonçalves, defronte à Praça da República Rio-Grandense; edificação térrea, de esquina, com terceira face (chanfro na esquina). Construída no início do século XX, sobre porão baixo, com gateiras ovais. Fachada principal em composição simétrica, com porta e duas portas-janelas nas laterais, com balcões e guarda-corpo de ferro, vergas retas. No chanfro, um balcão curvo com piso de mármore e gradil, uma porta-janela com bandeira de vidros coloridos e cercadura em massa lisa e ornamentos superiores. Na fachada secundária, janelas em pares, com caixilhos de abrir à francesa. Típicos da região sul do Estado, cantos arredondados na caixilharia. Vãos das aberturas são sobrepostos por pestanas retas. A platibanda se estrutura sobre cimalha contínua, com antefixos intercalados por pinhas e compoteiras. Na esquina, sob o frontão curvo, um medalhão ornamental com a data 1903 e as iniciais A.F. Abriga hoje o Sindicato Rural. Tombado pelo IPHAE em 1986 e tombado pelo Município em 1956.
  • Antiga Farmácia de Caridade: Rua Bento Gonçalves, 117, esquina Rua Comendador Freitas. Construída por volta de 1831. Este prédio servia de depósito da Casa de Comércio Moreira Fabião. Por ordem do Comendador Moreira Fabião foi dividida e adaptada para residência de sua filha Anacleta e seu esposo João de Deus Valente. João de Deus era Farmacêutico, instalou sua farmácia de manipulação com o nome de Farmácia Caridade, de onde ninguém saía sem medicamento, independente de pagamento ou não. Edificação térrea, de esquina, com cobertura em quatro águas, em telhas capa-e-canal com galbo e beiral sobre cimalha simples. A estrutura é marcada nas extremidades por cunhais, e os vãos com molduras lisas. Esquadrias, alinhadas superiormente, sendo as janelas com duas folhas de abrir, vidros lisos e postigos. Tombado pelo IPHAE em 1986 e tombado pelo Município em 1956.
Prefeitura Municipal de Piratini, construída em 1858 e remodelada em 1934.
  • Prefeitura Municipal de Piratini: Rua Comendador Freitas, 255; Antiga Casa da Câmara, hoje Prefeitura Municipal. Foi construída em 1858 por ordem de Gomes de Freitas. É remodelada com elementos simplificados do ecletismo em 1934, por Miguel Carosiello. No hall de entrada, em exposição, a pintura a óleo de grandes dimensões (310x514cm), "Alegoria do Sentido e Espírito da Revolução Farroupilha", do pintor Helios Seelinger. Pintado em meados da década de 1920 do século passado e pertencente ao acervo do Museu Histórico Farroupilha, chegou a Piratini entre 1953 e 1959, proveniente do Palácio Piratini, em Porto Alegre. De composição simétrica, o prédio estrutura-se em terreno inclinado sobre embasamento, com corpo central elevado. No corpo central, porta em duas folhas e verga em arco pleno; nos laterais, quatro janelas intercaladas por pilastras, com elementos decorativos em linhas retas e curvas. As janelas, de abrir à francesa, com vergas e bandeiras retas. A platibanda fechada e no corpo central, elevado, as armas da República Brasileira.
  • Calçamento original: Travessa Manuel Ricardo Lucas entre as Ruas 15 de Novembro e Bento Gonçalves; trecho remanescente de antiga pavimentação em pedras irregulares de granito em diversos tamanhos. O passeio apresenta partes com essa mesma pavimentação.
  • Casa de José Francisco da Conceição: Rua Bento Gonçalves,135 esquina Beco da Da Santa; residência do Boticário Espanhol José Francisco da Conceição. De arquitetura tradicional luso-brasileira, com telhado galbado em quatro águas e aberturas com vergas retas. Tombado pelo Município em 1956.
  • Beco da Dona Santa: Entre as Ruas Bento Gonçalves e General Daltro Filho; o beco, cujo nome se deve à Dona Santa Teodora Motta que possuía uma pousada na Casa do Brigadeiro Manoel Lucas de Lima. A sinuosidade e pavimentação sem passeio e meio-fio caracterizam arruamentos típicos do período colonial luso-brasileiro.
  • Casa de Antônio Correia da Silva: Rua General Daltro Filho 79 e 89 esquina Beco da Da. Santa; construída em 1821. Antonio Correa da Silva está relacionado no auto de criação da Vila de Piratinie participou da Sessão Extraordinária da Câmara de Piratini que promulgou a República Rio-Grandense, em Novembro de 1836.
  • Casa do Brigadeiro Manoel Lucas de Lima: Rua General Daltro Filho, 63, esquina Beco da Da.Santa; Manoel Lucas de Lima nasceu no 2° distrito de Piratini em 21 de janeiro de 1815, filho de Vicente Lucas de Oliveira e Florencia Gomes de Lima. Durante a Revolução Farroupilha foi ferido por bala na articulação do punho direito, na Batalha do Ponche Verde, em 1843. Concluiu a revolução no posto de Capitão. Envolve-se também na guerra contra Rosas e na Guerra do Paraguai. Casado com Emília Reverbel de Lima é nas suas terras que, após a sua morte começa a extração de carvão mineral no Rio Grande do Sul. Edificação geminada construída em 1821, em arquitetura tradicional luso-brasileira. Denominada Antiga Casa de Fazenda, apresenta cobertura em quatro águas, com telhas de barro capa-e-canal com beiral em galbo sobre cimalha. Nas extremidades, sobre os cunhais, peitos de pomba. Aberturas de madeira, com vergas em arco abatido. Portas tipo calha e janelas em guilhotinas. Uma parte da edificação foi descaracterizada, com introdução de verga reta, porta recuada e esquadria de abrir. Tombado pelo IPHAE em 1986.
