Processamento de alimentos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Definição[editar | editar código-fonte]

O Processamento de alimentos diz respeito às modificações a que um determinado alimento pode ser submetido. Podendo serem feitas tanto em casa, em pequena escala, como quando uma pessoa descasca uma batata, quanto em escala industrial, como quando grandes empresas fabricam bolachas a partir de diversos ingredientes que sofrem mudanças durante o processo e que muitas vezes já foram previamente processados, como a farinha que advém do trigo, por exemplo.          

Alimentos sofrem esse tipo de processo para diversos fins como conservação, mudança no sabor e/ou textura, facilidade na ingestão e visando o lucro, como ocorre em grandes indústrias alimentícias.

O processamento em si é uma ferramenta que pode ser usada para ajudar a população, oferecendo praticidade e palatabilidade aos alimentos, mas também pode contribuir para uma população com altos índices de obesidade por consumirem uma grande quantidade de produtos alimentícios ultraprocessados, que tem seu perfil de nutrientes drasticamente modificado e diversas substâncias químicas adicionadas. Além disso, esses produtos intervém no modo como consumimos outros tipos de alimentos, tendo influência na comensalidade por exemplo, já que um alimento processado é mais facilmente desembalado e consumido por apenas uma pessoa, ao contrário de alimentos in natura que exigem uma preparação mais elaborada[1].

Graus[editar | editar código-fonte]

De acordo com o Guia alimentar para a população brasileira, podemos agrupar os alimentos processados em três principais grupos:

  • Alimentos In Natura e Minimamente Processados

Os alimentos in natura são aqueles provenientes da natureza, seja de origem animal ou vegetal, que não sofrem nenhum tipo de alteração para serem comercializados.

Há também os alimentos minimamente processados, que recebem esse nome  pois sofrem processamento industrial mínimo para melhorar e/ou facilitar a sua comercialização e o seu consumo, como: limpeza, remoção de partes não comestíveis ou indesejáveis, descamação, descascamento, secagem, fermentação, pasteurização, congelamento e vários outros processos que não adicionam sal, açúcar, óleos, gorduras ou  qualquer outra substância que não seja do alimento original.[1]

Esse processo industrial é muito importante pois torna o alimento mais adequado para o consumo, ou facilita o preparo do mesmo, sendo a perda nutricional geralmente mínima ou nula.[1]

Por isso, é recomendado que o consumo de alimentos in natura e minimamente processados sejam sempre a base da alimentação, pois esses alimentos apresentam suas características nutricionalmente ricas inalteradas. Além disso, o hábito de cozinhar alimentos in natura ou minimamente processados é essencial para a preservação da cultura e transmissão das tradições culinárias.[2]

São exemplos de alimentos dessa classe: frutas frescas, carne fresca, verduras,  leite, café, grãos, legumes frescos, nozes, raízes e tubérculos.

Alimentos Processados[editar | editar código-fonte]

Os alimentos desse tipo são geralmente feitos na indústria e são produtos derivados dos alimentos in natura ou minimamente processados, eles sofrem adição de sal, açúcar, gorduras e outros tipos de substâncias comuns na culinária. Tem por finalidade aumentar o tempo de prateleira, ou seja, torná-los mais duráveis, ou então, mais palatáveis. É válido ressaltar que  grande parte dos alimentos processados mantém algumas das características (aparência) do seu alimento de origem, possibilitando assim o seu reconhecimento.

É recomendado que o consumo de alimentos processados seja moderado e que os mesmos sejam sempre utilizados como acompanhamento em preparações culinárias à base de alimentos in natura ou minimamente processados.[2]

Alguns exemplos de alimentos processados são: palmito, pepino, ervilhas, cebola e cenoura preservados em salmoura ou em solução de sal e vinagre; extratos ou concentrados de tomate (com sal e/ou açúcar); frutas em calda e frutas cristalizadas; carne seca e toucinho; sardinha e atum enlatados; queijos; pães feitos de farinha de trigo; leveduras; água e sal.

Alimentos Ultraprocessados[editar | editar código-fonte]

Alimentos ultraprocessados são produtos que estão prontos ou pré-prontos para o consumo. São formulações industriais feitas a partir de alimentos in natura ou parte deles e também por substâncias extraídas de alimentos, como: óleos, amido, proteínas. Comumente esses alimentos possuem substâncias sintetizadas em laboratório, ingredientes esses, incomuns na culinária tradicional, que são utilizados com o fim de realçar o sabor, a textura e a coloração do produto, além de prolongar a validade.

Mesmo sendo produtos alimentícios práticos, é indicado que o consumo de ultraprocessados seja evitado. Isso pois, grande parte dos alimentos desse grupo, possuem grandes quantidades de sódio, açúcar, gorduras e aditivos químicos que estão ligados ao aumento da obesidade e também de Doenças Crônicas Não Transmissíveis, como Diabetes e Hipertensão[3].

Ademais, o consumo de produtos alimentícios ultraprocessados têm causado a perda do ato de cozinhar e a comensalidade, ou seja, comer à mesa, em família e com amigos.²

Alguns exemplos de produtos alimentícios ultraprocessados: Guloseimas (bala, goma de mascar, pirulito, entre outros), Macarrão Instantâneo, Refrigerante, Pizzas e Hambúrgueres

Pré-Prontos, Biscoitos com recheio, entre outros.

Alimentos em conserva.

REFERÊNCIAS[editar | editar código-fonte]

  1. a b c Monteiro, Carlos Augusto; Levy, Renata Bertazzi; Claro, Rafael Moreira; Castro, Inês Rugani Ribeiro de; Cannon, Geoffrey (2010-11). «A new classification of foods based on the extent and purpose of their processing». Cadernos de Saúde Pública. 26 (11): 2039–2049. ISSN 0102-311X. doi:10.1590/s0102-311x2010001100005  Verifique data em: |data= (ajuda)
  2. a b Kashiwakura, Helder Kiyoshi; Gonçalves, Andréa de Oliveira; Silva, Rosane Maria Pio da (2016-12). «Atenção Primária à Saúde: elementos de continuidade e mudanças na saúde do Distrito Federal». Saúde em Debate. 40 (111): 49–62. ISSN 0103-1104. doi:10.1590/0103-1104201611104  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. Louzada, Maria Laura da Costa. «Nutrição e saúde: o papel do ultraprocessamento de alimentos»