Piriproxifeno

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Pyriproxyfen
Alerta sobre risco à saúde
Pyriproxyfen.svg
Nome IUPAC 4-phenoxyphenyl (RS)-2-(2-pyridyloxy)propyl ether
2-[1-(4-phenoxyphenoxy)propan-2-yloxy]pyridine
Identificadores
Número CAS 95737-68-1
PubChem 91753
ChemSpider 82851
KEGG C18605
ChEBI 39260
Código ATC P53AX23
SMILES
InChI 1/C20H19NO3/c1-16(23-20-9-5-6-14-21-20)15-22-17-10-12-19(13-11-17)24-18-7-3-2-4-8-18/h2-14,16H,15H2,1H3
Propriedades
Fórmula molecular C20H19NO3
Massa molar 321.369 g/mol
Densidade 1.2 g/cm3
Ponto de fusão

46 °C, 319 K, 115 °F

Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

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Alerta sobre risco à saúde.

O piriproxifeno  é um pesticida baseado na  piridina e efetivo contra diversos artrópodes. Fabricado pelas empresas Sumitomo Chemical Co., Ltd.,, Syngenta e BePharm Ltd., nos Estados Unidos, é vendido sob o nome comercial Nylar; na Europa, sob os nomes de Cyclio (Virbac) e Exil Flea Free TwinSpot (Emax). No Brasil, o produto é comercializado com nome de Tiger 100 CE, sendo usado para proteger plantações de algodão, entre muitas outras, contra moscas da famíla Aleyrodidae [1] e outros insetos sugadores.

Tem sido usado também como larvicida, no controle do mosquito Aedes aegypti, [2] vetor de viroses, como dengue, chicungunha e febre Zika.

Em 2016, médicos brasileiros e argentinos levantaram a hipótese de que o aumento da incidência de microcefalia no Brasil possa estar relacionado com a adição de piriproxifeno à agua potável - uma das estratégias de combate ao Aedes aegypti. [3] [4]

Controvérsia: piriproxifeno e microcefalia[editar | editar código-fonte]

Carro fumacê usado para a dispersão do piriproxifeno contra o Aedes aegypti durante uma epidemia de dengue em Coronel Fabriciano, no Brasil.

Em fevereiro de 2016, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) divulgou uma nota técnica sobre a microcefalia e sua possível relação com doenças cujo vetor é o Aedes aegypti. Nessa nota, a Abrasco alertou sobre possíveis riscos associados ao uso do piriproxifeno como larvicida (geralmente adicionado a reservatórios e caixas de água), para combater a proliferação do mosquito. [3]

Tendo em vista a toxicidade do piriproxifeno, seus efeitos teratogênicos e de desregulação endócrina em artrópodes - o que, pelas normas para registro de agrotóxicos, já implicaria a proibição do seu uso na agricultura, por razões de segurança alimentar - a Abrasco questionou a adequação do uso dessa substância na água potável destinada ao consumo humano, sobretudo em um "contexto epidêmico de má-formação fetal".[3]

Entre outras recomendações, a Abrasco propôs a realização de pesquisas clínicas e que fossem informadas outras disfunções ou malformações relacionadas a dengue, zika e chincungunya. Propôs também que fossem estudados os efeitos da exposição a produtos químicos utilizados no controle vetorial do Aedes aegypti. Além disso, a Abrasco reivindicou que fosse suspensa a adição do piriproxifeno, bem como de todos os inibidores de crescimento, à água potável.[3]

A nota suscitou algumas interpretações alarmistas que foram posteriormente desautorizadas pela Abrasco. Em comunicado à imprensa, a Associação esclareceu que "em momento nenhum afirmou que os pesticidas, larvicidas ou outro produto químico sejam responsáveis pelo aumento do número de casos de microcefalia no Brasil", mas que "todas as hipóteses devem ser investigadas".[4]

