Projeciologia

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Waldo Vieira (1932–2015), inventor da projeciologia, foi fundador e líder da conscienciologia.

Na conscienciologia, a projeciologia (do latim projectio significa projeção e logos no grego significa tratado) é o ramo de caráter mais prático. O neologismo projeciologia foi proposto pelo médico e médium Waldo Vieira, em 1979, no livro Projeções da Consciência, uma reunião de relatos de experiências fora do corpo do próprio autor, em forma de diário. Este fenômeno também é conhecido como: EFC (Experiência Fora-do-Corpo), OBE (Out-of-Body Experience), desdobramento, projeção astral, dentre outras. Além da experiência fora-do-corpo, a projeciologia também se dedica a dezenas de fenômenos parapsíquicos correlatos tais como: bilocação, clarividência, deja-vú, experiência de quase-morte (EQM), precognição, retrocognição, telepatia e outros.[carece de fontes?]

A conscienciologia é considerada uma pseudociência[1][2][3][4][5][6] e também foi fundada por Waldo Vieira.[7] Vieira propôs o estudo "da consciência de forma integral",[8][9] relacionada a supostas projeções energéticas da consciência e as projeções da própria consciência para fora do corpo humano, ou seja, das ações da consciência operando fora do estado de restrição física do cérebro e todo o corpo biológico. Devido à falta de evidência científica e experimentos em condições controladas, dentro dos parâmetros da ciência, mesmo com todos os esforços da parapsicologia, a projeciologia é considerada uma pseudociência.[6]

De acordo com Dr. James E. Whinnery, a experiência de quase morte não permitem a confirmação da projeções que podem ser explicadas como um processo neurofisiológico que leva à ilusão da projeção.[10][11][12] Entretanto para o Dr. Titus Rivas, a EQM não pode ser completamente explicada por causas fisiológicas ou psicológicas, pois a consciência funcionaria independentemente da atividade cerebral.[13]

Método de pesquisa[editar | editar código-fonte]

Imagem alegórica da projeção astral, conceito fundamental da projeciologia e conscienciologia.

Embora inúmeras alegações já tenham sido feitas,[14] não há evidência científica aceita da existência do fenômeno da projeção da consciência para fora do corpo humano. Inúmeros experimentos já foram realizados com sucesso, sobretudo em universidades norte-americanas no século XX, supostamente provando a possibilidade da projeção consciente, e a possibilidade da consciência projetada influir de forma sutil no ambiente, quando fora do corpo.[15] Tais experimentos, entretanto, jamais convenceram a comunidade científica em geral, que em sua maioria apontou possíveis erros e enganos, ou exigiu a realização de um número maior de experimentos por pesquisadores independentes, ou mesmo sugeriu outras possíveis explicações, mais prosaicas, para os resultados observados. Parte-se do princípio que afirmações consideradas "extraordinárias" exigem provas mais fortes.

As pesquisas do Dr. Charles T. Tart nos anos 1960, por exemplo, mostraram que durante os períodos relatados pelos projetores que estavam fora do corpo humano, o cérebro apresentou reações anormais às detectadas usualmente no sono de não-projetores, merecendo maior atenção da comunidade científica que vem estudando com maior dedicação fenômenos como experiência de quase-morte, projeção da consciência e autoscopia.

A projeciologia rejeita a metodologia científica padrão.[16] Para ela, o mais importante é o auto-pesquisador experimentar suas próprias experiências a fim de formar suas próprias convicções. O que acaba esbarrando contra conceitos da ciência que não leva em consideração o auto-experimento, já que seres humanos estão propícios a falhas (estamos presos a cinco sentidos, facilmente enganados por truques de ilusão de ótica) por isso é imprescindível a utilização de métodos (como por exemplo utilização de equipamentos específicos) que possam estar neutros para conseguir registrar dados.

Um autoexperimento usado é quando uma pessoa que se auto proclama como um projetor consciente se deita em um local que se sinta à vontade. Em outro local, previamente determinado, uma pessoa escreve em uma folha em branco um número (exemplo, 2340) o projetor então deve "sair de seu corpo físico" e ser capaz de ver o número que ele nunca tinha visto antes, voltar para seu corpo físico e ser capaz de falar exatamente qual número estava na folha. O processo deve ser totalmente registrado e monitorado para que não haja falhas e nem truques, deve então ser repetido várias vezes.

