Pré-história

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Pré-história

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A pré-história corresponde ao período da história que antecede a invenção da escrita, desde o começo dos tempos históricos registrados até aproximadamente em 4 000 a.C.[1] É uma disciplina com metodologia própria muito próxima da antropologia e da paleontologia, haja vista nesse período haverem a existência de apenas vestígios históricos imateriais (como vasos, restos de fogueiras, pinturas ruprestres, cadáveres, etc).

Também pode ser contextualizada para um determinado povo ou nação como o período da história desse povo ou nação sobre o qual não há documentos escritos. Assim, no Egito, a pré-história terminou aproximadamente em 3 500 a.C., embora algumas culturas da Idade da Pedra tenham coexistido com as civilizações após essa data e algumas tribos ágrafas ainda existam em locais remotos.[2]

A transição para a "história propriamente dita" se dá por um período chamado proto-história, que é descrito em documentos ligeiramente posteriores ou em documentos externos. O termo pré-história mostra, portanto, a importância da escrita para a civilização ocidental. Contudo, recentemente no século XIX houve uma Revolução no meio historiográfico, o surgimento da Escola dos Annales (como ficou conhecida no Brasil), essa Revista Francesa, inovou o método de como se faz a história, afirmando que a história pode ser feita sem o uso da escrita como fonte única e correta, a história pode-se fazer através de vestígios materiais e imateriais, esse método de pesquisa foi revolucionário por que antes dessa data, os historiadores positivistas usavam somente a escrita como fonte histórica, por isso existe essa divisão do termo pré-história (antes do surgimento da escrita), e história (depois do surgimento da escrita), essa divisão só continua a ser usada hoje por costume e por convenção, convém ao historiador explicar que isso não é verdade pois "A história pode, e deve-se, fazer com documentos escritos, quando estes existam, porém ela também deve-se fazer através de vestígios imateriais, esta é uma forma que o historiador tem de fazer o seu mel na ausência das flores habituais". Frase esta atribuída a Lucien Febvre (um dos fundadores da Escola dos Annales).

Uma vez que não há documentos deste momento da evolução humana, seu estudo depende do trabalho de arqueólogos, antropólogos, paleontologia e genética ou de outras áreas científicas, que analisam restos humanos, sinais de suas presenças e utensílios preservados para tentar traçar, pelo menos parcialmente, sua cultura, costumes e credos.

História da investigação sobre a Pré-história[editar | editar código-fonte]

Charles Darwin chamou a atenção dos cientistas de seu tempo, ao afirmar que as espécies evoluíram e que o homem e os primatas têm um ancestral em comum.

Em 1823, foi descoberto o primeiro fóssil de um ser humano moderno, em 1829 de um homem-de-neandertal, em 1848 e 1856 mais fósseis de neandertais. Em 1859, Charles Darwin publicou a A Origem das Espécies. Em 1863 os neandertais são classificados. Em 1865, Gregor Mendel publica os resultados das suas experiências genéticas e não genéticas.[3]

Primórdios[editar | editar código-fonte]

Há certas dúvidas sobre quais foram exatamente os nossos antepassados mais remotos. Os seres humanos modernos só surgiram há 150 mil anos. Os humanos são primatas e pertencem ao grupo dos grandes símios, sendo originais da África.

Depois dos últimos ancestrais em comum com o orangotango há 15 ou 14 milhões de anos (época dos antepassados de todos os grandes símios atuais), com o gorila há 10-8 milhões de anos, e como o chimpanzé, há 7-5 milhões de anos. É nessa época que o continente africano sofre uma série de mudanças. Naquela época toda a zona equatorial estava coberta por uma selva tropical, a África de há 8 milhões de anos era mais úmida que a atual, mas depois aconteceram várias mudanças climáticas até que há 7 milhões de anos a floresta tropical começou a diminuir.[4]