  • Casa de Manoel Ricardo Lucas: Rua Bento Gonçalves 154, esquina Travessa Manuel R. Lucas; casa térrea construída por volta de 1821 que posteriormente pertenceu a Manoel Ricardo Lucas. Manoel Ricardo Lucas (1902-2000) nasceu em Curral das Pedras, hoje município de Pinheiro Machado. Quando jovem auxiliava a família nas lides campeiras e nas atividades comerciais do pai. Cursou o Ginásio em Pelotas, retornando aos negócios da família como contador. Como reservista participou da campanha de 1924, quando foi promovido a 3º sargento, retornando após isto aos negócios da família. Casado com Demétria Madeira teve dois filhos. Paralelamente às atividades rurais exercia ofício de carpinteiro, e em 1943 muda-se para Piratini com a família onde mantinha seus negócios de carpintaria. Entre 1945 e 1961 assume a subprefeitura do então 10 subdistrito, e após isto é nomeado Diretor do Departamento Municipal de Estradas de Rodagem. Demite-se em 1963 após ter organizado todo este Departamento. Co-fundador do Moinho Piratiniense, idealizou a maquinaria organizando e executando sua instalação. Construiu e implantou a Rodoviária de Piratini, passando posteriormente a concessão às netas. Teve atuação e colaboração freqüente na Sociedade Recreio Piratiniense, na Associação Rural e na Loja Maçônica Rio Branco III. Como maçom ativo desde 1927, recebeu em 1998 e 2000, consecutivamente o título de Membro Emérito e título de Membro Benemérito da Grande Loja do Rio Grande do Sul. Construção em alvenaria, com paredes estruturais. Embasamento rusticado e marcação vertical por cunhais. Na fachada principal, porta em calha e bandeira trabalhada com desenhos curvos. Nas janelas em guilhotina da fachada os mesmos motivos da bandeira da porta principal. Nas janelas laterais, caixilharia em quadrados. Cobertura com telhas de capa-e-canal, com beiral sobre cimalha. Com forte presença urbana, em localização frontal ao Beco. Tombado pelo IPHAE em 1986 e tombado pelo Município em 1956.
  • Casa de Vicente Lucas de Oliveira: Rua Bento Gonçalves, 170; sobrado construído em 1830, por iniciativa de Vicente Lucas de Oliveira, Primeiro Presidente da Câmara de Piratini (1832-1840). Na República Rio-Grandense foi Ministro da Justiça e da Guerra e em 1842 foi eleito deputado à Assembleia Constituinte instalada em Alegrete. Edificação com fachada superior revestida de azulejos, provavelmente de procedência portuguesa. Marcação vertical por cunhais e horizontais com cimalhas. planos de fachada e frisos compostos com azulejos. Janelas com caixilhos em guilhotina, e portas em calha abrindo sobre o passeio. Tombado pelo IPHAE em 1986 e tombado pelo Município em 1956.
  • Casa de Garibaldi: Rua Bento Gonçalves, 182/186; casa utilizada por Luigi Rossettii, redator do Jornal Revolucionário O Povo, impresso nessa residência de 1838 a 1839, quando foi transferido para Caçapava do Sul com o Governo Farroupilha. Jornal de iniciativa de Domingos José de Almeida, teve 45 edições impressas. Nesta casa morou também Giuseppe Garibaldi, quando do seu envolvimento na Revolução. Luigi Rosseti e Giuseppe Garibaldi (1807-1882), italianos fugitivos, simpatizantes do movimento Jovem Itália de Giuseppe Mazzini, encontram-se em 1836 no Rio de Janeiro, de onde navegam até Montevidéu. Chegam à então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul através do Uruguai. Com Bento Gonçalves e David Canabarro enfrentaram as tropas imperiais na Lagoa dos Patos. Ambos participam da conquista de Laguna em 1839, que envolveu a travessia em carreta do navio Seival entre a Lagoa dos Patos e a Barra do Tramandaí. Após a proclamação da República Juliana, Garibaldi volta à Itália em 1848, junto de sua esposa Anita Garibaldi. Depois de sucessivos exílios consegue a unificação da Itália em 1861. Morre na Ilha de Caprera, na Italia, em 1882, aos 74 anos. Luigi Rosseti, no posto de capitão, é atingido por uma lança e morre na Tomada de Viamão pelos imperiais em 1840. A edificação construída por volta de 1800, é térrea, pequena, com características tradicionais da arquitetura luso-brasileira no Rio Grande do Sul. Cobertura de telhas de barro tipo capa-e-canal, com beiral em galbo sobre cimalha e cinco portas com vergas retas abrindo sobre o passeio. Tombado pelo IPHAN em 1941 e tombado pelo Município em 1956.
  • Museu Histórico Farroupilha: Rua Coronel Manuel Pedroso ), 77, esquina Rua Bento Gonçalves; construído em 1819, o prédio pertenceu ao capitão Manuel Gonçalves Meirelles, tio de Bento Gonçalves. Provavelmente a edificação abrigava um estabelecimento comercial no térreo e residência no andar superior. No período farroupilha ali foi instalado o Ministério da Guerra e abrigou em 1837, uma escola pública para meninos. Em 1878 voltou a ser residência. Em 1953 o Governo do Estado criou o Museu Histórico Farroupilha, instalado no sobrado no ano seguinte. O Museu Histórico Farroupilha apresenta em seu acervo importantes documentos relacionados à Revolução Farroupilha. Destaque para alguns objetos pessoais pertencentes a Bento Gonçalves e Manuel Lucas de Oliveira, e para as pinturas que representam os heróis farroupilha; entre os autores estão Guilherme Litran, Antônio Parreiras e Dakir Parreiras. A edificação é formada por dois blocos adjacentes com dois pavimentos e coberturas independentes de telhas de barro tipo capa-e-canal, com beiral em galbo sobre cimalha. Portas e janelas de madeira com vergas em arco abatido. As portas de abrir a francesa ou tipo calha e janelas com caixilhos em guilhotina com fechamento interno por postigos. Apresenta além do acesso frontal térreo por várias portas, um acesso ao pátio lateral através de portão junto ao alinhamento. Neste pátio e no passeio frontal se pode observar a pavimentação colonial em pedras irregulares de granito. Tombado pelo IPHAN em 1952 e tombado pelo Município em 1956.
O Sobrado da Dorada, embora não esteja em melhores condições de conservação, ainda é um dos mais imponentes prédios históricos de Piratini.
  • Sobrado da Dorada: Rua General Neto, 238;construído por volta de 1830, pertenceu ao Dr. Afonso Gassier, médico francês.

