Polícia Federal: A Lei É para Todos

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Polícia Federal: A Lei É para Todos
 Brasil
2017 •  Cor •  107 min 
Direção Marcelo Antunez
Produção Tomislav Blazic
Roteiro Thomas Stavros
Gustavo Lipsztein
Elenco Flávia Alessandra
Ary Fontoura
Antonio Calloni
João Baldasserini
Marcelo Serrado
Rainer Cadete
Bruce Gomlevsky
Gênero Policial
Distribuição Downtown Filmes
Lançamento 7 de setembro de 2017
Idioma Português brasileiro
Orçamento R$ 16 milhões
Receita R$ 19 milhões[1]
Site oficial
Página no IMDb (em inglês)

Polícia Federal: A Lei É para Todos é um filme policial brasileiro de 2017.[2] Dirigido por Marcelo Antunez, produzido por Tomislav Blazic e roteirizado por Thomas Stavros e Gustavo Lipsztein. Foi inspirado no livro homônimo de Carlos Graieb e Ana Maria Santos.[3] Estrelado por Antonio Calloni, retrata a Operação Lava Jato sob o ponto de vista dos investigadores que a protagonizam.[4] Segundo o produtor Tomislav Blazic, a trama será dividida em três filmes, que devem ser lançados a cada ano, e que o filme não é um documentário e por isto, apesar de ser baseado na Operação Lava Jato, não tem a obrigação de ser fiel à realidade.[5]

Custando 16 milhões de reais, o filme não teve os patrocinadores revelados, e não utilizou recursos públicos. Os nomes dos investidores, cerca de 25, foram mantidos em sigilo, segundo Blazic, a pedido dos empresários, que fizeram os desembolsos como pessoas físicas. "Eles pediram, tenho que respeitar. Muitos filmes foram feitos assim no Brasil e fora dele."[6] O filme contou com um acordo de cooperação assinado entre Blazic e a Polícia Federal em 2015.[7] O filme teve sua premiere no dia 28 de agosto para convidados em Curitiba, entre eles estavam os juízes Sérgio Moro, Marcelo Bretas e o procurador Deltan Dallagnol, além de delegados, policiais e servidores da justiça,[8] e estreou nos cinemas brasileiros no feriado do Dia da Independência, 7 de setembro.[9]

Na primeira semana, atraiu 461.783 às salas de cinema sendo cerca de 430.000 de quinta a domingo, e outros 30.000 nas pré-estreias, com faturamento de 7,8 milhões de reais, sendo o segundo filme mais assistido atrás do filme estadunidense It: A Coisa.[10][11] Teve a melhor estreia do ano entre os filmes nacionais.[12] Em 25 de setembro, o número de pessoas que foram ao cinema assistir o filme passou de um milhão,[13][14] e no final do primeiro dia de outubro se tornou o filme nacional mais visto de 2017 até então.[15]

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Baseado na verdadeira história da Operação Lava Jato, a maior e mais bem sucedida investigação contra a corrupção já vista no mundo, o filme conta, através dos olhos do Delegado Federal Ivan, a história de como ele e sua equipe da Polícia Federal, trabalhando em parceria com o Ministério Público Federal, pôde revelar e desmantelar um esquema intrincado de lavagem de dinheiro, propinas, roubo, corrupção e formação de quadrilha envolvendo executivos da Petrobrás, empreiteiras, partidos políticos e políticos em todos os níveis de governo - incluindo o congresso nacional, os secretários de gabinete, presidente e ex-presidentes do Brasil.

Emocionante e cheio de ação, o filme é um thriller policial que revela detalhes inacreditáveis ​​sobre os conflitos e os perigos enfrentados pelos investigadores, os obstáculos lançados para frustrar a operação e o papel crucial do Juiz Federal que resistiu às maiores pressões para evitar que os políticos destruíssem a operação e saíssem livres das acusações.

Seguimos Ivan e a sua equipe através do processo de investigação passo a passo que transformou o que começou como uma investigação sobre traficantes de drogas e doleiros, em um movimento para combater a espinha dorsal da corrupção no Brasil, levando diretamente à porta dos mais poderosos político no país - o ex-presidente Luís Inácio "Lula" da Silva. Esta é a história de homens e mulheres lutando contra um sistema corrupto e tentando provar que, de fato, ninguém está acima da lei.