Entre 7 a 6 milhões de anos atrás, surgiram na África duas espécies que pertenceram aos primórdios da evolução homínidea: foram o Sahelanthropus tchadensis com um misto de caraterísticas humanas e símias, e o Orrorin tugenensis já bípede mas do qual não se sabe o tamanho do cérebro, que no Sahelanthropus era de 320–380 cm cúbicos.[5] [6] Os homínideos da época foram encontrados na Etiópia e Tanzânia, ou seja na África Oriental. Seguiram-se a esses primeiros homínideos os Ardipithecus, tendo os Ardipithecus ramidus existindo há 5,5 até 4 milhões de anos, e mais tarde (há 4,1 milhões de anos até há 1,3 milhões) viveram os Australopithecus, descendentes dos ardipithecus.[7]

Australopithecus[editar | editar código-fonte]

Os australopitecos tinham cérebros maiores, pernas mais longas, braços menores, e traços faciais mais parecidos com os nossos.[8] Os australopithecus viviam em grupos constituídos por várias dezenas de indivíduos, que viviam em constante deslocamento. Os grupos dispersavam-se quando a seca chegava e a comida escasseava. Os australopithecus tinham provavelmente o conceito de casais, mas não o de família.[9]

O gênero Homo[editar | editar código-fonte]

Há 2,5 milhões de anos surge o gênero Homo, Homo habilis na África oriental, que começam a usar ferramentas de pedra totalmente feitas por eles (característica do Paleolítico) e a carne passa a ser mais importante na sua dieta. Eram caçadores, mas também eram necrófagos e herbívoros.[10] e tinham um cérebro maior (590–650 cm cúbicos) e braços compridos.[11]

Havia outras espécies como o Homo rudolfensis que tinha um cérebro maior e era bípede e existiu durante a mesma época que o Homo habilis. Há dois milhões de anos surgiu o Homo erectus de constituição forte, com um cérebro muito maior (810–1250 cm cúbicos), rosto largo e foi o primeiro hominídeo a mover-se para fora de África, indo para norte e para este há 1,8 milhões de anos,[7] existindo também na Ásia e Europa, até há 500 mil anos. É o primeiro a usar o fogo.[12] Há 300 mil anos já tinha estratégias elaboradas de caça a mamíferos corpulentos.[10]

A era glacial começou há 1,5 milhões de anos e o nível do mar desceu 90 metros.[13]

Partida de África[editar | editar código-fonte]

Migrações humanas em todo o globo
Os números indicam os milênios antes da nossa era.

Há uns 50 000 anos, os seres humanos lançaram-se à conquista do planeta em diferentes rumos desde África. Um rumo alcançou a Austrália. A outra chegou a Ásia Central, para logo se dividir em dois, uma a Europa, e a outra caminhou até cruzar o estreito de Bering e chegou à América do Norte. As últimas áreas a ser colonizadas foram as ilhas da Polinésia, durante o primeiro milênio d.C..[14]

Neandertais[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Homem-de-neandertal

Os neandertais eram robustos, com um cérebro grande, e viviam na Europa e oeste da Ásia. Sobreviveram até 24 mil anos atrás e coexistiram com os modernos Homo sapiens sapiens[15] , e podiam mesmo acasalar com eles, se bem que a sua descendência acabava por ter problemas de fertilidade.[16]

Origem dos homens modernos[editar | editar código-fonte]

Homem de Cro-Magnon

A origem do Homo sapiens atual é bastante discutida, mas a maioria dos cientistas apoia a teoria da Eva mitocondrial, apoiada por testes genéticos, em vez da teoria evolução multirregional que defende que os seres humanos modernos evoluíram em todo o mundo ao mesmo tempo a partir das espécies Homo lá existentes e que se reproduziram entre si durante as várias migrações que supostamente fizeram. Os primeiros fósseis totalmente humanos foram encontrados na Etiópia, e estima-se que viveram há 160 mil anos.[17] [18]

