Protestos no Quirguistão em 2020

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Протесты в Бишкеке 2020.jpg

Os protestos de 2020 no Quirguistão começaram em 5 de outubro de 2020 em resposta à eleição parlamentar de 2020 que foi considerada injusta pelos manifestantes.[1][2] O resultado da eleição foi anulado em 6 de outubro de 2020.[3]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O Quirguistão enfrentou duas revoluções durante o início do século XXI: a Revolução das Tulipas em 2005 e a Revolução Quirguiz de 2010.[4] Em agosto de 2020, o presidente do Quirguistão, Sooronbay Jeenbekov, indicou que as eleições parlamentares não seriam adiadas, apesar da pandemia de coronavírus.[5] Durante as eleições, vários partidos foram acusados de comprar votos.[6] Vários jornalistas também relataram que foram assediados ou atacados.[7] Dos partidos que chegaram ao parlamento, apenas o Quirguistão Unido se opõe consistentemente ao governo incumbente liderado por Jeenbekov.[8]

Analistas políticos vincularam os protestos de 2020 a uma divisão socioeconômica do Quirguistão entre o sul agrário e o norte mais desenvolvido. Dos resultados eleitorais iniciais, 100 dos 120 assentos foram ocupados por sulistas que apoiavam Jeenbekov. Durante a presidência de Jeenbekov, o Quirguistão se juntou à União Econômica Eurasiática liderada pela Rússia e fechou o Centro de Transito de Manas que os estadunidenses usavam para a Guerra do Afeganistão.[9]

Histórico[editar | editar código-fonte]

5 de outubro[editar | editar código-fonte]

Os protestos começaram em 5 de outubro de 2020, com uma multidão de mil pessoas,[1] que cresceu para pelo menos 5 mil pessoas à noite em Bishkek (capital do Quirguistão) em protesto contra os resultados e as alegações de compra de votos nas eleições parlamentares.[2] Após o anoitecer, na sequência de uma operação policial para remover os manifestantes da Praça Ala-Too com gás lacrimogêneo e canhões de água, os manifestantes atacaram policiais com pedras e feriram dois deles.[10][11] O ex-presidente Almazbek Atambayev foi libertado da prisão.[12]

6 de outubro[editar | editar código-fonte]

No início da manhã de 6 de outubro de 2020, os manifestantes recuperaram o controle da Praça Ala-Too no centro de Bishkek.[13] Também conseguiram tomar os edifícios da Casa Branca e do Conselho Supremo nas proximidades, atirando papel das janelas e incendiando-os,[14] também entrando nos escritórios do presidente. Um manifestante morreu e 590 outros ficaram feridos.[15]

No dia 6 de outubro, na sequência dos protestos, as autoridades eleitorais do país anularam os resultados das eleições parlamentares.[3] O membro da Comissão Eleitoral Central Gulnara Jurabaeva também revelou que a comissão estava considerando a autodissolução.[16]

Nesse ínterim, grupos de oposição alegaram estar no poder após tomar prédios do governo na capital, nos quais vários governadores de província teriam renunciado.[14] O presidente Sooronbay Jeenbekov declarou que enfrentava um golpe de Estado,[14] então disse à BBC que estava "pronto para dar a responsabilidade a líderes fortes".[17]

Provavelmente devido à pressão do protesto, o primeiro-ministro Kubatbek Boronov renunciou, citando o deputado Myktybek Abdyldayev como o novo orador.[18]

7 de outubro[editar | editar código-fonte]

De acordo com o Ministério da Saúde, nada menos que 768 pessoas feridas durante os protestos foram tratadas por hospitais e clínicas do país na manhã de quarta-feira.[19] De acordo com a Reuters, pelo menos três grupos distintos já tentaram reivindicar a liderança.[20]

Enquanto isso, parlamentares quirguizes iniciaram procedimentos de impeachment contra Jeenbekov, de acordo com um parlamentar do partido de oposição Ata-Meken, Kanybek Imanaliev.[21]

9 de outubro[editar | editar código-fonte]

Jeenbekov declarou estado de emergência, ordenando que tropas fossem posicionadas em Bishkek. A declaração impõe um toque de recolher de 12 horas até 21 de outubro.[22] Tiroteios foram ouvidos durante violentos confrontos em Bishkek que eclodiram após a declaração de Jennbekov.[23] Jeenbekov aceitou formalmente a renúncia de Boronov.[24]

10 de outubro[editar | editar código-fonte]

As forças especiais do Quirguistão detiveram o ex-presidente Almazbek Atambayev em uma incursão em seu complexo.[25]

