Pomerode

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Município de Pomerode
"A cidade mais alemã do Brasil"
PomerodeSouthGate.jpg

Bandeira de Pomerode
Brasão de Pomerode
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 21 de janeiro
Fundação 21 de janeiro de 1959 (57 anos)
Gentílico pomerodense
Prefeito(a) Rolf Nicolodelli (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Pomerode
Localização de Pomerode em Santa Catarina
Pomerode está localizado em: Brasil
Pomerode
Localização de Pomerode no Brasil
26° 44' 27" S 49° 10' 37" O26° 44' 27" S 49° 10' 37" O
Unidade federativa  Santa Catarina
Mesorregião Vale do Itajaí IBGE/2008 [1]
Microrregião Blumenau IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Blumenau, Indaial, Jaraguá do Sul, Rio dos Cedros e Timbó
Distância até a capital 158 km
Características geográficas
Área 216 km² [2]
População 30 598 hab. estatísticas IBGE/2014[3]
Densidade 141,66 hab./km²
Altitude 58 m
Clima Subtropical Cfa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,780 alto PNUD/2010[4]
PIB R$ 660 122,828 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 25 028,35 IBGE/2008[5]
Página oficial
Prefeitura http://www.pomerode.sc.gov.br/

Pomerode é um município do estado de Santa Catarina, no Brasil. Localizado na Mesorregião do Vale do Itajaí e na Microrregião de Blumenau é conhecido por ser "A cidade mais alemã do Brasil".

Além do português, grande parte da população local fala um alemão bastante próximo do alemão-padrão (Hochdeutsch), ao passo que a língua original da maioria dos pomerodenses é o pomerano. Portanto, há a coexistência desses três códigos linguísticos na cidade (português, alemão e pomerano).[6]

História[editar | editar código-fonte]

Até o século XVI, a região do atual município de Pomerode era território tradicional dos índios carijós e xokleng. Com a chegada dos colonizadores portugueses, nesse século, os carijós foram escravizados e exterminados[7].

Desde então, a região permaneceu inabitada ou pouco povoada, até o início da imigração alemã no Brasil, no século XIX. Foi, então, fundada uma colônia na área, criada em 1863 pelos imigrantes pomeranos, estrategicamente localizada entre Blumenau e Joinville. A localização foi incentivada pelo doutor Hermann Blumenau, para que, assim, se fortalecesse o comércio entre ambas as cidades. Os lotes de terras foram divididos entre os imigrantes, que se dedicaram à produção de arroz, batata, fumo, mandioca, feijão e à criação de animais. Com a chegada do século XX, pequenas indústrias se instalaram na região, com destaque para as de porcelana.

A maior parte desses imigrantes alemães vieram da histórica região da Pomerânia, de onde se origina o nome do município, situada entre o norte da Alemanha , onde atualmente existe o estado entitulado Mecklenburg-Vorpommern. Alguns pomeranos são descendentes de uma mistura de povos germânicos e eslavos e, desde o século XII, quando passaram a fazer parte do Sacro Império Romano-Germânico, sofreram um processo de germanização de seu idioma e costumes, porém a Pomerânia Ocidental esteve subjugada durante longo tempo pelos suecos e mais tarde, como parte da província Pomerânia, pelos prussianos. Após certo tempo surgiu o estado Alemão Mecklenburg-Vorpommern, sendo uma fusão de Mecklenburg e Pomerânia Ocidental, a parte leste ficaria com a Polônia após a Segunda Guerra Mundial.

Dentre os diversos grupos de alemães que emigraram para o Brasil, os pomeranos formam uma minoria e, por isso, quando aqui chegaram, mesclaram-se com outros grupos germânicos, o que contribuiu para que perdessem sua herança cultural em muitas cidades. Apenas em três estados brasileiros os pomeranos formaram comunidades autônomas que contribuíram para a manutenção dos seus costumes: em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, São Lourenço do Sul, no Rio Grande do Sul, e em Pomerode.

Com o fim da II Guerra Mundial, a maior parte da Pomerânia foi anexada à Polônia e apenas uma pequena parcela ficou com a Alemanha, chamada de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Muitos pomeranos se refugiaram na Alemanha Oriental ou emigraram para outros países, perdendo grande parte de seus costumes. Prova disso é que o Brasil tem mais falantes da antiga língua pomerana do que a própria Alemanha.

