Problema do cálculo econômico

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O problema do cálculo econômico é um debate teórico advindo da crítica ao uso de uma economia planejada em substituição ao mercado na alocação dos fatores de produção.[1] .

O principal formulador do problema do cálculo econômico foi o economista da Escola Austríaca Ludwig von Mises. Além dele, também discutiram este tema Friedrich von Hayek, Oskar Lange e Abba Lerner.

O debate[editar | editar código-fonte]

Ludwig von Mises (1881-1973)
Oskar Lange

O ponto de partida do debate foi um artigo de Mises de 1920, em que o economista negava categoricamente a possibilidade de se utilizar o cálculo econômico racional em um sistema econômico socialista. Especificamente, afirmava que em tal sistema não se podia fixar os preços dos bens de capital. Seu argumento principal era de que sem mercado, não há formação de preços, e sem formação de preços, não pode haver cálculo econômico, ou seja, se o governo é quem determina os preços, o cálculo econômico não é real. Além disso, Mises argumentava que o mecanismo de formação de preços só era possível mediante as relações de trocas de bens produzidos sob a base de um regime de propriedade privada[2] .

As primeiras tentativas de refutar a tese de Mises foram lançadas na década de 1930 por vários economistas. Polanyi argumentou que o livre mercado havia prejudicado a ordem social e que a crise econômica preparou o caminho para a emergência das ditaduras[3] .

A solução de Lange-Lerner[editar | editar código-fonte]

Mais tarde, o economista romeno Abba Lerner e o polonês Oskar Lange tentaram refutar a segunda conclusão de Mises ao construir um modelo em que havia a formação de preços sem mercado. Essa contra-argumentação, cujo modelo ficou conhecido como terceira via, estimulou fortemente o debate.

A solução Lange-Lerner apareceu em um ensaio de Lange e em dois ensaios de Lerner. O trabalho deles economicamente provou a equivalência entre economia planificada e livre mercado quanto à alocação de recursos. Essa demonstração, feita por meio de um modelo prático, refutava o argumento teórico baseado em Mises.

A crítica de Hayek à solução de Lange-Lerner[editar | editar código-fonte]

F. A. Hayek

Em 1944, Von Hayek agregou outra dimensão ao debate em seu Caminho da Servidão. Ele defendeu que, na prática, o planejamento central jamais poderia ter informações suficientes para tomar uma decisão racional. Em sua opinião, não há nada superior ao sistema de preços.

Os seguidores de Hayek alegam que esquema Lange-Lerner seria estático, Hayek entende como sendo uma falha já que a economia é dinâmica. O conhecimento técnico, os recursos e as informações são considerados dados no sistema. Hayek argumentou que o conhecimento é disperso na sociedade e a sua utilização racional é levada a efeito por cada indivíduo traçando seus próprios planos segundo circunstâncias personalíssimas e intransferíveis. O mercado coordena esses planos espontaneamente, sobretudo por intermédio do sistema de preços, de forma muito mais racional e útil do que um planejamento central poderia esperar fazer. O planejamento central implica a supressão dos planos individuais. Os indivíduos tornam-se instrumentos do planejador central, mas esse não pode ter jamais a esperança de coordenar a produção racionalmente. O estado de equilíbrio é uma quimera que não tem lugar no mundo real, dinâmico por natureza, e o conhecimento, as oportunidades e a informação nunca estão "dados". Ao contrário, estão sendo incessantemente criados e ampliados através das iniciativas individuais e suas interações.

Referências

  1. MISES, Ludwig von. O cálculo econômico no sistema socialista.
  2. Por que fracassa o socialismo? Por Juan Fernando Carpio
  3. A Grande Transformação. Karl Polanyi.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]