Portaro

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Portaro foi um veículo todo o terreno fabricado em Portugal com inicio em 1975 e terminando a sua produção em 1995. Tinha como base original no antigo ARO 240 4X4 um jipe romeno sendo mais tarde fabricado nas linhas de montagem da empresa FMAT (Fábrica de Máquinas Agrícolas do Tramagal) na cidade de Tramagal, freguesia de Abrantes em Santarém. A marca teve origem na empresa SEMAL nas suas linhas de montagem na Parede freguesia de Cascais até 1990.

História[editar | editar código-fonte]

A marca PORTARO ( Portugal + ARO) foi o resultado de negociações entre os portugueses e o estado romeno que era o titular da marca de veiculos todoterreno ARO que permitiram a montagem em Portugal das viaturas romena importadas completamente desmontadas modelos 4X4 sem motor nem caixa de velocidades num contrato industrial numa joint venture automovel organizado por dois industriais e ex-pilotos portugueses José Megre e Hipólito Pires, os responsaveis pelo Projeto Portaro em 1975 com conhecimentos de utilização de modelos todoterreno.

O PORTARO começou a ser produzido em Portugal numa altura crítica, em que uma revolução conduziu o país quase à beira da guerra civil. Mesmo assim, os responsáveis continuaram a acreditar na ideia de montar no nosso país uma indústria automóvel capaz de comercializar veículos todo o terreno. Pouco tempo depois Megre e Pires contrataram a empresa SEMAL para produzirem os novos modelos PORTARO 4X4 mas ainda faltava resolver a questão de onde ir buscar as mecânicas devidas para as viaturas.

Na altura a rede portuguesa de estradas era muito má e este tipo de viaturas aparecia como uma solução adequada para esse problema. Numa ida ao Japão, Megre consultou os resposaveis da Daihatsu Motor Company a marca mais antiga de automóveis japonesa que prometem fornecer mecanicas novas completas Daihatsu e aceitam importar outros componentes para a SEMAL para Portugal. A empresa Garagem Vitória de Lisboa seria então o importador e representante da nova marca Portaro ainda nos anos 1970.

Em 1976 os primeiros modelos todo terreno PORTARO 240 4X4 aparecem e este modelo era quase um ARO 240 4X4 mas muito superior ao original romeno construído com um misto de componentes portugueses, peças romenas e mecanicas japoneses. Pouco tempo depois outro novo modelo de sucesso foi o PORTARO 260 mais um dos muitos modelos colocados no mercado pela GV-SEMAL e um dos mais vendidos de toda a gama. Estava equipado com o mesmo motor dos jipes Daihatsu Taft/ Wildcat F50 o DMC DG30 Diesel 2530cc com caixa de 4 velocidades capaz de uma potência de até 75cv às 3600rpm que atingia uns 130 kmh de velocidade máxima

Também se desenvolveu outro modelo todoterreno de três lugares com duas portas um veiculo de chassis longo comercial de caixa aberta equivalente ao ARO 320 4X4 que em Portugal foi conhecido como PORTARO Campina 320 com as mesmas mecânicas Daihatsu Diesel dos jipes e outras peças novas que se tornou num rápido sucesso por ser muito prático e útil e estava disponível em algumas versões diferentes.

No entanto, embora vendessem o Campina, com maior distância entre eixos os portugueses nunca montaram uma versão de cinco portas do ARO, pelo qual não existe um PORTARO de cinco portas. A gama PORTARO Campina era uma versao pickup todoterreno para uso industrial, comercial e rural. Muitos modelos foram compradas para tabalharem em grandes herdades no Alentejo e no Ribatejo e outras empresas de silvicultura, firmas florestas e zonas verdes e sobretudo muitos deles usados como camionetas para a agricultura por terem traccao integral as quatro rodas.

A empresa portuguesa chegou a desenvolver uma versão do PORTARO especificamente para utilização dos militares, no entanto, a marca nunca foi muito bem vista pelas autoridades portuguesas, alegadamente por causa de ser uma viatura que em grande medida era importada e de uma marca que não dava nenhum tipo de garantias sobre a disponibilidade de peças de reposição e manutenção a longo prazo o que resultou no cancelamento do novo modelo PORTARO NATO GVM 4X4 uma nova versao militar que nunca se produziu em série.

Em geral as viaturas PORTARO eram superiores em especificações aos seus equivalentes romenos. A principal razão prende-se com a concorrência, já que em Portugal, um mercado muito mais aberto à importação, havia mais escolha. As viaturas PORTARO tinham uma variedade de opções que incluía motores Volvo e um nível de acabamento superior, numa altura em que começavam a aparecer os jipes de luxo, que já não eram apenas viaturas de trabalho mas acima de tudo viaturas de lazer.

No mercado português a empresa Garagem Vitória / SEMAL, também tinha que concorrer com o UMM, outro veículo todo o terreno montado em Portugal e que chegou a conseguir encomendas do estado português por ser mais moderno e actual com peças Citroen/Peugeot dai que ainda hoje existem e utilizadas no Exercito Portugues. Enquanto que a GV-SEMAL nunca recebeu qualquer incentivo por parte das entidades oficiais e mais tarde tiveram algumas dificuldades nos anos 1990.

