Poder explicativo
Poder explicativo é a habilidade de uma teoria em efetivamente explicar o assunto ao qual pertence. De uma teoria às vezes é dito ter mais poder explicativo do que outra sobre o mesmo assunto se ela oferece maior poder preditivo. Isto é, oferece mais detalhes sobre o que deveríamos esperar ver e aquilo que não se deveria esperar.
O poder explicativo também pode sugerir que mais detalhes de relações causais são fornecidas ou que mais fatos são relatados. O cientista David Deutsch acrescenta que uma boa teoria não é apenas preditiva e falseável (ou seja, testável); uma boa explicação também fornece detalhes específicos que se encaixam junto tão firmemente que é difícil mudar um detalhe sem afetar a teoria inteira. O contrário de poder explicativo é impotência explicativa.
Visão global
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O físico David Deutsch propõe um critério para avaliar boas explicações que, segundo ele, é tão importante para o progresso científico quanto a rejeição de apelos à autoridade, a adoção do empirismo e da falseabilidade popperiana. Para Deutsch, uma boa explicação é aquela que é suficientemente específica e difícil de variar: os seus detalhes não podem ser modificados arbitrariamente sem que a explicação perca o seu poder de dar conta dos fenómenos que pretende descrever.[1][2] Em contraste, “más explicações” são aquelas que podem ser constantemente ajustadas por meio de hipóteses ad hoc para acomodar novos factos, sem nunca se deixarem realmente pôr à prova.
Deutsch recorre a exemplos da mitologia grega para ilustrar a diferença. Um dos casos discutidos é o mito segundo o qual o rapto de Perséfone por Hades e a tristeza de sua mãe, Deméter, explicariam a ocorrência das estações: quando Perséfone está no mundo inferior, Deméter entristece e a terra torna-se fria e estéril; quando ela regressa, a terra volta a florescer.[1] Esse mito é, em princípio, testável (por exemplo, implicaria que o inverno deveria ocorrer simultaneamente em toda a Terra), mas, ainda assim, constitui uma explicação “fácil de variar”, pois qualquer detalhe pode ser alterado — a causa poderia ser a felicidade dos deuses, um pacto diferente, outro deus ou evento — sem afetar a estrutura básica da narrativa.[2]
Sem um critério como o de Deutsch, a “explicação dos deuses gregos” poderia ser indefinidamente preservada mediante a introdução de novas justificativas ad hoc. Em contraste, a explicação científica moderna para as estações é considerada uma boa explicação justamente por ser difícil de variar: depende de detalhes sobre a Terra, como a sua rotação, a órbita em torno do Sol e a inclinação do seu eixo de rotação, que não podem ser modificados arbitrariamente sem comprometer a coerência da teoria e as previsões que dela decorrem.[1][2]
Referências
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