Projeciologia

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Projeciologia (do latim projectio significa projeção e logos no grego significa tratado) é o ramo de caráter mais prático da conscienciologia, uma pseudociência[1][2][3][4][5][6] fundada pelo médico e médium brasileiro Waldo Vieira.[7] Vieira propõe o estudo "da consciência de forma integral",[8][9] relacionada a supostas projeções energéticas da consciência e as projeções da própria consciência para fora do corpo humano, ou seja, das ações da consciência operando fora do estado de restrição física do cérebro e todo o corpo biológico. Devido à falta de evidência científica e experimentos em condições controladas, dentro dos parâmetros da ciência, mesmo com todos os esforços da parapsicologia, a projeciologia é considerada uma pseudociência.[6]

O neologismo projeciologia foi proposto pelo médico e médium Dr. Waldo Vieira, em 1979, no livro Projeções da Consciência, uma reunião de relatos de experiências fora do corpo do próprio autor, em forma de diário.

Este fenômeno também é conhecido como: EFC (Experiência Fora-do-Corpo), OBE (Out-of-Body Experience), desdobramento, projeção astral, dentre outras.

Vieira foi membro atuante de duas das mais importantes organizações de pesquisa parapsicológica do mundo, a estadunidense ASPR (American Society for Psychical Research) e a britânica SPR (Society for Psychical Research).[carece de fontes?]

Correlações[editar | editar código-fonte]

Além da experiência fora-do-corpo propriamente dita, a Projeciologia também investiga dezenas de fenômenos parapsíquicos correlatos tais como: bilocação, clarividência, deja-vú, experiência de quase-morte (EQM), precognição, retrocognição, telepatia e outros.

Método de pesquisa[editar | editar código-fonte]

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Embora inúmeras alegações já tenham sido feitas,[10] não há evidência científica aceita da existência do fenômeno da projeção da consciência para fora do corpo humano. Inúmeros experimentos já foram realizados com sucesso, sobretudo em universidades norte-americanas no século XX, supostamente provando a possibilidade da projeção consciente, e a possibilidade da consciência projetada influir de forma sutil no ambiente, quando fora do corpo.[11] Tais experimentos, entretanto, jamais convenceram a comunidade científica em geral, que em sua maioria apontou possíveis erros e enganos, ou exigiu a realização de um número maior de experimentos por pesquisadores independentes, ou mesmo sugeriu outras possíveis explicações, mais prosaicas, para os resultados observados. Parte-se do princípio que afirmações consideradas "extraordinárias" exigem provas mais fortes.

Tal limitação é semelhante à de algumas áreas da Psicologia que não possuem aparelhagens específicas para a captação daquilo que chama de subjetividade e de inconsciente como a psicanálise e a psicologia Mas é importante ressaltar que existem ramos da psicologia, especialmente a psicologia cognitiva e a psicologia comportamental que desenvolveram inúmeros testes, experimentos e para comprovarem a existência de determinados constructos através da análise do comportamento, neurociências, testes psicométricos.[carece de fontes?]

As pesquisas do Dr. Charles T. Tart nos anos 1960, por exemplo, mostraram que durante os períodos relatados pelos projetores que estavam fora do corpo humano, o cérebro apresentou reações anormais às detectadas usualmente no sono de não-projetores, merecendo maior atenção da comunidade científica que vem estudando com maior dedicação fenômenos como experiência de quase-morte, projeção da consciência e autoscopia.

Para a Projeciologia, entretanto, o mais importante é o autopesquisador pesquisar suas próprias experiências e formar suas próprias convicções. O que acaba esbarrando contra conceitos da ciência que não leva em consideração o auto experimento, já que seres humanos estão propícios a falhas (estamos presos a cinco sentidos, facilmente enganados por truques de ilusão de ótica [2]) por isso é imprescindível a utilização de métodos (como por exemplo utilização de equipamentos específicos) que possam estar neutros para conseguir registrar dados.

Um bom método para levar em consideração a projeciologia é fazer um pequeno teste: uma pessoa que se auto proclama como um projetor consciente se deita em um local que se sinta mais a vontade. Em outro local, previamente determinado, uma pessoa escreve em uma folha em branco um número (exemplo, 2340) o projetor então deve "sair de seu corpo físico" e ser capaz de ver o número que ele nunca tinha visto antes, voltar para seu corpo físico e ser capaz de falar exatamente qual número estava na folha. O processo deve ser totalmente registrado e monitorado para que não haja falhas e nem truques, deve então ser repetido várias vezes.

