Praça Mauá

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Monumento ao Barão de Mauá no centro da praça, com o Museu do Amanhã ao fundo.

A Praça Mauá é uma praça situada no bairro do Centro, na Zona Central da cidade do Rio de Janeiro. Com cerca de 25 mil m² de área, integra a Orla Conde, um passeio público que margeia a Baía de Guanabara.

A praça foi inaugurada no início do Século XX, tendo sido reinaugurada em 6 de setembro de 2015 após ser revitalizada.[1] A revitalização da praça foi feita no âmbito do Porto Maravilha, uma operação urbana que visa revitalizar a Zona Portuária do Rio de Janeiro.

A Praça Mauá marca o início da Avenida Rio Branco e também do Porto do Rio de Janeiro, dado que a numeração dos armazéns se inicia na praça.

O centro da praça é ocupado pela estátua de Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, pioneiro em várias áreas da economia do Brasil. Barão de Mauá, que também dá nome à praça, foi responsável pela construção da Estrada de Ferro Mauá e pela criação do Banco do Brasil, dentre outras realizações. Colocada sobre uma coluna, a escultura é obra do escultor Rodolfo Bernardelli e foi inaugurada em 1910, por iniciativa do Clube de Engenharia.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Século XIX[editar | editar código-fonte]

Pintura ilustrando a Prainha em 1841, com o Mosteiro de São Bento ao fundo.

Nos primórdios da colonização, a Prainha, como era conhecido o local onde hoje é a praça, na época era o entorno de uma pequena praia. No Século XIX, o lugar tornou-se conhecido como Praça da Prainha. Em 1871, a Câmara Municipal renomeou a praça como Largo 28 de Setembro, data da promulgação da Lei do Ventre Livre, porém o lugar continuou a ser popularmente conhecido pelo nome anterior.[3]

Primeira Metade do Século XX[editar | editar código-fonte]

Edifício Joseph Gire, antiga sede do jornal "A Noite".

A Praça Mauá foi construída devido à necessidade de um novo cais mais estruturado a fim de receber embarcações, em virtude do crescimento das atividades comerciais na cidade no início do Século XX. A praça foi inaugurada em 1910, após seis anos de obras, substituindo o antigo Largo da Prainha.[4]

A Praça Mauá foi assim chamada para homenagear o Barão, que naquela época já era visconde. Como símbolo da homenagem, foi erguido, em 1910, no centro da praça, um monumento com 8,5 metros de altura com uma estátua do Barão de Mauá, de autoria de Rodolfo Bernadelli.[2]

Por estar localizada próxima ao local de desembarque de navios de passageiros e de marinha mercante, a região desenvolveu várias atividades comerciais ligadas ao turismo e ao câmbio, incluindo bares e boates de prostituição.

Em 1930, foi finalizada a construção do edifício do jornal "A Noite" (chamado hoje Edifício Joseph Gire), em frente à praça, atualmente um marco da arquitetura em concreto armado no Brasil. O autor do projeto Art Déco foi Joseph Gire, arquiteto francês também responsável pelo hotel Copacabana Palace e pela sede do Palácio Laranjeiras.[5] O edifício tem 22 andares foi um dos primeiros a marcar a tendência verticalista da arquitetura da cidade, seguindo o modelo das grandes cidades dos Estados Unidos e afastando-se dos modelos europeus. O edifício foi sede, entre 1936 e 2012, da Rádio Nacional Rio de Janeiro.[5]

Segunda Metade do Século XX[editar | editar código-fonte]

Elevado da Perimetral cruzando a Praça Mauá, em 2013.

Entre as décadas de 1950 e 1970, foi construído sobre a praça o Elevado da Perimetral, que tinha por função facilitar o escoamento do tráfego entre o Aterro do Flamengo e o Caju. O viaduto acarretou na desvalorização urbana de toda a região.[6]

Na década de 1990, um edifício com arquitetura pós-moderna, o Edifício Rio Branco 1 (RB1), foi construído em frente à praça. O RB1, inspirado nos edifícios pós-modernos construídos em cidades como Nova Iorque e Houston, é hoje um moderno e sofisticado centro empresarial.[7]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

A Praça Mauá após o processo de revitalização, em 2016.