A teoria da Eva mitocondrial considera que houve uma segunda vaga de espécimes Homo, desta vez homens modernos, há cerca de duzentos mil anos atrás, e que todos os seres humanos descendem de um grupo muito reduzido de mulheres desta época.[19]

Há 75 mil anos a população humana deixou de crescer, muito provavelmente devido à catástrofe de Toba, uma explosão vulcânica,[20] que, segundo alguns cientistas, ate fez a população descer para 10 mil.[21] [22] [23]

Capacidade de comunicação[editar | editar código-fonte]

A origem da fala humana tem sido muito controversa. Mas apesar do Homo habilis e Homo erectus já terem alguma, houve uma evolução há possivelmente 250 mil anos atrás, mas o grande salto em frente só ocorreu há 40 mil anos, quando os seres humanos modernos desenvolveram uma linguagem semelhante à nossa.[24]

Arte pré-histórica[editar | editar código-fonte]

Vênus de Laussel: representa uma mulher despida, que na mão direita sustém um corno de bisão.
Estatueta talhada num bloco de pedra calcária dura. Museu de Aquitânia, em Bordeaux

Há cerca de 35 mil anos a.C. surgiu a arte paleolítica na Europa.[25] Há 25 mil anos a.C., surgiram as figurinhas de Vénus. Há 21 mil anos as pinturas rupestres em Altamira e Lascaux, mais pequenas esculturas. A Vénus de Willendorf considera-se um símbolo da fertilidade, tem 11 cm de altura e é de há 24 mil - 22 mil anos a.C..[26]

Apesar de convencionar-se a consolidação da religião no período Neolítico, a arqueologia registra que no Paleolítico houve uma religião primitiva baseada no culto a uma Deusa mãe,[27] [28] [29] [30] ao feminino e a associação desta ao poder de dar a vida.[31] Foram descobertas, no abrigo de rochas Cro-Magnon em Les Eyzies, conchas cauris, descritas como "o portal por onde uma criança vem ao mundo" e cobertas por um pigmento de cor ocre vermelho, que simbolizava o sangue, e que estavam intimamente ligados ao ritual de adoração às estatuetas femininas; escavações apresentaram que estas estatuetas, as chamadas vênus neolíticas eram encontradas muitas vezes numa posição central, em oposição aos símbolos masculinos localizados em posições periféricas ou ladeando as estatuetas femininas.[32] Assim como a pintura , as esculturas paleolíticas tinham caráter utilitário e ritualístico.

Foram encontrados objetos de pequeno porte e até mesmo instrumentos musicais , como flautas e tambores feitos de ossos. As esculturas mais antigas tinham função ritualística, formas femininas e acredita-se que fossem uma evocação à fertilidade. Elas ficaram conhecidas como Vênus Esteatopígicas e são esculturas pequenas que apresentam características comuns nas formas e nos volumes: Formas arredondadas , seios volumosos , cabeça sem face, cabeça coberta como uma espécie de vasta cabeleira.

Mesolítico[editar | editar código-fonte]

Mesolítico (10.000 a.C a 5.000 a.C) é o termo empregue para denominar o período da pré-história que serve de transição entre o Paleolítico e o Neolítico, e presente (ou pelo menos, com duração razoável) apenas em algumas regiões do mundo onde não houve transição direta entre esses dois períodos. Significa Idade Média da Pedra (do grego μεσος, mesos =médio; e λίθος, líthos =pedra) por contraposição ao Paleolítico (Idade Antiga da Pedra) e ao Neolítico (Idade Nova da Pedra),[33] identificando-se com as últimas sociedades de caçadores-coletores.[34]

Invenção da agricultura[editar | editar código-fonte]

