Proposta de aquisição da 21st Century Fox pela Disney

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A atual logomarca da The Walt Disney Company.
O atual logotipo da 21st Century Fox.

Em 14 de dezembro de 2017, a The Walt Disney Company anunciou a sua pretensão de adquirir a 21st Century Fox.[1][2] Sob os termos do acordo, a Disney irá adquirir os estúdios de filme e TV da Twentieth Century-Fox e ativos relacionados; canais de TV paga como FX Networks, redes regionais da Fox Sports; redes internacionais da Fox; grupo de TV por satélite indiano Star India; e parcelas na National Geographic Partners, Hulu e outros ativos, numa transação de 52,4 bilhões de dólares em estoque. Antes do completar a oferta, a Fox irá separar seus negócios de notícias e radiodifusão, que incluem a Fox News, Fox Business, FS1, FS2, Fox Deportes, a Big Ten Network, e os negócios de radiodifusão, nos quais a Disney não irá adquirir.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Em 6 de novembro de 2017, a rede CNBC noticiou que a The Walt Disney Company estava negociando uma oferta para adquirir o entretenimento filmado, por TV por assinatura, e divisões de transmissão direta por satélite (que incluem a 20th Century Fox, FX Networks, National Geographic Partners e divisões internacionais) da 21st Century Fox. A oferta excluiu divisões como a Fox Broadcasting Company, o lote de estúdios da 20th Century Fox, a Fox Television Stations, o canal Fox News, a Fox Business Network, a Fox Sports, que seria distribuídos numa empresa independente resultante; uma vantagem notável dessa compra seria a Disney podendo adquirir os direitos de distribuição para o primeiro filme de Star Wars e os direitos para o cinema das franquias Quarteto Fantástico e X-Men—nos quais a Disney não obteve através das respectivas aquisições da Lucasfilm e da Marvel Entertainment. As conversas foram paradas pelo dia sem uma oferta sendo finalizada,[4][5] mas a CNBC noticiou em 10 de novembro que o prospecção do negócio ainda não havia sido completamente abandonada.[6]

Devido a Disney ser dona da American Broadcasting Company (ABC) e a 21st Century Fox possuir a Fox Broadcasting Company, uma fusão completa das duas empresas seria ilegal através das regras da Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), que proíbem uma fusão entre qualquer uma das quatro maiores redes de radiodifusão.[7]

Em 16 de novembro de 2017, foi noticiado que a Comcast, a Verizon Communications e a Sony também se juntaram a Disney numa guerra de lances para os negócios chave da 21st Century Fox.[8][9] Durante uma recente reunião de acionistas, Lachlan Murdoch declarou que a 21st Century Fox não foi uma empresa "sub-escalada", por "encontrar dificuldade em alavancar suas posições em novas e emergentes plataformas de vídeo", mas tiveram "a escala por ser necessária para continuar a executarmos nossa estratégia de crescimento agressivo e entregar um aumento significativo dos retornos para os acionistas".[10]

Em 28 de novembro de 2017, foram noticiadas que as negociações entre a Disney e a Fox foram retomadas a um ritmo acelerado em relação aos principais ativos da Fox. Mike Fleming Jr. do Deadline.com comentou que "conforme a Disney fez com que a Marvel e a Lucasfilm negociassem sob o cone do silêncio, se isso acontecer, provavelmente só saberemos quando for anunciado. Certamente, está sendo falado hoje."[11] Rumores de um acordo próximo continuaram em 5 de dezembro de 2017, com notícias adicionais sugerindo que as redes de esporte regionais da FSN seriam incluídas na venda (negócios que podem ser alinhados com a divisão ESPN da Disney).[12][13][14][15]

Em 11 de dezembro de 2017, foi anunciado que a Comcast retirou seu lance nos ativos da Fox.[16] Em 14 de dezembro, a Disney e a Fox confirmaram a oferta de 52,4 bilhões de dólares, aguardando aprovação da Comissão Europeia e da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.[17]

Preocupações antitruste[editar | editar código-fonte]

