Protestos na Armênia em 2020−2021

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Protestos na Armênia em 2020−2021
Protests in Yerevan against the 2020 ceasefire agreement in Nagorno-Karabakh.jpg
Protestos na frente da Ópera de Yerevan contra os termos do acordo de cessar-fogo de 2020 em Nagorno-Karabakh.
Período 10 de Novembro de 2020 – presente
Local Arménia Armênia
Situação Em andamento
Causas Um acordo de cessar-fogo assinado pelo primeiro-ministro da Armênia Nikol Pashinyan
Objetivos
  • Cancelamento do acordo de cessar-fogo de Nagorno-Karabakh
  • Renúncia do primeiro-ministro Nikol Pashinyan
  • Formação de um governo de unidade nacional provisório de um ano seguido por eleições antecipadas[1]
Características Manifestações, distúrbios civis, bloqueios de ruas
Participantes do conflito
Arménia Manifestantes antigovernamentais
  • Opositores do acordo assinado[2]
  • Armênios étnicos deslocados de Nagorno-Karabakh como resultado da guerra[3]
  • Parentes dos soldados mortos, feridos e de prisioneiros de guerra.


Arménia Governo da Armênia
Líderes

Apoiado por

Protestos na Armênia em 2020−2021 (também conhecidos como Marcha da Dignidade; [11] em armênio/arménio: Արժանապատվության երթ[12]) são uma série de protestos em andamento que começaram na sequência do acordo de cessar-fogo de Nagorno-Karabakh em 10 de novembro de 2020.[13] Após o primeiro-ministro Nikol Pashinyan anunciar que assinou um acordo para ceder os territórios ocupados pelos armênios no Azerbaijão e pôr fim a seis semanas de hostilidades na região de Nagorno-Karabakh, milhares de pessoas foram às ruas e centenas invadiram o prédio do Parlamento na capital Yerevan. [14] Os protestos continuaram ao longo de novembro, com manifestações em Yerevan e outras cidades exigindo a renúncia de Nikol Pashinyan. [15]

Os protestos foram liderados por duas coalizões políticas diferentes. O Pólo Democrático Nacional, uma aliança de dezesseis figuras políticas; e o Movimento de Salvação da Pátria, uma aliança de dezessete partidos de oposição, incluindo o antigo partido governante Partido Republicano da Armênia, a Armênia Próspera (o maior partido de oposição no parlamento), e a Federação Revolucionária Armênia. Em 3 de dezembro, o Movimento de Salvação da Pátria anunciou o ex-primeiro-ministro Vazgen Manukyan como seu candidato para liderar um governo interino. Além das duas coalizões de oposição, várias figuras públicas pediram à renúncia do primeiro-ministro Pashinyan, incluindo o então presidente da Armênia Armen Sarkissian, o ex-presidente Levon Ter-Petrosyan, ambos os catholicoi da Igreja Apostólica Armênia Karekin II e Aram I, e o líder do terceiro maior partido no parlamento Edmon Marukyan (que anunciou sua própria candidatura ao cargo de primeiro-ministro), bem como vários governadores regionais e prefeitos.[1]

No início de dezembro, a proibição de reuniões em massa e greves estipulada pela lei marcial imposta em setembro foi levantada. [16] Em 22 de dezembro, foi convocada uma greve geral que revigorou os protestos.

Em 25 de fevereiro de 2021, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Armênias Onik Gasparyan e mais de quarenta outros oficiais militares de alto escalão emitiram uma declaração pedindo a renúncia de Pashinyan, que Pashinyan denunciou como uma tentativa de golpe militar. [17]

Contexto[editar | editar código-fonte]

