Povos indígenas do Maranhão

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A presença de povos indígenas do Maranhão data do período pré-Cabralino. Já no século XVII, têm-se o registro de 250 000 indivíduos, de cerca de 30 etnias distintas. Dessas, somente algumas, como os Krikati, kanela, Guajajara-Tenetehara e Gavião, sobreviveram aos nossos dias. Entretanto, a maioria, como os Tupinambás (presentes na cidade de São Luis), Barbado, Amanajó, Tremembé, Araioses, Kapiekrã, entre outros, deixaram de existir, seja por extermínio ou por assimilação.[1]

De acordo com o Censo 2010, do IBGE, o Maranhão tinha 38.831 índios de diversas etnias, sendo que 76,3% estavam em terras indígenas. Entretanto, 9.210 estavam fora desses territórios, vivendo em cidades ou áreas não demarcadas. [2]

Classificam-se em dois troncos linguísticos: Tupi-Guarani e Macrojê. Guajajara (tenetehara), Awá-guajá, Urubu-Kaapor são povos de língua Tupi; enquanto que os Canela Apaniekrá e Ramkokamekrá, Pukobyê (gavião), Krikati e Timbira Krepu’Kateyé são falantes da língua Jê.[3]

Terras Indígenas[editar | editar código-fonte]

São Terras Indígenas com status de homologadas no estado do Maranhão, no ano de 2018[4]:

Terra Indígena Etnia UF Municípios Superfície (ha)
Alto Turiaçu Ka´apor MA Centro Novo do Maranhão,Maranhãozinho,Centro do Guilherme,Zé Doca,Santa Luzia do Paruá,Araguanã 530.524,7417
Arariboia Guajá MA Arame,Buriticupu,Amarante do Maranhão,Bom Jesus das Selvas,Santa Luzia,Grajaú 413.288,0472
Awa Guajá MA Governador Newton Bello,Centro Novo do Maranhão,Zé Doca,São João do Carú 116.582,9182
Bacurizinho Guajá MA Grajaú 82.432,4931
Cana Brava/Guajajara Tenetehara MA Jenipapo dos Vieiras,Barra do Corda,Barão de Grajaú 137.329,5429
Caru Tenetehara MA Bom Jardim 172.667,3777
Geralda Toco Preto Timbira MA Arame,Itaipava do Grajaú 18.506,2081
Governador Tenetehara,Gavião Pukobiê MA Amarante do Maranhão 41.643,7567
Kanela Kanela MA Fernando Falcão,Barra do Corda 125.212,1625
Krikati Krikati MA Montes Altos,Amarante do Maranhão,Lajeado Novo,Sítio Novo 144.775,7868
Lagoa Comprida Tenetehara MA Jenipapo dos Vieiras,Itaipava do Grajaú
Morro Branco Tenetehara MA Grajaú
Porquinhos Kanela MA Fernando Falcão,Barra do Corda 79.520,2544
Rio Pindaré Tenetehara MA Bom Jardim,Monção 15.002,9142
Rodeador Tenetehara MA Barra do Corda 2.319,4531
Urucu/Juruá Tenetehara MA Itaipava do Grajaú 12.697,0441

Encontram-se na fase procedimento "declarada": Bacurizinho, etnia guajá, em Grajaú, com 134.040,0000 ha; Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, etnia kanela, em Formosa da Serra Negra, Mirador, Fernando Falcão e Barra do Corda, com 301.000,0000 ha.[4]

Encontram-se na fase de procedimento "em estudo": Governador, etnias tenetehara e gavião pukobiê, em Amarante do Maranhão;Vila Real, etnia tenetehara, em Barra do Corda.[4]

Encontra-se na fase de procedimento "encaminhada RI": Krenyê, etnias timbira e krenyê, em Vitorino Freire e Barra do Corda.[4]

Encontra-se na fase de procedimento "delimitada": Kanela Memortumré, etnia kanela, em Fernando Falcão e Barra do Corda, com 100.221,0000 ha.[4]

Cultura indígena[editar | editar código-fonte]

Guajajaras, mãe e filho

Cada etnia apresenta traços culturais e modo de vida e organização próprios.