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a toxicidade do piriproxifeno tem sido estudada em ratos e coelhos. Em ratos, o piriproxifeno mostrou-se de baixa toxicidade e não teratogênico.[5] No entanto, segundo o Pesticide Properties DataBase da Universidade de Hertfordshire o piriproxifeno está incluído na classe III [6](substâncias com estruturas químicas que podem sugerir toxicidade significativa)[7] da classificação de Cramer.[8]

Segundo especialistas australianos, embora não haja evidências conclusivas de que o vírus Zika seja, de fato, responsável pelo aumento da incidência de microcefalia no Brasil, a hipótese do piriproxifeno "simplesmente não é plausível."[9] O Rio Grande do Sul por via das dúvidas baniu o larvicida.[10]

Referências

  1. Ishaaya, I; Horowitz, AR (1995). «Pyriproxyfen, a Novel Insect Growth Regulator for Controlling Whiteflies : Mechanisms and Resistance Management». Pestic. Sci. 43 (3): 227–232. doi:10.1002/ps.2780430308 
  2. Devine GJ., Sihuincha M. «Potential Use of Pyriproxyfen for Control of Aedes aegypti (Diptera: Culicidae) in Iquitos, Peru». J Med Entomol. 2005 Jul;42(4):620-30. doi:10.1603/ME13043 
  3. a b c d Nota técnica sobre microcefalia e doenças vetoriais relacionadas ao Aedes aegypti: os perigos das abordagens com larvicidas e nebulizações químicas – fumacê
    "Em 2014 foi introduzido na água de beber das populações nos domicílios e nas vias públicas um novo larvicida o Pyriproxyfen. Conforme orientação técnica do MS[2] esse larvicida é um análogo do hormônio juvenil ou juvenóide, tendo como mecanismo de ação a inibição do desenvolvimento das características adultas do inseto (por exemplo, asas, maturação dos órgãos reprodutivos e genitália externa), mantendo-o com aspecto “imaturo” (ninfa ou larva), quer dizer age por desregulação endócrina e é teratogênico e inibe a formação do inseto adulto. (...) Insistindo nessa estratégia, houve, em 2014, a introdução do larvicida Pyriproxyfen, e mesmo sabendo-se de sua toxicidade como teratogênico e de desregulação endócrina para o mosquito, foi considerado de baixa toxicidade. (...) Diante de produtos que têm efeito teratogênico em artrópodes, o que pelas normatizações para registro de agrotóxicos seria vedado seu uso na agricultura, por razões de segurança alimentar, perguntamos como aceitar o uso em água potável destinado ao consumo humano? O que dizer desse uso em um contexto epidêmico de má formação fetal? (...) reivindicamos das autoridades competentes a adoção das medidas a seguir: ... (3) Nas medidas adotadas pelo MS para controle de Aedes aegypti em suas formas larva e adulto, imediata suspensão do Pyriproxyfen (0,5 G) e de todos os inibidores de crescimento como o Diflubenzuron e o Novaluron, ou qualquer outro produto químico ou biológico em água potável."
  4. a b Entidade diz ter sido mal-interpretada e não ver ligação entre microcefalia e larvicida
  5. Pyriproxyfen in Drinking-water: Use for Vector Control in Drinking-water Sources and Containers. Background document for development of WHO Guidelines for Drinking-water Quality.
  6. Pesticide Properties DataBase: pyriproxyfen (Ref: S 9318). Environmental Fate - Ecotoxicology - Human Health
  7. European Union Reference Laboratory. Threshold of Toxicological Concern (TTC)
  8. G.M. Cramer, R.A. Ford, R.A. Hall. Estimation of toxic hazard – a decision tree approach. Food and Cosmetics Toxicology. 16(3):255-276, junho de 1978.
  9. EXPERT REACTION: Is a pesticide, not Zika virus, causing microcephaly? 15 de fevereiro de 2016
  10. [https://www.rt.com/news/332692-zika-brazil-chemical-larvicide/ Brazilian state suspends chemical used to fight Zika over fears it may be behind brain defects]