Probiótico

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Probióticos são produtos alimentares que contém micro-organismos vivos cuja ingestão traz benefícios à saúde.[1]

A Organização Mundial de Saúde define probióticos como “organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro” (FAO/WHO, 2001).

Ao equilibrar a "flora" intestinal, seja introduzindo micro-organismos inexistentes ou adequando a proporção dos já existentes, os probióticos trazem uma série de benefícios à saúde, entre os quais os principais são (a) o controle de desarranjos intestinais e (b) a melhoria na capacidade do organismo em absorver nutrientes dos alimentos. Há quem liste outros benefícios, mas sua comprovação científica ainda está em curso.

Entre os probióticos mais conhecidos e disponíveis no comércio estão os leites fermentados e os iogurtes naturais. Mas também há probióticos na forma de pó ou cápsulas. Também são probióticos o kefir e o kombucha, em geral produzidos e distribuídos artesanalmente, no Brasil.

Histórico e controvérsias[editar | editar código-fonte]

O tema dos probióticos vem despertando bastante interesse nos últimos anos. De acordo com Challa, se a descoberta dos antibióticos pode ser considerada a mais relevante no campo da medicina durante o século XX, a microbiota intestinal é uma das concorrentes ao posto do século corrente.(Challa, 2013) O termo "probiótico" é  relativamente novo e remete à ideia de "a favor da vida". (FAO/ONU, 2001)

A primeira observação das funções benéficas desempenhadas por algumas bactérias é atribuída ao russo Eli Metchnikoff, no início do século XX. Todavia, foi com a ampliação das alegações funcionais que os probióticos começaram a despertar maiores controvérsias. Em 2007, 8% das 4637 alegações funcionais submetidas a EFSA (European Food Safety Authority) tinham probióticos como objeto.

De forma resumida, existem dificuldades para comprovação dos requisitos exigidos pelos órgãos regulatórios para afirmar os benefícios de um determinado alimento. Em parte, essa lacuna se deve à complexidade biológica dos probióticos, cujos efeitos no organismos são mais difíceis de precisar quando comparados aos efeitos imunomoduladores de substâncias unimoleculares, tais como a vitamina D. (Rijkers et at, 2011)

Produtos[editar | editar código-fonte]

Leite acidófilo[editar | editar código-fonte]

O leite acidófilo pode ser elaborado a partir de leite padronizado enriquecido ou não em seu extrato seco. Este produto é resultante da fermentação exclusiva do Lactobacillus acidophilus, que é uma espécie lática homofermentativa (produz exclusivamente ácido lático).

O Lactobacillus acidophilus, é capaz de crescer a temperatura de 45°C porém sua temperatura ótima é de 37°C.

Produz alta concentração de ácido lático 150 a 200°D, de forma lenta. Resiste a uma concentração de 2% de sais biliares e até 4% de sal(11).

Exemplo de elaboração[editar | editar código-fonte]

  1. Utilizar leite selecionado, acidez máxima de 18°D. Este leite poderá ser totalmente desnatado, padronizado (adição de 2 a 3% de leite em pó desnatado) ou mantido integral.
  2. Tradicionalmente não se adiciona açúcar neste tipo de produto.
  3. Pasteurizar o leite a temperatura de 90°C por 20 - 30 minutos, na fermenteira ou iogurteira.
  4. Resfriar a temperatura de 37°C.
  5. Adicionar fermento para uso direto a base de Lactobacillus acidophilus, na dosagem especificada pelo fabricante.
  6. Envasar os potes (tradicionalmente este produto é vendido na forma de potes ou copos de 200 a 250 gramas), opção de frascos.
  7. Incubar em estufa regulada para 37°C até que se verifique a formação de um gel (coalhada) liso, brilhante, sem desprendimento de soro ou gases.
  8. O pH ideal deverá estar na faixa de 4,6 em um período de 3 a 8 horas, dependendo do fermento utilizado.
  9. Retirar os potes ou copos da estufa e levá-los imediatamente para câmara fria com temperatura máxima de 5°C, ou passar por túnel de resfriamento imediato.
  10. Decorridos 12 horas do resfriamento o produto poderá ser destinado ao mercado consumidor com validade de até 30 dias após sua data de elaboração.(11)com agua
  11. Pontos críticos: utilizar leite totalmente isento de inibidores (principalmente antibióticos). Para o desenvolvimento ideal do fermento lático, a temperatura deverá ser mantida rigorosamente em 37°C.

Kefir[editar | editar código-fonte]

Os grãos de Kefir formam um aglomerado gelatinoso irregular, onde são encontradas bactérias ácido-lácticas, ácido-acéticas e leveduras imersas em uma matriz de proteínas e polissacarídeos. Os micro-organismos mais comumente isolados de grãos de kefir compreendem os gêneros Lactobacillus (L. brevis, L. casei, L. kefiri, L. acidophilus, L. plantarum, L. kefiranofaciens subsp. kefiranofaciens, L. kefiranofaciens subsp. kefirgranum, L. parakefir) (Dias et al, 2006).