Afonso Gassier nasceu na França em 1808. Era casado com Florinda Moreira, neta de Vicente Lucas de Oliveira (importante político piratiniense na época da Revolução Farroupilha) e viúva de Francisco Moreira da Silva Verde (vereador de Piratini). O casal não teve filhos, mas com eles morou o sobrinho e filho de criação, Affonso Cassiano Crespo e sua esposa, Maria Augusta dos Santos Crespo. Maria Augusta e Cassiano tiverem treze filhos, dentre eles Doralina. Foi Doralina Crespo Gotuzzo a moradora que deu o nome ao Sobrado – Sobrado da Dorada. Ela casou-se com Humberto Gotuzzo, e tiveram apenas um filho: Affonso de Jesus Crespo Gotuzzo[18]. Dotado de grande espírito de bondade, o médico doou o terreno onde hoje existe o Cemitério Municipal, construído em 1863. Abrigou, nos fundos, a fábrica de pólvoras e foguetes dos irmãos Gonzaga Ferreira Pinto de Souza, conhecidos como os fogueteiros. O prédio, com embasamento elevado possui uma açoteia lateral com gradis em ferro. Sobre os pilaretes possuía jarrões e no cunhal, ainda presente a estátua de um cão em cerâmica vitrificada (nestes pilares haviam outros animais feitos do mesmo material, que por ação dos vândalos, foram destruídos). As fachadas são marcadas por cunhais lisos e a cobertura, em quatro águas e galbo, decoradas nas extremidades da cumeeira com duas pinhas de cristal colorido. Sob o beiral, um friso de azulejos portugueses superposto por cimalha denticulada. Em relação à edificação, a imagem mais antiga encontrada data da década de 1980 e evidencia algumas alterações na obra: nesse registro percebe-se a presença de jarrões nas pilastras da açoteia, que atualmente não existem mais no local. Atualmente a casa encontra-se desocupada, sendo utilizada apenas a garagem pelos vizinhos que moram na casa em frente.