De acordo com Dr. James E. Whinnery, a experiência de quase morte não permitem a confirmação da projeções que podem ser explicadas como um processo neurofisiológico que leva à ilusão da projeção.[12][13][14] Entretanto para o Dr. Titus Rivas, a EQM não pode ser completamente explicada por causas fisiológicas ou psicológicas, pois a consciência funcionaria independentemente da atividade cerebral.[15]

Publicações históricas[editar | editar código-fonte]

A histórica obra "Projection of the Astral Body" (1929), dos parapsicólogos Sylvan Muldoon e Hereward Carrington,[16] pode ser considerada o principal responsável pelo surgimento do interesse popular na projeção da consciência e o principal esboço da Projeciologia. Nesta obra os autores estudaram e categorizaram vários casos de projeções da consciência, descreveram casos experimentados por eles próprios e também por outras pessoas notáveis, e além disso Muldoon descreveu métodos para a auto-indução da projeção consciente.

Referências

  1. Stoll, Sandra Jacqueline. (2002). "Religião, ciência ou auto-ajuda? trajetos do Espiritismo no Brasil". Revista de Antropologia 45 (2). DOI:10.1590/S0034-77012002000200003. ISSN 0034-7701.
  2. Terra, Ronaldo (2011). Fluxos do Espiritismo Kardecista no Brasil:Dentro e Fora do Continum Mediúnico (PDF) (Marília: Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista (dissertação de mestrado)). 
  3. Dawson, Andrew (2007). New Era, New Religions: Religious Transformation in Contemporary Brazi 1 ed. (Andershot: Ashgate Publishing). p. 24. 
  4. Valle, Edênio. (2001). "L'illusione religiosa in un movimento parareligioso del Brasile" (em italiano). Revista de Estudos da Religião - REVER (1). São Paulo: Pós-Graduação em Ciências da Religião - PUC - São Paulo. ISSN 1677-1222. Visitado em 11 de dezembro de 2014.
  5. Laboratório de Biologia Molecular e Sequenciamento (última atualização: 2010). «Ciência & Sociedade». w3.ufsm.br. Consultado em 30 de julho de 2011. 
  6. a b Raymundo de Lima. (março de 2010). "Ciência, pseudociência e o fascínio popular". Revista Espaço Acadêmico (106). ISSN 1519-6186. Visitado em 7 de setembro de 2012.
  7. Chico Xavier (homenageado); Waldo Vieira (entrvistado) (Abril de 2010). O médium Chico Xavier (Especial). Brasil: Globo News. 
  8. Rocha, Cristina; Vásquez, Manuel A. (Eds). The Diaspora Of Brazilian Religions, pp. 339-362 (Chapter "The Niche Globalization of Projectiology: Cosmology and Internationalization of a Brazilian Parascience", by Anthony D’Andrea). Koninklijke Brill NV, 2013. ISBN 978 90 04 23694 3
  9. D'Andrea, Anthony (2000). O self Perfeito e a Nova Era: Individualismo e Reflexividade em Religiosidades Pós-Tradicionais 1 ed. (Chigaco: Edições Loyola). 
  10. Tart, CT A Psychophysiological Study of Out-of-the-Body Experiences in a Selected Subject. Journal of the American Society for Psychical Research, 1968, vol. 62, no. 1, pp. 3-27 [1]
  11. Cave, Janet; Laura Foreman (1993). VIAGENS PSÍQUICAS. MISTÉRIOS DO DESCONHECIDO 22 2ª edição em português ed. (Rio de Janeiro, RJ - Brasil: TIME-LIFE BOOKS). p. 144. 
  12. Jansen, K
  13. Dr. James E. Whinnery The Trigger of Gravity
  14. Pearson, Helen Electrodes trigger out-of-body experience News@Nature (16 Sep 2002) News
  15. Rivas T. (2003). The Survivalist Interpretation of Recent Studies into the Near-Death Experience. Journal of Religion and Psychical Research, 26, 1, 27-31.
  16. Melton, J. G. (1996). Out-of-the-body Travel. In Encyclopedia of Occultism & Parapsychology. Thomson Gale. ISBN 978-0-8103-9487-2.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]