Os micro-organismos que o compõe e as substâncias bioativas produzidas constituem uma possibilidade na busca por viabilizar substitutos aos antimicrobianos convencionais e potencialmente, seus mecanismos de ação agem em combate à patógenos de origem alimentar (Dias et al, 2006).

Lactobacillus bulgaricus utilizados na produção caseira de Iogurte.

Efeitos fisiológicos dos probióticos[editar | editar código-fonte]

Inibição de bactérias intestinais indesejáveis[editar | editar código-fonte]

Pode ocorrer por produção de substâncias bactericidas:

  • Os lactobacilos podem produzir peróxido de hidrogênio, substância inibidora da Escherichia coli, salmonela etc.
  • Adesão à mucosa e multiplicação - este termo se refere à capacidade dos probióticos de aderirem nas vilosidades intestinais competindo e inibindo a fixação de patogênicos, como por exemplo, Escherichia coli.
  • Presença sem adesão à mucosa - para que isto ocorra é necessário que a ingestão do probiótico seja contínua pois sua suspensão não garante permanência no cólon por período prolongado.

Ativação da imunidade humoral e celular[editar | editar código-fonte]

Os Lactobacilos acidófilo, bulgárico e casei parecem aumentar a atividade fagocitária, a síntese de imunoglobulinas (IgA) e a ativação dos linfócitos T e B.

Aumento da digestibilidade da lactose[editar | editar código-fonte]

Os Lactobacilos produzem a enzima beta galactosidase que facilita a digestão da lactose(14).

Liberação de vitaminas[editar | editar código-fonte]

Grupos microbianos específicos possuem uma funcionalidade nutricional, pois produzem vitaminas e podem contribuir para liberá-las para o hospedeiro humano. Microorganismos intestinais, por exemplo, podem produzir vitamina K, vitamina B12, piridoxina, biotina, ácido fólico, ácido nicotínico e tiamina. Considera-se, assim, que isso pode afetar a saúde do hospedeiro, fornecendo-lhe possíveis efeitos probióticos (Vandenplas et al., 2014).

Tratamento de alergias[editar | editar código-fonte]

Estudo recente do tipo metanálise sugere que os probióticos podem ser uma opcão para o tratamento de dermatite atópica, principalmente dermatite atópica moderada a grave em crianças e adultos. Entretanto, nenhuma comprovacão de benefício dos probióticos em neonatos foi encontrada (Kim et al., 2014).

Referências

  1. Schlundt, Jorgen. «Health and Nutritional Properties of Probiotics in Food including Powder Milk with Live Lactic Acid Bacteria» (PDF). Report of a Joint FAO/WHO Expert Consultation on Evaluation of Health and Nutritional Properties of Probiotics in Food Including Powder Milk with Live Lactic Acid Bacteria. FAO / WHO. Consultado em 25 Abril 2013. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Challa, SK. Probióticos para leigos. Alta Books, 2013.

Dias, PA, ROSA, JV, Tejada, TS; Timm, CD. Propriedades antimicrobianas do kefir. Arq. Inst. Biol. [online]. 2006 [acesso em 2018 abr 25]; 83. Disponível em: < http://ref.scielo.org/rcfrqb>.

FAO/ONU. Informe de la Consulta de Expertos FAO/OMS sobre Evaluación de las Propiedades Saludables y Nutricionales delos Probióticos en los Alimentos, incluida la Leche en Polvo con Bacterias Vivas del Ácido Láctico, 2001. [acesso: 22 abr 2018] Disponível em: http://www.fao.org/3/a-a0512s.pdf

Rijkers et at. Health benefits and health claims of probiotics: bridging science and marketing. British Journal of Nutrition, Volume 106, Issue 9 14 November 2011 , pp. 1291-1296. [acesso em 22 abr 2018] Disponível em: https://doi.org/10.1017/S000711451100287X]

Saad, Susana Marta Isay. Probiotics and prebiotics: the state of the art. Rev. Bras. Cienc. Farm. [online]. 2006, 42, (1) [acesso em 24 abr 2018], pp. 1–16. [1]. ISSN 1516-9332.

Kim SO, Ah YM, Yu YM, Choi KH, Shin WG, Lee JY. Effects of probiotics for the treatment of atopic dermatitis: a meta-analysis of randomized controlled trials. Ann Allergy Asthma Immunol. [Internet]. 2014; [acesso em 2018 abr 12]; 113:217-26. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24954372.

Vandenplas Y, Huys G, Daube G. Probiotics: an update. J. Pediatr. (Rio J.)  [Internet]. 2015  Fev [acesso em 12 abr 2018]; 91(1): 06-21. Disponível em: http://ref.scielo.org/k5dwdv.

Ver também[editar | editar código-fonte]