Porto do Itaqui

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Porto do Itaqui
Localização
País  Brasil
Localização São Luís,  Maranhão
Coordenadas
Detalhes
Proprietário Empresa Maranhense de Administração Portuária
Armazéns 1
Estatísticas
Carga anual de toneladas 17,1 milhões (2017)[1]
Website portodoitaqui.ma.gov.br


Porto do Itaqui é um porto brasileiro localizado na cidade de São Luis, no estado do Maranhão. O porto é nacionalmente conhecido por ter uma das maiores amplitudes de maré do Brasil (atrás apenas da Ilha de Maracá[2]), chegando a aproximadamente oito metros.

Os projetos para a construção de um porto na área onde hoje se encontra o porto do Itaqui datam de 1918, no entanto, as obras nunca foram iniciadas e, somente após novos estudos realizados pelo Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis em 1960, a construção das primeiras acostagens.

O Itaqui é o 11º no ranking geral e o sexto entre os portos públicos em movimentação de cargas[3].

História[editar | editar código-fonte]

Primeiras tentativas de construção[editar | editar código-fonte]

Uma das áreas do Porto do Itaqui em 1908.

A área onde atualmente está localizado o Porto do Itaqui já era conhecida como ponto de fundeio de embarcações antes do século XIX.[4] A primeira tentativa de construir um grande porto na área do Itaqui foi em 1918, quando o Governo do Maranhão deu concessão de obras à companhia inglesa C.H. Walker & Co. Limited, porém a companhia não obteve êxito e a concessão foi extinta.[5]

Início das obras e inauguração[editar | editar código-fonte]

Em 1939, o Departamento Nacional dos Portos e Vias Navegáveis realizou um estudou na área e a apontou como um potencial para a construção de um grande porto. Com base nessas conclusões, em 1966, as obras do porto foram definitivamente iniciadas pela empresa brasileira Serveng-Civilsan, com um cais de extensão inicial de 367 metros, concluído em 1972, com a construção de mais dois trechos de 270 metros e outro de 80 metros.

Em 28 de dezembro de 1973, foi então criada Companhia Docas do Maranhão - Codomar, para administrar as novas instalações, isto é, um cais com 637m de extensão, entregue ao tráfego em 4 de julho de 1974 (Data de início das operações no Porto do Itaqui).

Em 1976, foram construídos os berços 101 e 103, em 1994 os berços 104 e 105 e, em 1999 o berço 106 que permitiu a operação com navios de até 200 000 toneladas de dwt.[6]

Finalmente, através do Convênio de Delegação entre a União e o Estado do Maranhão, com a interveniência da Companhia Docas do Maranhão - Codomar, de 30 de novembro de 2000, foi criada a Empresa Maranhense de Administração Portuária - EMAP.

No final de 2012, inaugurou-se o berço 100 do porto do Itaqui, cuja finalidade é movimentar grãos, cargas vivas, fertilizantes; e permitir a atracação de navios do tipo Panamax.[7] Na mesma data, foi inaugurado o alargamento do chamado cais sul, onde estão os berços 101 e 102.[8]

Com a inauguração do Terminal de Grãos do Maranhão (TEGRAM) em 2015, contando com quatro armazéns, cuja capacidade de armazenagem estática é de 500 mil toneladas de grãos (125 mil toneladas cada), e com modais ferroviários e rodoviários para receber a produção de grãos, tornou-se possível baratear o escoamento da produção brasileira e desconcentrar a logística do sul do país, impulsionando a capacidade de exportação do porto. [9]

A atividade portuária no Itaqui gera, em média, 14 mil empregos diretos e indiretos, o que alimenta diversas cadeias produtivas no Maranhão e ao longo da área de influência. [10]

O Plano de Investimentos da Emap até 2018 abrange recursos públicos e privados em um total de R$ 1,3 bilhões. Desses, R$ 255,55 milhões são de recursos próprios, R$ 4,126 milhões em recursos federais e R$ 1,093 bilhões da iniciativa privada.[11]