Na area do desporto automovel algumas viaturas PORTARO, beneficiaram muito da vitória no Rallie Atlas, Paris-Agadir em 1983, em que um PORTARO 230PV modelo bastante modificado para ralis estava equipado com potente motor Volvo 2320cc 112 CV gasolina ficou muito bem representado num dos cinco primeiros à frente dos supostamente imbativeis jipes Mercedes Série G 4X4. E também em território nacional diversos modelos Portaro fizeram bom desempenho no Rali TT Transtejo nos anos 80 e 90.

Durante os anos 1980 a Portaro também tinha desenvolvido e lançado duas versões novas a gasolina diferentes que se chamavam de PORTARO 210PT TURBO e o PORTARO 230PV que eram dois jipes robustos apenas com motor a gasolina Volvo que apareceram com as suas motorizações retirados dos carros Volvo 240, 260, 440 e 460. O modelo Portaro 210PT TURBO 4X4 tinha um novo motor Volvo Turbo 2127cc com Turbocompressor e tinha 156 CV de potencia e era um dos poucos jipes á venda em Portugal com um motor a gasolina de elevadas prestações que era também um 4X4 descapotável.

Com as vendas a aumentarem a PORTARO começa a importar os seus jipes desde 1980 e escolheu a Espanha, a França e o Reino Unido onde o mercado dos veículos todoterreno de cada destes países era muito maior e mais vasto o que permitiu a Portaro desenvolver os novos modelos Portaro 260 Celta TD, o novo Portaro 280 4X4 e por ultimo o novo Campina 280L. Todos eles com recurso a novas mecânicas evoluídas Daihatsu Diesel agora e com novas caixas de 5 velocidades e utilizando novas peças de origem portuguesa com alguns extras e acessórios para o tipo de veículos que eram. Foi assim que a gama PORTARO cresceu e evoluiu com uma oferta de modelos diferentes do jipe mais básico até ao modelo mais luxo para todo o tipo de clientes e compradores. Outra marca parecida com a Portaro na altura era a marca portuguesa UMM na altura.

Estes resultados impulsionaram e colocaram a marca em mercados de exportação, como foi o caso do Reino Unido, havendo por isso versões PORTARO já com volante à direita de fábrica. Para o mercado britanico a empresa imglesa Dacia Concessionaires Limited importava e distribuia os modelos e outras versões todoterreno PORTARO vendidos localmente como Portaro Pampas 4WD. Ao mesmo tempo a firma CVS Country Vehicle Services de Silverton em Devon Inglaterra era outro distribuidor e representante de todas as marcas de automoveis do Leste Europeu, mantinha nos seus armazens stocks de componentes ARO.

Cerca de 10.000 exemplares do PORTARO foram produzidos, 30% para exportação. Mas entretanto de regresso a Portugal a empresa FMAT na zona de Santarém compra todo o stock de peças ARO, os direitos e licenças de produção na SEMAL e a marca PORTARO é transferida para a Fábrica de Máquinas Agrícolas Do Tramagal ou FMAT agora com a gama reduzida em oito versões desde 1990, agora equipados com novas mecânicas mais modernas retirados dos famosos modelos FORD Transit 2500 Diesel 86 bhp e 2500 TDI 115 bhp com novos chassis e eixos ARO 4X4 onde esta nova geração de modelos Portaro saíram completamente redesenhados designados agora de PORTARO FMAT 250 ID 4X4 Diesel. Infelizmente com as dificuldades acrescidas e problemas variados dos anos 1990 e poucas vendas no sector automóvel em que Portugal foi apanhado a marca Portaro desaparece no Verão de 1995 depois de trinta anos estável no mercado nacional.

Modelos da Portaro[editar | editar código-fonte]

  • PORTARO 230PV 4X4 Rally
  • PORTARO 230PVCM 4X4 Funcar
  • PORTARO 230PVP 4X4 Pickup Petrol
  • PORTARO 240D Diesel 4X4
  • PORTARO 240D Diesel 4X4 Pickup
  • PORTARO 240D Diesel 4X4 Furgão
  • PORTARO 240D Diesel 4X4 Especial
  • PORTARO 250DGL Diesel
  • PORTARO 260D Diesel 4X4 Cabriolet Especial
  • PORTARO 260D Diesel 4X4 Jeep
  • PORTARO 260D Diesel 4X4 Pickup
  • PORTARO 260DCM Diesel 4X4 Furgão
  • PORTARO 260DP Diesel 4X4 Pickup
  • PORTARO 280DCM Diesel 4X4 Jeep
  • PORTARO 280DCM Diesel 4X4 Ambulance
  • PORTARO CAMPINA 280L Diesel 4X4 Pickup truck
  • PORTARO CAMPINA 320 Diesel 4X4 Pickup truck
  • PORTARO CAMPINA 350 Diesel 4X4 Pickup truck
  • PORTARO CAMPINA 350 Super Diesel 4X4 Pickup truck
  • PORTARO CAMPINA 350 Super Especial 4X4 Pickup truck
  • PORTARO CELTA 210PT TURBO 4X4
  • PORTARO CELTA 230PV 4X4
  • PORTARO CELTA 260 TURBODIESEL 4X4
  • PORTARO CELTA 280DCM Diesel 4X4 Jeep
  • PORTARO CELTA 280DCM Cabriolet
  • PORTARO FMAT 250 ID Diesel 4X4
  • PORTARO FMAT 250 ID 2500 4X4
  • PORTARO JIPE 1984 Diesel 4X4
  • PORTARO NATO 1984 Diesel 4X4
  • PORTARO PAMPAS 260 Diesel 4X4 Jeep
  • PORTARO PAMPAS 260 Diesel 4X4 Pickup

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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