O ex-membro do Parlamento Sadyr Japarov, que foi libertado da prisão em 5 de outubro por manifestantes, foi eleito primeiro-ministro interino pelo Parlamento.[26]

15 de outubro: Renúncia do presidente[editar | editar código-fonte]

O presidente do país renunciou renunciou ao cargo em 15 de outubro de 2020, após uma onda de protestos tomarem a capital pedindo sua renúncia, alegando fraude nas eleições parlamentares. De acordo com um comunicado da presidência, Jeenbekov disse que não queria entrar para a história do país "como o presidente que provocou um derramamento de sangue ao atirar contra seus concidadãos", e essa foi a razão pelo o qual "[eu] decidi renunciar [ao cargo]".[27]

Referências

  1. a b Pannier, Bruce. «Backlash Against Kyrgyz Parliamentary Election Results Comes Instantly». Radio Free Europe/ Radio Liberty. RFE/RL, Inc. 
  2. a b «Thousands protest over Kyrgyzstan election result». 5 de outubro de 2020 – via BBC News 
  3. a b «Kyrgyzstan election: Sunday's results annulled after mass protests». BBC. 6 de outubro de 2020 
  4. Azamat Temirkulov (29 de Julho de 2010). «Kyrgyz "revolutions" in 2005 and 2010: comparative analysis of mass mobilization» 
  5. «No Coronavirus Postponement And No Front-Runners So Far In Kyrgyz Elections». 7 de agosto de 2020 
  6. Namatbayeva, Tolkun (5 de outubro de 2020). «Monitors decry vote-buying in Kyrgyz parliamentary vote» (em inglês). AFP – via Yahoo! 
  7. Furlong, Ray (4 de outubro de 2020). «Videos show apparent vote-buying in Kyrgyz elections». Radio Free Europe/Radio Liberty 
  8. Ovozi, Qishloq (3 de outubro de 2020). «Kyrgyzstan: A Guide To The Parties Competing In The Parliamentary Elections». Radio Free Europe/Radio Liberty (em inglês) 
  9. Ivan Nechepurenko (7 de outubro de 2020). «Kyrgyzstan in Chaos After Protesters Seize Government Buildings». The New York Times 
  10. Staff, Reuters (5 de outubro de 2020). «Kyrgyz police use teargas, water cannon to disperse protesters» – via Reuters 
  11. «Protests in Kyrgyzstan over alleged vote rigging». Al Jazeera English. 5 de outubro de 2020 
  12. «Opposition in Kyrgyzstan claims power after storming government buildings». CNN. 6 de outubro de 2020. Protesters then broke into the headquarters of the State Committee on National Security and freed former president Almazbek Atambayev, who was sentenced to a lengthy prison term this year on corruption charges after falling out with Jeenbekov, his successor. 
  13. «Демонстранты полностью контролируют площадь «Ала-Тоо»». Радио Азаттык (Кыргызская служба Радио Свободная Европа/Радио Свобода) (em russo) 
  14. a b c «Opposition in Kyrgyzstan claims power after storming government buildings». Reuters. 6 de outubro de 2020 
  15. «Protesters seize Kyrgyzstan's seat of government: Reports». The Straits Times. 6 de outubro de 2020 
  16. «ЦИК Киргизии признал прошедшие парламентские выборы недействительными» (em russo). 6 de outubro de 2020 
  17. «Kyrgyzstan election: Embattled president hints he may stand down». BBC. 6 de outubro de 2020 
  18. «Kyrgyz PM Boronov resigns, new speaker named - report». National Post (em inglês) 
  19. «Смена власти в Кыргызстане. День третий». Медиазона. Центральная Азия (em russo). 7 de outubro de 2020 
  20. «Kyrgyz opposition groups make rival power grabs after toppling government». Reuters. 7 de outubro de 2020 
  21. «Kyrgyz Parliamentarians launch impeachment procedure against President Jeenbekov». nation.com.pk. 7 de outubro de 2020 
  22. Olga Dzyubenko (9 de outubro de 2020). «Kyrgyzstan president declares state of emergency». Reuters 
  23. «Gunfire reported in Kyrgrz capital amid deep political crisis». Al Jazeera. 9 de outubro de 2020 
  24. «Amid political crisis, Kyrgyz president accepts PM's resignation». Al Jazeera. 9 de outubro de 2020 
  25. «Kyrgyzstan unrest: Ex-president rearrested as power struggle deepens». BBC. 10 de outubro de 2020 
  26. Higgins, Andrew. «A Convicted Kidnapper Is Chosen to Lead Government of Kyrgyzstan». New York Times 
  27. «Kyrgyzstan president Jeenbekov resigns after unrest». Reuters. Consultado em 15 de outubro de 2020