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Produção[editar | editar código-fonte]

O produtor Tomislav Blazic estava trabalhando em outro filme com a Polícia Federal no projeto de tráfico de armas e drogas, quando começou a surgir a Operação Lava Jato. Vendo o tamanho do que estava acontecendo com o país, ele resolveu parar este outro projeto e fazer os bastidores da Operação Lava Jato, a fim de que a sociedade tomasse consciência do mau que a corrupção traz para todos. Isso o filme mostra claramente, sem cor partidária, apenas com fatos reais.[16]

O filme levou um ano e meio para pesquisa, roteiro e filmagem e recebeu apoio da própria Polícia Federal do Brasil, que prestou consultoria para a produção, dando entrevistas ao diretor e roteiristas, e autorizando a filmagem de cenas nas sua sede de Curitiba e no Rio de Janeiro.[7]

Elenco[editar | editar código-fonte]

  • Antonio Calloni interpreta o competente delegado Ivan, um dos principais investigadores e o narrador do filme sobre a operação Lava Jato. O delegado não acredita em heróis e sim em figuras fundamentais para a operação.
  • Bruce Gomlevsky vive o delegado Júlio Cesar. O personagem é bastante próximo da delegada Beatriz (Flávia Alessandra) e muito intenso. Sua transparência nas tomadas de decisões é nítida. Ele procura a fundo, até encontrar as evidências. Muito próximo dos pais e apaixonado pelo que faz.
  • Flávia Alessandra interpreta a delegada federal "Beatriz". Ela representa mais que determinação. Foi inspirada em pessoas que têm um papel importante na operação, e ela dá voz a todas as mulheres que fazem a diferença na polícia. 
  • Rainer Cadete interpreta Ítalo Agneli, ele é um procurador muito determinado, não tem medo de seguir em frente, doa a quem doer. Acredita que se eles seguirem a lei e os fatos, nada mais importa.
  • João Baldasserini interpreta Vinicius, um delegado jovem e decidido. A inspiração do personagem surgiu de várias figuras importantes da operação, mas a sua personalidade veio do delegado Maurício Moscardi, que é extrovertido e brincalhão.
  • Ary Fontoura interpreta o ex-presidente Lula.
  • Marcelo Serrado interpreta o juiz federal Sérgio Moro.
  • Roberto Birindelli interpreta o doleiro Alberto Youssef.

Críticas e elogios[editar | editar código-fonte]

De acordo com Humberto Trezzi, do jornal ZeroHora,  o filme tem alguns pecados. Na tela, procuradores da República e policiais federais interagem harmoniosamente, quando a relação entre eles muitas vezes é vista como tensa e antagonista no momento da condução das delações premiadas. O diretor optou por dar nomes reais aos políticos e empresários (Lula, ex-presidente da república, aparece apenas por meio de uma representação ranzinza e antipática), mas deu pseudônimos aos policiais. O crítico questiona esta decisão artística de tratamento diverso. Até para driblar a acusação de maniqueísmo, alguns delegados-personagens dizem que votaram no PT e debatem a Lava-Jato em família (como tem ocorrido, aliás, em qualquer família brasileira). Se o filme carrega contra os petistas nesse primeiro momento, as continuações devem atacar os tucanos e os peemedebistas.[17]

De acordo com Katia Kreutz do site especializado Cinemascope, a frase de Ruy Barbosa, que abre o filme, também poderia ser usada para sua conclusão. “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” Quando as luzes se acendem, parte do público pode até dar risadas, alguns já esperando as continuações dessa história – que promete ser longa… Outros simplesmente irão se levantar da poltrona envergonhados por viverem em um país onde a lei ainda não é, de fato, para todos.[18]

De acordo com Pablo R. Bazarello, do site especializado CinemaPop, Apesar dos diálogos em sua maioria apenas cumprirem tabela, movendo a trama adiante sem prejudicar, mas igualmente não imprimindo-os em nossa mente, existem alguns momentos memoráveis no longa, que talvez sirvam para justificar sua imparcialidade. Durante um almoço de família, o policial Julio Cesar (Bruce Gomlevsky) precisa explicar para o pai que não existe perseguição partidária. No entanto, o melhor momento do longa, que joga uma luz sobre uma situação que talvez nunca mude, é a cena o bar com Antonio Calloni, quando o líder da operação se questiona sobre seu resultado.[19]