Publicações históricas[editar | editar código-fonte]

A histórica obra "Projection of the Astral Body" (1929), dos parapsicólogos Sylvan Muldoon e Hereward Carrington,[17] pode ser considerada o principal responsável pelo surgimento do interesse popular na projeção da consciência e o principal esboço da Projeciologia. Nesta obra os autores estudaram e categorizaram vários casos de projeções da consciência, descreveram casos experimentados por eles próprios e também por outras pessoas notáveis, e além disso Muldoon descreveu métodos para a auto-indução da projeção consciente[carece de fontes?]

Referências

  1. Stoll, Sandra Jacqueline (2002). «Religião, ciência ou auto-ajuda? trajetos do Espiritismo no Brasil». Revista de Antropologia. 45 (2). ISSN 0034-7701. doi:10.1590/S0034-77012002000200003 
  2. Terra, Ronaldo (2011). Fluxos do Espiritismo Kardecista no Brasil:Dentro e Fora do Continum Mediúnico (PDF). Marília: Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista (dissertação de mestrado) 
  3. Dawson, Andrew (2007). New Era, New Religions: Religious Transformation in Contemporary Brazi 1 ed. Andershot: Ashgate Publishing. p. 24 
  4. Valle, Edênio (2001). «L'illusione religiosa in un movimento parareligioso del Brasile» (PDF). São Paulo: Pós-Graduação em Ciências da Religião - PUC - São Paulo. Revista de Estudos da Religião - REVER (em italiano) (1). ISSN 1677-1222. Consultado em 11 de dezembro de 2014. 
  5. Laboratório de Biologia Molecular e Sequenciamento (última atualização: 2010). «Ciência & Sociedade». w3.ufsm.br. Consultado em 30 de julho de 2011.  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  6. a b Raymundo de Lima (março de 2010). «Ciência, pseudociência e o fascínio popular». Revista Espaço Acadêmico (106). ISSN 1519-6186. Consultado em 7 de setembro de 2012. 
  7. Chico Xavier (homenageado); Waldo Vieira (entrvistado) (Abril de 2010). O médium Chico Xavier (Especial). Brasil: Globo News 
  8. Rocha, Cristina; Vásquez, Manuel A. (Eds). The Diaspora Of Brazilian Religions, pp. 339-362 (Chapter "The Niche Globalization of Projectiology: Cosmology and Internationalization of a Brazilian Parascience", by Anthony D’Andrea). Koninklijke Brill NV, 2013. ISBN 978 90 04 23694 3
  9. D'Andrea, Anthony (2000). O self Perfeito e a Nova Era: Individualismo e Reflexividade em Religiosidades Pós-Tradicionais 1 ed. Chigaco: Edições Loyola 
  10. Jansen, K
  11. Dr. James E. Whinnery The Trigger of Gravity
  12. Pearson, Helen Electrodes trigger out-of-body experience News@Nature (16 Sep 2002) News
  13. Rivas T. (2003). The Survivalist Interpretation of Recent Studies into the Near-Death Experience. Journal of Religion and Psychical Research, 26, 1, 27-31.
  14. Tart, CT A Psychophysiological Study of Out-of-the-Body Experiences in a Selected Subject. Journal of the American Society for Psychical Research, 1968, vol. 62, no. 1, pp. 3-27 [1]
  15. Cave, Janet; Laura Foreman (1993). VIAGENS PSÍQUICAS. Col: MISTÉRIOS DO DESCONHECIDO. 22 2ª edição em português ed. Rio de Janeiro, RJ - Brasil: TIME-LIFE BOOKS. 144 páginas 
  16. Stoll, Sandra Jacqueline (2002). «Religião, ciência ou auto-ajuda? trajetos do Espiritismo no Brasil». Revista de Antropologia. 45 (2). ISSN 0034-7701. doi:10.1590/S0034-77012002000200003 
  17. Melton, J. G. (1996). Out-of-the-body Travel. In Encyclopedia of Occultism & Parapsychology. Thomson Gale. ISBN 978-0-8103-9487-2.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]