Primeiras Estórias

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Primeiras Estórias
Capa da primeira edição (1962)
Autor(es) Guimarães Rosa
Idioma português
País  Brasil
Género contos
Arte de capa Luís Jardim (1962)
Editora José Olympio (1962)
Nova Fronteira
Lançamento 1962
Páginas 224
ISBN 8520917984
Cronologia
Grande Sertão: Veredas
Campo Geral

Primeiras Estórias é um livro de contos de João Guimarães Rosa publicado em 1962.[1] Contém 21 contos que se passam, em sua maioria, em um ambiente rural não específico.

Estilo e temas[editar | editar código-fonte]

A maioria dos relatos em Primeiras Estórias, embora apenas pretendam narrar "casos do sertão", apresentam uma síntese da totalidade da existência dos protagonistas, as estórias de Rosa tentam vencer a rotina, ultrapassar o peso do quotidiano e da miséria através do riso, do olhar lúdico e da ressurreição do momento presente; predominam ainda epifanias afirmativas e positivas associadas ao bem e ao amor.[2]

Sobre os personagens, Alfredo Bosi disse:

Muitas personagens de Primeiras estórias acham-se privadas de saúde, de recursos materiais, de posição social e até mesmo do pleno uso da razão. Pelos esquemas de uma lógica social moderna, estritamente capitalista, só lhes resta esperar a miséria, a abjeção, o abandono, a morte. O narrador, cujo olho perspicaz nada perde, não poupa detalhes sobre o seu estado de carência extrema.
Bosi, 1998, p.23[3]

Contos[editar | editar código-fonte]

Contos cujo narrador está em 1a pessoa:[4]

  • Famigerado
  • A Terceira Margem do Rio
  • Pirlimpsiquice
  • O Espelho
  • O Cavalo que bebia cerveja
  • Luas-de-mel
  • A Benfazeja
  • Darandina
  • Tarantão, meu patrão...

Contos com narrador em 3a pessoa:

  • As Margens da Alegria
  • Sorôco, sua mãe e sua filha
  • A Menina de Lá
  • Os Irmãos Dagobé
  • Nenhum, nenhuma
  • Fatalidade
  • Sequência
  • Nada e a nossa Condição
  • Um Moço Muito Branco
  • Partida do Audaz Navegante
  • Substância
  • Os Cimos


Crítica literária[editar | editar código-fonte]

A obra foi comparada extensivamente a Estórias abensonhadas de Mia Couto na tese de doutorado de Eduardo de Araújo Teixeira, a comparação é respaldada pelo fato de que ambos os autores integram o macrossistema das literaturas de língua portuguesa em que todas a literaturas dialogam sem que nenhuma delas seja considerada paradigmática.[5]

Adaptação para o cinema[editar | editar código-fonte]

Em 1999, o livro Primeiras Estórias foi adaptado para o cinema por Pedro Bial como o filme Outras Estórias, O filme se baseou em cinco contos do livro Primeiras Estórias: "Famigerado", "Os irmãos Dagobé", "Nada e nossa condição", "Substância e Soroco, sua mãe, sua filha". [6] Todavia, não se trata de transposição de uma obra literária para o cinema, mas, antes, de uma concepção dela enquanto possibilidade cinematográfica.[7]

Referências

  1. «João Guimarães Rosa: Bibliografia». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 11 de dezembro de 2012 
  2. Benjamin Abdala Júnior; Marli Fantini Scarpelli. Portos flutuantes: trânsitos ibero-afro-americanos. Atelie Editorial; 2004. ISBN 978-85-7480-245-9. p. 182 - 183.
  3. ANA CLÁUDIA DA SILVA; SUSANA RAMOS VENTURA; Susana Ramos Ventura e Ana Claudia Silva. CIRANDA DE ESCRITAS - REFLEXOES SOBRE AS. biblioteca24horas; ISBN 978-85-7893-548-1. p. 267.
  4. Roteiro de leitura - Primeiras Estórias, p.3, CPV Educacional
  5. Ana Claudia Da Silva. O rio e a casa. UNESP; ISBN 978-85-7983-112-6. p. 102.
  6. Alice Gomes, Rosa para olhos e ouvidos, Estação virtual
  7. Maria Lúcia Dal Farra, 'As Primeiras e as Outras Estórias: de Guimarães Rosa a Pedro Bial, 2002, Revista Scripta, PUC-MG