Sexismo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Preconceito sexual)
Ir para: navegação, pesquisa
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde março de 2014). Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.

Sexismo é a discriminação baseada em sexo ou gênero. Sexismo pode afetar qualquer género, mas é particularmente documentado afetando mais mulheres e meninas.[1] Tem sido associado a estereótipos e papéis de gênero,[2][3] e pode incluir a crença de que um sexo ou gênero é intrinsecamente superior ao outro.[4] Sexismo extremo pode promover o assédio sexual, estupro e outras formas de violência sexual.

Definição[editar | editar código-fonte]

Prisão de uma suffragette em Londres, em 1914. As suffragettes lutavam pelo direito das mulheres de votar

De maneira geral, o termo é usado como exclusão ou rebaixamento do gênero feminino. No entanto, sexismo é uma posição, que pode ser praticada tanto por homens quanto por mulheres; portanto, o sexismo está presente intragêneros tanto quanto entre gêneros. De acordo com Karin Ellen von Smigay, culturas falocráticas possuem: "um vasto conjunto de representações socialmente partilhadas, de opiniões e de tendência a práticas que desprezam, desqualificam, desautorizam e violentam as mulheres, tomadas como seres de menor prestígio social". [5] Assim, de acordo com esta autora, o sexismo acaba "legitimando a violência contra mulheres e todos aqueles que, em determinadas circunstâncias, são reconhecidos como tendo uma posição feminilizada. Mantido por um pensamento essencialista, atribui qualidades e defeitos que seriam inerentes e específicos de cada sexo".[6] De acordo com esta análise, sexismo e homofobia estão estreitamente relacionados.

Ações sexistas podem partir de diversos pressupostos, destacando-se os de que:

  • Um gênero (ou uma identidade sexual) é superior a outro.
  • Mulher e homem são profundamente diferentes (mesmo além de diferenças biológicas), e essas diferenças devem se refletir em aspectos sociais como o direito e a linguagem.
  • Existem características comportamentais que são intrínsecas a determinado gênero, de modo que todas as pessoas deste gênero as possuem (visto em generalizações como "todo homem é mulherengo" ou "toda mulher é delicada" ou "todo homossexual é promíscuo").

Diferentes termos podem ser usados para nomear conjuntos de ideias e ações sexistas de acordo com o gênero afetado. O sexismo contra homens é chamado de misandria ou androfobia. O sexismo contra mulheres é comumente denominado de machismo ou misoginia.

Para Daniel Borrillo, tanto o sexismo quanto a homofobia devem ser pensados a partir da ordem pela qual as relações sociais entre os sexos e sexualidades se estruturam: "A ordem (dita natural) dos sexos determina uma ordem social na qual o feminino deve complementar o masculino, o que se realiza com base em uma subordinação psicológica e cultural". Assim, o sexismo, poderia ser definido como "a ideologia organizadora das relações entre os sexos, no seio da qual o masculino se caracteriza por seu pertencimento ao universo exterior e político, ao passo que o feminino denota intimidade e ligação com o ambiente doméstico". [7]

É comum que indivíduos promovam atitudes sexistas contra seu próprio gênero. A forma como a cultura age no imaginário coletivo permite que seja possível encontrar mulheres que defendam que "lugar de mulher é na cozinha" ou homens afirmando que "marido que não procura trabalho é vagabundo", assim como há mulheres e homens que se contrapõem a tais ideários, indistintamente.

Como princípio político, o sexismo utiliza o discurso da diferença natural entre os sexos para justificar e legitimar as desigualdades em matéria de direitos políticos. [8]

Exemplos de ideias sexistas[editar | editar código-fonte]

Apesar das discussões políticas, midiáticas e acadêmicas sobre igualdade de gênero travadas nas últimas décadas, muitas ideias sexistas ainda permeiam a cultura brasileira e explicam parte das diferenças sociais, econômicas, ocupacionais e comportamentais entre os gêneros.

Lista de algumas ideias de caráter sexista e de problemas de ordem comportamental, socioeconômica ou jurídica relacionadas a elas:

