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Províncias de Angola

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Províncias de Angola
Categoria Província
Local República de Angola
Populações Menor população: Cuando, 138.770
Maior população: Luanda, 8.816.297
Áreas Menor: Luanda, 1.655 km²
Maior: Moxico, 126.432 km²

As Províncias de Angola são as subdivisões administrativas de primeiro nível do país. Um total de 21 províncias existem no território angolano, e cada província está organizada em partes menores chamadas municípios, que somam 326. Os municípios podem se dividir em partes ainda menores chamadas comunas. Em todo o território angolano existem 378 comunas.[1] As comunas podem ter uma ou mais cidades, vilas e aldeias em seu interior.[2]

A Constituição Angolana afirma que os órgãos do Estado organizam-se respeitando, entre outros, o princípio da autonomia local, bem como o da unidade e da integridade territorial, implícito na Constituição.[2]

História

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Período português

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Em 1861, a Angola Portuguesa compunha-se de cinco distritos: Luanda, Benguela, Moçâmedes, Ambriz e Golungo Alto. Os seus limites, segundo o disposto na Carta Constitucional portuguesa de 1826, e de acordo com o Tratado de Aliança e Amizade, de 1810, o Tratado de 22 de Janeiro de 1815, e a Convenção de 1817, eram: ao norte a latitude 5º12'S, e muito mais ao norte segundo o direito anterior, e ao sul a de 18º, ao longo da costa que corre na linha nor-noroeste - su-sudeste.[3]

Em 1951, a colônia portuguesa de Angola tornou-se uma província ultramarina de Portugal, classificação que continuou até a independência de Angola em 1975.[4]

Pós-independência

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Na Lei Constitucional original, de 11 de Novembro de 1975, a República Popular de Angola dividia-se em “províncias, concelhos, comunas, círculos, bairros e povoações”. Estas subdivisões deveriam ser autónomas, contudo essa descentralização não ocorria de facto, uma vez que as autoridades administrativas dos concelhos eram todas nomeadas pela Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).[2]

A Constituição de 1992 afirmou a existências das mesmas subdivisões apontas na Constituição anterior, porém, substituiu o termo concelho, atribuindo-lhe a denominação de município.[2]

Províncias

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Angola encontra-se organizada em 21 províncias, que são a maior subdivisão a nível nacional.[5] A cidade de Luanda, capital do país, localiza-se na província homónima, que é a maior em população entre todas as províncias.[6][7]

Mapa das províncias de Angola nomeadas

Cada província angolana possui certo grau de autonomia garantida pela Constituição.[2]

Província Código
ISO[8]
Capital Área
(km²)
População
(Censo 2024)[9]
Municípios[1] Comunas[1]
Bengo BGO Caxito 20 300 716 335 12 26
Benguela BLA Benguela 39 124 2 597 638 23 12
Bié BIE Cuíto 70 745 2 264 874 19 30
Cabinda CDA Cabinda 7 270 903 370 10 8
Cuando CDO Mavinga 109 346 138 770 9 6
Cuanza Norte CNO Nadalatando 20 426 659 097 17 24
Cuanza Sul CSU Sumbe 55 554 2 327 981 24 23
Cubango CGO Menongue 91 466 570 447 11 12
Cunene CNE Ondijiva 77 156 1 806 417 14 10
Huambo HBO Huambo 33 296 2 691 902 17 30
Huíla HLA Lubango 78 897 3 302 866 23 28
Ícolo e Bengo IBE Catete 17 223 1 372 670 7 11
Luanda LDA Luanda 1 655 8 816 297 16 13
Lunda Norte LNO Dundo 99 197 1 742 217 19 20
Lunda Sul LSU Saurimo 82 443 893 936 14 4
Malanje MJE Malanje 87 136 1 298 250 27 38
Moxico MOX Luena 126 432 574 253 12 13
Moxico Leste MLE Cazombo 75 421 411 074 9 4
Namibe NAM Moçâmedes 57 170 815 708 9 11
Uíge UIG Uíge 62 920 2 017 921 23 44
Zaire ZAI Mabanza Congo 37 327 682 658 11 18
Total AO Luanda 1 246 700 36 604 681 326 378

Em 2012, Bornito de Sousa, então ministro da Administração do Território, admitiu a possibilidade de revisão administrativa das províncias do Moxico e do Cuando-Cubango, as duas maiores de Angola, com a finalidade de facilitar a gestão administrativa, uma vez que alguns municípios ficam a mais de 600 quilómetros da capital de sua província.[10]

Caso concretizada a pretensão do governo, Angola passaria a ter 21 províncias,[10] uma vez que o Cuando Cubango dividiria-se em duas e o Moxico em três províncias (Moxico, Luchazes e Alto Zambeze).[10]

A reforma administrativa das províncias de Bengo e Luanda, obedecendo à Lei 29/11, de 1 de setembro de 2011,[11] e efetivada em 2019, cedeu parte do território do Bengo para a província de Luanda,[12] mais exactamente os municípios de Ícolo e Bengo e Quissama, os dois municípios juntos possuem uma população de cerca de 100 mil habitantes.[13][14]

A partir de de 2025, Angola passou a contar com 21 províncias.[15]

Referências

  1. a b c «Diário da República - 1.ª Série - n.º 171» (PDF). Consultado em 30 de novembro de 2025 
  2. a b c d e Onofre Martins dos Santos (2012). «O Município na Constituição Angolana» (PDF). Lisboa: Instituto de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Consultado em 5 de agosto de 2019 
  3. Sebastião Lopes de Calheiros e Menezes (1867). Relatório do governador geral da Província de Angola, Sebastião Lopes de Calheiros e Menezes, referido ao anno de 1861. [S.l.]: Imprensa Nacional. p. 3-5 
  4. «Angola, Trilhos Para o Desenvolvimento» (PDF). Universidade Aberta. 2002. Consultado em 5 de agosto de 2019 
  5. Teodoro Albano (14 de março de 2013). «Angola vai ter novos municípios». Voa Portugueses. Consultado em 5 de agosto de 2019 
  6. «Províncias de Angola - Welcome to Angola». www.welcometoangola.co.ao. Consultado em 20 de novembro de 2016 
  7. Consulado Geral da República de Angola no Porto (2014). «Províncias de Angola». Consultado em 5 de agosto de 2019 
  8. Codificação das Unidades Territoriais
  9. «Resultados Definitivos do Recenseamento Geral da População e Habitação - 2024» (PDF). 20 de novembro de 2025. Consultado em 24 de novembro de 2025 
  10. a b c Rede Angola (17 de julho de 2014). «Uma Angola com 21 províncias». Rede Angola. Consultado em 29 de agosto de 2019 
  11. Jose Bule (22 de agosto de 2019). «Quiçama quer recuperar as vias para abrir caminho ao crescimento». Jornal de Angola. Consultado em 29 de agosto de 2019 
  12. Adebayo Vunge (19 de julho de 2019). «Faz falta a Luanda um projecto comum». Jornal de Angola. Consultado em 29 de agosto de 2019 
  13. Instituto Nacional de Estatística. «Quissama». Censo 2014. Consultado em 29 de agosto de 2019 
  14. Instituto Nacional de Estatística. «Icolo e Bengo». Censo 2014. Consultado em 29 de agosto de 2019 
  15. «Jornal de Angola». Jornal de Angola. 5 de agosto de 2024 

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