Cargas movimentadas[editar | editar código-fonte]

O Porto de Itaqui movimenta anualmente milhões de toneladas de carga, sendo um importante corredor logístico para o Centro-Oeste do país. Entre os principais produtos movimentados no ano de 2017 estão: a soja (6.152.909 de toneladas), milho (1.642.944 de toneladas), fertilizantes (1.536.697 t), cobre (836.062 t), carvão (636 254 t), ferro-gusa (505.733 t) clinquer+escória (225.796 t), manganês (147.063 t), arroz (89.833 t), granéis líquidos importados (3.881.635 t), soda cáustica (86.542 t), etanol (112.364 t) e GLP (150.753 t), totalizando uma movimentação anual de 17.140.470 de toneladas.[12]

Ferrovia Norte-Sul, em Estreito (Maranhão), por onde são transportados grãos e celulose com destino ao Porto do Itaqui.

No ano de 2017, o porto teve um crescimento de movimentação de cargas de 13% em relação a 2016[13]. No mesmo ano, a Empresa Maranhense de Administração Portuária teve lucro líquido de R$ 51,6 milhões, 18,8% superior a 2016, e crescimento de 24% em receitas operacionais.[14]

O Terminal de Grãos do Porto do Itaqui (Tegram) recebeu, em média, 26 mil toneladas de grãos (soja e milho) por dia, no ano de 2016.[15]

Em 2015, aproximadamente 70% da soja que saiu do Tegram teve como destino a Ásia, em especial a China. O milho teve como destino o Oriente Médio, a África e o Vietnã. Farelo e grãos também foram enviados para a Europa.[15]

O Porto de Itaqui foi responsável por 54,2% da gasolina e 49,8% do diesel importados no Brasil no ano de 2012.[16]

Em 2015, 1,2 bilhões de litros de combustível circularam pela EFC do Porto do Itaqui, em São Luís (MA), com destino à Marabá (PA), Açailândia (MA), e Palmas (TO).[17]

A Ferrovia São Luís-Teresina também transporta combustível com destino ao Piauí. No ano de 2012, 1 milhão de litros de gasolina e 1,3 milhão de óleo diesel chegavam diariamente em Teresina, vindos de capital do Maranhão. Desse combustível, 60% chega por via ferroviária e 40% pelas estradas.[18]

O Porto do Itaqui exportou 1,184 milhões de toneladas de papel e celulose de janeiro a outubro de 2017, produzidos pela unidade da Suzano Papel e Celulose em Imperatriz(MA), trazidos pela Ferrovia Norte Sul e Ferrovia Carajás.[19]

Baía de São Marcos, cidade de São Luís do Maranhão ao fundo.

Localização[editar | editar código-fonte]

O Porto do Itaqui está localizado no interior da Baía de São Marcos e seu acesso hidroviário não conta com a formação de barra. O canal acesso possui profundidade natural mínima de 27 metros e largura aproximada de 1,8 quilômetros. A bacia de evolução do porto do Itaqui se situa entre o Terminal da Ponta da Madeira a leste, o paralelo 02º 34’ 05” a sul e as boias número 23 e 25 a oeste, variando a profundidade entre 23 metros e 35 metros em relação ao nível de redução da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), sendo a largura da bacia de 0,8 milhas e o comprimento de cerca de duas milhas.[carece de fontes?]

Acesso[editar | editar código-fonte]

Acesso ferroviário[editar | editar código-fonte]

O porto do Itaqui possui conexão ferroviária direta com duas ferrovias. Uma é a Transnordestina (FTL), por meio da Ferrovia São Luís-Teresina, que passa por 7 estados do Nordeste, do Maranhão ao Sergipe (trecho de São Luís a Propriá) e tem 4.238km de extensão. A outra é a Estrada de Ferro Carajás (EFC), trecho concedido à Vale e operado pela VLI, com 892km de extensão, ligando a São Luís a Carajás-PA. Além de graneis sólidos e líquidos, ela é utilizada para escoar a produção de celulose em Imperatriz-MA para o porto.[20]

