Conscienciologia

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Waldo Vieira (1932–2015) foi fundador e líder da conscienciologia

A Conscienciologia é um movimento dissidente do Espiritismo e de influência Nova Era de cunho pseudocientífico[1][2][3][4][5][6][7] fundado pelo médico e médium brasileiro Waldo Vieira.[8] Vieira propõe o estudo "da consciência de forma integral",[9] sustentando a crença em fenômenos parapsíquicos, como a experiência extracorporal, e a serialidade da vida humana através da reencarnação.[1][10][11] No contexto da conscienciologia, a consciência, também chamada de ego, alma, espírito, self ou individualidade, possuiria uma existência própria que transcenderia a vida biológica.[10][12]

Autodenominada uma "ciência não convencional",[8] adota o que chama de "paradigma consciencial", cuja abordagem seria também subjetiva e não somente objetiva e dando ênfase ao experimentalismo em contraste com a metodologia científica padrão.[1][10] A conscienciologia surgiu como projeciologia, que atualmente é descrita por seus adeptos como subcampo de pesquisa mais aplicado. Ambas compartilham do mesmo paradigma, sendo por isso consideráveis componentes de um mesmo sistema, por tal descritos juntamente na literatura.[2][4]

A conscienciologia propõe um conjunto de neologismos que caracterizam um jargão cientificista próprio,[1] como por exemplo a palavra "ressoma" para substituir "reencarnação".

Embora parte da escassa literatura científica sobre a conscienciologia classifique-a como um fenômeno religioso (do movimento New Age ou das religiosidades pós-tradicionais) dissidente do Espiritismo[4] e identifque sua proposta cientificista como uma continuação da teodiceia da Allan Kardec,[2] seus adeptos rejeitam qualquer conotação religiosa às suas práticas.[2][13]

Princípios[editar | editar código-fonte]

Imagem alegórica da projeção astral, conceito fundamental da conscienciologia.

As práticas e doutrinas do espiritismo de Kardec constituem a matriz original do movimento conscienciológico e projeciológico. Seus aderentes preconizam a existência de múltiplas vidas, energias e dimensões extrafísicas, experiência fora-do-corpo bem como no processo de evolução ao longo das reencarnações. Os adeptos da conscienciologia, no entanto, sustentam que tais conceitos não tem origem em crenças religiosas, mas na constatação de sua veracidade através da investigação e experimentação. Desta forma, a conscienciologia se aproxima do projeto original de Allan Kardec, isto é, transformar o espiritismo em um campo científico.

Paralelamente, em contraste com o espiritismo de Kardec, que acredita na evolução através da caridade e da expiação terrestre, a conscienciologia preconiza a evolução através do aquisição de cons, que seria a medida mínima de lucidez consciencial.[2] Vieira classifica os indivíduos conforme seu grau de consciência: os humanos pouco desenvolvidos estão na categoria comotosos; os mais alto grau de evolução é chamado de serenão. Líderes religiosos como Jesus Cristo e Buda estão na categoria pré-serenão, isto é, são indivíduos em alto nível de evolução da consciência, mas ainda imperfeitos.[2]

Os conscienciólogos adotam o que denominam princípio da descrença definido pelo lema "Não acredite em nada, experimente e tire suas próprias conclusões",[14] tipificando um traço distintivo da paraciência em relação à religião: a valorização do empirismo (ainda que um "paraempirismo" de sustentação subjetiva) em oposição a crenças com base na tradição e na fé.

Campus da Conscienciologia em Foz do Iguaçu.

A conscienciologia compartilha com outras paraciências da Nova Era a crença na possibilidade de controle das bioenergias, da paranormalidade e da projetabilidade pelo exercício de técnicas mentais.[15] Defendem também que todos são capazes de ver, ouvir e conversar com pessoas mortas e a saída da consciência do corpo acontece durante o sono profundo.[16]

Waldo Vieira, fundador na conscienciologia, permaneceu como líder do grupo e principal formulador de seu ideário até o seu falecimento (ou dessoma, no jargão conscienciológico). Exercia liderança do tipo carismática, apresenta-se tal qual alguns gurus indianos com fisionomia peculiar, porta vasta barba branca, veste-se sempre de roupas brancas e alega possuir dons de mediunidade, projetibilidade, clarividência e manipulação de energias para cura e materializações.[1][2] Segundo Vieira, esta apresentação é intencional e visa marcar sua presença, fazendo-se lembrar por quem já o viu.