De acordo com Artur Xexeu, do jornal O Globo, “Polícia Federal” é um filme de mocinho e bandido que parte da premissa de que o mocinho é a Polícia Federal e o bandido, o Partido dos Trabalhadores. Se isso o incomoda, não passe nem perto da porta dos cinemas em que está em cartaz. Se você aceita essa distribuição de papéis, nem que seja por esperar do filme apenas uma peça de ficção, então vá sem susto. “Polícia Federal” é um thriller e tanto e tem funcionado como catarse para os espectadores que parecem revoltados com o noticiário dos últimos tempos.[20]

Entre os telespectadores, o filme tem sido aplaudido ao fim das sessões de cinema. Segundo o diretor da distribuidora Downtown Filmes, "é como se o brasileiro tivesse encontrado na tela do cinema o grito contra a corrupção que estava preso na garganta."[21]

Referências

  1. «'Polícia Federal' se torna a maior bilheteria nacional de 2017». O Globo. Globo.com. 3 de outubro de 2017. Consultado em 5 de outubro de 2017. 
  2. AdoroCinema. «Polícia Federal - A Lei é Para Todos: Filme sobre a Lava Jato faz pré-estreia com Sérgio Moro e outros juízes». AdoroCinema 
  3. «Thriller brasileiro conta a história da Operação Lava Jato | EXAME». exame.abril.com.br. Consultado em 11 de outubro de 2017. 
  4. Entretenimento, Portal Uai (5 de março de 2017). «Primeiro longa nacional inspirado na Lava-Jato assume perspectiva dos investigadores». Portal Uai Entretenimento 
  5. «Polícia Federal: A Lei é Para Todos :: Entrevista exclusiva com Marcelo Antunez e Tomislav Blazic - Papo de Cinema». www.papodecinema.com.br. Consultado em 11 de outubro de 2017. 
  6. «Filme 'Polícia Federal' gastou R$ 16 mi para tornar Lava Jato entretenimento». Folha de S.Paulo 
  7. a b Astuto, Bruno (1 de fevereiro de 2017). «Filme Polícia Federal – A lei é para todos tem cenas rodadas no Rio». revistaepoca.globo.com. Consultado em 30 de agosto de 2017. 
  8. Bruno Carmelo (29 de agosto de 2017). «Polícia Federal - A Lei é Para Todos: Filme sobre a Lava Jato faz pré-estreia com Sérgio Moro e outros juízes». Adoro Cinema. Consultado em 18 de setembro de 2017. 
  9. «'A lei é para todos', filme sobre a PF na Lava Jato, estreia no Dia da Independência». Estadão. 12 de julho de 2017. Consultado em 30 de agosto de 2017. 
  10. «Filme da Lava Jato já levou quase 500.000 aos cinemas». VEJA. Abril. 11 de setembro de 2017. Consultado em 13 de setembro de 2017. 
  11. «'It – A coisa' estreia em 1º no Brasil; 'Polícia Federal – A lei é para todos' fica em 2º». G1. Globo.com. 11 de setembro de 2017. Consultado em 13 de setembro de 2017. 
  12. João Vitor Figueira (11 de setembro de 2017). «Polícia Federal - A Lei É Para Todos tem a melhor estreia do ano entre os filmes nacionais». Adoro Cinema. Consultado em 18 de setembro de 2017. 
  13. «'Polícia Federal — A lei é para todos' ultrapassa a marca de um milhão de espectadores». G1. Globo.com. 25 de setembro de 2017. Consultado em 25 de setembro de 2017. 
  14. «Filme sobre Lava-Jato supera marca de 1 milhão de espectadores». Valor Econômico. 25 de setembro de 2017. Consultado em 25 de setembro de 2017. 
  15. «'Polícia Federal' se torna a maior bilheteria nacional de 2017». O Globo. 3 de outubro de 2017 
  16. «Gazeta de Rio Preto». www.gazetarp.com.br. Consultado em 11 de outubro de 2017. 
  17. «GaúchaZH». gauchazh.clicrbs.com.br. Consultado em 11 de outubro de 2017. 
  18. «Polícia Federal - A Lei é Para Todos - Cinemascope». Cinemascope. 7 de setembro de 2017 
  19. Marafon, Renato. «Crítica | Polícia Federal: A Lei é para Todos – Cinema político, fervoroso e imparcial | CinePOP». cinepop.com.br. Consultado em 11 de outubro de 2017. 
  20. Xexéo, Artur (1 de outubro de 2017). «Onde está o dinheiro?». O Globo 
  21. João Vitor Figueira (11 de setembro de 2017). «PF - A Lei É Para Todos tem a melhor estreia nacional do ano». Terra. Consultado em 18 de setembro de 2017. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]