Atualmente, a oferta esta aguardando aprovação pela Divisão Antitruste do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que já tinha bloqueado uma fusão entra a AT&T e a Time Warner. Esta operação, que deve ser estuda de 12 a 18 meses, é sujeita a preocupações antitruste e, portanto, irá encontrar problemas controversos. A oferta é uma fusão horizontal (isto é, na qual uma empresa compra outra companhia que produz os mesmos bens e produtos), diferentemente de uma fusão vertical (isto é, duas empresas que operam em um estágio separado do processo de produção para um produto finalizado específico), como as fusões da AT&T–Time Warner e da Comcast–NBCUniversal. Como tal, as fusões horizontais são mais escrutinadas e investigadas do que as fusões verticais, uma vez que provocam uma redução mais tangível da concorrência.[18]

Tanto a Disney e bem como a 20th Century Fox produzem filmes e séries de TV, o negócio irá reduzir o número de grandes estúdios de cinema em Hollywood de seis para cinco. Richard Greenfield, o analista da BTIG Research, escreveu que os ativos da Disney e Fox combinados terão 39% da fatia de mercado dos cinemas:[19]

O Recode estima que a Disney/Fox irá representar 40% dos quinze filmes nacionais de maior bilheteria de 2017, bem como 31% da receita da bilheteria.[20]

O deputado americano David Cicilline, de Rhode Island, democrata classificado no Subcomitê Antitruste da Câmara, expressou preocupação sobre a transação. Ele disse em um pronunciamento que “A proposta de compra da 21st Century Fox da Disney ameaça colocar o controle de TV, filme e conteúdo de notícias nas mãos de um único gigante da mídia. Se for aprovado, esta fusão poderia permitir que a Disney limite o que os consumidores podem assistir e aumentar suas contas de TV a cabo”. O congressista disse também que “a Disney ganhará mais de 300 canais, 22 redes de esportes regionais, controle sobre o Hulu e uma parcela significativa da Roku.” A inclusão da rede de esporte regional pode fazer com que a Disney tenha grande vantagem com distribuidores de TV paga. David Balto, um jurista antitruste e ex-diretor de política da Comissão Federal de Comércio, disse que "qualquer aumento na programação esportiva da Disney será extremamente problemático e sofrerá uma intensa escrutinação".[21]

O acordo rapidamente atraiu a oposição dos críticos, incluindo a Writers Guild of America West, a união que representa escritores de filme, TV e outras mídias. "As preocupações antitruste levantadas por este acordo são óbvias e significativas" por "aumentar substancialmente o poder de mercado de uma empresa Disney-Fox combinada", disse a união. A união acrescentou que irá "trabalhar para garantir que as leis antitruste da nossa nação sejam aplicadas." Por outro lado, também pode argumentar-se que a operação ainda deixa muitos concorrentes e que, com suas novas propriedades, a Disney pode competir com a Netflix no mercado de streaming em condições iguais.

Negócios[editar | editar código-fonte]

Foram incluídas na oferta a maioria dos negócios de entretenimento da Fox. Eles incluem:

Negócios de radiodifusão, notícias e esportes da Fox que não foram inclusos na oferta e formarão uma nova empresa chamada New Fox. Eles incluem:

