Pombajira

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Pombajira, Bombogira, Pomba Gira ou Pombagira é uma Entidade que trabalha na umbanda e para uma melhor compreensão da comunidade leiga, é retratada como uma forma feminina de Exu.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A origem do termo é incerta. Uma das teorias a descreve como uma corruptela de Pambu Njila, o inquice equivalente a Exu no candomblé de angola.

Pombagira Rainha das Sete Encruzilhadas

Em português, "pomba" no sentido figurado pode se referir a uma pessoa boa, enquanto "gira" é um adjetivo para "bonita"; uma pomba gira seria, por consequência, uma mulher boa e bonita.

Características[editar | editar código-fonte]

Assim como no caso dos exus masculinos, pombajiras são entidades espirituais, o espírito de alguém que nasceu e morreu, portanto pertence ao chamado povo de rua ou catiço.[1]

As pombajiras vestem saias rodadas, usam brincos, pulseiras, perfumes e rosas. Mas não é obrigatório que os médiuns se utilizem dessas vestimentas para a incorporação. Cada terreiro trabalha de forma autônoma. Alguns centros uniformizam a roupa dos médiuns; todos, por exemplo, vestem branco.[2]

Falanges[editar | editar código-fonte]

Há diversas falanges dessas entidades, que costumam auxiliar seus médiuns nos terreiros de umbanda, como por exemplo: Sete Saias, Maria Padilha, Rosa dos Ventos, Rainha das 7 Encruzilhadas, Pombagira da Calunga, Pombagira das Almas, Pombagira Cigana, Pombagira Maria Mulambo, Rosa Vermelha, Dona Rosinha Caveira, entre outras.[3]

Oferendas[editar | editar código-fonte]

As oferendas às pombagiras são inúmeras, sempre acompanhadas de vinho espumante de boa qualidade e bebidas fortes como o gim, burbom e, em isolados casos, aguardente. A elas, são oferecidos cigarrilhas e cigarros de filtro branco, rosas vermelhas (sempre em numero ímpar), mel, licor de anis (que é uma de suas bebidas preferidas), espelhos, enfeites, joias, bijuterias, batons, perfumes, enfim, todo o aparato que se atribui à chamada "vaidade feminina". Os despachos às pombagiras são feitos em encruzilhadas em forma de "T", cemitérios, estradas e, em alguns casos, jardins.

Referências

  1. «As ressignificações de Exu». ucg.br 
  2. «Exu, o mensageiro» (PDF). institutocaminhosoriente.com 
  3. Exu, o mensageiro
Bibliografia
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