Poupança

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Poupança ou aforro, em Economia, é a parcela da renda que não é gasta no período em que é recebida, e, por consequência, é guardada para ser usada num momento futuro.

No Brasil, é comum a confusão entre o conceito de poupança e a caderneta de poupança, que é uma forma de investimento, sendo comum o seu uso de forma indiscriminada. Entretanto, a poupança do ponto de vista econômico é o acúmulo de capital para investimento.

Modelos psicológicos da poupança[editar | editar código-fonte]

Keynes (1936) – Defendia que o consumo tendia a aumentar com o aumento dos ganhos, todavia não se elevam em proporção desses ganhos. A poupança depende dos ganhos familiares, quanto maior forem os ganhos maior será a poupança. Segundo Keynes as pessoas com elevados ganhos tendem a ter elevadas poupanças. A Poupança dependia da boa vontade ou capacidade de cada individuo para poupar

Katona (1974) – Procurou explicar as contingências do comportamento de poupança. Segundo Katona para explicar o fenômeno da Poupança é necessário ter em conta fatores como a idade, o agregado familiar, estabilidade financeira, situação profissional etc. A poupança depende por isso da interação entre personalidade do sujeito e o ambiente económico. Katona identificou três tipos de poupança:

  1. Contratual
  2. Discricionária
  3. Residual

Segundo o autor o modelo individual é transponível para o colectivo.

Vanh Veldhoven e Groenland (1993) – Baseados no modelo de Katona acrescentam a existência de variáveis socioeconômicas nos comportamentos de poupança, como:

  1. Clima econômico – crescimento, inflação, taxa de interesse, taxa de desemprego
  2. Informação econômica – média
  3. Contexto econômico pessoal – patrimônio, lucros
  4. Contexto institucional – sistema bancário e fiscal

A motivação para poupar consiste na precaução, na riqueza, compras futuras, investimentos e projetos para os filhos. Sendo sobre as despesas fundamentais, como as de alimentação que as pessoas tendem a realizar mais economias.

Para Brito[1] “Os conceitos de alugar, troca, doação ou venda de bens usados baseiam-se na ideia de que a utilização temporária e a transmissão a outras pessoas permitem poupar dinheiro e manter a fruição dos benefícios do produto. Do ponto de vista ambiental, reduzem a procura de novos produtos e, naturalmente, a necessidade de os fabricar,diminuindo o consumo de recursos naturais e as emissões associadas. A crise económica atual e a redução do rendimento disponível pode ser um catalisador da redução de consumo e da multiplicação com sucesso destes modelos de negócio”. Consequentemente, surgem casa vez mais empresas de aluguer de produtos ou venda em segunda mão, não só dedicadas aos adultos, como também às crianças, por exemplo aluguer de brinquedos. Assim, os pais poderão poupar dinheiro em brinquedos que são essenciais para o crescimento do bebé, mas que só servem para um tempo limitado.

Poupança e as crianças[editar | editar código-fonte]

Em 1986, van Raaij realizou vários estudos sobre os comportamentos de poupança e de consumo nas crianças. Tendo em conta várias variáveis como:

  • o modo como é apresentada a poupança às crianças;
  • as informações que contribuem para a construção das suas representações de poupança;
  • o papel dos pais;
  • a publicidade;
  • o papel dos pares.

Os estudos revelaram o papel fundamental dos pais e da publicidade no incentivo à abertura de contas bancárias e à representação que as crianças têm sobre a poupança. Defendia que papel dos pais assentava na preocupação de dar um futuro melhor aos filhos, e o incentivo à poupança era considerado um hábito muito positivo. Baseado no modelo de aprendizagem social, Van Raaij defende que a criança poupa porque é um comportamento socialmente correcto, sendo por conseguinte, recompensada relativamente aos seus objectivos.

Poupança esquecida das famílias[editar | editar código-fonte]

Com a abertura do mercado de crédito aos consumidores em Portugal, multiplicaram-se as formas de concepção de crédito, por parte das Instituições financeiras, cada vez mais competitivas num mercado cada vez mais transacionável e inovador, o que permitiu o desenvolvimento de instabilidade financeira, por parte das famílias, que se tornaram em alvos fáceis de endividamento.

Ao mesmo tempo que o crédito permite às famílias, dispor de um capital que não próprio imediatamente, também significa que se está a criar uma penhora futura, sem que, muitas vezes as próprias famílias, se apercebam disso. Também significa para as famílias, a possibilidade de poder usufruir de bens e serviços que numa determinada situação da vida façam sentido, sem que para isso se considere um possível endividamento futuro, dado o esforço acrescido de gestão financeira.

A necessidade crescente de poupança por parte das famílias, com a questão do sobre-endividamento está cada vez mais distante, dada a dificuldade acrescida em cumprir com os compromissos, que muitas vezes surgem associados a créditos, como por exemplo, o caso do Crédito Habitação.

Poupança no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, é comum que os poupadores optem por aplicações financeiras de baixo risco, sendo a caderneta de poupança a mais comuns delas.[2] Apesar do nome, as cadernetas de poupança são investimentos de baixo risco, com liquidez diária e remuneração mensal. Elas são reguladas pelo governo federal e isentas de imposto de renda para pessoas físicas, além de possuírem garantia do FGC. No entanto, outros tipos de investimento, como o CDB, o RDB e até fundos de investimento são opções comuns dos poupadores.[2]

Referências

  1. Brito, Carlos Melo. Novos Horizontes do Marketing. [S.l.: s.n.], 2014.
  2. a b Banco Central do Brasil (Abril de 2014). FAQ - Aplicações financeiras. Visitado em 26 de setembro de 2014. Cópia arquivada em 24 de outubro de 2013. "(... ) As aplicações mais comuns no mercado financeiro são a Poupança, o Certificado de Depósito Bancário (CDB), o Recibo de Depósito Bancário (RDB) e os Fundos de Investimento."

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Barracho, Carlos. Lições de psicologia Económica. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.
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