Neologismos[editar | editar código-fonte]

Homo sapiens sereníssimus[editar | editar código-fonte]

Homo sapiens sereníssimus ou serenão é nome dado por Vieira às consciências que atingiram o mais alto grau de evolução na vida terrestre. Ao final dessa última vida intrafísica ele passa a condição de consciência livre, onde inicia um novo ciclo evolutivo. Segundo eles, os serenões já foram denotados em outras situações como Bodhisattvas, Avatares, Mestres Ascensionados, Espíritos de Luz, Espíritos Planetários, Arcanjos e Elohins.[17]

Tenepes[editar | editar código-fonte]

O neologismo foi criado por Waldo Vieira em 1966.[18] A Tenepes (acrônimo de tarefa energética pessoal,[18][19] diária),[20] também conhecida pelos espíritas como passe para o escuro ou sessão do eu sozinho,[18] seria uma técnica assistencial que, consiste na transmissão de bioenergias espirituais para fins assistenciais. A técnica é individual; programada com horário diário, do ser humano, auxiliado e amparado por amparadores extrafísicos (ajudantes espirituaisdesencarnados, espírito guia); durante a vigília; diretamente para consciências vivas ou mortas (que estariam no plano espiritual, denominadas extrafísicas) enfermas ou necessitadas, intangíveis e invisíveis à visão humana comum ou indivíduos projetados, ou não, próximos ou distantes, também carentes ou doentes.[carece de fontes?]

O praticante da tenepes denomina-se tenepessista. É o indivíduo que se compromete para o resto da sua vida intrafísica a manter esta prática diária.[20] O Tenepessista realiza suas sessões energéticas de modo anônimo, solitário, em local isolado, fechado, silencioso e escuro sem testemunhas físicas.[carece de fontes?]

Projeciologia[editar | editar código-fonte]

A projeciologia (do latim projectio significa projeção e logos no grego significa tratado) é o ramo de caráter mais prático da conscienciologia. O neologismo projeciologia foi proposto por Waldo Vieira em 1979 no livro Projeções da Consciência, uma reunião de relatos de experiências fora do corpo do próprio autor, em forma de diário. As projeções também são conhecidas como EFC (Experiência Fora-do-Corpo), OBE (Out-of-Body Experience), desdobramento, projeção astral, dentre outras. Além da experiência fora-do-corpo, a projeciologia também se dedica a dezenas de fenômenos parapsíquicos correlatos tais como: bilocação, clarividência, deja-vú, experiência de quase-morte (EQM), precognição, retrocognição, telepatia e outros.[carece de fontes?]

Experiências pessoais[editar | editar código-fonte]

A projeciologia rejeita a metodologia científica padrão.[21] Para ela, o mais importante é o auto-pesquisador experimentar suas próprias experiências a fim de formar suas próprias convicções. O que acaba esbarrando contra conceitos da ciência que não leva em consideração o auto-experimento, já que seres humanos estão propícios a falhas (estamos presos a cinco sentidos, facilmente enganados por truques de ilusão de ótica) por isso é imprescindível a utilização de métodos (como por exemplo utilização de equipamentos específicos) que possam estar neutros para conseguir registrar dados.[carece de fontes?]

Embora inúmeras alegações já tenham sido feitas,[22] não há evidência científica aceita da existência do fenômeno da projeção da consciência para fora do corpo humano. Os adeptos da crença em projeções, alegar que diversos experimentos já foram realizados, sobretudo em universidades norte-americanas no século XX, supostamente provando a possibilidade da projeção consciente e a possibilidade da consciência projetada influir de forma sutil no ambiente, quando fora do corpo.[23] Tais experimentos, entretanto, jamais convenceram a comunidade científica em geral, que em sua maioria apontou possíveis erros e enganos, ou exigiu a realização de um número maior de experimentos por pesquisadores independentes, ou mesmo sugeriu outras possíveis explicações, mais prosaicas, para os resultados observados.[carece de fontes?]