No Brasil, a II Guerra Mundial também foi decisiva para a nacionalização dos imigrantes pomeranos. O ex-presidente Getúlio Vargas, após declarar guerra à Alemanha, proibiu o uso da língua alemã no País, a construção de casas com arquitetura germânica e as manifestações ligadas à cultura da Alemanha. Isso afetou Pomerode e todas as demais colônias no Brasil, que passaram a se abrasileirar cada vez mais. Muitos colonos Alemães sofreram repressão, agressões e tiveram seus nomes mudados devido ao preconceito e radicalismo de Getúlio Vargas, então presidente, sendo assim foi influência para que o povo perdesse sua cultura natural. Hoje em dia a cultura se enfraquece devido a vinda de pessoas de outras regiões do Brasil, principalmente a perda do idioma.

Em 21 de janeiro de 1959, a cidade se emancipa de Blumenau e ganha status de município, tendo como primeiro prefeito(provisório) Guilherme Alípio Nunes.[8]

Ao todo, 300 mil brasileiros são descendentes de alemães pomeranos.

Idiomas[editar | editar código-fonte]

Imigrantes alemães da Pomerânia estabeleceram-se na região entre 1860–1880. A língua original desses imigrantes era o baixo-alemão, um conjunto de dialetos regionais falados no norte da Alemanha. A instrução dada nas escolas, antes da campanha de nacionalização, era feita em alemão-padrão (Hochdeutsch) que, por ser a língua de prestígio, foi substituindo o pomerano. O pomerano, então, passou a manifestar-se apenas na linguagem oral, ao passo que o alemão-padrão passou a predominar. Na década de 1930, com a nacionalização, as escolas alemãs foram fechadas, mas foram reabertas na década de 1970. Atualmente, o alemão falado em Pomerode é muito próximo do alemão-padrão coloquial, mas com incorporações lexicais do português e as consequentes adaptações ao sistema morfológico e fonológico do alemão.[6]

Assim, em Pomerode, três códigos linguísticos coexistem (o português, o alemão próximo do padrão e o Platt/pomerano) e seus habitantes misturam essas línguas, de forma inconsciente e natural, no seu modo de falar. Todavia, a população jovem, em geral, só fala o alemão até entrar na escola, pois o português é visto como a língua necessária para a inserção no mercado de trabalho.[6]

Platt é relativo a "baixo", ou seja baixo-alemão, pois é falado nas terras baixas do norte da Alemanha. Ao lado do dialeto Hunsrückisch, o pomerano é o falar germânico mais difundido entre a população teuto-brasileira.[9]

Em 1 de setembro de 2010, o município instituiu a língua alemã como co-oficial secundária.[10]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Em muitos lugares da cidade, há casas edificadas de acordo com a típica arquitetura germânica enxaimel, restaurantes de comida alemã e festas que celebram as tradições germânicas, cuidadosamente preservadas por seus habitantes.

Todo ano, no mês de janeiro, acontece a Festa Pomerana na cidade, uma festa conhecida por ser praticamente voltada a cultura alemã, muito parecida com a Oktoberfest. Há muitos aspectos da cultura local que acontecem nessas comemorações, como o ritual do casamento pomerano tradicional, comidas e bebidas típicas e música alemã.

Existe uma feira de artesanato, com venda de produtos locais e da região; encontra-se vestuário, as tradicionais cucas, chocolates, linguiças e itens em mdf, para destaque ao Fensterbilder, produzidos na cidade. Bem como, todos os artigos de roupa tipica alemã, canecos, tirantes, chapéus e os botons para enfeite.

Na festa, há diversas competições entre os moradores, como o chope em metro, disputa de serrar madeira, tiro ao alvo, concurso de Miss da Festa Pomerana, entre outros. Cada edição reúne cerca de 25 mil pessoas e dura quase 2 semanas. Há também outras festas, como a Osterfest (Páscoa), o Natal, Mercado das Pulgas (feira de objetos usados) e etc.

Cidades Irmãs[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 9 de julho de 2016. 
  3. [/36RL8 «Estimativa Populacional 2014»] Verifique |url= (Ajuda). Censo Populacional 2014. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). agosto de 2014. Consultado em 18 de novembro de 2014. 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 09 de julho de 2016. 
  5. a b [/home/estatistica/economia/pibmunicipios/2004_2008/ «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008»] Verifique |url= (Ajuda). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 dez. 2010. 
  6. a b c Ina Emmel (2005). «“Die kann nun nich’, die is’ beim treppenputzen!” O PROGRESSIVO NO ALEMÃO DE POMERODE–SC» (PDF). UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. 
  7. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 18,19.
  8. [jornaldepomerode.com.br/interno.asp?cd_noticia]
  9. Como por exemplo, imagem de uma das placas bilíngues dentro do município, imagem retirada da notícia AcrediCoop inaugura mais um posto de atendimento em Pomerode
  10. «Pomerode institui língua alemã como co-oficial no Município.» (html). Consultado em 09/07/2016. 
  11. http://www.pomerode.sc.gov.br/cidades-co-irmãs.asp

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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