Trem da Estrada de Ferro Carajás, com destino ao Porto de Itaqui

Há ainda uma conexão indireta com a Ferrovia Norte-Sul (FNS), que se liga à EFC em Açailândia, que possibilita transportar graneis sólidos minerais e vegetais, além de combustíveis. Com a operacionalização do trecho até Anápolis-GO, há novas perspectivas de negócios.[20]

Acesso rodoviário[editar | editar código-fonte]

O acesso se dá pelas rodovias BR-135 e BR-222 que se conecta a outras rodovias federais (BR 316, BR 230, BR 226 e BR 010) e estaduais (MA 230) para todo o Norte e Sul do país.[20]

Acesso marítimo[editar | editar código-fonte]

As condições de navegabilidade são boas (na faixa de 180º) em razão de as profundidades naturais de acesso serem elevadas (-27m), bem como a largura do canal (1.800m).

Após vencer os pares de boias de número 19 a 24, onde direciona-se o governo das embarcações para o farol da Ilha do Medo aos 139º e na distância de 1,7 milha têm-se o acesso ao porto. Neste ponto, guina-se para o rumo 180º, mantendo-se até chegar cerca de 3 milhas do farol da Ilha do Medo, onde o prático assume o controle.

O sentido da corrente determina, na altura da ilha de Guarapirá, as alternativas de acesso ao Porto, sendo elas:

  1. acesso pelo norte da Ilha de Guarapirá (utilizado por ocasião da maré vazante)
  2. acesso pelo sul da Ilha de Guarapirá (utilizado por ocasião da maré de enchente)
Ilha do Medo, na Baía de São Marcos, onde se localiza o farol utilizado pelo porto

A bacia de evolução do Porto do Itaqui se estende da Ponta da Madeira até cerca de 1,5Km ao sul do cais, contando com profundidade em torno de 23m, em relação ao nível de redução do DHN.

Baía de São Marcos

Os obstáculos à navegação de natureza ambiental na área do Porto são a força d’água consequente da grande variação de maré, principalmente, na maré de sizígia e no período de vazante. Os obstáculos de natureza física são os apresentados nas Cartas Náuticas 410, 411, 412 e 413.

Fora da área do Porto Organizado do Itaqui, existem 8 áreas de fundeio,[21] cujas coordenadas geográficas abaixo se indicam, e que possuem as seguintes finalidades:

  • Área 1 é destinada a navios maiores que 80.000 TPB e calado superior a 11m.
  • Área 2 é destinada a navios com calado superior a 20m. Atenção aos navegantes, possível existência de cabos submarinos no setor oeste da área.
  • Área 3 é destinada a navios com calado superior a 20m. Atenção ao navegante, possível existência de cabos submarinos no setor oeste da área.
  • Área 4 é destinada a navios com TPB menor que 80.000 ou calado até 11m.
  • Área 5 é destinada a navios com TPB menor que 80.000 ou calado até 11m.
  • Área 6 é destinada a navios com TPB menor que 80.000 ou calado até 11m.
  • Área 7 é destinada a navios com TPB até 80.000 e calado menor que 11m. Fundeio somente com autorização da Capitania dos Portos.
  • Área 8 é sujeita a autorização da Capitania dos Portos e pode ser utilizada para carga e descarga de combustíveis.Baía de São Marcos, vista do Centro histórico de São Luís.

Acesso fluvial[editar | editar código-fonte]

Baía de São Marcos, vista do Centro histórico de São Luís.

As ligações fluviais com o Porto do Itaqui ocorrem através dos principais rios navegáveis do Estado do Maranhão, e que são Grajaú, Pindaré, Mearim e dos Cachorros, limitados pelas pequenas profundidades de 1 m a 2,5 m próximo à foz.

