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Prognatismo mandibular

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Ilustração de diferentes tipos.

Em antropologia e medicina, chama-se prognatismo (do grego pro, "movimento para a frente", + gnathós "mandíbula") à proeminência dos dentes em relação ao plano da face. Em animais com crânio o prognatismo é resultado de uma hipotrofia óssea da maxila ou hipertrofia óssea da mandíbula - a mandíbula é mais longa que a maxila. Artrópodes também podem ser apontados como prognatas, como por exemplo as formigas fêmeas, por terem peças bucais no ácron.[1]

No caso de prognatismo mandibular (nunca prognatismo maxilar), este também é frequentemente referido como mandíbula de Habsburgo, mandíbula de Áustria, maxilar de Habsburgo, maxilar de Áustria, lábio de Habsburgo ou lábio de Áustria, especialmente quando referenciado no contexto de sua prevalência entre os membros históricos da Casa de Habsburgo.[2][3]

Em medicina, esta proeminência pode ser considerada uma afeção esquelética, ou seja, uma deformação da face, causada por um acidente, ou de origem genética, como o “famoso” prognatismo mandibular.[2]

Descrição

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Carlos II de Espanha foi um dos casos mais notórios da "mandíbula de Habsburgo". Excesso de consanguinidade é frequentemente citado como um dos motivos da sua mandíbula avantajada.

Costuma-se referir a esta condição, em termos informais, como mandíbula de Habsburgo, mandíbula de Áustria, maxilar de Habsburgo, maxilar de Áustria, lábio de Habsburgo ou lábio de Áustria, devido à prevalência desta manifestação nessa família real europeia, através da endogamia, isto é, dos casamentos interconsanguíneos realizados. Através das pinturas dos vários soberanos dessa casa, é facilmente visível essa deformidade, cada vez mais pronunciada à medida que se avança no tempo, e que alcança o seu extremo, por exemplo, com os imperadores alemães Fernando II, Fernando III e Leopoldo I, ou com o rei de Espanha Carlos II. Mesmo Pedro II do Brasil, descendente direto dos Habsburgo por parte materna e indireto por parte paterna, apresentava uma variação mais branda dessa deformidade, como se nota em seus retratos de juventude (o que talvez explicasse o uso da barba longa desde cedo). Estas pinturas têm fornecido imensas ferramentas aos estudiosos da genética, pois demonstram bem a capacidade de transmissão extrema de uma patologia.

Julga-se que este mal tenha derivado de uma princesa polaca da família dos Piastos, Cimburga de Masóvia. Contudo, a mais antiga observação deste mal num Habsburgo data do imperador Maximiliano I de Habsburgo, que governou entre 1459 e 1519

180pxUm caso moderno de prognatismo.

Doenças como esta (a par de certas formas de melancolia e loucura) foram relativamente comuns em várias casas reais, passando de geração em geração geralmente devido a exageradas relações endogâmicas, isto é, de consanguinidade muito próxima. Muitas vezes por motivos políticos, os casamentos dinásticos dos Habsburgos eram arranjados entre primos muito próximos, ou tios e sobrinhos - donde resultou esta condição, quase sem paralelo noutra casa europeia, pois os Habsburgos eram a casa com mais casamentos interconsanguíneos ao longo dos séculos XVI e XVII; a partir do século XVIII, tornou-se gradualmente menos evidente.

Esta situação foi tão longe no caso dos Habsburgos espanhóis que Carlos II de Espanha foi o único filho de Filipe IV a chegar à idade adulta, mesmo assim com grande número de mazelas físicas e mentais, com o mais pronunciado de todos os lábios de Habsburgo e, aparentemente devido a essa doença degenerativa, acabou também estéril, não gerando filhos e, como tal, ditando o fim do domínio dos Habsburgos na Espanha, sendo substituídos pelos Bourbon.

Membros da Realeza dos Habsburgos que sofreram desta degenerescência

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Galeria de imagens

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Referências

  1. Wolff, G; Wienker, T F; Sander, H (1 de fevereiro de 1993). «On the genetics of mandibular prognathism: analysis of large European noble families.». Journal of Medical Genetics. 30 (2): 112–116. PMC 1016265Acessível livremente. PMID 8445614. doi:10.1136/jmg.30.2.112 
  2. a b Peacock, Zachary S.; Klein, Katherine P.; Mulliken, John B.; Kaban, Leonard B. (Setembro de 2014). «The Habsburg Jaw-re-examined». American Journal of Medical Genetics. Part A. 164A (9): 2263–2269. PMID 24942320. doi:10.1002/ajmg.a.36639 
  3. Zamudio Martínez, Gabriela; Zamudio Martínez, Adriana (2020). «A Royal Family Heritage: The Habsburg Jaw». Facial Plastic Surgery & Aesthetic Medicine. 22 (2): 120–121. PMID 32083497. doi:10.1089/fpsam.2019.29017.mar 
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