Ponta Levallois

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Ponta Levallois.
Extração de uma ponta Levallois

A ponta Levallois é um tipo específico de lasca Levallois, destaca-se, em primeiro lugar, pela sua morfologia triangular, cuidada e bastante simétrica, com o vértice pontiagudo necessariamente oposto ao talão, ou seja, situado na zona distal da lasca. Esta morfologia é preconcebida, e obtida mediante uma preparação especial do núcleo (incluída dentro do conceito mais amplo denominado método Levallois).

O segundo atributo que as distingue é o "nervo" que parte do ápice distal e se desenvolve para a zona proximal, sem que necessariamente tenha de chegar a ela. Apenas quando existe esse nervo a peça pode ser considerada uma Ponta Levallois.[1] Os estudos da tecnologia pré-histórica (remontagens e experimentos de talhe), demonstram que há vários modos de obter esse nervo, François Bordes propõe um segundo o qual, com apenas uma preparação prévia, obtém duas pontas sucessivas que ele chama "de primeira ordem" e "de segunda ordem";[2] Jacques Tixier oferece outras alternativas nas quais não necessariamente se obtêm várias pontas sucessivas.[3]

Devido à necessária e complexa preparação que implica obter este tipo de peças, as pontas Levallois são consideradas ferramentas per se, sem necessidade de observar nelas retoque ou marcas de uso, porém existe a possibilidade de aparecerem retocadas, como ocorre com as denominadas pontas de El-Emireh e de Soyons, sendo a mais abundante a ponta mustierense que, por vezes, também é fabricada sobre pontas levallois (embora não necessariamente).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Esse nervo cria a bissetriz da ponta, e a sua função é tão estratégica que foi batizado como "nervo Levallois por Jacques Tixier (op. cit. em nota 3).
  2. BORDES, François (1961). «Outils Levallois». Typologie du Paléolithique ancien moyen. [S.l.]: Impriméries Delmas, Bordéus. ISBN Páginas 18-19 Verifique |isbn= (ajuda) .
  3. Inizan, Marie-Louise; Reduron, Michel; Roche, Hélène y Tixier, Jacques (1995). «Le débitage». Technologie de la pierre taillée (Préhistoire de la pierre taillée, nº 4). [S.l.]: CNRS -CREP, Meudon. ISBN 2-903516-04-9  Páginas 68-70.