Referências

  1. a b c d e Stoll, Sandra Jacqueline (2002). «Religião, ciência ou auto-ajuda? trajetos do Espiritismo no Brasil». Revista de Antropologia. 45 (2). ISSN 0034-7701. doi:10.1590/S0034-77012002000200003 
  2. a b c d e f g Terra, Ronaldo (2011). Fluxos do Espiritismo Kardecista no Brasil:Dentro e Fora do Continum Mediúnico (PDF) (Dissertação de mestrado). Marília: Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista 
  3. Dawson, Andrew (2007). New Era, New Religions: Religious Transformation in Contemporary Brazi 1 ed. Andershot: Ashgate Publishing. p. 24 
  4. a b c Valle, Edênio (2001). «L'illusione religiosa in un movimento parareligioso del Brasile» (PDF). São Paulo: Pós-Graduação em Ciências da Religião - PUC - São Paulo. Revista de Estudos da Religião - REVER (em italiano) (1). ISSN 1677-1222. Consultado em 11 de dezembro de 2014 
  5. «Ciência & Sociedade». w3.ufsm.br. Laboratório de Biologia Molecular e Sequenciamento. 2010. Consultado em 30 de julho de 2011 
  6. Raymundo de Lima (março de 2010). «Ciência, pseudociência e o fascínio popular». Revista Espaço Acadêmico (106). ISSN 1519-6186. Consultado em 7 de setembro de 2012 
  7. Kern, Vinícius Medina; Kern, Vinícius Medina (2018). «Wikipedia as reference source: assessment and prospects». Perspectivas em Ciência da Informação. 23 (1): 120–143. ISSN 1413-9936. doi:10.1590/1981-5344/3224 
  8. a b Chico Xavier (homenageado); Waldo Vieira (entrevistado) (Abril de 2010). O médium Chico Xavier (Especial). Brasil: Globo News 
  9. Rocha, Cristina; Vásquez, Manuel A. (Eds). The Disapora Of Brazilian Religions, pp. 339-362 (Chapter "The Niche Globalization of Projectiology: Cosmology and Internationalization of a Brazilian Parascience", by Anthony D’Andrea). Koninklijke Brill NV, 2013. ISBN 978 90 04 23694 3
  10. a b c «A conscienciologia de Waldo Vieira - Entrevista com Mabel Teles». JC Online. 2010. Consultado em 27 de setembro de 2012. Cópia arquivada em 31 de dezembro de 2014 
  11. D’Andrea, Anthony (2015). «Conscienciology/Projectiology». In: Gooren, Henri. Encyclopedia of latin american religions (em inglês). Switzerland: Springer. ISBN 9783319089560. OCLC 951437199 
  12. Leite, Thiago (2012). «Revolução Paradigmática da Conscienciologia». Associação Internacional dos Campi de Pesquisa da Conscienciologia. Consultado em 27 de setembro de 2012 
  13. da Luz, Marcelo (2011). Onde a Religião Termina?. 17 x 23 cm; 0,9 kg 1ª ed. Foz do Iguaçu, PR Brasil: EDITARES. 486 páginas. ISBN 978-85-98966-39-7 
  14. Bruno Torturra Nogueira (9 de dezembro de 2009). «"TE PEGO LÁ FORA"». Revista TRIP (#184). Consultado em 12 de setembro de 2012 
  15. «Globo Repórter - Recursos científicos são usados para estudar fenômenos que não compreendemos». g1.globo.com. 2013. Consultado em 24 de novembro de 2014. Os seguidores defendem que precisamos passar por várias vidas para que nossa alma consiga evoluir. E a receita deste progresso espiritual estaria em fazer o bem. 
  16. Lima, Mariana (29 de julho de 2013). «Especialista fará palestra aos adeptos e estudiosos da Conscienciologia em Mana». A Crítica Notícias. Consultado em 31 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 31 de dezembro de 2014 
  17. Cesar de Souza Machado (15 de outubro de 2003). «Serenões: Consciências Superevoluídas». Metaconsciencia.com. Consultado em 26 de setembro de 2012 
  18. a b c Wagner D. Borges (3 de novembro de 2000). «Na Vastidão do Tenepes Amoroso». Instituto de Pesquisas Projeciológicas o Bioenergéticas. Consultado em 18 de abril de 2013 
  19. Cesar de Souza Machado - Brasília-DF (5 de Maio de 2003). «Anti-Tenepes» (PDF). revisado em 02.02.2008. Metaconsciencia - Pesquisa da Consciência. Consultado em 18 de abril de 2013 
  20. a b «Tenepes tarefa energética pessoal». amaluz.net. O Jornal Livre. 8 de julho de 2008. Consultado em 18 de abril de 2013 
  21. Stoll, Sandra Jacqueline (2002). «Religião, ciência ou auto-ajuda? trajetos do Espiritismo no Brasil». Revista de Antropologia. 45 (2). ISSN 0034-7701. doi:10.1590/S0034-77012002000200003 
  22. Tart, CT A Psychophysiological Study of Out-of-the-Body Experiences in a Selected Subject. Journal of the American Society for Psychical Research, 1968, vol. 62, no. 1, pp. 3-27 [1]
  23. Cave, Janet; Laura Foreman (1993). VIAGENS PSÍQUICAS. Col: MISTÉRIOS DO DESCONHECIDO. 22 2ª edição em português ed. Rio de Janeiro, RJ - Brasil: TIME-LIFE BOOKS. 144 páginas 

Bibliografia primária[editar | editar código-fonte]

  • Vieira, Waldo; 700 Experimentos da Conscienciologia, IIP, Rio de Janeiro (1994)