  • A gestão no feminino é mais humana
    • Nova tendência de contrabalançar o machismo, atribuindo - ao invés - competências genéticas superiores às mulheres.
  • É dever natural do homem o sustento da família
    • Evasão escolar precoce de grande parte dos homens, sobretudo nas classes mais pobres, que se veem pressionados a trabalhar para sustentar suas famílias enquanto suas irmãs ou esposas têm maior liberdade para escolherem entre trabalhar ou estudar. Consequente inversão no desequilíbrio educacional relativo a gênero, com as mulheres alçando níveis educacionais mais altos que os homens, em média. [9][10]
    • Sobrecarga ocupacional masculina (25% dos homens brasileiros economicamente ativos trabalham mais que 49 horas semanais contra apenas 12% das mulheres na mesma condição). [11]
  • Mulheres devem ser responsáveis pela casa
    • Alto percentual de mulheres sem ocupação econômica, embora já se concentrem neste gênero os mais altos índices de formação educacional e profissional. [12]
  • As mães são mais importantes na formação dos filhos que os pais
    • Baixíssimo índice de decisões judiciais favoráveis a que a guarda de filhos de casais separados seja dada aos pais ou seja compartilhada entre pai e mãe. [13]
  • Homens não choram/ homens devem ser fortes / homem que apanha de mulher é frouxo (e variações destes raciocínios)
    • Menor procura de indivíduos do sexo masculino por atenção médica em comparação às mulheres. [14]
    • Resistência de indivíduos do gênero masculino em prestar queixa contra suas parceiras quando estes vêm a ser vítimas de violência doméstica. [15]
  • Trair é da natureza masculina (mas não da feminina)
    • Atitudes masculinas violentas, muitas vezes originando crimes de agressão ou contra a vida, quando de suspeita ou constatação de infidelidade conjugal.
    • Rejeição social percebida por mulheres que traem seus companheiros, ao contrário do que ocorre aos homens infiéis.
    • Contaminação de mulheres casadas por doenças sexualmente transmissíveis contraídas por seus maridos.
  • As mulheres são mais frágeis (ou inocentes)
    • Predisposição do judiciário a minimizar o papel de mulheres criminosas e a aplicar sobre elas penas mais brandas.
    • Exclusão "a priori" das mulheres de determinados campos profissionais.
  • Gays são promíscuos/não conseguem controlar seus impulsos sexuais
    • Maior dificuldade de homossexuais em adotar crianças. [16][17]
    • Dificuldade de reconhecimento por parte do Estado - muitas vezes por influência religiosa - de promulgar uma lei anti-homofobia. [18]
    • Dificuldade de inclusão em certos grupos sociais, por questão de sexismo ou crença religiosa.
  • Associação errônea entre AIDS e homossexuais, pelo preconceito generalista com origem em estatísticas do Ministério da Saúde [19]
    • Discriminação contra homossexuais. [20]
    • Heterossexuais que acreditam nesta crença não dão tanta importância à prevenção de DSTs. [21]

Referências

  1. "Sexism". New Oxford American Dictionary (3 ed.). Oxford University Press. 2010.ISBN 9780199891535. Define sexismo como "prejudice, stereotyping, or discrimination, typically against women, on the basis of sex." "Sexism". Encyclopedia Britannica, Online Academic Edition. 2015. Define sexismo como "prejudice or discrimination based on sex or gender, especially against women and girls." Notes that "sexism in a society is most commonly applied against women and girls. It functions to maintain patriarchy, or male domination, through ideological and material practices of individuals, collectives, and institutions that oppress women and girls on the basis of sex or gender."
  2. Matsumoto, David. "The Handbook of Culture and Psychology" Oxford University Press, 2001. ISBN 0-19-513181-9.
  3. Nakdimen KA The American Journal of Psychiatry [1984, 141(4):499-503]
  4. Doob, Christopher B. 2013. Social Inequality and Social Stratification in US Society. Upper Saddle River, NJ: Pearson Education, Inc.
  5. SMIGAY, Karin Ellen von (2002). «Sexismo, homofobia e outras expressões correlatas de violência: desafios para a psicologia política». Psicologia em Revista. Belo Horizonte. p. 34. Consultado em 02 de setembro de 2013. 
  6. SMIGAY, Karin Ellen von (2002). «Sexismo, homofobia e outras expressões correlatas de violência: desafios para a psicologia política». Psicologia em Revista. Belo Horizonte. p. 35. Consultado em 02 de setembro de 2013. 
  7. BORRILLO, Daniel (2009). «A homofobia» (PDF). Brasília. p. 24-25. Consultado em 07 de outubro de 2013.  Parâmetro desconhecido |livro= ignorado (Ajuda); Parâmetro desconhecido |organizadoras= ignorado (Ajuda)
  8. VERFUS, Anne (2005). Voto familiarista e voto familiar: contribuição para o estudo do processo de individualização das mulheres na primeira metade do século XIX (São Paulo: Estação Liberdade). p. 430. ISBN 8574481114. 
  9. http://www.db.com.br/noticia/43260.html
  10. http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?id=3012
  11. http://www.ibge.gov.br/lojavirtual/default.php?codigoproduto=8877
  12. http://delas.ig.com.br/a+volta+ao+lar/n1237491673175.html
  13. http://www.pailegal.net/chicus.asp?rvTextoId=1097664668
  14. http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_8/2008/06/23/em_noticia_interna,id_sessao=8&id_noticia=68458/em_noticia_interna.shtml
  15. http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080519_homens_agressao_dg.shtml
  16. http://oglobo.globo.com/sp/mat/2008/01/09/promotor_que_pediu_separacao_de_bebe_de_transexual_diz_que_casal_gay_anormal_-327934459.asp
  17. http://www.elpais.com/articulo/sociedad/Tribunal/Europeo/Derechos/Humanos/condena/Francia/impedir/adoptar/lesbiana/elpepusoc/20080122elpepusoc_2/Tes
  18. http://www1.folha.uol.com.br/poder/920652-dilma-suspende-kit-gay-apos-protesto-da-bancada-evangelica.shtml
  19. http://portal.saude.gov.br/portal/saude/Gestor/visualizar_texto.cfm?idtxt=28231
  20. http://www.tupi.am/programas/tupi-doc/38263/Para_o_Dia_do_Hetero_Bolsonaro_associa_gays_a_AIDS_e_criminalidade
  21. Maia, Christiane; Guilhem, Dirce; Freitas, Daniel. (04-2008 - Epub: 29-02-2008). "Vulnerabilidade ao HIV/Aids de pessoas heterossexuais casadas ou em união estável". Revista de Saúde Pública 42 (2). DOI:10.1590/S0034-89102008005000004. ISSN 0034-8910.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]