Durante a Guerra de Nagorno-Karabakh em 2020, que começou em 27 de setembro de 2020, as Forças Armadas do Azerbaijão tomaram o controle de muitos assentamentos, incluindo a cidade estrategicamente importante de Shusha, após uma batalha de três dias. A guerra terminou com uma vitória do Azerbaijão em 9 de novembro, e um cessar-fogo foi assinado entre ambas as partes e a Rússia. [14] Conforme o acordo, as forças armênias e azerbaijanas permanecerão em suas posições até que a Armênia devolva ao Azerbaijão os territórios que ocupou ao redor de Nagorno-Karabakh (distritos de Kalbajar, Aghdam e Lachin, exceto o corredor de Lachin). O Azerbaijão manterá todos os territórios conquistados durante a guerra, e cerca de 2.000 forças russas de manutenção da paz serão implantadas no território restante. [18] Embora o acordo tenha sido amplamente celebrado no Azerbaijão, [19][20] foi visto como uma derrota desastrosa na Armênia, e alguns armênios rapidamente tomaram as ruas. Os manifestantes chamaram o primeiro-ministro Pashinyan de "traidor" e exigiram que ele renunciasse, anulasse o acordo de paz e reiniciasse a guerra. [21]


Referências

  1. a b «As Ultimatum Expires, Protests Continue». EVN Report (em inglês) 
  2. «Никол Пашинян попал в послевоенное положение». kommersant.ru (em russo). Kommersant. 11 de novembro de 2020 
  3. «Fresh crisis brews in Armenia after Nagorno-Karabakh peace deal». aljazeera.com (em inglês). Al Jazeera. 12 de novembro de 2020 
  4. «Opposition Parties Choose Vazgen Manukyan as Prime Minister Candidate». 3 de dezembro de 2020 
  5. «На акции протеста в Ереване начались задержания ее участников». regnum.ru (em russo). REGNUM News Agency. 20 de novembro de 2020 
  6. «На митинге в Ереване Пашиняна призвали покаяться и уйти Протесты в Ереване». ИА Красная Весна 
  7. «Serzh Sargsyan's office - Nikol Pashinyan to be mentioned in history as coward and a leader with stigma of a traitor stamped on forehead by the people» 
  8. Tamrazian, Hrayr (4 de março de 2021). «Ռոբերտ Քոչարյանն աջակցում է «Հայրենիքի փրկության շարժման» վարչապետի թեկնածու Վազգեն Մանուկյանին». azatutyun.am (em arménio). RFE/RL 
  9. Zargaryan, Robert (1 de março de 2021). «Բանակի հրամանատարությանը վարչապետն իրավունք չունի պաշտոնից ազատելու, հայտարարում է Օհանյանը». azatutyun.am (em arménio). RFE/RL 
  10. «Մեր թիկունքում ողջ բանակն է, և մենք շատ արագ պետք է այս գործն ավարտին հասցնենք. Յուրի Խաչատուրով». yerkirmedia.am (em arménio). Yerkir Media. 1 de março de 2021 
  11. «Anti-Pashinyan demonstrators rally in "March of Dignity"». Armenpress. 15 de dezembro de 2020 
  12. «Երևանում մեկնարկում է վարչապետի հրաժարականի պահանջով «Արժանապատվության երթը»». Azatutyun. 16 de dezembro de 2020 
  13. «Novos protestos na Armênia aprofundam crise.». UOL. 1 de março de 2021 
  14. a b Kramer, Andrew E. (10 de Novembro de 2020). «Facing Military Debacle, Armenia Accepts a Deal in Nagorno-Karabakh War». The New York Times 
  15. Rival Rallies In Yerevan As Armenia Reels From Nagorno-Karabakh Truce (em inglês) 
  16. «Armenia lifts certain restrictions envisaged by martial law». armradio.am (em inglês) 
  17. «Armenian armed forces demand PM's resignation». JAMnews (em inglês). 25 de fevereiro de 2021 
  18. «Deal Struck to End Nagorno-Karabakh War». The Moscow Times 
  19. Dixon, Robyn (10 de Novembro de 2020). «Cease-fire in Nagorno-Karabakh provokes protests in Armenia, celebrations in Azerbaijan». The Washington Post (em inglês) 
  20. «Armenia, Azerbaijan and Russia sign Nagorno-Karabakh peace deal». BBC News (em inglês). 10 de novembro de 2020 
  21. Qazi, Anealla Safdar,Shereena. «Tensions persist despite Nagorno-Karabakh peace deal: Live news». Al Jazeera English