Tombado pelo IPHAE em 1986 e tombado pelo Município em 1984.

  • Fonte dos Pinheiro: Rua da Fonte dos Pinheiros s/n°; equipamento de captação hídrica construído em alvenaria no início do Século XIX. É a mais antiga fonte pública de água de Piratini, popularmente conhecida como a bica. Tombada pelo Município em 1984.
  • Ruínas da Casa de Bento Gonçalves:Rua Cel Manoel Pedroso esquina Rua 15 de Novembro; na casa antes existente neste terreno, morava o Gal. Bento Gonçalves quando em Piratini. A edificação foi destruída por um forte temporal na década de 1970.
  • Além dos prédios citados acima, Piratini possui outros importantes prédios históricos, tais como a Residência do Major Pantaleão Médice da Silveira, O Hotel Farroupilha, A Antiga Cadeia, o Hotel da d. Cila, a Estância Santa Rosa, a Fazenda do Combate, a Fazenda da Arvorezinha e outros.[8]

Piratini hoje[editar | editar código-fonte]

Piratini é como se vê, uma cidade histórica, ou seja, das que mais saliente papel representaram no contexto farroupilha no século XIX, que é uma afirmação grandiosa não só do espírito democrático de sua raça, senão também da abnegação e heroísmo que ela sabe dar provas na defesa de suas convicções. Nem por isso, todavia, a heróica cidade de Piratini é um lugar "morto", que vivem unicamente de lembranças do que foram em tempos mais felizes. [9]

