Porto Belo
Porto Belo | |
|---|---|
| Município de Porto Belo | |
| Hino | |
| Gentílico | porto-belense |
| Mapa de Porto Belo | |
| Coordenadas | 27° 09′ 28″ S, 48° 33′ 10″ O |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Santa Catarina |
| Municípios limítrofes | Itapema, Tijucas, Bombinhas, Florianópolis |
| Distância até a capital | 66 km |
| Fundação | 18 de dezembro de 1824 (201 anos) |
| Emancipação | 13 de outubro de 1832 (193 anos) |
| Governo | |
| • Prefeito(a) | Joel Lucinda (MDB, 2021–2028) |
| Área | |
| • Total [1] | 92,762 km² |
| Altitude | 10 m |
| População | |
| • Total (Estimativa IBGE/2019[2]) | 21 388 hab. |
| Densidade | 230,6 hab./km² |
| Clima | Subtropical úmido (Cfa) |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| IDH (PNUD/2010[3]) | 0,76 — alto |
| PIB (IBGE/2008[4]) | R$ 167 172,238 mil |
| • Per capita (IBGE/2008[4]) | R$ 12 018,13 |
Porto Belo é um município brasileiro do Estado de Santa Catarina. Localiza-se a uma latitude 27º09'28" sul e a uma longitude 48º33'11" oeste, estando a uma altitude de 10 metros ao nível do mar. Sua população é de 21.388 habitantes (IBGE 2019).
Possui uma área de 93,632 km².
As cidades próximas de Porto Belo são Itapema, Balneário Camboriú, Bombinhas, Penha, Itajaí, Navegantes,Tijucas e Florianópolis.
História
[editar | editar código]Estudos arqueológicos indicam que a região do município já é habitada há, pelo menos, 5000 anos.[carece de fontes] A região era habitada por índios carijós, quando chegaram os primeiros navegadores, no início do século XVI.[carece de fontes]
A região era originalmente conhecida como "Garoupas", recebendo navegadores, mas sem habitação permanente.
O primeiro colonizador e habitante permanente foi o português Domingos de Oliveira Rosa, que veio atrás do ouro e se instalou no município em 1703, mas não encontrou o minério e saiu do município.
A partir de 1753, açorianos se instalaram no município, incentivados pela Coroa Portuguesa, que queria povoar a Capitania de Santa Catarina para evitar a colonização espanhola.
Em 1818, pessoas oriundas de Ericeira se instalaram em Garoupas, fundando um vilarejo pesqueiro conhecido como "Nova Ericeira", nome que não pegou e o local continuou sendo conhecido como Garoupas.
Em 18 de dezembro de 1824, a vila de pescadores de Garoupas é elevada à categoria de freguesia, com o topônimo de Bom Jesus dos Aflitos de Porto Belo. O nome "Porto Belo" deriva do porto da cidade, em um local de belezas naturais.
Em 13 de outubro de 1832, a Freguesia de Bom Jesus dos Aflitos de Porto Belo é elevada à categoria de vila, com seu topônimo simplificado para Porto Belo. No entanto, em 1859, a vila é anexada a Tijucas, sendo restaurada em 1895.
Durante dois anos, entre 1923 e 1925, a vila de Porto Belo voltou a pertencer novamente a Tijucas, alcançando sua emancipação definitiva somente em 1° de setembro de 1925, quando é criado o município de Porto Belo.
Em 21 de abril de 1962, o distrito porto-belense de Itapema é elevado à categoria de município.
Em 15 de março de 1992, é criado o município de Bombinhas, com território desmembrado de Porto Belo.[carece de fontes]
Características do município
[editar | editar código]O próprio nome já dá indicações do que é esse "paraíso". Um pequeno porto rodeado de belezas naturais, formando uma baía com suas praias, ilhas e costões, por onde passam grandes e luxuosos navios. Porto Belo é um convite à parada certa no roteiro de cruzeiros marítimos e viagens de férias.
Praia de poucas ondas, areia branca e fina possui área exclusiva para banhistas, separada de lanchas ou jet skis. O município tem uma média de cem mil visitantes por temporada e oferece belos barcos, lanchas, e veleiros para passeios.

A famosa Ilha de Porto Belo, com sua biodiversidade em flora e fauna, animais e aves, é um lugar exclusivo e único no litoral sul brasileiro. A ilha dispõe de ótimos pontos para mergulho e observação da vida marinha. Fatos históricos como a igreja de Bom Jesus dos Aflitos, construída com óleo de baleia pelas mãos dos escravos em 1814, e pedras com inscrições gravadas pelos antigos moradores há vários séculos, também chamam a atenção de quem passa pela cidade de Porto Belo.
Esportes náuticos, trilhas, passeios de escuna, mergulho livre, pescarias, passeios ecológicos, bares, restaurantes, hotéis, isso é apenas um pouco do que nosso Porto Belo tem a oferecer.