Referências

  1. «The Walt Disney Company To Acquire Twenty-First Century Fox, Inc., After Spinoff Of Certain Businesses, For $52.4 Billion In Stock» (Nota de imprensa). The Walt Disney Company. 14 de dezembro de 2017. Consultado em 15 de dezembro de 2017 
  2. «The Walt Disney Company to Acquire Twenty-First Century Fox, Inc., After Spinoff of Certain Businesses, for $52.4 Billion in Stock» (Nota de imprensa). 21st Century Fox. 14 de dezembro de 2017. Consultado em 15 de dezembro de 2017 
  3. Nolter, Chris (14 de dezembro de 2017). «Disney Acquires Most of Fox's Assets in Blockbuster $52.4 Billion Stock Deal». TheStreet.com (em inglês). Consultado em 15 de dezembro de 2017 
  4. Shaw, Lucas; Sakoui, Anousha (6 de novembro de 2017). «Disney Explored Buying Fox Assets; Talks Now Dead». Bloomberg L.P. Consultado em 6 de novembro de 2017 
  5. White, Adam (7 de novembro de 2017). «Why Disney buying 20th Century Fox could be good news for Marvel and Star Wars fans». The Daily Telegraph (em inglês). ISSN 0307-1235. Consultado em 3 de dezembro de 2017 
  6. Moyer, Liz (10 de novembro de 2017). «Fox shares jump as 'pencils aren't down' on possible Disney deal». CNBC. Consultado em 10 de novembro de 2017 
  7. Johnson, Ted (5 de dezembro de 2017). «A Disney-Fox Deal Would Land at an Uncertain Moment for DOJ Review of Big Media». Variety. Consultado em 15 de dezembro de 2017 
  8. James, Meg (16 de novembro de 2017). «Comcast jumps into bidding war for 21st Century Fox's media assets». Los Angeles Times. Consultado em 16 de novembro de 2017 
  9. Bond, James (17 de novembro de 2017). «Sony Also Inquiring About 21st Century Fox Assets». The Hollywood Reporter (em inglês). Consultado em 17 de novembro de 2017 
  10. Littleton, Cynthia (16 de novembro de 2017). «21st Century Fox Shares Soar on Reports of Comcast Acquisition Overture, Verizon Interest». Variety (em inglês). Consultado em 17 de novembro de 2017 
  11. Fleming Jr., Mike (28 de novembro de 2017). «Bart & Fleming: Sparks Rekindling On Disney-Fox Deal? Should Shamed Artists & Execs Be Stricken From History?». Deadline.com. Consultado em 28 de novembro de 2017 
  12. Faber, David (5 de dezembro de 2017). «Disney and Fox are closing in on deal, could be announced next week: Sources». CNBC. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  13. Jackson, Eric (5 de dezembro de 2017). «Disney's latest proposal to Fox is a big bet on local TV sports -- and ESPN». CNBC. Consultado em 5 de dezembro de 2017 
  14. Andreeva, Nellie; Fleming, Mike (6 de dezembro de 2017). «Disney-Fox: What Happens To FBC, Will Disney Become OTT Powerhouse & How Will Teams & Cultures Mesh If Deal Makes». Deadline.com. Consultado em 7 de dezembro de 2017 
  15. Littleton, Cynthia (8 de dezembro de 2017). «Disney, Fox Huddle With Bankers as Deal Talks Progress». Variety. Consultado em 8 de dezembro de 2017 
  16. Littleton, Cynthia (11 de dezembro de 2017). «Disney Nearing Finish Line With 21st Century Fox as Comcast Bows Out of Acquisition Hunt». Variety. Consultado em 11 de dezembro de 2017 
  17. Castillo, Michelle (14 de dezembro de 2017). «Disney to buy 21st Century Fox assets in a deal worth more than $52 billion in stock». CNBC. Consultado em 14 de dezembro de 2017 
  18. Primack, Dan; Fischer, Sara (14 de dezembro de 2017). «Trump steps into Disney-Fox fray». Axios. Consultado em 14 de dezembro de 2017 
  19. Johnson, Ted (14 de dezembro de 2017). «Disney-Fox Deal Lands at Uncertain Time for Antitrust Enforcement». Variety. Consultado em 14 de dezembro de 2017 
  20. Molla, Ranni (14 de dezembro de 2017). «Disney-Fox Acquisition, 40 Percent Box Office Hits». Recode. Consultado em 15 de dezembro de 2017 
  21. James, Meg; Peltz, James F. (14 de dezembro de 2017). «Massive Disney-Fox deal expected to get close antitrust scrutiny». Los Angeles Times. Consultado em 15 de dezembro de 2017 
  22. Thompson, Jenna Marotta,Anne (14 de dezembro de 2017). «Disney's Buy: What Happens to 21st Century Fox's Leadership, Fox Searchlight, and 'X-Men'?». IndieWire (em inglês). Consultado em 15 de dezembro de 2017 
  23. «Disney and Fox – the deal no one thought would ever be made | T Dog Media». www.tdogmedia.com (em inglês). Consultado em 15 de dezembro de 2017 

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

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