Pyrrhula murina

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priolo
Pyrrhula murina (priolo).[1]

Pyrrhula murina (priolo).[1]
Estado de conservação
Status iucn3.1 VU pt.svg
Vulnerável
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Fringillidae
Género: Pyrrhula
Espécie: P. murina
Nome binomial
Pyrrhula murina
Godman, 1866

Pyrrhula murina, conhecida pelo nome comum de priolo, é uma ave passeriforme, em estado de conservação vulnerável, endémica na parte leste da ilha de São Miguel, Açores.

Descrição[editar | editar código-fonte]

O priolo era até há pouco considerado uma subespécie do dom-fafe (Pyrrhula pyrrhula), mas foram separados como duas espécies distintas em 1993[2]. No entanto, a separação não é consensual, havendo ainda alguns autores que não reconhecem esta classificação.

Este passeriforme, que atinge um comprimento de 16 a 17 cm, tem o bico negro e forte, o corpo de cor cinza e a cauda preta. Nos juvenis, a cabeça é castanha. É facilmente reconhecido à distância pelo seu cantar característico, curto, flautado e melancólico, bastante distintivo.

Os dois sexos são idênticos. No verão, o priolo alimenta-se essencialmente em zonas abertas e no inverno permanece na floresta nativa de altitude, sendo muito dependente da floresta laurissilva típica da Macaronésia. Reproduz-se na floresta laurissilva, entre junho e o final de agosto.

O priolo é uma espécie de ave endémica da ilha de São Miguel, mais especificamente da zona montanhosa localizada a leste desta ilha, que abrange os concelhos do Nordeste e da Povoação. Vive predominantemente na Serra da Tronqueira e no Pico da Vara, na parte leste da ilha de São Miguel. Alimenta-se basicamente da flora (flores) da floresta laurissilva.

Um dos grandes motivos da sua quase extinção foi, além da destruição do habitat natural, a perseguição que lhe foi movida no século XIX durante o ciclo da laranja, justamente pela grande destruição que fazia nas flores das laranjeiras.

A população, até há pouco tempo estimada em cerca de 775 indivíduos[3], estava limitada a bolsas de vegetação nativa remanescentes.

Trata-se do passeriforme mais ameaçado de extinção em toda a Europa. Contudo, a 9 de dezembro de 2016, a UICN retirou-o da lista de espécies Em Perigo (EN), sendo o priolo considerado agora uma espécie vulnerável (VU). [4].

Atualmente, estima-se que existam mais de 1000 indivíduos. Este aumento da população deveu-se sobretudo a um esforço continuado do projeto LIFE-Priolo (2003 a 2008), coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) em conjunto com o Governo Regional dos Açores e a RSPB (Royal Society for the Protection of Birds, uma sociedade britânica de proteção das aves), que teve como principal objetivo reconstituir a vegetação endémica da região, da qual o priolo se alimenta[5][6].

Com a finalidade de proceder ao controlo, à investigação, ao ensino, à interpretação e também ao fomento da interação entre o homem e o habitat do priolo de forma harmoniosa, foi criado o Centro Ambiental do Priolo, no Parque Florestal Cancela do Cinzeiro, pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, em parceria com a Secretaria Regional do Ambiento e do Mar e a Direcção Regional de Recursos Florestais, no âmbito do projeto Life-Priolo[7].


Notas

  1. The Ibis, ser. 2, vol. 2, 1866.
  2. Red List of Threatened Species. IUCN 2006. Pyrrhula murina. Acesso a 10 de Outubro de 2006 - Database incluindo a justificação de estarem estas duas espécies ameaçadas
  3. [Vester, F., Diamond, A. W., Peterson, R. T. (1989): Save the Birds - Houghton Mifflin]
  4. Jornal Público on-line. Acesso a 27 de Maio de 2010
  5. Bibby, Colin J.; Charlton, Trevor D. & Ramos, Jaime (1992): Studies of West Palearctic birds, 191: Azores Bullfinch (Pyrrhula murina) British Birds 85(12): 677-680.
  6. Jornal Açoriano Oriental de Domingo, 2 de Novembro de 2008, página 6.
  7. Panfleto “Centro Ambiental do Priolo – Vem conhecer o Priolo e a Laurissilva dos Açores”. Pág. 2. Secretaria Regional da Agricultura e Florestas.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]