Precipitação oculta

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Gota de água num ramo

Precipitação oculta é entendida como o fenómeno em que a vegetação (ou outro objecto, natural ou não) captura, por um processo de impacto ou colisão, as minúsculas gotículas de água existentes no nevoeiro e que na sua ausência seriam mantidas em suspensão na atmosfera. Ao colidirem com as superfícies das folhas ou outros objectos, as gotículas tendem a se agrupar, formando gotas maiores que depois caiem no solo, entrando assim no ecossistema.

Apenas uma pequena quantidade das gotículas do nevoeiro precipita directamente no terreno, geralmente devido a fenómenos de turbulência, numa quantidade que muito raramente excede os 0,2 mm diários [1]. Desta forma, a presença de uma barreira, natural ou artificial, favorece a captura destas pequenas gotículas, que por um processo de coalescência, tornam-se mais pesadas e precipitam no solo. A vegetação constitui uma barreira muito apropriada, pois o movimento contínuo das folhas e ramos por acção do vento com a consequente variação da turbulência em seu redor facilita a captura da água em suspensão na atmosfera. O tipo, tamanho, densidade, continuidade da floresta e exposição aos ventos são também factores que influenciam em larga medida a quantidade de água que é possível capturar pela vegetação.

Pode ocorrer em qualquer local desde que exista nevoeiro com conteúdo de água líquida suficiente, que este dure tempo suficiente para que as gotas possam precipitar, que a vegetação permita a captura das gotículas e vento que permita a circulação rápida do ar. No entanto, regiões montanhosas, onde os nevoeiros sejam frequentes e as velocidades de vento mais intensas, são áreas privilegiadas para a ocorrência deste fenómeno.

Referências

  1. CUNHA, F., 1964. O problema da captação da água do nevoeiro em Cabo Verde. Garcia da Orta 12(4), 719-756
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