Os padres franceses deixaram detalhados registros de sua relação com os povos indígenas e sua cultura, na ilha de Upaon-açu, durante o período da França Equinocial, iniciada em 1612.

Entre o povo awá-guajá, existe uma das últimas sociedades que sobrevivem somente da caça e da coleta no continente americano. Não apresentam vida sedentária, por não se utilizarem da agricultura como meio de sobrevivência. Alguns grupos começaram a desenvolver o plantio da mandioca e a fazer farinha. Ocupam uma uma extensão territorial que vai desde a terra indígena Alto Turiaçu até a terra indígena Caru.[3]

Estudos genéticos revelaram que os maranhenses, de forma geral, são resultado de uma mistura 42% europeia, 39% indígena e 19% africana. Tal composição é muito semelhante ao observado em Belém, aproximando geneticamente o Maranhão da Região Norte e o afastando dos demais Estados do Nordeste.[5]

O Maranhão tem uma das populações mais miscigenadas do país, tendo os índios influenciado nos traços físicos, hábitos na alimentação, modo de viver, expressões e palavras usadas no dia a dia (ex. "Hen-hem", do tupi "sim"), instrumentos musicais, danças e ritmos, lendas, mitos e alguns elementos presentes na religiosidade popular. O bumba-meu-boi apresenta influência indígena.

A tiquira, proveniente do tupi antigo tykytykyr (ou tukutukur), que significa "destilar", é uma bebida alcoólica artesanal, de forte teor alcoólico e geralmente de cor roxa, obtida através da destilação artesanal da mandioca fermentada (não industrializada),

Conflitos[editar | editar código-fonte]

O relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, apresentado em 2016, colocou o Maranhão como o estado com o maior número de conflitos indígenas no país, com 18 casos de invasões de terras indígenas.[6] Os casos envolvem disputas com fazendeiros, grileiros, madeireiros, a influência das ferrovias, dentre outras ocorrências.

No Maranhão, foram desmatados 71,28% de sua floresta original, pertencente à região da Amazônia Oriental, o equivalente 105.195 km² de mata. Grande parcela da floresta que está sendo devastada ou é explorada ilegalmente encontra-se em área indígena. As terras indígenas, que por lei são de proteção integral, equivalem a 52% dos 42.390 km² de floresta ainda restantes no estado. Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 13% das áreas indígenas no estado foram desmatados.[7]

Em outubro de 2015, um incêndio já tinha devastado cerca de 220 mil dos 413 mil hectares da Terra Indígena Araribóia, o que representa mais de 50% da área (INPE). Em 2016, os incêndios continuaram a agravar a situação. Foram registrados 408 focos de incêndio no interior da área indígena, no período de janeiro a novembro daquele ano.[8] As queimadas provocam impacto na vida dos índios awá-guajás e guajajaras.

Referências

  1. Ecooos Os índios do Maranhão - O Maranhão dos índios
  2. «Área de ataque no Maranhão é disputada por índios e fazendeiros». G1 
  3. a b [FUNAI - IMPERATRIZ/MA «Informações a respeito das comunidades indígenas jurisdicionadas a Administração Regional de Imperatriz-MA funai-itz. blogspot. com. br/2006/10/grupos-indgenas-do-maranho.html»] Verifique valor |url= (ajuda)  line feed character character in |titulo= at position 107 (ajuda)
  4. a b c d e «Terras Indígenas». www.funai.gov.br. Consultado em 27 de março de 2018 
  5. «Folha de S.Paulo - Genética: Maranhenses têm DNA amazônico - 31/08/2005». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 28 de março de 2018 
  6. «Maranhão é o estado com mais conflitos indígenas, diz relatório». Jornal O Estado do Maranhão 
  7. «No Maranhão, áreas indígenas são dizimadas por desmatadores». O Globo. 6 de abril de 2013 
  8. «Entre o fogo e a motoserra: os Awá Guajá da Terra Indígena Araribóia - Boletim Povos Isolados». Boletim Povos Isolados. 20 de março de 2017 
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