Há 10 mil anos a.C., praticamente não havia agricultura, mas em 6 mil anos os conjuntos de humanos com capacidade para criar animais e cultivar plantas passariam a ser produtores. A agricultura foi inventada em várias partes do mundo, comumente em épocas diferentes, independentemente das outras áreas. Primeiro foi no Médio Oriente, mais precisamente no Crescente Fértil, em 10 mil a.C., onde se espalhou para várias zonas do mundo, como o Norte de África (excluindo o Egito) e os Balcãs há 6 mil a.C.[35]

Descoberta dos metais[editar | editar código-fonte]

Há oito mil anos inventou-se a fundição do cobre. A metalurgia surgiu na Anatólia e na Mesopotâmia (Turquia e Iraque atuais) em aproximadamente 5000 a.C., e até 4000 a.C. espalhou-se até ao planalto do Irão, Cáucaso e delta do Nilo, até 3000 a.C. dirigiu-se até ao sul da Europa, da Polónia e da Alemanha, França, ilhas Britânicas, e depois até 2000 a.C. à Dinamarca, resto da Polónia, parte dos países Bálticos e Bielorrúsia.[36]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 15
  2. Burns, Edward McNall (1989). História da Civilização Ocidental, Volume 1 (Rio de Janeiro: Globo). ISBN 85-250-0530-4 (v. 1) Verifique |isbn= (Ajuda). 
  3. Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9, pág 238
  4. Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9, pág 67-70
  5. Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9, pág 80,82
  6. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 18 e 19
  7. a b Berghorn, Hattstein, (autores originais) edição revista por professor catedrático de história Josep Capella da Universidade de Barcelona (em língua espanhola) e coordenada na mesma língua por Cristina Fischer, Essential Visual History of the World (título original), Blume (editora espanhola), 2008 (edição espanhola), ISBN.: 978-84-8076-722-4, página 17
  8. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 17 e 18
  9. Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9, pág 99-101
  10. a b Série de colaboradores, LE GRAND LIVRE DE L'HISTOIRE DU MONDE-ATLAS HISTORIQUE (título original), Hachete (editora original), 1987, ISBN 972-42-0072-8, pág 14
  11. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 14, 17 e 18
  12. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 17, 18 e 19
  13. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 20-21
  14. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 24 e 25
  15. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 19 e 26
  16. «Modern human genomes reveal our inner Neanderthal». Nature News & Comment. Consultado em 2016-04-08. 
  17. Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9, pág 194 e 197
  18. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 19
  19. Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9, pág 194
  20. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 19
  21. Stanley H. Ambrose (1998). «Late Pleistocene human population bottlenecks, volcanic winter, and differentiation of modern humans». Journal of Human Evolution [S.l.: s.n.] 34 (6): 623–651. doi:10.1006/jhev.1998.0219. 
  22. Ambrose, Stanley H. (2005). «Volcanic Winter, and Differentiation of Modern Humans». Bradshaw Foundation. Consultado em 2006-04-08. 
  23. Robock, A., C.M. Ammann, L. Oman, D. Shindell, S. Levis, and G. Stenchikov (2009). «Did the Toba volcanic eruption of ~74k BP produce widespread glaciation?». Journal of Geophysical Research [S.l.: s.n.] 114: D10107. doi:10.1029/2008JD011652. 
  24. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 20-21
  25. Série de colaboradores, LE GRAND LIVRE DE L'HISTOIRE DU MONDE-ATLAS HISTORIQUE (título original), Hachete (editora original), 1987, ISBN 972-42-0072-8, pág 22
  26. La Historia del Arte, Blume, ISBN:978-84-8076-765-1
  27. Encarta Encyclopedia
  28. Encarta Encyclopedia, Mesopotamiam Art
  29. Neolithic Art, Encarta Ecyclopedia
  30. Witcombe, Willendorf
  31. O cálice e a espada, Riane Eisler, p.14
  32. O cálice e a espada, Riane Eisler, p.18
  33. «Arte Mesolítico». arteespana.com. 
  34. «El Mesolítico en Europa». Universidad de Cantabria. 
  35. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 36-37
  36. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 42-43

Ligações externas[editar | editar código-fonte]