Em Piratini, dos 8.56 km/2 de área urbana total, 20%(1.72 km/2 ) compreendem o Centro Histórico, com edificações e paisagem protegidos por leis de preservação. No entanto, não apenas os órgãos de legislação promovem a conservação deste patrimônio através da aplicação das leis de preservação e da verificação da sua aplicabilidade. As ações de educação para o patrimônio são também promovidas pelos seus Museus e pela própria comunidade, junto da Associação de Turismo Jovem Tur, a qual presta valoroso trabalho no Museu Histórico Municipal Barbosa Lessa. O Museu Histórico Municipal Barbosa Lessa inaugurado em julho de 2006, apresenta o processo evolutivo da cidade e do município de Piratini, desde sua ocupação pré-histórica e assentamento luso-brasileiro a partir de 1789. Como museu municipal caracteriza-se pelas ações de educação e pesquisa, e mais um espaço de preservação e divulgação da cultura e das tradições da região e do estado do Rio Grande do Sul. O nome do museu presta tributo ao ilustre escritor, poeta e folclorista piratiniense Luiz Carlos Barbosa Lessa (1929-2002), cuja história também está presente no seu acervo.[8]

A cidade dispõe de duas emissoras de rádio difusão, a Nativa Fm e a Rádio Com Fm.

A cultura[editar | editar código-fonte]

Manifestações e eventos muito populares em Piratini são: a Semana Farroupilha, a Semana da Cultura de Piratini, o Carnaval da Bicharada e o City-Tour a cargo do Grupo de Artes Encenação. A Semana Farroupilha, muito festejada em todo o estado tem em Piratini seu palco mais famoso. 

Linha Farroupilha:[editar | editar código-fonte]

A cidade é um livro de pedra - dizia Walter Benjamin - e precisamos aprender a lê-la. É a isto que a Linha Farroupilha se propõe: Um passeio por Piratini para conhecer e admirar 25 prédios e lugares que testemunharam os acontecimentos da Revolução Farroupilha.

Este percurso de 880 metros é definido por 87 sinalizadores colocados no passeio e que, auxiliado por 26 indicadores, assinalam os atrativos identificados por uma placa com um breve histórico do prédio.

Nas extremidades do percurso, o visitante encontra um painel com o mapa da Linha Farroupilha e no centro da praça principal outro com o mapa do Centro Histórico, uma Linha do Tempo relacionando os fatos ocorridos em Piratini, no estado, país e no mundo e informações a respeito de sua história, seu povo e sua paisagem.[2]

Semana da Cultura de Piratini:[editar | editar código-fonte]

A Semana da Cultura de Piratini é um evento anual realizado pela Prefeitura Municipal e suas secretarias, que tem por objetivo promover apresentações artísticas durante a semana de aniversário de Piratini, comemorado no dia 6 de julho.

Semana Farroupilha de Piratini:[editar | editar código-fonte]

A Semana Farroupilha é Patrimônio Cultural do Estado do Rio Grande do Sul, sendo uma das maiores festas do Estado, com repercussão nacional. Ocorre de 11 de setembro a 20 de setembro no Centro de Eventos Erni Pereira Alves. No local há espaço para a Indústria e Comércio, Praça de Alimentação, apresentações artísticas e jogos campeiros. No Palco da Capital são realizadas as Tertúlias com os Piquetes Tradicionalistas, que mostram em suas apresentações o melhor do Tradicionalismo. No Palco do Rio Grande, diversos Shows com artistas de renome. É um convite especial a quem gosta de uma boa festa, alegre e descontraída, envolvendo a todos num clima de amizade e companheirismo. No dia 20 de setembro os piquetes e entidades tradicionalistas desfilam a cavalo ou em alegorias pelas ruas históricas de Piratini, em alusão a tomada de Porto Alegre, pelos farroupilhas, em 20 de setembro de 1835.

