Poder Executivo Federal do Brasil
No Brasil, o Poder Executivo Federal, também chamado de Governo Federal,[nota 1] é o Poder Executivo no âmbito da União, a esfera federal do Estado brasileiro. A Administração Federal é a estrutura de administração pública correspondente no Governo do Brasil.[3]
De acordo com o que determina o artigo 78 da Constituição do Brasil de 1988, o Poder Executivo Federal é desempenhado pelo Presidente do Brasil, assessorado pelos Ministros de Estado.[4][5][6] A organização do Poder Executivo Federal abrange, além da Presidência da República Federativa do Brasil, o Gabinete de Segurança Institucional, a Casa Civil e diversos órgãos de auxílio.[4][5][6]
Os ministérios são instituições de realização da política do governo, operando cada um deles em um ramo administrativo. As entidades de ajuda assessoram o chefe do Executivo como organizações de pesquisa, análise, planeamento e controle.[4][5][6]
Presidente da República
[editar | editar código]Para se tornar presidente da República é necessário: ser brasileiro nato, ter mais de 35 anos, encontrar-se no desempenho dos direitos políticos e, de maneira incontestável, eleger-se por intermédio de partido político.[4][6]
As normas, para a escolha eleitoral do presidente da República, se encontram determinadas na Constituição de 1988. As mais importantes são:[4][6]
Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-presidente da República realizar-se-á, simultaneamente, no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último… em segundo… se houver, do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente.[4]
§ 1.º — A eleição do Presidente da República importará a do Vice - Presidente com ele registrado.
§ 2.º — Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.
§ 3.º — Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á nova eleição em até vinte dias após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos.
§ 4.º — Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação.
§ 5º - Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer, em segundo lugar, mais de um candidato com a mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso.
Pelo artigo 78 da Constituição, o presidente e o vice serão empossados em reunião do Congresso Nacional, manifestando a promessa de cumprir, proteger e respeitar a Constituição, obedecer às leis, realizar o bem geral do povo, defender a união, a integridade e a independência do Brasil.[4][6]
Conforme o artigo 82 da Constituição, o Presidente da República tem um período de quatro anos de governo, podendo ser reeleito somente uma vez, e começará em 1 de janeiro do ano posterior ao da sua eleição.[4][6]
Competência
[editar | editar código]O Presidente da República possui grande poder individual, merecendo destaque o chefe do executivo dentre as suas competências:[4][6]
- administração superior do governo federal;
- presença no processo legislativo, com a decisão das leis, reprovação de projetos de lei, aprovação, ratificação, assinatura e determinação das leis;
- indicação e demissão de ministros de Estado e Governadores de Territórios, além de outros servidores;
- oficializar tratados, fazer declaração da guerra e celebrar a paz, ad referendum do Congresso.
- comando supremo do Exército, da Marinha e da Aeronáutica;
- proclamação de estado de defesa e estado de sítio;
- determinação e realização da intervenção federal (artigo 84).
Crimes de responsabilidade
[editar | editar código]Se não concretizar a promessa de suas obrigações, ou praticar certo delito, o presidente do Brasil é conduzido a sentença diante do Supremo Tribunal Federal nos crimes comuns, ou do Senado, nos de responsabilidade.[4][6]
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:[4]
I — a existência da União;
II — o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das Unidades da Federação;
III — o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV — a segurança interna do País;
V — a probidade na administração;
VI — a lei orçamentária;
VII — O cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Vice-presidente
[editar | editar código]
Escolhido como colega de chapa do presidente, compete ao vice suceder o titular nos suas exonerações ou substituir-lhe na vacância do cargo. As exigências para o cargo são iguais ao posto de presidente.[4][6]
Art. 79. O Vice-presidente da República, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele convocado para missões especiais.[4]
Se o presidente e o vice se encontrarem demitidos, ou deixarem desocupados os referentes postos, serão nomeados para tomar posse da Presidência, o da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal, nessa ordem.[4][6]
O presidente da República e seu vice apenas poderão deixar o país com autorização do Congresso, sob ameaça de suspensão do cargo, a não ser que o afastamento seja maior que 15 dias. (artigo 83).[4][6]
Ministros de Estado
[editar | editar código]
Grandes assessores do presidente da República, os ministros de Estado são por ele indicados livremente, dentre brasileiros natos, pessoas com mais de vinte e um anos, no exercício de direitos políticos.[4][7]
Art. 87. Compete ao ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei:[4]
I — exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo presidente da República;
II — expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos;
III — apresentar ao presidente da República um relatório anual de seu governo no Ministério;
IV — praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo presidente da República.