Infraestrutura do município
[editar | editar código]A infraestrutura hoteleira de Porto Belo é de excelente padrão, com oferta de 3.000 leitos. Pousadas e campings são outras opções de hospedagem. Há intenso comércio, com destaque para os quatro centros comerciais e, grande número de bares e restaurantes, pizzarias, churrascarias, self service e lanchonetes, além de várias casas noturnas. Porto belo é uma cidade de muitas belezas naturais tais como praias de águas muito claras: um berçário natural.[carece de fontes]
Patrimônio Cultural do município
[editar | editar código]O patrimônio cultural de Porto Belo apresenta uma diversidade cultural vinculada à presença indígena, quilombola e açoriana. Inclui sítios arqueológicos (como sambaquis e sítios com inscrições rupestres), patrimônio histórico construído (como a Igreja Matriz Senhor Bom Jesus dos Aflitos) e a cultura imaterial, que engloba tanto as tradições açorianas (como as rendas de bilro) e outras manifestações folclóricas como o Boi-de-Mamão e a Queima de Cruzes, como também o patrimônio Quilombola, vinculado à Comunidade Quilombola Sertão do Valongo, situada na localidade de Sertão do Valongo. Também, conforme a Lei nº 2.514, de 29 de maio de 2017, declara-se como patrimônio histórico e cultural material e imaterial a modalidade de pesca conhecida como “Arrasto de Praia da Tainha”. [5]
Estes patrimônios remetem a diferentes momentos da história da ocupação humana no município, indicando aspectos culturais próprios de cada tempo, suas dimensões e interfaces. Parte dele é visível nas paisagens do município, como os sítios dos períodos pré-colonial e colonial. Outros podem ser observados por meio de manifestações culturais e práticas cotidianas, como as manifestações da cultura açoriana e quilombola.
O patrimônio arqueológico do município fica evidenciado quando realizamos busca no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA), disponibilizado pelo IPHAN, que faz parte do Sistema de Gerenciamento do Patrimônio Arqueológico Brasileiro (SGPA) e utiliza como critérios a busca cruzada, com dados sobre município, estado, nome e responsável, com a tipologia dos sítios arqueológicos pré-definida em Histórico, Pré-colonial e Contato. Consta na base de dados do CNSA e SICG 12 sítios arqueológicos: Porto Belo I SC00750 PEB 001; Porto Belo II SC00832 PEB 002; Porto Belo III SC00833; Porto Belo IV SC00834; Porto Belo V SC00834 PEB 004; Ilha de João Cunha SC00835 PEB 005; Perequê I SC01021 PEB 006; Perequê II SC01022 PEB 007; SC4213500BAST00004; Armação da Ilha João da Cunha SC01164; Carioca de Porto Belo SC01165; SC4213500BAST00002; Enseada das Garoupas SC01171 SC4213500BAST000001; Sambaqui Ilha João da Cunha SC4213500BAST00003.[6]
Com destaque para as inscrições situadas na Ilha de Porto Belo, que tem um longo histórico de ocupação humana, os petróglifos existentes no sítio Ilha de João Cunha SC00835 PEB 005, também conhecido como “Pedra da Cruz”, são vestígios dos primeiros habitantes da região e datam de pelo menos quatro mil anos. Na ilha também estão situados o sítio Armação da Ilha João da Cunha SC01164, caracterizado por sítio composto pelas ruínas do engenho de frigir óleo de baleia construídas por João da Cunha Bittencourt por volta de 1824.[7]
Como referência ao patrimônio histórico construído, temos a Paróquia Senhor Bom Jesus dos Aflitos, a Casa do Sr. Alferes José Vieira, a casa do Dr. Scheffer e o Píer de Porto Belo. A Paróquia Senhor Bom Jesus dos Aflitos foi tombada pela FCC em 1998 e está situada na Av. Governador Celso Ramos, 1445. O início da construção remonta ao ano de 1814, e a nave definitiva foi edificada, provavelmente, no início do século XX. Esta igreja difere um pouco das demais pelo fato de ter sua torre lateral, de seção quadrada e com aberturas pequenas e em número reduzido, separada do corpo da igreja. Sua fachada principal possui três janelas acima da porta principal, em arco abatido e envidraçadas. O frontão contém linhas simples e, assim como outros, possui uma cruz na altura da cumeeira.[8] A casa do Sr. Alferes José Vieira, localizada no centro de Porto Belo, é a primeira construção em alvenaria do município, construída em 1799 pelo próprio Sr. Alferes, também em arquitetura de estilo açoriano. Hoje abriga uma loja de artesanato e decoração. A casa do Dr. Scheffer foi construída em 1903, localizada ao lado da Praça Central. O Dr. Scheffler foi responsável pela instalação da água encanada no município. Com outras pessoas, num total de doze famílias, elaborou o primeiro cartão postal de Porto Belo, fotografia feita em 1922. Atualmente, abriga a sede da Fundação de Cultura de Porto Belo.