No dia 20 de abril de 2014, um trecho de 300 metros do Elevado da Perimetral que passava sobre a praça foi implodido. A operação foi feita com 250 kg de explosivos, gerando 10 mil toneladas de concreto. O material caiu sobre areia e pneus colocados sob o viaduto.[8]

Por intermédio da operação urbana Porto Maravilha, a praça passou por obras de reurbanização entre 2014 e 2015. A Praça Mauá foi reaberta no dia 6 de setembro de 2015 após quatro anos fechada, contando com uma extensa programação gratuita de eventos culturais.[9]

No dia 5 de junho de 2016, entrou em operação o VLT do Rio de Janeiro, uma nova opção de mobilidade pela Zona Central da cidade.[10] Como parte do sistema, foi inaugurada também a Estação Parada dos Museus, situada em frente ao Museu de Arte do Rio. Os trilhos por onde passam as composições do VLT cruzam a praça.

Arredores[editar | editar código-fonte]

Interior do Museu do Amanhã, um dos ícones da Praça Mauá.

Junto à praça se encontra a Estação Marítima de Passageiros do Porto do Rio de Janeiro, um curioso e pequeno edifício com uma torre em estilo medievalista e belos vitrais no interior. Na praça também se localiza o imponente Palacete Dom João VI, inaugurado em 1916 em estilo clássico, com um corpo central dotado de cúpula afrancesada, atualmente parte integrante do Museu de Arte do Rio,[11] além do moderno edifício RB1 e do Edifício Joseph Gire.

Além dos já mencionados, localiza-se na Praça Mauá o Arsenal da Marinha e as sede do INPI e da Polícia Federal no Rio de Janeiro. O Museu do Amanhã, situado no Píer Mauá, área adjacente à praça, é um dos marcos da revitalização da praça. Projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o museu é o símbolo mais eloquente da revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro.[12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Barreira, Gabriel (6 de setembro de 2015). «Após 4 anos, Praça Mauá, no Rio, é reinaugurada com shows gratuitos». G1. Consultado em 21 de dezembro de 2015 
  2. a b Monumentos do Rio: Obras de Arte existentes nos Logradouros Municipais. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos. 1983 
  3. «Praça Mauá». O turista aprendiz. Consultado em 1 de abril de 2017 
  4. Lucena, Felipe (24 de abril de 2015). «História da Praça Mauá». Diário do Rio. Consultado em 1 de abril de 2017 
  5. a b Villela, Flávia (14 de outubro de 2015). «Servidores do INPI cobram transparência sobre futuro do Edifício A Noite». Agência Brasil. Consultado em 1 de abril de 2017 
  6. França, Elisabete. «Artigo: Cai o viaduto carioca». ARCOweb. Consultado em 1 de abril de 2017 
  7. «Home > Sobre o RB1 > História». RB1. Consultado em 1 de abril de 2017 
  8. «Perimetral: implosão de 300 metros muda cenário da Praça Mauá». Porto Maravilha. 20 de abril de 2014. Consultado em 1 de abril de 2017 
  9. «Após quatro anos, Praça Mauá é reinaugurada com shows gratuitos». R7. 6 de setembro de 2015. Consultado em 1 de abril de 2017 
  10. Mello, Káthia; Mendonça, Alba (5 de junho de 2016). «VLT é inaugurado com área de lazer na Avenida Rio Branco, Centro do Rio». G1. Consultado em 7 de abril de 2017 
  11. Platonow, Vladimir (1 de março de 2013). «Rio ganha novo museu de arte no dia de seu aniversário». EBC. Consultado em 1 de abril de 2017 
  12. «Museu do Amanhã». Porto Maravilha. Consultado em 1 de abril de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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