Grupo de Artes EncenAção:[editar | editar código-fonte]

O Grupo de Artes EncenAção, criado na parceria da Associação de Turismo Jovem Tur e a Prefeitura Municipal de Piratini é um grupo teatral que realiza o chamado City-tour Temático, que é um passeio guido pelo centro histórico de Piratini, trilhando a epopéia farroupilha, revivendo o cotidiano farrapo, com personagens importantes para o desfecho como Bento Gonçalves, Anita Garibaldi, Teixeira Nunes, Giuseppe Garibaldi entre outros, contando a história com seus costumes, dialetos e vestuário do Século XIX, uma verdadeira viagem no tempo.

Conta ainda com o Tour Comum, de responsabilidade da Associação de Turismo Jovem Tour, que faz o mesmo percurso do City-Tour Temático, mas sem a parte teatral. Mais informações podem ser dadas no site da Associação de Turismo Jovem Tour. [3]

Carnaval da Bicharada:[editar | editar código-fonte]

O Carnaval da Bicharada tem início com as atividades carnavalescas preparadas por Ary Fabião Valente, neto do Comendador Fabião, no início do século XX .Idealizador do Bloco Carnavalesco da Boa Vontade, que foi batizado de Bicharada do Ary ou Bloco da Bicharada. Com animais confeccionados artesanalmente, contava com a ajuda e envolvimento de toda a comunidade. Hoje toda a atividade e preparo estão incorporados à cultura local.

Festas Populares:

02 de fevereiro: Iemanjá; fevereiro/março: Carnaval; 23 de abril:Ogum/São Jorge; 06 de julho: aniversário do Município; 08 de dezembro:Nossa Senhora da Conceição; Primeiro domingo pós 08 de dezembro: Oxum.

Religião:

Catolicismo Romano; Protestantismo; Espiritismo; Cultos Afro-Brasileiros; Seicho-No-Ie.

Também merece destaque a popular Festa do Sorvete, realizada no Balneário Municipal de Piratini, que ocorre em Janeiro.

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010. 
  3. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010. 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010. 
  6. «História de Piratini». Página do Gaúcho. 07/06/1932. Consultado em 01/07/2016. 
  7. a b c d e Gonçalves; Lemos, Jimmy Carter; Mara Rejane (2006). Painéis de Exposição e Identidade Visual (Museu Histórico Municipal Barbosa Lessa [s.n.]). 
  8. a b c d e f Storchi, Roman, Ceres, Vlademir (2012). Centro histórico de Piratini: Preservação e Valorização (Porto Alegre: Paisagens do Sul). pp. 51, 52, 53, 53, 55, 56, 57. 
  9. a b c d da Costa, Alfredo R. (1922). O Rio Grande do Sul (Completo Estudo sobre o Estado) (Porto Alegre: Globo). p. 118. 
  10. «Povoamento Açoriano no RS». www.casadosacores-rs.org.br. Consultado em 2016-09-21. 
  11. a b c d e f g Bento, Cláudio Moreira. Piratini, Um Sagrado Símbolo Gaúcho Farrapo (Canguçu [s.n.]). p. 05. 
  12. Valadão, Tainã (19/09/2014). «História da Revolução Farroupilha permanece viva em Piratini». Jornal Tradição. Jornal Tradição. Consultado em 19/09/2016. 
  13. Forni, João José (1993). Retrato de Mãe [S.l.: s.n.] 
  14. a b c «História». piratinifarrapa.xpg.uol.com.br. Consultado em 2016-09-21. 
  15. Dumas, Alexandre (1907). Memórias de José Garibaldi. (Rio Grande: Oficinas a vapor d´O Intransigente,). 
  16. «Piratini» (PDF). Piratini. IBGE. 2007. Consultado em 16/09/2016. 
  17. «Dados da Cidade». piratinifarrapa.xpg.uol.com.br. Consultado em 2016-09-21. 
  18. Dutra, Iracema Ferreira (2008). História e Memória de Piratini (Piratini: Do Autor). p. 108. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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