Hoje há 31 ministérios, 3 secretarias da presidência e 4 órgãos.[5] A fundação, alteração de organizações e ocasional dissolução dum ministério são realizadas por intermédio de lei especial, cuja decisão é de responsabilidade do presidente da República.[7] Além dos chefes dos ministérios, são igualmente ministros de Estado os titulares dos órgãos de auxílio, a saber: Secretaria de Comunicação Social, Secretaria-Geral, Advocacia-Geral, Casa Civil, Controladoria-Geral e Gabinete de Segurança Institucional.[5][7]
Administração indireta
[editar | editar código]No comando dos interesses do Estado, o Executivo opera diretamente por meio dos ministérios e órgãos pertencentes à Presidência, e indiretamente, por meio das entidades da administração indireta, que são:[8]
- Autarquias: instituições fundadas por legislação especial, para conseguir mais competência e eficácia em alguns ramos, por meio da descentralização governamental e econômica. São serviços independentes, dotados de caráter oficial, capital e arrecadação particulares. Podem estar ligados diretamente à Presidência ou a algum ministério. Exemplos: o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), a Biblioteca Nacional (BN), o Instituto de Estudos Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e a Universidade de Brasília (Unb).[8]
- Empresas públicas: organizações formadas com identidade reconhecida por lei, fortuna privativa e dinheiro restrito à União; ocupam-se de algumas fontes de renda, cuja extração é considerada relevante para o governo. São exemplos a Caixa Econômica Federal, os Correios e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.[8]
- Sociedades de economia mista: fundadas para a extração de algumas fontes de renda, sob a forma de anônimas, em que ações majoritárias com direito eleitoral cabem à União ou de uma instituição da administração indireta. Por exemplo: Banco do Brasil e Petrobrás.[8]
Forças Armadas
[editar | editar código]
Para satisfazer às questões relativas à preservação da ordem interna e à soberania externa, que compõem a base da segurança nacional, o Estado brasileiro dispõe de órgãos especiais: as Forças Armadas.[8]
Art. 142. Constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.[4]
Segurança pública
[editar | editar código]Dentre as várias funções que devem ser exercidas pelo Poder Executivo para promover o bem comum, merece destaque a precaução com a segurança pública.[9]
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem… e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:[4]
I — polícia federal;
II — polícia rodoviária federal;
III — polícia ferroviária federal;
IV — polícias civis;
V — polícias militares e corpos de bombeiros…
Compete à polícia federal, dentre outras funções:[4][9]
- investigar as infrações penais contra a ordem política e social ou em prejuízo de bens, serviços e interesses da União;
- acautelar e impedir o roubo e o trânsito ilegal de entorpecentes e drogas em todo o território nacional;
- desempenhar a polícia marítima, aérea e de fronteiras.
A polícia rodoviária federal, instituição contínua, organizada em carreira, possui por finalidade, na forma da lei, a patrulha das rodovias federais.[4][9]
As polícias civis têm por objetivo a investigação de crimes e o cumprimento das responsabilidades de polícia judiciária, respeitada a incumbência federal.[4][9]
Às polícias militares competem a polícia ostensiva e a manutenção da ordem pública.[4][9]
Aos corpos de bombeiros militares, além das competências estabelecidas em lei, cabe a realização de atividades de defesa civil.[4][9]
Os municípios poderão formar guardas municipais reservadas à defesa de seus bens, serviços e instalações, segundo a lei determinar. (art. 144, par. 89)[4][9]
Estrutura
[editar | editar código]- Presidência da República
- Presidência da República
- Vice-Presidência da República
- Casa Civil da Presidência da República
- Gabinete de Segurança Institucional
- Secretaria-Geral da Presidência da República
- Secretaria de Comunicação Social
- Secretaria de Assuntos Estratégicos
- Advocacia-Geral da União
- Controladoria-Geral da União
- Conselhos
- Conselho da República
- Conselho de Aviação Civil
- Conselho de Defesa Nacional
- Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social
- Conselho de Governo
- Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte
- Conselho Nacional de Política Energética
- Ministérios
- Ministério da Agricultura e Pecuária
- Ministério das Cidades
- Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
- Ministério das Comunicações
- Ministério da Cultura
- Ministério da Defesa
- Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
- Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
- Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
- Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
- Ministério da Educação
- Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte
- Ministério do Esporte
- Ministério da Fazenda
- Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
- Ministério da Igualdade Racial
- Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional
- Ministério da Justiça e Segurança Pública
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
- Ministério de Minas e Energia
- Ministério das Mulheres
- Ministério da Pesca e Aquicultura
- Ministério do Planejamento e Orçamento
- Ministério dos Portos e Aeroportos
- Ministério dos Povos Indígenas
- Ministério da Previdência Social
- Ministério das Relações Exteriores
- Ministério da Saúde
- Ministério do Trabalho e Emprego
- Ministério dos Transportes
- Ministério do Turismo
Ver também
[editar | editar código]Notas
- ↑ O termo "governo" tem um sentido amplo, referente à organização do Estado (por exemplo, governo dos Estados Unidos),[1] e um significado restrito, referente ao poder executivo e/ou administração pública correspondente (por exemplo, governo de Portugal),[2] como usado no presente artigo.
Referências
- ↑ Brazil - The World Factbook
- ↑ «Governo». dre.pt. Consultado em 23 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 23 de janeiro de 2023
- ↑ Brasil, Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967. Dispõe sôbre a organização da Administração Federal, estabelece diretrizes para a Reforma Administrativa e dá outras providências. Diário Oficial, Brasília, 27 de fevereiro de 1967.
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 Brasil, Constituição da República Federativa do Brasil de 5 de outubro de 1988. Diário Oficial, Brasília.
- 1 2 3 4 5 «Presidência da República». SIORG - Sistema de Informações Organizacionais do Governo Federal. Consultado em 18 de fevereiro de 2009. Cópia arquivada em 7 de janeiro de 2017
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Duarte 1992, pp. 138–142.
- 1 2 3 Duarte 1992, pp. 142–143.
- 1 2 3 4 5 Duarte 1992, p. 143.
- 1 2 3 4 5 6 7 Duarte 1992, pp. 144–145.
Bibliografia
[editar | editar código]- Duarte, Gleuso Damasceno (1992). Conjuntura atual em OSPB. terceiro grau 10ª ed. Belo Horizonte: Ed. Lê
- Brasil. Ministério da Economia. Manual de Estruturas Organizacionais do Poder Executivo Federal / Ministério da Economia, Secretaria de Gestão. – 2. ed. -- Brasília: Ministério da Economia, 2019. 100 p.: il.