Pogrom

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Pogrom
Pluenderung der Judengasse 1614.jpg
Saqueando o Judengasse, um gueto Judeu em Frankfurt am Main, em 22 de agosto de 1614
Alvo Predominantemente Judeus

O termo pogrom (em iídiche, פּאָגראָם,[1] do russo погром) tem múltiplos significados,[2] mais frequentemente atribuída à perseguição deliberada de um grupo étnico ou religioso, aprovado ou tolerado pelas autoridades locais[3], sendo um ataque violento maciço a pessoas, com a destruição simultânea do seu ambiente (casas, negócios, centros religiosos). Historicamente, o termo tem sido usado para denominar atos em massa de violência, espontânea ou premeditada, contra judeus, protestantes, eslavos e outras minorias étnicas da Europa, porém é aplicável a outros casos, a envolver países e povos do mundo inteiro.

História[editar | editar código-fonte]

A palavra tornou-se internacional após a onda de pogromm que varreu o sul da Rússia entre 1881 e 1884, causando o protesto internacional e levando à emigração maciça dos judeus podendo levar a morte.

De acordo com os registros da história dos judeus nos Estados Unidos, a imigração judaica da Rússia aumentou drasticamente naqueles anos, totalizando cerca de dois milhões de judeus russos entre 1880 e 1920.

Pelo menos uma parte dos pogrom deve ter sido organizada ou apoiada pela Okhrana (polícia secreta russa). Apesar de não haver provas, a indiferença da polícia e do exército russo foi amplamente comentada, por exemplo, durante o Primeiro pogrom de Kishinev de 1903, que durou três dias, bem como as precedentes incitações antissemitas em artigos de jornais - uma indicação de que os pogrom estavam em linha com a política interna da Rússia Imperial.

A Revolução Russa de 1917 e a consequente Guerra Civil Russa foram acompanhadas de vários pogrom. Por um lado, judeus ricos partilharam o destino de outras pessoas ricas da Rússia. Por outro lado, as povoações judaicas sofreram vários pogrons pelo Exército Branco, que via os judeus como atores principais do "complô judaico-bolchevique".

A organização da autodefesa judia parou os pogromistas em certas áreas durante o Segundo pogrom de Kishinev.

Crianças judias mortas no pogrom de Ekaterinoslav

Pogrom ocorreram também envolvendo pessoas de outras comunidades, além da judaica. Exemplos: o Massacre de São Bartolomeu, em França, no ano de 1572, quando houve assassinatos em massa de protestantes por parte de católicos. Também há o caso dos massacres da comunidade Bahá'í (entre 1850-63) perpetrados pelas autoridades bem como a sociedade civil em todo o Irão. No Afeganistão dos talebans, houve pogrons feitos aos membros do grupo étnico minoritário dos hazaras (na aldeia de Daht-e Leili, centro-norte do país). Em Camboja, Ruanda, Burundi etc., também há casos, e recentes, de enormes pogrom. Foram praticados na Segunda Guerra 140 pogroms com 35 mil vítimas durante o período.[4]

1938: O pogrom da "Noite dos Cristais"[editar | editar código-fonte]

Em 9 de novembro de 1938, nazistas mataram judeus, incendiaram sinagogas, saquearam e destruíram lojas da comunidade judaica. O governo nazista impediu a ação de polícia e bombeiros.

Aquela que ficaria conhecida no próprio jargão nazista como a "noite dos cristais quebrados" marcou o início do Holocausto, que causou a morte de seis milhões de judeus na Europa até o final da Segunda Guerra Mundial.

A "Noite dos Cristais" (Kristallnacht ou Reichspogromnacht), de 9 para 10 de novembro de 1938, em toda a Alemanha e Áustria, foi marcada pela destruição de símbolos judaicos. Sinagogas, casas comerciais e residências de judeus foram invadidas e seus pertences destruídos.

Série de proibições aos judeus

Milhares foram torturados, mortos ou deportados para campos de concentração. A justificativa usada pelos nazistas foi o assassinato do então diplomata alemão em Paris, Ernst von Rath, pelo jovem Herschel Grynszpan, de 17 anos, dois dias antes.

A perseguição nazista à comunidade judaica alemã já havia começado em abril de 1933, com a convocação aos cidadãos a boicotarem estabelecimentos pertencentes a judeus. Mais tarde, foram proibidos de freqüentar estabelecimentos públicos, inclusive hospitais.

No outono europeu de 1935, a perseguição aos judeus, apontados como "inimigos dos alemães", atingiu outro ponto alto com a chamada "Legislação Racista de Nurembergue". Enquanto o resto do mundo parecia não levar o genocídio a sério, Hitler via confirmada sua política de limpeza étnica.

Trajetória para o Holocausto já havia sido aberta

Uma lei de 15 de novembro de 1935 havia proibido os casamentos e condenado as relações extraconjugais entre judeus e não-judeus. Havia ainda a proibição de que não-judeus fizessem serviços domésticos para famílias judaicas e que um judeu hasteasse a bandeira nazista.

Ainda em 1938, as crianças judias foram expulsas das escolas e foi decretada a expropriação compulsória de todas as lojas, indústrias e estabelecimentos comerciais pertencentes a judeus. Em 1º de janeiro de 1939, foi adicionado obrigatoriamente aos documentos de judeus o nome Israel para homens e Sarah para mulheres.

A proporção da brutalidade do pogrom de 9 de novembro foi indescritível. Hermann Göring, chefe da SA (Tropa de Assalto), lamentou "as grandes perdas materiais" daquele 9 de novembro de 1938, acrescentando: "Preferia que tivessem assassinado 200 judeus em vez de destruir tantos objetos de valor!"

Uso moderno[editar | editar código-fonte]

Na Alemanha contemporânea, refere-se à Noite dos Cristais (ou Kristallnacht/Reichskristallnacht) também por Pogromnacht.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://pt.glosbe.com/pt/yi/pogrom
  2. Klier, John (2010). «Pogroms». The YIVO Encyclopedia of Jews in Eastern Europe. YIVO Institute for Jewish Research. The common usage of the term pogrom to describe any attack against Jews throughout history disguises the great variation in the scale, nature, motivation, and intent of such violence at different times. 
  3. Editors of Encyclopædia Britannica; et al. (2017). «Pogrom». Encyclopædia Britannica. Britannica.com. (Russian: "devastation" or "riot"), a mob attack, either approved or condoned by authorities, against the persons and property of a religious, racial, or national minority. The term is usually applied to attacks on Jews in the Russian Empire in the late 19th and early 20th centuries. 
  4. "The Return of the Ukrainian Far Right: The Case of VO Svoboda," in Ruth Wodak and John E. Richardson (eds.) Analyzing Fascist Discourse: European Fascism in Talk and Text (London and New York: Routledge, 2013), 228-255.