Por conta da história e da geografia, o litoral de Santa Catarina acabou desenvolvendo uma cultura tradicional, com raízes direto do arquipélago dos Açores. Em 6 de janeiro de 1748 chegaram à Ilha de Santa Catarina os primeiros casais açorianos; até 1756, muitos outros desembarcaram na então Nossa Senhora do Desterro (hoje Florianópolis): foram cerca de 6,5 mil açorianos e pouco mais de uma centena de madeirenses. A maioria foi assentada estrategicamente ao longo da costa, e algumas famílias depois migraram para a região do Rio Grande, fundando em 1752 o “Porto dos Casais” — a atual Porto Alegre.[9][10][11]
Essa movimentação social e demográfica dos imigrantes ajudou a moldar, ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX, os padrões culturais da região. Hoje, essa herança aparece em mais de um milhão de habitantes, espalhados por 45 municípios, formando uma verdadeira “área cultural” — um território onde se aglutinam características, modos de vida e valores muito parecidos.Em Porto Belo (SC), a cultura açoriana aparece no artesanato — das rendas de bilro à construção naval — e nas tradições como o Boi-de-Mamão, o Terno de Reis e, claro, a Festa do Divino. Trazida pelos colonizadores por volta de 1750, essa influência ajudou a moldar a identidade local, em sintonia com os recursos da região e as necessidades da comunidade. A Festa do Divino é feita pela Paróquia Senhor Bom Jesus dos Aflitos, com apoio da Fundação Municipal de Cultura, e reúne moradores e visitantes numa programação cheia de música, fé e manifestações populares — apresentações folclóricas, shows, missas e procissões. Um dos pontos altos é o tradicional Bodo do Leite antes do esperado Cortejo Imperial.[12]
A Comunidade Quilombola do Sertão do Valongo fica numa área rural, em um vale, e reúne 34 famílias descendentes de três famílias-tronco. Pelas histórias de origem, os primeiros moradores se fixaram ali no fim do século XIX, logo após a abolição — é um quilombo de ocupação (formado pela permanência das famílias no território).[13]
No SICG/2024 aparecem cinco bens imateriais ligados à comunidade: criação de animais, ervas de chá, engenho de farinha e as casas de Regina Leopoldina Caetano e Maria Caetano. Hoje, Santa Catarina tem 21 comunidades quilombolas reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares, espalhadas por 17 municípios — o Sertão do Valongo, em Porto Belo, foi certificado em 2004. Segundo o Censo 2022/IBGE, 4.447 pessoas no estado se autodeclaram quilombolas e vivem em 28 municípios, Porto Belo incluído.[14]
Referências
- ↑ IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010
- ↑ «Estimativa Populacional 2019». Estimativa Populacional 2019. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de agosto de 2019. Consultado em 29 de agosto de 2019
- ↑ «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 15 de fevereiro de 2014
- ↑ a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010
- ↑ «PORTO BELO (SC). Lei nº 2.514, de 29 maio 2017. Declara como Patrimônio Histórico-Cultural material e imaterial do Município a modalidade de pesca "Arrasto de Praia da Tainha". Diário Oficial dos Municípios de SC, 2017.»
- ↑ «INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Cadastro de Sítios Arqueológicos (SICG/CNSA). Brasília: IPHAN.»
- ↑ «INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Cadastro de Sítios Arqueológicos (SICG/CNSA). Brasília: IPHAN, s.d. Disponível on-line. Acesso em: [data de acesso].»
- ↑ «UDESC (acervo documental). Igreja Senhor Bom Jesus dos Aflitos – processo de tombamento (FCC). s.d. (PDF).» (PDF)
- ↑ «UDESC. Tradição da cultura açoriana em Santa Catarina e a renda de bilro. Dissertação/Relatório, s.d. (sobre a técnica e origem açoriana).»
- ↑ «UFSC/Notícias. "Pesquisador aponta novas origens para o folclore do Boi de Mamão". 2010. (contexto histórico do folguedo em SC).»
- ↑ «IPHAN. Anexo 1 – Referência cultural do PNPI (Festa do Divino). Brasília: IPHAN, s.d. (origem luso-brasileira da devoção).» (PDF)
- ↑ «PREFEITURA DE PORTO BELO. "Bem-vindo à Capital Catarinense dos Transatlânticos" (texto institucional com menções a Boi-de-Mamão, Terno de Reis e Queima de Cruzes). Porto Belo, s.d.»
- ↑ «IPHAN. "Projeto Comunidades Negras de Santa Catarina preserva patrimônios" (nota com dados da comunidade e número de famílias). 2009.»
- ↑ «FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES. Tabela de comunidades quilombolas certificadas (lista oficial; inclui SC). 2023. (PDF).» (PDF)
Ver também
[editar | editar código]- Lista de praias de Porto Belo
- Lista de municípios de Santa Catarina por data de criação
- Lista de municípios de Santa Catarina por população