Termelétrica[editar | editar código-fonte]

A Usina Termelétrica Porto do Itaqui (Itaqui Geração de Energia) foi inaugurada em fevereiro de 2013, com potência instalada de 360 MW, movida a carvão mineral.[22]

Atualmente, a usina pertence à Eneva, empresa que também opera o Complexo Termelétrico Parnaíba, movido a gás natural. [22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Exposição Nosso Porto do Itaqui». emap.ma.gov.br. Consultado em 30 de dezembro de 2015. 
  2. «Esclarecimento sobre a relação entre o Datum Vertical do SGB (Imbituba e Santana) e os Níveis de Redução e "Zeros" Hidrográficos no Litoral Brasileiro» (PDF). ibge.gov.br. p. 1. Consultado em 30 de dezembro de 2015.  Parâmetro desconhecido |publicadoem= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |parágrafo= ignorado (ajuda)
  3. Maximize. «Porto Itaqui é o 11º no ranking geral em movimentação de cargas». Porto Itaqui é o 11º no ranking geral em movimentação de cargas (em inglês). Consultado em 4 de fevereiro de 2018. 
  4. Carta geométrica da barra do Maranhão, cidade de São Luis do Maranhão - Biblioteca Digital Mundial Neste mapa feito por volta de 1800, a área do atual Porto do Itaqui é vista como P.ta do Itaqui no extremo ocidental da Ilha de São Luís. Bem perto da ponta do Itaqui, à margem da Baía de São Marcos, pode ser vista uma legenda que diz "bom fundo" acompanhada pelo esboço de uma âncora, o que demonstra que a área já era utilizada como ancoradouro. Neste detalhe, a visualização é mais clara
  5. «Porto do Itaqui» (PDF). antaq.gov.br. Consultado em 30 de dezembro de 2015. 
  6. «Histórico». emap.ma.gov.br. Consultado em 30 de dezembro de 2015. 
  7. «Infraestrutura». emap.ma.gov.br. Consultado em 30 de dezembro de 2015. 
  8. "Uma agenda de compromissos marcou a visita da Presidente Dilma Rousseff" ao Maranhão - PortosMA
  9. «Terminal de grãos inaugurado no Maranhão desafoga logística concentrada no Sul - PAC». www.pac.gov.br. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  10. Redação. «Portos e Navios - Emap cresce 24% e segue investindo em novas obras de ampliação» 
  11. Redação. «Portos e Navios - Emap lança edital para obras no Porto do Itaqui» 
  12. Maximize. «Movimentação de Carga - Porto do Itaqui». Movimentação de Carga - Porto do Itaqui (em inglês). Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  13. REDAÇÃO. «Portos e Navios - Porto do Itaqui tem recorde histórico na exportação de grãos – Maranhão» 
  14. Redação. «Portos e Navios - Emap cresce 24% e segue investindo em novas obras de ampliação» 
  15. a b Rural, Canal. «Terminal portuário do Maranhão prevê aumento de embarque de grãos e farelo». Canalrural 
  16. Fluxos logísticos de produção, transporte e armazenagem de gasolina A e de óleo diesel A no Brasil: mapeamento, diagnóstico dos fatores de risco e ações de mitigação / Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Superintendência de Abastecimento. - Rio de Janeiro: ANP, 2013. 101 p. : il. color. [S.l.: s.n.] l. [S.l.: s.n.] 
  17. «EFC gera economia de combustível e mais segurança para população do Maranhão». www.vale.com. Consultado em 11 de fevereiro de 2018. 
  18. «Deputado pede que ANP investigue preço abusivo dos combustíveis | Notícias Parnaíba, Piauí, Litoral Piauiense, Proparnaíba.com». www.proparnaiba.com. Consultado em 11 de fevereiro de 2018. 
  19. Redação. «Portos e Navios - Itaqui movimenta 16,3 milhões de toneladas de janeiro a outubro» 
  20. a b c Maximize. «Infraestrutura - Porto do Itaqui». Infraestrutura - Porto do Itaqui (em inglês). Consultado em 1 de fevereiro de 2018. 
  21. Localização e situação hidrográfica - Emap
  22. a b «Geração de Energia – Eneva». www.eneva.com.br. Consultado em 29 de março de 2018. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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